Mostrando postagens com marcador Curiosidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Curiosidades. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O TRISTE FIM DE OVELHAS, VACAS, CABRAS, PORCOS E GALINHAS

Pintura de um túmulo egípcio, por volta de 1200 a.C.: um par de bois arando um campo.

À medida que os humanos se espalharam pelo mundo, os animais domesticados também o fizeram. Há dezenas de milhares de anos, não mais de alguns milhões de ovelhas, vacas, cabras, javalis e galinhas viviam em nichos seletos na África e na Ásia. Hoje, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o mundo tem cerca de um bilhão de ovelhas, um bilhão de porcos, mais de um bilhão de cabeças de gado e mais de 25 bilhões de galinhas. E eles estão pelo mundo todo, só no Brasil são 218,23 milhões de cabeças de gado, mais bois e vacas do que gente. As galinhas domesticadas são as aves mais disseminadas até hoje. Depois do Homo sapiens, o gado, o porco e a ovelha são, nessa ordem, os grandes mamíferos mais difundidos no mundo.

Infelizmente, a perspectiva evolutiva é um parâmetro de sucesso relativo. Julga tudo segundo os critérios de sobrevivência e reprodução, sem considerar o sofrimento e a felicidade individuais. As galinhas e as vacas domesticadas podem ser uma história de sucesso evolutivo, mas também estão entre as criaturas mais miseráveis que já existiram. A domesticação de animais se baseou em uma série de práticas brutais que só se tornaram cada vez mais cruéis com o passar dos séculos.

A expectativa de vida natural de galinhas selvagens é de 7 a 12 anos, e de bovinos é de 20 a 25 anos. Já a grande maioria das galinhas e vacas domesticadas no mundo hoje é abatida com algumas semanas ou no máximo alguns meses de vida.

Galinhas chocadeiras, vacas leiteiras e animais de carga às vezes têm a chance de viver por muitos anos. Mas o preço é a sujeição a um estilo de vida completamente alheio a suas necessidades e desejos. É razoável supor, por exemplo, que os bois preferem passar seus dias vagando por pradarias abertas na companhia de outros bois e vacas do que puxando carroças e arados sob o jugo de um primata com chicote.

A fim de transformar bois, cavalos, jumentos e camelos em animais de carga obedientes, seus instintos naturais e laços sociais tiveram de ser destruídos, sua agressão e sexualidade, contidas e sua liberdade de movimento, restringida. Os criadores desenvolveram técnicas como trancar animais em jaulas e currais, contê-los com rédeas e arreios, treiná-los com chicotes e aguilhadas e mutilá-los. O processo de domesticar quase sempre envolve a castração dos machos. Isso restringe sua agressividade e permite que os humanos controlem seletivamente a procriação do rebanho.

Referências:


HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. Tradução Janaína Marcoantonio. 11 ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2016.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

HOMO SAPIENS: UM ASSASSINO EM SÉRIE


[...] A megafauna da Nova Zelândia – que sobrevivera mudança climática de cerca de 45 mil anos atrás sem um único arranhão – sofreu golpes devastadores imediatamente depois que os primeiros humanos puseram os pés nas ilhas. Os maoris, os primeiros colonizadores sapiens da Nova Zelândia, chegaram às ilhas há cerca de 800 anos. Em poucos séculos, a maior parte da megafauna local foi extinta, junto com 60% de todas as espécies de pássaros.

Um destino similar acometeu a população de mamutes da ilha de Wrangel, no oceano Ártico (200 quilômetros ao norte da costa siberiana). Os mamutes prosperaram por milhões de anos na maior parte do hemisfério norte, mas, quando o Homo sapiens se espalhou – primeiro pela Eurásia e depois pela América do Norte –, eles recuaram. Há 10 mil anos, não havia um único mamute a ser encontrado no mundo, exceto em algumas poucas ilhas remotas no Ártico, mais notadamente na de Wrangel. Os mamutes de Wrangel continuaram a prosperar por mais alguns milênios e então desapareceram de maneira abrupta há cerca de 4 mil anos, justo quando os primeiros humanos chegaram à ilha [...]

 [...] O povoamento da América não ocorreu sem derramamento de sangue. Deixou para trás um longo rastro de vítimas. A fauna americana há 14 mil anos era muito mais rica do que hoje. Quando os primeiros americanos marcharam rumo ao sul, do Alasca para as planícies do Canadá e o oeste dos Estados Unidos, encontraram mamutes e mastodontes, roedores do tamanho de ursos, rebanhos de cavalos e de camelos, leões gigantes e dezenas de espécies grandes que são completamente desconhecidas em nossos dias, entre as quais os temíveis tigresdentes- de-sabre e as preguiças-gigantes, que chegavam a pesar 8 toneladas e podiam ter até 6 metros de altura. A América do Sul abrigava uma coleção ainda mais exótica de grandes mamíferos, répteis e aves. As Américas eram um grande laboratório de experimentação evolutiva, um lugar em que animais e plantas desconhecidos na África e na Ásia haviam evoluído e prosperado.

Mas não mais. Dois mil anos após a chegada dos sapiens, a maioria dessas espécies singulares havia desaparecido. De acordo com as estimativas atuais, nesse curto intervalo a América do Norte perdeu 34 de seus 47 gêneros de grandes mamíferos. A América do Sul perdeu 50 de 60. Os tigres-dentes-de-sabre, depois de florescer por mais de 30 milhões de anos, desapareceram, tal como as preguiças-gigantes, os leões-americanos, os cavalos e camelos nativos do continente, os roedores gigantes e os mamutes. Milhares de espécies de mamíferos menores, répteis, aves e até mesmo insetos e parasitas também se extinguiram (quando os mamutes morreram, todas as espécies de carrapatos de mamute tiveram o mesmo destino).


Se a extinção australiana e americana fosse um acontecimento isolado, poderíamos conceder aos humanos o benefício da dúvida. Mas o registro histórico faz o Homo sapiens parecer um assassino em série da ecologia.

FONTE:


HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. Tradução Janaína Marcoantonio. 11 ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2016. PG. 76 -77.

sábado, 16 de dezembro de 2017

OS ACHÉS: NOSSA ATROS E FASCINANTE PRÉ-HISTÓRIA

Muito podemos aprender com nosso passado histórico. Quanto mais distante no tempo o acontecimento mais difícil fica entender e compreender a história humana, a exemplo da pré-história. Mas, se olharmos para o tempo mais presente ao nosso, podemos aprender muito. Veja abaixo o exemplo disposto no livro "Sapiens: uma breve história da humanidade", de Yuval Noah Harari:

[...] Os achés, caçadores-coletores que viveram nas selvas do Paraguai até os 56 anos 1960, dão uma ideia do lado negro do sistema de caça e coleta. Quando um membro valorizado do bando morria, os achés costumavam matar uma garotinha e enterrar os dois juntos. Os antropólogos que entrevistaram os achés registraram um caso em que um bando abandonou um homem de meia-idade que adoeceu e não conseguia acompanhar os demais. Ele foi deixado sob uma árvore. Abutres se empoleiraram sobre ela, à espera de uma refeição substanciosa. Mas o homem se recuperou e, caminhando depressa, conseguiu se juntar ao grupo novamente. Seu corpo estava coberto de fezes de pássaros, e por isso ele foi apelidado de “Excremento de Abutre”.

Quando uma mulher aché idosa se tornava um fardo para o resto do bando, um dos homens mais jovens se esgueirava atrás dela e a matava com um golpe de machado na cabeça. Um homem aché contou aos antropólogos histórias sobre seus primeiros anos na selva. “Eu costumava matar mulheres idosas. Matei minhas tias [...] As mulheres tinham medo de mim [...] Agora, aqui com os brancos, eu me tornei fraco.” Bebês nascidos sem cabelo, considerados subdesenvolvidos, eram mortos imediatamente. Uma mulher lembrou que sua primeira bebê foi morta porque os homens não queriam mais uma menina no bando. Em certa ocasião, um homem matou um garotinho porque ele estava “de mau humor e a criança estava chorando”. Outra criança foi enterrada viva porque “tinha uma aparência engraçada e as outras crianças riam dela”.

No entanto, devemos ter cuidado para não julgar os achés depressa demais. Os antropólogos que viveram com eles durante anos relatam que a violência entre adultos era muito rara. Mulheres e homens eram livres para escolher seus parceiros à vontade. Eles sorriam e riam constantemente, não tinham hierarquia e geralmente esquivavam-se de povos dominadores. Eram extremamente generosos com suas poucas posses e não eram obcecados com sucesso nem com riqueza. As coisas que mais valorizavam na vida eram boas interações sociais e boas amizades. Eles viam a morte de crianças, pessoas doentes e idosos como muitas pessoas hoje veem o aborto e a eutanásia. Também deve ser observado que os achés eram caçados e mortos sem piedade pelos fazendeiros paraguaios. É bem provável que a necessidade de escapar de seus inimigos os levasse a adotar uma atitude atipicamente cruel para com qualquer um que pudesse se tornar um fardo para o bando.

A verdade é que a sociedade aché, como toda sociedade humana, era muito complexa. Devemos tomar cuidado para não os demonizar nem idealizá-los com base em um conhecimento superficial. Os achés não eram anjos nem demônios – eram humanos. Como também eram os antigos caçadores-coletores.

FONTE:

HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. Tradução Janaína Marcoantonio. 11 ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2016.


Kim Hill e A. Magdalena Hurtado. Aché Life History: The Ecology and Demography of a Foraging People (Nova York: Aldine de Gruyter, 1996), 164, 236.

Imagens disponíveis em: https://www.survivalinternational.org/news/10264. Acesso em 16 de dezembro de 2017.

sábado, 9 de dezembro de 2017

A MAIS BELA HISTÓRIA DA VIDA NESTE PLANETA


Prof. Douglas Barraqui

Uma das mais impressionantes, belas e, ao mesmo tempo, destrutivas histórias da vida no nosso planeta, Terra, é a história da humanidade. Surgimos, homo sapiens, na África, a pouco mais, pouco menos, 200 mil anos. E, de maneira avassaladora evoluímos, nos transformamos e fomos capazes de transformar a face desse planeta como nenhuma outra espécie já mais pensou em conseguir.

VAMOS PENSAR UM POUCO

Homo sapiens, o homem sábio, possui uma característica peculiar, cérebro grande. Um cérebro de 1400 centímetros cúbicos, 2 a 3 % do peso corporal, é extremamente custoso para o corpo. Não é fácil carregar. É difícil de abastecer. Em repouso nosso cérebro consome 25% da energia do nosso corpo. Ter um cérebro gigante nos custou caro: passamos mais tempo em busca de comida. Os músculos atrofiaram. Basicamente desviamos energia dos bíceps para os neurônios. É fato, um gorila ou um chimpanzé não pode ganhar uma discussão com você, homo sapiens, mas pode parti-lo ao meio na porrada facilmente.

MÃOS HABILIDOSAS

Homo sapiens, o homem habilidoso, possui um par de mãos com cinco dedos cada que lhe permitiram desenvolver habilidades únicas. Quando mais coisas podíamos tocar, mais sucesso os sapiens tinham. Em nossas mãos nervos e músculos se ajustaram de tal maneira que somos capazes de desenvolver atividades extremamente complexas para qualquer outro animal deste planeta. Em particular somos capazes de usar e produzir ferramentas complexas com nossas poderosas e habilidosas mãos. O primeiro indício de produção de ferramentas data de aproximadamente 2,5 milhões de anos atrás quando um de nossos ancestrais, o homo habilis, usou a pedra como uma ferramenta. O uso mais comum das primeiras ferramentas de pedra foi para abrir os ossos para chegar ao tutano. Para alguns especialistas o tutano, com altíssimo valor nutritivo, visto que é rico em proteínas, gorduras e ferro, foi nosso nicho original.

A VIDA ERETA

Adaptar-se a uma posição ereta foi um desafio. Até hoje temos dores nas costas e rigidez no pescoço. As mulheres, fêmeas da espécie sapiens, pagaram ainda mais caro. Andar ereto exigiu quadris mais estreitos o que constringiu o canal do parto. Aliado a bebês com cabeças cada vez maiores, a morte durante o parto era uma consequência dramática para as fêmeas. Assim, as mulheres que davam à luz mais cedo, com o cérebro e a cabeça do bebe ainda relativamente pequenos e em formação, se saiam melhor e sobreviviam para ter mais filhos. Podemos dizer, então, que a seleção natural favoreceu os nascimentos precoces.

SOCIALIZAR-SE

Uma vez nascidos os bebês sapiens são indefesos. Ao passo que nasceram prematuramente,  muitos de seus sistemas vitais ainda estão subdesenvolvidos. Assim, um bebê sapiens depende enormemente dos mais velhos para sustento, proteção e educação. Esse fato contribuiu decisivamente para o desenvolvimento de uma maior socialização entre os seres humanos. Mães solitárias dificilmente conseguiriam manter viva a sua prole. Criar filhos requeria ajuda constante de outros membros da família e de vizinhos. Os seres humanos em tribo tinham um desempenho maior em relação aos bandos. Assim, a evolução favoreceu aqueles que eram capazes de formar fortes laços sociais, sendo capazes de educar e socializar seus filhos e futuras gerações.

UMA RAÇA DE COZINHEIROS

Um passo decisivo rumo ao topo evolutivo foi dominar e domesticar o fogo. Há cerca de 800 mil anos, algumas espécies humanas passaram a fazer uso esporádico do fogo. Provavelmente fruto de um raio que caiu em uma árvore, provocando um incêndio, ou mesmo das brasas incandescentes de algum vulcão em erupção. O fogo significava luz e calor nas noites escuras e frias; significava uma arma para afugentar grandes predadores e possibilitou o homem cozinhar. Alimentos que os humanos antes não conseguiam digerir em sua forma natural, como trigo, arroz e batatas, tornaram-se itens essenciais da nossa dieta, graças ao cozimento. Cozinhar matava germes, bactérias e parasitas que infestavam alimentos, melhorando a nossa saúde, aumentando significativamente nossa expectativa de vida. A mudança na nossa dieta trouxe um encurtamento do trato intestinal e o crescimento, ainda maior, do cérebro.

 SAÍMOS DA ÁFRICA

Deixamos a África há 70 mil anos. Passando pela península Arábica chegamos rapidamente a Ásia e em pouco tempo pisaríamos na América, provavelmente via estreito de Bering. Quando os sapiens chegaram ao Oriente Médio e à Europa, encontraram os neandertais. Esses humanos eram maiores, mais fortes e mais musculosos que os sapiens, tinham ainda cérebro maior e eram mais bem adaptados ao clima frio europeu. O contato e o choque foram inevitáveis. Sapiens e neandertais eram anatomicamente diferentes e, muito provavelmente, possuíam hábitos e até mesmo odor corporal diferentes. Ora sapiens e neandertais procriaram entre si (teoria da miscigenação), ora sapiens e neandertais saíram no tapa, desencadeando genocídios (teoria da substituição). O fato é que, se você está lendo este artigo, os sapiens sobreviveram.

Não há como negar, foi um longo caminho até você. Um longo, impressionante, instigante e avassalador caminhar evolutivo que fez de nós uma espécie deus de si e desse planeta. Nenhuma outra espécie fez o que fizemos. Nenhuma outra espécie faz o que fazemos. Não somos melhores ou piores, somos apenas sapiens.

Referências:


HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. Tradução Janaína Marcoantonio. 11 ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2016. 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O SUPER-HOMEM INSPIRADO EM JESUS

Prof. Douglas Barraqui


Assisti o filme “Liga da Justiça”. O filme baseado na equipe homônima da DC Comics, produzido pela Warner Bros Pictures, me chamou a atenção novamente para o Super-Homem, agora ressuscitado. A história do Super-Homem, não há como negar, é muito bíblica, o que não significa que é evangelista. Um olhar atento aos filmes que retratam o Super-Homem e você não precisa nem ser especialista em cristianismo para notar que:

1°) UNIDADE ENTRE PAI E FILHO:
No filme Superman 1978, quando Jor-El enviou seu filho à Terra, o livrando da catástrofe de seu planeta natal Krypton, ele diz:
“- Tudo o que sou, tudo o que sei eu transmito a você, meu filho. E o filho se torna o pai e o pai se torna o filho.”
(Filme Superman 1978).
A frase mostra uma unidade entre pai e filho bem semelhante ao texto de João 10:30:
“Eu e o Pai somos um.”.

2°) OS PAIS:
Super-Homem foi adotado por Martha e Jonathan Kent, representando respectivamente Mary (Maria) e Joseph (José). O nome original de Martha era Mary e o nome do meio de Jonathan permaneceu Joseph.

3°) O SOBRENOME:
O sobrenome da família original de Super-Homem, El, é uma palavra hebraica para Deus. Como na história de Cristo, El (analogia para Deus) o pai envia o filho para proteger a Terra e “para mostrar-lhes o caminho”.
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16

4°) O CELEIRO:
Quando a nave de Super-Homem chega à terra, ela bate próxima a fazenda dos Kent. Jonathan, então, encontra a criança e esconde a nave no celeiro. Jesus nasceu numa espécie de celeiro.
“Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias, e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.” Lucas 2:6-7

5°) A RESSURREIÇÃO
A ressurreição é descrita na bíblia como a maior vitória de Cristo sobre a morte. E a maior demonstração dessa vitória foi quando Jesus ressuscitou no terceiro dia. No filme “Liga da Justiça” passaram-se três anos desde a morte do Super-Homem


Quero, novamente, descartar a hipótese de que a história do Homem de Aço seja evangelista. Tão pouco estou afirmando aqui que o Super Homem das telonas seja o Jesus da bíblia. Contudo o homem que tem como símbolo esperança no peito nos lembra muito de outro homem que também simbolizou esperança. 

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O PECADO NOS ENVELHECE


Prof. Douglas Barraqui

Abaixo você pode ver um dos grandes atos de Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, um dos maiores artistas da renascença, disposto na suntuosa, artisticamente falando, Capela Sistina situada no Palácio Apostólico, residência oficial do Papa na Cidade-Estado do Vaticano.

Na pintura de um lado Adão e Eva aparecem colhendo a fruta do pecado, que a tradição teológica identificou como sendo a maça. E do ouro lado, já pecadores, Adão e Eva aparecem sendo expulsos do paraíso, velhos e com aparência cansada. A juventude lhes foi roubada pelo pecado. O pecado nos envelhece.


Um olhar atento à obra perceberá na posição de Eva, abaixada na altura da genitália de Adão e o mesmo que se encontra com seu órgão sexual ereto, outro pecado. Seria mesmo essa a intenção de Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni.

sábado, 22 de abril de 2017

JULGAMENTO E MORTE DE SÓCRATES

Prof. Douglas Barraqui
La Mort de Socrate -  1787 - Jacques-Louis David

Acusado de corromper a juventude, filhos da aristocracia, com novas crenças e de induzi-los a duvidar dos valores tradicionais e religiosos de Atenas. Sócrates foi levado ao banco de réus.

Sócrates dizia escutar uma voz interna que ele chamava de “daimon”. Acreditava que era como um deus que lhe dizia o que podia ou não fazer.

Sócrates não se defendeu, aceitou sua condenação. Teve a oportunidade de fugir, mas não aceitou em fidelidade as leis da pólis. Teve a opção de ir para o exílio e abandonar suas crenças, mas, desistiu por sua vocação filosófica. Sócrates escolheu a morte por alto envenenamento por cicuta.

Na pintura, Platão aparece sentado melancolicamente na beira da cama e Críton segurando o joelho de Sócrates.

A pintura “A morte de Sócrates” de Jacques-Louis David (1787) é considerada uma das mais importantes obras primas que retrata a Antiguidade Clássica e está exposta em Nova Iorque no Metropolitan Museum of Art.

quinta-feira, 23 de março de 2017

CRUZADA POPULAR OU CRUZADA DOS MENDIGOS (1096)

Prof. Douglas Barraqui 
O monge Pedro o Eremita em cruzada, montado em um burro (iluminura francesa, c.1270

A Cruzada Popular ou Cruzada dos Mendigos foi tida como extra-oficial. O monge Pedro, o Eremita, graças a suas pregações comoventes, conseguiu reunir uma multidão de mulheres, velhos e crianças, católicos fervorosos e fanáticos.

Maltrapilhos e sem recursos os cruzados atacaram vilarejos, pilharam plantações, atacaram infiéis ricos a exemplo dos judeus. Inspirado por Pedro o Eremita, o conde Emich de Leisengen marcou a própria testa com queimadura em forma de cruz e liderou um grupo de peregrinos para atacar os judeus da cidade de Spier.

Auxiliado por um cavaleiro, Guautério Sem-Haveres (nobre sem herança), os peregrinos atravessaram a Alemanha, Hungria e Bulgária, causando desordens e desacatos, sendo em parte aniquilados pelos búlgaros.

Em 1 de agosto de 1096, chegaram em péssimas condições a Constantinopla. Mal equipada e mal alimentada saquearam algumas plantações. Ainda assim, o imperador bizantino Aleixo I Comneno recebeu os seguidores do eremita em Constantinopla.

Prudentemente, Aleixo aconselhou o grupo a aguardar a chegada de tropas mais bem equipadas. Mas a turba começou a saquear a cidade. O imperador bizantino, desejando afastar aquele bando turbulento de sua capital, obrigou-os a se alojar fora de Constantinopla, perto da fronteira muçulmana, e procurou incentivá-los a atacar os infiéis. Foi um desastre, pois a Cruzada dos Mendigos chegou muito enfraquecida à Ásia Menor, onde foi arrasada pelos turcos. Somente um reduzido grupo de integrantes conseguiu juntar-se à cruzada dos cavaleiros.


O exército do Eremita partiu, então, para atacar a fortaleza de Niceia. Conseguiram tomá-la, os cruzados comemoraram se embriagando, sem saber que estavam caindo numa emboscada. O sultão mandou seus cavaleiros cercarem a fortaleza e cortarem os canais que levavam água aos invasores. Foi uma questão de tempo para que a sede e a fome se encarregasse de aniquilá-los e derrotá-los.

REFERÊNCIA:

WILLIAMS, Paul L. O guia completo da Cruzadas. 1 1 ed. São Paulo: Madras (2007). 326 páginas.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

INDEPENDÊNCIA OU MORTE: A PINTURA DE MOREAUX

Prof. Douglas Barraqui



A tela “A proclamação da Independência”, de 1844, foi feita a pedido do Senado Imperial e foi pintada por François-René Moreaux. A obra encontra-se hoje, no Museu Imperial de Petrópolis, Rio de Janeiro. Segue abaixo uma breve analise que fiz sobre a pintura e a mensagem que ela quer passar. 


No centro do quadro, D. Pedro aparece cercado por soldados e pessoas comuns. Pedro acena com seu chapéu, passando uma mensagem de união e harmonia entre o príncipe e o povo, seus súditos. D. Pedro olha para o céu como se seu ato fosse uma realização divina.



Na intenção de situar o épico acontecimento em terras tupiniquins, Moreaux cometeu a gafe de inserir alguns coqueiros. Um erro, pois os coqueiros eram típicos, para a época, das paisagens do nordeste e não de São Paulo. 



Enquanto a maioria dos personagens da obra lançam seus olhos para o céu, uma menina volta seu olhar para o espectador da obra. A intenção é de atrair o espectador para o momento épico apresentado. E uma senhora ajoelhada em sinal de respeito a D. Pedro.



Ao contrário de D. Pedro e seus soldados, as pessoas que assistem o episódio estão em movimento acenando, caminhando e se abraçando. A intenção é de transmitir a ideia de felicidade do povo.






“INDEPENDÊNCIA OU MORTE”: O GRITO EXISTIU?

Prof. Douglas Barraqui

Riacho do Ipiranga, setembro de 1822, o príncipe regente D. Pedro, futuro imperador do Brasil e rei de Portugal, estava com fortes dores intestinais. Se via obrigado, em intervalos regulares, a apear do animal que o transportava, uma mula, para “prover-se” no denso matagal que cobria as margens da estrada. Acredita-se que tenha sido algum alimento mal conservado ingerido no dia anterior em Santos, no litoral paulista, ou a água contaminada das bicas e chafarizes que abasteciam as tropas de mula na serra do Mar.

D. Pedro era acompanhado por uma comitiva relativamente modesta para a importância daquele momento histórico. Além da guarda de honra, acompanhavam D. Pedro o coronel Marcondes, o padre Belchior, o secretário itinerante Luís Saldanha da Gama, futuro marquês de Taubaté, os criados particulares João Carlota e João Carvalho e o ajudante Francisco Gomes da Silva, “O Chalaça” (algo como zombeteiro, gozador ou piadista),  que acumulava as funções de “amigo, secretário, recadista e alcoviteiro” de D. Pedro.

Antes mesmo da subida da serra os problemas intestinais forçaram o príncipe a se refugiar na modesta estalagem situada à beira do porto. Maria do Couto, responsável pelo estabelecimento, preparou-lhe um chá de folha de goiabeira, remédio ancestral usado no Brasil contra diarreia.

No cair da tarde daquele Sete de Setembro a comitiva chegou à colina do Ipiranga. Por ordem do príncipe que, mais uma vez se vira compelido por fortes dores estomacais, a jornada foi mais uma vez interrompida. Em tupi-guarani, Ipiranga significa “rio vermelho”. Naquela época, apesar da tonalidade escura e barrenta de suas águas (daí a denominação), era um arroio selvagem e sem poluição. Hoje, é um canal de esgotos encaixotado sob o asfalto e o concreto de uma das maiores metrópoles do planeta, São Paulo.

D. Pedro ainda estava no alto da colina quando chegou a galope, vindo de São Paulo, o alferes Francisco de Castro Canto e Melo. Ajudante de ordens, amigo de D. Pedro e irmão de Domitila de Castro Canto e Melo, a futura marquesa de Santos, amante de D. Pedro I. Ao se encontrar com a comitiva real, Canto e Melo trazia notícias inquietantes, mas sequer teve tempo de transmiti-las a D. Pedro. Logo atrás dele chegaram dois mensageiros da corte do Rio de Janeiro. Exaustos e esbaforidos, Paulo Bregaro, oficial do Supremo Tribunal Militar, e o major Antônio Ramos Cordeiro que, praticamente sem dormir, tinham percorrido a cavalo cerca de quinhentos quilômetros em cinco dias. Eram portadores de mensagens urgentes enviadas por José Bonifácio e a princesa Leopoldina, mulher de D. Pedro, encarregada de presidir as reuniões do ministério na ausência do marido. A carta da princesa Leopoldina recomendava ao marido prudência e que ouvisse com atenção os conselhos de José Bonifácio. A mensagem do ministro dizia que informações vindas de Lisboa davam conta do embarque de 7.100 soldados que, somados aos seiscentos que já tinham chegado à Bahia, tentariam atacar o Rio de Janeiro e esmagar os partidários da Independência. Diante disso, Bonifácio afirmava que só haveria dois caminhos para D. Pedro. O primeiro seria partir imediatamente para Portugal e lá ficar prisioneiro das cortes, condição na qual já se encontrava seu pai, D. João. O segundo era ficar e proclamar a Independência do Brasil, “fazendo-se seu imperador ou rei”.

Mas, e o brado “Independência ou Morte”, famoso “grito do Ipiranga”? Ele existiu? Veja abaixo três relatos para os fatos que ocorreram:

Relato do Padre Belchior:

Pela descrição do padre Belchior não houve sobre a colina do Ipiranga o “Independência ou Morte”. Veja o relato do padre abaixo:

“D. Pedro, tremendo de raiva, arrancou de minhas mãos os papéis e, amarrotando-os, pisou-os e deixou-os na relva. Eu os apanhei e guardei. Depois, virou-se para mim e disse:

— E agora, padre Belchior?

Eu respondi prontamente:

— Se Vossa Alteza não se faz rei do Brasil será prisioneiro das cortes e, talvez, deserdado por elas. Não há outro caminho senão a independência e a separação.

D. Pedro caminhou alguns passos, silenciosamente, acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro, Carlota e outros, em direção aos animais que se achavam à beira do caminho. De repente, estacou já no meio da estrada, dizendo-me:

— Padre Belchior, eles o querem, eles terão a sua conta. As cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Pois verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações. Nada mais quero com o governo português e proclamo o Brasil, para sempre, separado de Portugal.

Respondemos imediatamente, com entusiasmo:

— Viva a Liberdade! Viva o Brasil separado! Viva D. Pedro!

O príncipe virou-se para seu ajudante de ordens e falou:

— Diga à minha guarda que eu acabo de fazer a independência do Brasil. Estamos separados de Portugal”.

Relato do alferes Canto e Melo:

O relato do Alferes foi registrado bem mais tarde. Em um momento em que o acontecimento já havia entrado para o panteão dos momentos épicos nacionais. A versão do alferes Francisco de Castro Canto e Melo e irmão de Domitila de Castro Canto e Melo, de tom obviamente militar, mostra um príncipe resoluto e determinado. Por ela, D. Pedro teria lido a correspondência e, “após um momento de reflexão”, teria explodido, sem pestanejar:

“— É tempo! Independência ou morte! Estamos separados de Portugal!”

Relato do Coronel Marcondes:

O coronel Marcondes, infelizmente não estava no alto da colina do Ipiranga em condições de esclarecer as contradições entre os depoimentos do padre Belchior e do alferes Canto e Melo.

“Diante da guarda, que descrevia um semicírculo, [D. Pedro I] estacou o seu animal e, de espada desembainhada, bradou:

— Amigos! Estão, para sempre, quebrados os laços que nos ligavam ao governo português! E quanto aos topes daquela nação, convido-os a fazer assim!

E arrancando do chapéu que ali trazia a fita azul e branca, a arrojou no chão, sendo nisto acompanhado por toda a guarda que, tirando dos braços o mesmo distintivo, lhe deu igual destino.

— E viva o Brasil livre e independente — gritou D. Pedro.

Ao que, desembainhando também nossas espadas, respondemos:

— Viva o Brasil livre e independente! Viva D. Pedro, seu defensor perpétuo!
E bradou ainda o príncipe:

— Será nossa divisa de ora em diante: Independência ou Morte!

Por nossa parte, e com o mais vivo entusiasmo, repetimos:

— Independência ou Morte!”

Como um simples tropeiro, coberto pela lama e a poeira do caminho, às voltas com as dificuldades naturais do corpo e de seu tempo, por volta de 16:30 do dia 7 de setembro de 1822, D. Pedro, que completaria 24 anos um mês depois, no dia 12 de outubro, proclamou a Independência do Brasil as margens do rio Ipiranga, hoje um valão.

Se houve ou não o grito “independência ou morte”, talvez nunca vamos saber. O fato é que aquela cena que nas palavras de Laurentino Gomes: “... real é bucólica e prosaica, mais brasileira e menos épica do que a retratada no quadro de Pedro Américo. E, ainda assim, importantíssima. Ela marca o início da história do Brasil como nação independente”.

REFERÊNCIAS:

GOMES, Laurentino. 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado / Laurentino Gomes - Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2010.


SOUSA, Octávio Tarquínio de. História dos fundadores do Império do Brasil: a vida de D. Pedro I (três volumes). Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1988.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A CENA E O PRANDIUM


Entre os hábitos cotidianos dos romanos estavam a cena e o prandium, duas maneiras de realizar as refeições que retratavam, respectivamente, a importância dada ao lazer e às atividades militares e políticas.

“Os romanos conheciam dois tipos de refeições opostas, a cena e o prandium. A primeira reunia homens, sempre deitados (quando há mulheres, elas, tradicionalmente, ficam sentadas) em um lugar coberto – casa, pórtico ou jardim coberto (…); um grupo social bem definido – família, clientela, amigos da mesma idade, corporação profissional ou sacerdotal, vizinhos – partilha os prazeres da mesa por ocasião de uma festa. O número de convivas é limitado a uma dezena, mas o número de salas de jantar pode-se multiplicar. Mesmo que os banqueteadores se limitem aos habitantes de uma quinta – um camponês, sua mulher, seus filhos, suas noras, seus netos, alguns criados –, a cena, de qualquer maneira, é uma festa, apesar do pouco luxo; ela é sempre uma ocasião especial.

(…) Mas o romano geralmente come apenas o bastante para se restaurar, sem cerimônia, frequentemente só, não importando onde e quando. Porém, ele não consome qualquer coisa: come apenas alimentos revigorantes, ‘frugais’, compostos de fruges. Este é o prandium.

Assim, o dia do romano não é regulado pelo horário das refeições, uma vez que o alimento indispensável é consumido quando ele sente necessidade, e os banquetes constituem eventos especiais. Em compensação, a oposição entre cena e prandium inscreve-se nas oposições de tempo e de espaço preexistentes.

A cena pertence ao tempo do otium, ou seja, do lazer e da paz. O otium romano implica duas formas de vacuidade. O otiusus não é um guerreiro, o otiusus não está engajado em uma atividade cívica. Uma cena, geralmente, acontece numa tarde de inverno, na sala de jantar de uma casa de Roma ou de uma quinta do campo romano; reúne, durante duas ou três horas, homens lavados, sossegados, vestidos com togas ou túnicas largas, esquecidos das preocupações com a labuta da manhã. O banquete termina ao cair da noite.

Em compensação, o prandium é a única refeição dos romanos engajados na guerra, na atividade política ou em qualquer outra que requeira esforço (labores). Ele pode consistir em um desjejum matinal, uma refeição leve em torno do meio-dia, mas não tem nada de obrigatório. É, também, o jantar do solitário e do soldado em campanha, a única refeição das famílias enlutadas. (…)”

REFERÊNCIA:

FLANDRIN, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo. História da alimentação. 4. ed. São Paulo: Estação Liberdade, 1998.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A REAL HISTÓRIA DO REAL

Prof. Douglas Barraqui

Na política existe a versão dos vencedores, daqueles que estão ou estiveram no poder; existe a versão daqueles que são ou estiveram na oposição e existe a versão dos bastidores.

Não vou me ater às questões econômicas, nem tenho formação para isso. Vou me preocupar com a história dita oficial e os seus bastidores. Um livro muito bom, que busquei como referência, foi “A Real História do Real” da jornalista Maria Clara Prado.

Em 1993 Fernando Henrique Cardoso foi nomeado para o cargo de Ministro da Fazenda pelo então Presidente Itamar Franco. Um dos Principais problemas econômicos do nosso país naquele momento era a inflação.  FHC não trabalhou sozinho, contava com economistas renomados e experientes como Edmar Bacha, Pérsio Árida e André Lara Resende que foram responsáveis pelo, que digamos ser o, rascunho do plano real.

O real tornou-se a moeda brasileira no dia 1º de julho 1994. O FHC foi Ministro da Fazenda até março daquele ano, quando saiu para se candidatar a presidência pelo PSDB. Portanto, como podemos ver, antes do real ter sido lançado FHC já havia descido do barco. Quando FHC saiu do Ministério da Fazenda, é o próprio Itamar confirmou isso publicamente em várias entrevistas, o plano Real não estava pronto. Quem assume o ministério da fazenda foi Rubens Ricupero, o homem, que segundo Itamar, disciplinou o plano real.

Maria Clara Prado destaca que o Plano Real foi, na verdade, a aplicação do chamado Plano Larida, desenhado por Pérsio Árida e André Lara Resende, que na verdade buscaram inspiração, eu diria copiaram, um plano econômico monetário de Israel. Segundo Maria Clara Prado havia três cabeças por trás do plano real: Edmar Bacha, Pérsio Árida e André Lara Resende.

Antes mesmo das campanhas eleitorais de 1994 o PSDB, com apoio da grande mídia, assume a maternidade do plano real e coloca FHC como seu pai. Cá entre nós uma excelente propaganda para um partido em plena corrida eleitoral.

Podemos dizer que ao governo FHC pode-se atribuir o mérito de ter conseguido colocar em prática o que de fato previa o plano real.  E o erro de Itamar, ele mesmo assumiu publicamente antes de morre em 2011, foi deixar FHC assinar as notas.

REFERÊNCIAS:

PRADO, Maria Clara R. M. A Real História do Real. Grupo editorial Record.


SAYAD, João. Observações sobre o Plano Real. Est. Econ. São Paulo. Vol. 25, Nº Especial, págs. 7-24, 1995-6

domingo, 24 de abril de 2016

ZUMBI: UM SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA

Prof. Douglas Barraqui

Sua cabeça foi cortada à faca, Seus olhos foram arrancados, sua mão direita foi cortada e seu pênis, símbolo de sua virilidade, foi decepado e enfiado em sua própria boca que foi costurada em seguida. A cabeça foi salgada e exposta na praça da cidade de Recife, onde apodreceu em praça pública.

No dia 20 de Novembro de 1695, com 40 anos, Zumbi foi assassinado. Emboscado pelo capitão Furtado de Mendonça. Zumbi foi vítima da traição de um amigo, Antônio Soares, que logo depois de se aproximar de Zumbi e cumprimentá-lo, teria desferido um golpe de punhal.


Zumbi entraria para história como símbolo de luta dos negros escravos do Brasil pela liberdade. O dia 20 de novembro se torna Dia da Consciência Negra. Passados 320 anos da morte de Zumbi os negros do nosso país ainda travam duras batalhas contra o trabalho análogo a escravidão, desigualdade social, miséria e o preconceito racial.  

REFERÊNCIA:

CARNEIRO, Edison. O Quilombo dos Palmares. Editora Civilização Brasileira, 3a ed., Rio, 1966, p. 35

quarta-feira, 20 de abril de 2016

OBRA PRIMA DA ANTIGUIDADE: ZIGURATE DE UR

Prof. Douglas Barraqui

Os zigurates são monumentos piramidais, construído em patamares superpostos, característico da arquitetura religiosa da mesopotâmia. Com acesso por rampas e escadarias ao topo, onde se erigia um santuário. Suas dependências também serviam de salvaguarda das provisões de cereais e para observação dos astros.

O bem preservado zigurate de Ur (Templo da Lua), de origem suméria, no atual Iraque é uma das obras primas da arquitetura da antiguidade. Erguida entre 2113 e 2096 a.C. por ordem do rei sumério Ur-Nammu. Detêm 21 metros de altura por 62,5 x 43 metros em sua base.


“Nas cidades mesopotâmicas, as construções mais importantes eram as ligadas às grandes instituições, ao templo e ao rei. Sendo a moradia da divindade tutelar da cidade, o templo era o símbolo central do bem-estar local e, em geral, a estrutura mais alta. Os reis reformavam e reconstruíam os templos dos centros religiosos importantes como sinal da aprovação divina”. (RATHBONE, 2011, p. 118)

Fotografia: Josh McFall, 26.07.2005.


Fotografia: Josh McFall, 26.07.2005.

REFERÊNCIAS:

BERRIGAN, Joseph. Ziggurats of Ancient Mesopotamia. Acesso em: 20 de abril de 2016.

GIORDANI, Mário Curtis. História da Antiguidade Oriental. 13 ed. Petrópolis: Vozes, 1969.