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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Um Pouco de Ação na Proclamação da República


Por Douglas Barraqui
Como historiador aficionado pelo passado, sempre olhei entusiasmado para os acontecimentos do dia 15 de novembro de 1889. Vejo esse episódio importante da história do Brasil como um momento repleto de ação, emoção e mesmo com uma pitada de aventura. Sei que a Proclamação da República e seus desdobramentos não possuem lá grandes adereços dentro da nossa história, mas, com esse fato único da história do Brasil, alguma coisa podemos aprender.
Como um rasto de pólvora a notícia de que o Visconde de Ouro Preto, chefe do gabinete imperial de D. Pedro II, havia mandado prender Benjamin Constant e Deodoro da Fonseca, se espalhou pela capital Rio de Janeiro na noite do dia 14 de novembro de 1889. Mais tarde saberemos, tratava-se de um blefe.
Visconde de Ouro Preto
O golpe que originalmente estava marcado para o dia 20 de novembro daquele ano, havia então sido antecipado. Deodoro, antes indisposto ao golpe, pela sua amigável relação com imperador D. Pedro II, agora se colocava à frente da “Revolução” com seus soldados, pronto a fazê-la.
Já era noite e os conspiradores republicanos se apressaram em fazer com que o blefe chegasse a Deodoro. Mesmo sofrendo de desconforto para respirar que se estendia à constante falta de ar, mal conhecido como dispnéia - naquela madrugada do dia 15, estava tão abatido que precisava da ajuda de dois oficiais para se virar -  Deodoro acabou sendo convencido a liderar o movimento. Talvez algo que tenha sido decisivo para que Deodoro tomasse a frente do movimento foi saber que, a partir de 20 de novembro do mesmo ano, seu grande rival Silveira Martins seria o novo presidente do Conselho de Ministros do Império. Silveira Martins e Deodoro eram rivais desde os tempos das investidas no Rio Grande do Sul. Ambos chegaram a disputar a atenção da bela e viúva baronesa do Triunfo, que segundo conta os anais da história, preferira Silveira Martins. Desde então ambos trocavam farpas.
Benjamin Constant
Acreditando no boato, recebido pela boca do Major Frederico Solón de Sampaio Ribeiro, de que seria preso pelo governo imperial. Na manhã de 15 de novembro Deodoro, debilitado e contrariando as ordens do seu médico Carlos Cross, pegou uma charrete em companhia do alferes e seu primo Augusto Cincinato de Araújo e foi ao encontro das tropas.
Na Rua Senador Eusébio, altura do gasômetro, estavam as forças sublevadas que vinha na direção contrária comandadas pelo tenente-coronel João Batista da Silva Teles, tendo ao lado Benjamin Constant. Ao chegar no Campo do Santana, fraco e cambaleando o marechal pediu para montar um cavalo. Temerosos de que o velho comandante não tivesse forças para se manter sobre o animal, o alferes Eduardo Barbosa cedeu-lhe o cavalo baio número 6, considerado o mais dócil da tropa do Primeiro Regimento.
Manuel Deodoro da Fonseca
Deodoro atravessou o Campo de Santana e, do outro lado do parque, onde hoje está localizado o Palácio Duque de Caxias, Com voz firme e decidida começou a disparar ordens e comandos aos seiscentos homens armados com espadas, fuzis e dezesseis canhões.   Conclamou os soldados que ali estavam aquartelados a se rebelarem contra o governo imperial.
Os homens sobre o comando de Deodoro postaram-se em frente ao quartel onde estava reunido o presidente do gabinete, então primeiro-ministro, Ouro Preto e seus ministros, protegidos por 1.096 homens que, recrutados às pressas, estavam encarregados de proteger o edifício. O que Ouro Preto não sabia é que o comandante desses homens, general José de Almeida Barreto, estava comprometido com os revolucionários. Deodoro chamou um oficial e determinou que levasse ao general a ordem para mudar de posição. Passado quinze minutos, notou que Almeida Barreto ainda não cumprira a determinação. Deodoro repetiu o comando e mais uma vez não foi atendido. Então, pela terceira vez, o marechal teria exclamado um recado um tanto quanto enérgico e sugestivo: “menino vá dizer a Barreto que faça o que já por duas vezes ordenei, ou então que meta sua espada do c..., pois não preciso dela.”
Quintino Bocaiúva
Os civis começaram a aparecer. O jornalista Quintino Bocaiúva foi um deles. Silva Jardim, desafeto de Bocaiúva, não foi avisado e perdeu a chance de testemunhar o evento - mais tarde, em viagem ao sul da Itália, Jardim seria tragado pela cratera do Vesúvio. Aparecera também José da Costa Azevedo, barão de Ladário, vinha juntar-se ao ministério de Ouro Preto. Deodoro mandou que os tenentes Adolfo Pena e Lauro Muller o prendessem. Ao dar a voz de prisão ao barão este sacou uma pistola e disparou em direção aos oficiais que revidaram imediatamente. Ambos erraram o alvo. Ladário sacou outra pistola e deu um segundo tiro, errou e foi alvejado por quatro disparos. Deodoro gritou: “não matem esse homem”. Levado a um hospital, Ladário, milagrosamente, sobreviveu.
No interior do quartel Ouro Preto disparava ordens. Ordenou ao comandante do destacamento local e responsável pela segurança do Paço Imperial, general Floriano Peixoto, que enfrentasse os amotinados, explicando ao general Floriano Peixoto que havia, no local, tropas legalistas em número suficiente para derrotar os revoltosos. O Visconde de Ouro Preto lembrou a Floriano Peixoto que este havia enfrentado tropas bem mais numerosas na Guerra do Paraguai. Porém, o general Floriano Peixoto recusou-se a obedecer às ordens dadas pelo Visconde de Ouro Preto e assim justificou sua insubordinação, respondendo ao Visconde de Ouro Preto: “Sim, mas lá (no Paraguai) tínhamos em frente inimigos e aqui somos todos brasileiros!”.
Floriano Vieira Peixoto
Pouco depois da nove horas da manhã Deodoro determinou que os portões do quartel fossem abertos. Deodoro adentrou o recinto e subiu em direção do salão onde estavam os ministros. Ao adentrar pela porta, sua figura imponente com barba cerrada e olhos penetrantes, fez-se um silêncio. De pé, diante dos ministros fez um discurso permeado de queixas. Destacando que só o exército sabia sacrificar-se pela pátria.
Viva a República”. A lendária frase que diziam ter sido exclamada por Deodoro, de fato não há evidencias que assim o foi, pelo contrário: Sampaio Ferraz, jovem jornalista eufórico com tudo aquilo que estava acontecendo, seguindo instruções de Bocaiúva, teria se colocado diante das grades do portão e gritado “viva a República”. Ao ouvi-lo Deodoro determinou que se calasse, pois ainda era cedo.
"Proclamação da República", 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927). Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo
O ato da proclamação prosseguiu com um desfile de tropas pela Rua Direita, atual Rua 1º de Março, até o Paço Imperial. Na tarde do mesmo dia 15 de novembro líderes republicanos civis, Deodoro da Fonseca e o tenente-coronel Benjamin Constant, se encontravam na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, onde foi solenemente e oficialmente proclamada a República.
Celso Castro, renomado historiador, afirma que a maioria dos soldados que integravam o movimento golpista estavam ali apenas seguindo ordens, não estavam conscientes de que se pretendia derrubar a monarquia. Eram, portanto, atores involuntários do drama, seguindo ordens de seus superiores.
José do Patrocínio, na noite do dia 15, redigiu a proclamação oficial da República dos Estados Unidos do Brasil, aprovada mesmo que sem votação. O então texto foi para as gráficas e jornais que apoiavam a causa, que não eram poucos, e somente no dia 16 de novembro o povo soube que mudara o regime político. Acabava o império, proclamada estava à República. E o povo como reagiu? Não reagiu. Poucos sabiam o verdadeiro significado da República ou mesmo como funcionava essa forma de governo. O povo fez valer um velho axioma de Lima Barreto: “O Brasil não tem povo, tem público”.
Referências:
BARBOSA, Rui. Ditadura e República. Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1932.
CALMON. A Vida de Dom Pedro II - O Rei filósofo, Blibioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, 1975.
CAMPOS SALES, Dr. Manuel Ferraz de. Da Propaganda à Presidência. Edição Fac-similar, Senado Federal, Brasília, 1998. CHAVES DE MELLO, Maria Tereza, A República Consentida, Editora FGV, EDUR, Rio de Janeiro, 2007.
FONSECA, Deodoro. Deodoro e a Verdade Histórica. Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, 1939.
FREIRE, Gilberto, Ordem e Progresso, páginas 180 e 181, Editora Record, 5ª edição.
GOMES, Laurentino. 1889: como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da monarquia e a proclamação da República no Brasil / Laurentino Gomes. - 1. ed. - São Paulo : Globo, 2013.
JANOTTI, Maria de Lourdes Mônaco. Os Subversivos da República. Editora Brasiliense, São Paulo, 1986.
OURO PRETO, Visconde de. A Década Republicana. Editora da UNB, Brasília, 1986.
OURO PRETO, Visconde de. Advento da Ditadura Militar no Brasil. Editora Imprimiere F. Pichon, Paris, 1891.
PEIXOTO, Floriano. Floriano 1839-1939. Editora Graphicos Bloch, Rio de Janeiro, 1939.
PRADO, Eduardo. Fatos da Dictadura Militar no Brazil. Editora Revista de Portugal, 1890.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A “ciência” de Hitler: por um bem maior

Por Douglas Barraqui

INTRODUÇÃO

"A ciência se compõe de erros que, por sua vez, são os passos até a verdade."  (Julio Verne) "

Se formos pensar sobre a ótica da ética, a ciência produzida na Alemanha nazista de Hitler foi um show de monstruosidade que de nada perde para os filmes de terror hollywoodianos, repugnante aos olhos de uns, grotesco a de outros.

Os relatos e registros dos experimentos mostram que causaram dor, humilhação e mortes terríveis às pessoas. Alguns lembram somente dos judeus, mas houveram ainda os ciganos, homossexuais, anões, negros, portadores de necessidades físicas e mentais e tantos outros tidos como raça inferior ou inimigos do regime.

Quem eram os responsáveis por essas ditas “pesquisas”? Alguns os chamam de sádicos, mas eles se declaravam como cientistas e é certo que leigos não eram. Muitos dos “doutores de Hitler” se formaram nas academias mais tradicionais do mundo e, podemos dizer com exatidão, antes de o nazismo chegar ao poder na Alemanha, este país já era uma liderança em inovações científicas.

O fato é que a ciência desumana de Hitler deixou um extenso legado, que recentemente vem sendo trazido à luz por novas pesquisas historiográficas. Quais seriam as heranças de “pesquisas” que ceifaram vidas humanas em nome de uma dita ciência? O que foi e o que houve com a ciência sob a égida do nazismo? São essas algumas das perguntas que pretendo responder nas linhas que se seguem meu caro leitor.
                                                                                                    
Hitler e o entusiasmo pela ciência

"Após a guerra, a elite científica levou o país à liderança nos ramos de balística, química, aviação e construção de foguetes." (Helmut Maier, pesquisador do Instituto Max Planck)

Adolf Hitler foi veterano da Primeira Guerra. Em combate foi ferido por gás que lhe causou cegueira temporária. Conheceu na pele o poder da ciência aplicada no poder bélico. Ao alcançar o poder não mediu esforços e fez da ciência um dos sustentáculos da “nova Alemanha”.

Havia um problema: Hitler era um leigo, admirava a ciência, mas sabia pouco dela: "Hitler não era devidamente instruído em ciência. Ele apenas seguia seu instinto, seu feeling", diz o historiador alemão Joachim Fest, um dos mais importantes biógrafos do líder nazista.

No alto de seu egocentrismo Hitler se considerava um cientista de vanguarda, sendo um entusiasta quanto à teoria da “higiene racial”, uma teoria científica que defendia a eliminação dos genes não arianos do povo alemão. É claro que não podemos nos esquecer que Hitler não era alemão, mas sim austríaco.

"O povo alemão é um só corpo, mas a sua integridade está ameaçada. Para manter a saúde do povo, é preciso curar o corpo infestado de parasitas". Em seu livro intitulado Mein Kampf  (traduzido para o português como Minha Luta), de 1925, Hitler lançou as bases que seriam amplamente utilizada para o progresso da teoria da “higiene racial”. Os tais parasitas que Hitler faz menção eram os judeus. Onde esta a ciência nisso?  Em nenhum lugar. Hitler de fato acusava os judeus de serem os causadores da crise econômica que assolava a Alemanha e os mesmos deveriam se expurgados. A ciência que Hitler pregava era fruto de uma simbiose entre ideologia e ciência. E no limiar da ascensão de um dos maiores nomes da história, já estava difícil diferenciar o que era ciência e o que era ideologia, onde começava uma e terminava a outra.

Cientistas sobre a égida de Hitler

A medicina, um ramo da ciência, em especial aderiu muito bem a doutrina de limpeza dos “parasitas” judeus. Já em 1933, 44,8 % dos médicos alemães eram filiados ao partido nazista era, dizem os pesquisadores, a profissão de maior representatividade entre todas as profissões. Muito além de favoráveis a “higiene racial” os médicos eram também anti-semita. E quando em 1934 a lei de esterilização compulsória dos qualificados na época como doentes físicos e mentais foi promulgada, os médicos não hesitaram em implementá-la imediatamente.  O resultado foi à esterilização de mais de 350 mil pessoas à força entre os anos de 1934 e 1945. Resumindo era a ciência sendo utilizada como instrumento para concretização dos planos ideológicos de Hitler.

Uns podem ser culpados por se silenciarem outros ainda não tiveram dúvidas em aderir ao nazismo e ao ideário de “higiene racial”. As vésperas da Segunda Grande Guerra, em 1939, apenas os cientistas “mais fortes”, assim considerados pelo regime nazista, puderam ficar no país. Dentre eles segue abaixo alguns dos nomes que fizeram da ciência instrumento da máquina ideológica do nazismo e ao mesmo tempo conseguiram deixar um legado fundamental para a ciência de hoje:

Fritz Haber

Abril de 1915, Primeira Grande Guerra, planície de Ypres, na fronteira da Bélgica com a França. Soldados do exército francês se encontravam entrincheirados e estavam prontos a enfrentar um inimigo chamais enfrentado antes, impossível de vencê-lo. Alguns batem em retirada outros permanecem parados e estarrecidos sem saber o que fazer. Era o oponente mais mortal que enfrentavam o gás cloro.

Minutos antes da arma mortal em forma de nuvem esverdeada e amarelada varrer o ar e ceifar vidas a tropa Pionierkommando 36, batalhão formado por cientista vestindo uniformes militares e máscaras de gás abriram 730 cilindros, com cerca de 100 quilos cada de gás cloro. Essa tropa era liderada pelo Prêmio Nobel de Química Fritz Haber.

A nuvem de gás cloro demonstrou um poder devastador sobre as tropas inimigas, corroendo pulmões e causando cegueira. Quando então a nuvem letal se dissipou o saldo era de 10 mil mortos e 5 mil feridos. Nenhum comando alemão tinha conseguido tal sucesso em batalha.

O gás cloro permitiu que a Alemanha prolongasse a Primeira Grande Guerra. Mas a técnica de fixação de amônia a partir do nitrogênio do ar utilizada na criação explosivos por Haber, hoje permite que se produzam alimentos para bilhões de pessoas no desenvolvimento de fertilizantes.

Ironicamente Haber, que era um judeu, acabaria demitido pela Alemanha de Hitler e muitos de seus parentes acabariam mortos pelo mesmo gás que ele desenvolveu.

Max Karl Ernst Ludwig Planck

Max Planck pai da física quântica, foi também presidente da Kaiser Wilhelm Institute hoje Instituto Max Planck, foi até Hitler em 6 de maio de 1933. seu objetivo era evitar a demissão do amigo judeu Fritz Haber, o mesmo que comandara a primeira tropa de gás da história na Primeira Guerra. Bem recebido por Hitler, Planck argumentou que haveriam diversos tipos de judeus, alguns valiosos e outros inúteis para a Alemanha. O Führer lhe respondeu:  "Se a ciência não pode passar sem judeus, teremos de nos haver sem a ciência!"  e Haber acabou demitido, morrendo em 1934 de enfarto. Planck optou por permanecer na Alemanha, mesmo não concordando com a ideologia nazista. Todavia em meio ao clima que se seguiu, em 1937, deixou seu emprego e quando seu filho Erwin, em 1944, foi executado após se envolver em um plano frustrado para assassinato do Führer, já havia se mudado da Alemanha.

Max Planck descobriu a constante fundamental, batizada de Constante de Planck, usada para traçar cálculos da energia do fóton. Foi igualmente responsável pela descoberta da lei de radiação térmica, intitulada de Lei de Planck da Radiação, que lançaria as bases para a Teoria Quântica que surgiria anos depois com a colaboração de Niels Bohr e Albert Einstein.

Albert Einstein

"A conduta dos intelectuais alemães como grupo não foi melhor que a de uma ralé", afirmou Albert Einstein. Prêmio Nobel de Física em 1921, Einstein é responsável pelo desenvolvimento da Teoria da Relatividade. Seu trabalho teórico propiciou a utilização e o desenvolvimento da energia atômica.

Einstein era um judeu optou por sair da Alemanha em março de 1933, um mês antes da expulsão de todos os descendentes dos judeus do funcionalismo público alemão.

Julius Hallervorden

Hallervorden, em 1944, possuiu a maior coleção de cérebros humanos que qualquer outro colecionador excêntrico do planeta.  Hallervorden foi responsável por um projeto médico que diagnosticava a lebensunwertes leben, ou "vida indigna de viver". As pessoas, doentes mentais em sua grande maioria, que recebessem esse diagnóstico estavam condenados à morte por eutanásia.

"Escutem, colegas, já que vocês vão matar toda essa gente, pelo menos arranquem os cérebros deles", disse Hallervorden. E em 1944 ele contava com a coleção de 697 cérebros. Em meio a coleção seu favorito era de uma menina cuja mãe fora envenenada acidentalmente, durante a gravidez, por gás.

Foi graças à sua suntuosa coleção de cérebros que Hallervorden pode desenvolver uma série de estudos do ramo neurológico que favoreceram a medicina atual.

August Hirt

O médico da renomada Universidade de Estrasburgo, August Hirt, dava preferência a cabeças inteiras, corpos inteiros ao invés de somente cérebros. E essas cabeças tinham que ser necessariamente de judeus. Sua encomenda bizarra está devidamente documentada: 115 judeus que foram devidamente executados em junho de 1943 e enviados a Estrasburgo. Dois meses depois chegariam novos carregamentos com cerca de 80 corpos, eles seriam usados para estudos anatômicos para determinação da superioridade do povo ariano.

Os estudos promovidos pelo médico “carniceiro” August Hirt, contribuíram de forma incontestável para os estudos de anatomia humana e favoreceram direta e indiretamente a medicina atual.

Sigmund Rascher

"Sou, sem dúvida, o único que conhece por completo a fisiologia humana, porque faço experiências em homens e não em ratos". Era o que dizia com ar de orgulho Sigmund Rascher, responsável pelo campo de concentração de Dachau. Ali ele se utilizava de cobaias humanas vivas para seus experimentos.

Rascher era bem quisto e protegido por Heinrich Luitpold Himmler, outro entusiasta das pesquisas "científicas" a ponto de fazer dos terríveis experimentos em câmaras de baixa pressão, seu show de horrores particular, para os quais forneceu dezenas de prisioneiros em maio de 1941. Os resultados foram uma verdadeira carnificina: das cerca de 200 cobaias humanas que passaram pelas câmaras de pressão até maio de 1942, 80 morreram durante os testes. Outros ainda tiveram seu cérebro dissecado enquanto ainda estavam vivos para que o médico pudesse observar as bolhas de ar que se formavam nos vasos sanguíneos.

Rascher ainda fez experiências sobre hipotermia e descobriu que aquecendo o pescoço de uma vítima de naufrágio em águas geladas suas chances de sobrevivência aumentam significativamente. Foram graças a esses experimentos que os coletes salva-vidas de hoje em dia são desenhados para aquecer o pescoço.


Joseph Mengele

Joseph Mengele talvez tenha sido o “cientista” mais carniceiro de Hitler: seus experimentos custaram à vida de cerca de 400 mil pessoas em Auschwitz. Mengele injetou tinta azul em olhos de crianças, uniu as veias de gêmeos, jogou pessoas em caldeirões de água fervente, amputou membros de prisioneiros, dissecou anões vivos e coletou milhares de órgãos em seu laboratório. Após a Guerra, conseguiu escapar e viveu escondido no Brasil até sua morte, em 1979. Oficialmente, teria comprado sua fuga com anéis de casamento e dentes de ouro que retirava dos cadáveres judeus.



PESQUISAS

Tabagismo / câncer

Berlim, na década de 1940, foi a primeira cidade do mundo a adotar medidas anti-tabagismo, que serviram de base para as adotadas nos dias atuais. Na época os nazistas eram os únicos que detinha conhecimento cientifico necessário para implementá-las.

O fumo era proibido em todas as áreas públicas de Berlim, isso incluía escritórios públicos e privados e salas de espera. Se pego fumando em um dos vagões de trem para não-fumantes a pessoa seria multada.

O fato é que os nazistas foram pioneiros nos estudos estatísticos que comprovaram a relação intrínseca entre o hábito de fumar e o câncer de pulmões, é o que nos mostra Robert Proctor, historiador da ciência e professor da Universidade Stanford, nos EUA, e autor de The Nazi War on Cancer ("A Guerra Nazista contra o Câncer", sem tradução em português).

É até uma ironia pensar que a origem de uma das maiores descobertas médicas do século 20 esteja relacionada a um efeito psicológico da doutrina de higiene racial. A esse efeito Proctor chamou de paranóia homeopática. "Os nazistas tinham pavor de agentes minúsculos que poderiam corromper o corpo alemão. Eram obcecados por ar limpo, comida natural e um estilo de vida saudável." Foi o que direta e indiretamente contribuísse para que os nazistas desenvolvessem pesquisas criteriosas sobre o câncer. "O mesmo fanatismo que nos deu Mengele também nos deu a preciosa pesquisa antitabagista. A verdade é que a política científica nazista foi muito mais complexa que a maioria das pessoas imagina",  nos diz Proctor.

Frio


O médico John Hayward, da Universidade de Victoria, no Canadá, que estuda os efeitos do frio no corpo humano a fim de salvar vidas não viu outra saída a não ser utilizar os dados das pesquisas nazistas. Criticado ele se defende: “Eu não queria ter de usar os dados nazistas. Mas não existem outras opções para a minha pesquisa. Nem nunca existirão num mundo ético".

 Fosfogênio

Outro caso polêmico envolveu a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) na regulamentação da utilização do fosgnio, também chamado fosfogênio, é um gás tóxico e corrosivo de fórmula COCl2. O fosgênio é muito utilizado hoje na fabricação de plásticos e pesticidas e em 1989, os especialistas da (EPA) foram chamados a definir regras para a utilização do fosgênio. Como os únicos estudos conhecidos, detalhados e minuciosos sobre os efeitos do fosgênio em seres humanos haviam sido produzidos em experiências nazistas durante a Segunda Guerra. A EPA então decidiu por utilizar os dados nazistas ao por em risco vidas de americanos.

Química

As pesquisas químicas alemãs eram pioneiras: O país inventou a aspirina e a novocaína (anestesia usada por dentistas) e desenvolveu fertilizantes, corantes e microscópios muito mais baratos e eficientes. Foi um dos setores que mais se envolveram com o nazismo - a ponto de o maior conglomerado farmacêutico do mundo na época instalar uma fábrica dentro do campo de concentração de Auschwitz. Posteriormente esse mesmo conglomerado farmacêutico formariam as empresas Basf, Bayer e Hoechst.

Matemática

Os nazistas associaram o raciocínio matemático abstrato ao judaísmo, o que é um erro, mas assim o substituíram pela chamada “verdade empírica concreta” ou “intuição nórdica”.

Biologia

Os biólogos alemães desenvolveram pesquisas pioneiras no campo da genética, o que faz com que até hoje o campo seja visto com reservas naquele país. De 1933 e 1938, o financiamento para pesquisas aumentou em 10 vezes. Biólogos trabalhavam com relativa tranqüilidade - apenas 14% deles foram perseguidos.

Física

A mecânica quântica e a relatividade talvez tenha sido as idéias mais revolucionárias da física alemã. Todavia, 25% do total de físicos deixaram o país, entre eles 6 vencedores de prêmios Nobel. Semdo, portanto, um dos ramos da ciência mais prejudicada com a ascensão do nazismo.

Anatomia

Para muitos especialistas em anatomia o Atlas Pernkopf, produzido com base na dissecação de corpos de 1377 prisioneiros, é o melhor trabalho ilustrado sobre anatomia humana já realizado na história. Para outros é um livro controverso e póstumo que ao lado de suásticas trás a seguinte frase: "feliz conjunção de ilustradores brilhantes e corpos de criminosos executados"




Ezoteria “ciências” místicas

Nigel Pennick, em “As ciências secretas de Hitler”, mostra que o nazismo foi um fenômeno que exterminou milhões de pessoas com base em uma tentativa mágica de alterar o mundo. Seus atos de guerra e genocídio fazia na verdade parte de um ritual de preparação do mundo para uma raça superior de humanos dotados e esplendidos poderes psíquicos, trata-se de super-homens. Pennick demonstra como os princípios ocultos do conhecimento esotérico serviu de criação para uma das mais violentas doutrinas políticas da história. Demonstra ainda que as raízes do ocultismo nazista está escondida nas tradições esotéricas da chamada “ciência fronteiriça”, teosofia (um corpo de conhecimento que sintetiza Filosofia, Religião e Ciência) e nacionalismo místico.

Segundo o autor a Ahnenerbe, uma organização voltada para a preservação das antigas sociedades ocultas alemãs e o estudo das tradições mágicas, era quem patrocinava os estudos em cosmologia não-ortodoxa, crenças pagãs, habdomancia, geomancia e astronomia. O objetivo final era utilizar esse conhecimento para viabilizar a expansão do Terceiro Reich.

CONCLUSÃO

Há um dilema que envolve ética, humanidade confrontados com a luz da ciência. Michael Kater, uma das maiores autoridades em ciência alemã nazista diz: "Os dados são péssimos. Não havia livros de controle, métodos estatísticos nem repetição de experimentos em condições similares. Eles não têm uso nenhum para a ciência".

Robert Lifton, entrevistou os doutores nazistas, e diz também ter razões para duvidar da validade das experiências. "Os médicos nazistas usavam como assistentes prisioneiros do campo, gente muito mais preocupada com a própria sobrevivência do que com a acuidade das pesquisas", diz. "Mas qualquer dado que sirva para poupar sofrimento humano deve ser usado." Ambos, no entanto, defendem a utilização das pesquisas nazista pela ciência.

Alguns dizem ainda que a utilização e a exposição de tantos atos desumanos cometidos deixa a impressão de que, em pleno século 21, o nazismo arrastou a ciência para o arcabouço da idade das trevas. Essa visão esta sendo recentemente mudadas a luz de novas pesquisas historiográficas . Novos estudos revelam uma realidade muito mais complexa escondia nos porões, nos campos de concentração e nas salas de pesquisas, atrocidades e absurdos científicos do nazismo.

Concordamos então em chamar as pesquisas de Hitler de pseudociência.  Mas, se aquilo não era ciência então que essas pesquisas sejam agora, uma vez o mundo tendo superado as atrocidades nazista, utilizadas pela ciência para um bem muito maior. E para que milhões de vidas não tenham sido ceifadas em vão.

Bibliografias relacionadas e consultadas


CORNWELL, John. Os Cientistas de Hitler. Editora Imago, 2003.

LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors. Basic Books, EUA, 2000.


MÜLLER-HILL, Benno. Murderous Science. Cold Spring Harbor Lab Press, EUA, 1988.

PENNICK, Nigel. As ciências secretas de Hitler. H & E Vol. 01.  1981

SPITZ, Vivien. Doctors from Hell. Sentient Publications, EUA, 2005.

PROCTOR, Robert N. The Nazi War on Cancer. Princeton University Press, EUA, 2000.

Site do United States Holocaust Memorial Museum (Museu Memorial do Holocausto dos EUA) www.ushmm.org

Super Interessante. Doutores da Agonia. Disponível em: http://super.abril.com.br/superarquivo/2006/conteudo_127934.shtml#top. Acesso em 8 de janeiro de 2011.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A conquista do império inca: uma breve narrativa

Por Douglas Barraqui com base na obra Paul Ulrich


“‘Companheiros, deste lado é a morte, a fome, o desespero. Do outro lado é a felicidade. Aqui, o Peru e as riquezas. Ali, o Panamá e a miséria. Castelhanos, escolhei! Eu já escolhi. Vou para sul. ’” Pizarro, 180 homens e 27 cavalos rumam a Caxamalca; um número irrisório para um mundo a conquistar, um império a pilhar e ao inca subjugar. O que se segue caro leitor é um breve resumo, por mim preparado, da narrativa empolgante de Paul Ulrich a respeito da derrocada do império inca, contido na obra Os grandes enigmas das civilizações desaparecidas”.


“Em 24 de setembro de 1532, é o salto para o desconhecido: vão entrar no coração do reino inca, com a intenção de conquistá-lo com um exército que não chega a 200 homens. Impressionados com os perigos que adivinham, cinco cavaleiros e quatro infantes resolvem voltar. Pizarro, esse está pronto a tudo, infatigável. Cobre-se com uma couraça de ferro, sobre a qual lançou o manto, insígnia de sua condição de fidalgo[...].”


“Bom psicólogo, Pizarro aproveita-se dos rumores que correm e põe a circular que é um dos filhos de Viracocha, o Deus branco de Tiahuanaco. Filiação que parece tanto mais verossímil aos incas quanto Viracocha era o senhor do raio. Ora, o comandante espanhol tem os canhões e a pólvora.”


Um mensageiro do grande imperador inca oferece presentes ao chefe espanhol “[...] tecido de lã bordados a ouro, duas fontes de pedra, carne de pato seca. Em nome do rei Atahualpa, o emissário deseja as boas vindas aos estrangeiros e convida-os a visitar o campo do seu chefe [...]”.


Francisco Pizarro fala às suas tropas: “[...] que cada um de vós ganhe coragem e caminhe em frente como um bom soldado. Sem se deixar intimidar pelo nosso pequeno número. Pois nas maiores extremidades Deus combate sempre pelos seus; não duvideis de que ele abaixará o orgulho do infiel e o levará ao conhecimento da verdadeira fé, objetivo essencial da conquista.”


“Prova terrível. Estreitos caminhos foram talhados, nos francos da montanha, pelos incas, indiferentes ao precipício vertiginoso. Rude tarefa a dessa ascensão para os cavaleiros carregados de ferro e de couro, cavalgando animais de passo pouco seguro. E que locais favoráveis às emboscadas! Um punhado de guerreiros bem colocados poderiam esmagar em poucos instantes todo o grupo espanhol.” [...] “Os espanhóis sofrem com o frio atroz do vento da Sierra [...].”


“Os homens estão de tal modo esgotados que não manifestam o menor entusiasmo ao entrarem no vale onde se ergue Caxamalca. As casas brancas da cidade são rodeadas de suntuosos jardins, irrigada por uma imensidade de canais que partem de um rio de águas claras.” [...] “Eis o que conta um membro da expedição: ‘Ficamos cheios de assombro ao vermos os índios ocuparem uma tão excelente posição, um tão grande número de tendas, melhor dispostas do que jamais se vira nas índias. Este espetáculo lançou uma espécie de confusão e até temor nos corações mais firmes. Mas era demasiado tarde para retroceder ou para dar mostras de receio: pois os indígenas de nossa companhia teriam sido os primeiros, nesse caso, a lançar-se sobre nós. Assim, o mais arrogantemente possível, preparamo-nos para entrar em Caxamalca.’


“Eis o chefe inca, o senhor todo poderoso. A sua indumentária é mais simples do que as de seu séqüito. Mas tem na cabeça o ‘borla’, a franja escarlate, tão larga que lhe cai até as sobrancelhas [...]. O rei está sentado num banco muito baixo, talhado numa peça de madeira. No rosto do soberano, não se reflete qualquer sentimento. Nem no seu olhar.” [...] Um silêncio pesado reina entre os dois grupos, só perturbado pelo piafar de algum cavalo impaciente.”


Soto, um hábil cavaleiro dentre os homens de Pizarro “[...] esporeia sua montada e faz uma demonstração das suas excepcionais qualidade de ginete. Exibição tão perfeita que Soto detém o cavalo a poucos centímetros do soberano inca, que recebe alguns salpicos da espuma que jorra do franco do animal; mas alguns membros de sua guarda, tomados de medo, fogem. Nessa mesma noite serão executados, por se terem mostrado covardes diante dos estrangeiros.”


“O conquistador espanhol pelo seu lado, tem consciência da fraqueza de suas tropas. Como poderão menos de duzentos homens, mais ou menos enfraquecidos pelas privações e sofrimentos suportados, derrotar aqueles índios que tem por si a esmagadora vantagem do número?[...]”


“Uma vez mais, Francisco Pizarro deve provar que tem o ‘coração couraçado de triplo aço’. Discursa: ‘Então, vamos desistir no momento de chegarmos ao fim? Os índios tem flechas, fundas, laços? Bastará isso para fazer medo aos espanhóis que sabem bater-se a cavalo, possuem arcabuzes e canhões? Desde quando cem ‘selvagens’ valem mais do que um soldado de Carlos V? Quem será tão descrente ao ponto de não contar com o socorro da Providência? Não é a Espanha o gládio de Deus? Vamos consentir que estes infiéis continuem a prosternar-se diante de ídolos?.’”


“Sábado, 16 de novembro de 1532. O sol ergue-se na doçura da manhã rosada. Pizarro e seus homens estão prontos. Na noite de véspera os conquistadores confessaram-se e comungaram. Porque vão bater-se pela grandeza da Espanha, mas também pela de Deus. O padre Valverde, intrépido dominicano, dispensou largamente as absolvições. Pizarro pronunciou, ele próprio, o sermão. Vestiu a armadura e tem a espada na mão. As palavras jorram-lhe dos lábios. Quem pensaria estar no Peru apenas para juntar riquezas? Quem esqueceria que chegou o momento de dar a Deus a sua parte? [...].”


“[...] O chefe dos conquistadores organizou todo o seu dispositivo em torno da praça principal de Caxamalca. Esta é rodeada por edifícios cujas portas e abrem para ela. A cavalaria, dividia em dois grupos, e a infantaria, instalam-se neles. A pouca distancia é deixada uma reserva de vinte homens. Dois canhões e alguns soldados, comandados por Pedro de Candia, [...]. A tática a seguir é simples: quando o soberano inca e seu séquito tiverem entrado na praça, um tiro de canhão dará o sinal para a batalha. [...]”


“Desconfiado das intenções dos estrangeiros um dos seus [do imperador inca] melhores oficiais, Ruminagui, tomou o comando de cinco mil homens; estão encarregados de fechar todas as vias de acesso a Caxamalca. Cercados, aos espanhóis restará render-se ou morrer.”


“Eis o soberano e o seu cortejo. Os primeiros a aparecer são centenas de servidores, varrendo o caminho para expulsar o mais insignificante grão de poeira: cantam com uma voz tão rouca que ‘os seus cantos parecem vir do inferno’. Depois aparecem escravos, carregando vasos de ouro e martelos de prata; guardas envergando vestes de cores dispostas em xadrez; e os oficiais, vestidos de branco, com as orelhas bizarramente esticadas por pesados berloques. Por fim, transportados pelos mais altos dignitários do reino, o palanquim do rei. É ornamentado por placas de ouro e por penas de papagaio. O trono é igualmente de ouro maciço. O rei está suntuosamente vestido, com a faixa ritual a prender-lhe os cabelos curtos. Na cabeça tem uma coroa encimada por penas brancas e negras. Ao pescoço, um colar de esmeraldas ‘de um tamanho e brilho extraordinários’. Sobre o seu peito cintila um peitoral de ouro maciço, cravejado de pedras preciosas. Uma majestade impressionante desprende-se do rei do Peru. O seu rosto não traduz nem orgulho, nem alegria, nem temor. É o monarca planando acima dos homens.”


“[...] Encontram-se agora cinco ou seis mil índios amontoados no centro de Caxamalca. Atahualpa espanta-se e pergunta: ‘Onde estão os estrangeiros? ’ Aparece então o monge, Vicente Valverde, vestindo o seu hábito branco de dominicano. Numa mão tem a bíblia, na outra um crucifixo. ‘Venho’ – diz ele solenemente ao chefe inca – ‘por ordem do meu soberano, expor-vos a doutrina da verdadeira Fé.’”


“E explica o mistério da Santíssima Trindade, sem esquecer a criação do homem, o pecado original, a redenção de Cristo, [...]. O poder dos apóstolos [...] transmitidos aos sucessivos papas [...]. Foi um papa quem encarregou o rei da Espanha – o mais glorioso dos reis terrestres – de converter os indígenas do hemisfério ocidental. [...] Portanto, que o rei dos incas abjure dos seus erros, que abrace a verdadeira Fé, e então estará salvo. [...] reconheça a autoridade do rei da Espanha e passe a considerar-se como seu fiel vassalo. E, para terminar, a ameaça: se o inca se recusar a obedecer, será a tanto obrigado pela força.”


“Atahualpa fica mudo de assombro. A despeito dos esforços do interprete, nada compreendeu do discurso do padre. Porque há de reconhecer a autoridade de um soberano distante, quando ele, o chefe inca, é o senhor absoluto do seu reino. E que doutrina e essa da Santíssima Trindade? Aonde vai o monge buscar a sua verdade? Valverde estende a bíblia ao rei. Este vira e revira o livro entre as mãos. ‘Não conheço esse Deus único e triplo de que me falais – responde Atahualpa – conheço apenas [...] Viracocha, filho do Sol, o deus supremo.’ Depois, num gesto de cólera, lança a bíblia por terra.”


“‘Sacrilégio! Sacrilégio! ’. Grita o dominicano”.


“O conquistador não pede tanto. Pega no seu lenço branco e agita-o acima da cabeça. É o sinal. O canhão troa. Ressoa então o velho grito de guerra dos soldados espanhóis: ‘Santiago e Castela! Sus a eles!’”


“Os conquistadores abandonam os edifícios que lhes serviam de esconderijo e irronpem na praça. Assustados pelo troar do canhão, literalmente assaltados por aqueles diabos barbudos, asfixiados pela fumaça dos arcanuzes, os incas não sabem para onde fugir. Os cavaleiros lançam os cavalos sobre eles e esmagam-nos impiedosamente. Os que conseguem escapar são perseguidos e massacrados. Os guardas de Atahualpa batem-se com uma coragem exemplar para proteger o seu rei. Mas que fazer contra a fúria espanhola? Tentam desmontar os cavaleiros, esventrar os cavalos, mas são passados à espada. Se o combate abranda, é porque a fadiga começa a tornar pesados os braços dos conquistadores. No meio dos gritos de alegria dos espanhóis, dos estertores dos moribundos, [...].”


“Os soldados espanhóis abrem caminho a golpes de espada por entre os guerreiros que oferecem a vida para proteger o soberano. O palanquim real acaba por tombar. O rei do Peru está por terra e já os seus vencedores se preparam para matá-lo. Pizarro salta, afasta com um braço as espadas ameaçadoras, [...] Com as mãos ensanguentadas, agarra Atahualpa pelos cabelos e arrasta-o para fora da luta, [...] eleva-se a voz de Pizarro: ‘que aquele que preza a vida não toque no soberano inca!’”


O que vai se seguir meu caro leitor são mais de 500 anos de um dos maiores, se não o maior, genocídio da história humana. Espoliação, pilhagem, mas também resistência como nunca antes visto. A conquista em seu sentido mais amplo, de dominação total, de aculturação e de uma eliminação dos vencidos, vai nos dizer Bruit em “O Visível e o Invisível na Conquista Hispânica da América”, não chegou a realizar-se. Mesmo derrotados, explorados, usurpados de suas terras os nativos tornaram, até certo ponto, o processo de colonização instável. Que apesar da destruição e o genocídio os índios ainda sobrevivem física e culturalmente, e a sua presença é, de algum modo, marcante em quase todas as sociedades do continente americano.


Bibliografia Consultada


BRUIT, Héctor. O visível e o invisível na conquista hispânica da América. In: América em tempo de conquistas. Pág. 77-99.


ULRICH, Paul. Os grandes enigmas das civilizações desaparecidas. Rio de Janeiro: Otto Pierre, 1978. 247p.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

BRUXAS






BRUXAS
Por Douglas Barraqui

Introdução

O imaginário do homem talvez nunca tenha explorado tanto um paradigma, para representação a concepção do que seria o mal, como explorou as bruxas. Velha encarquilhada, manipuladora de “magia negra”, sentada em uma vassoura voadora, com um verruga no nariz e com uma gargalhada assustadora. Um estereótipo perfeito para os filmes e desenhos animados, mas para historiografia contemporânea as bruxas não passavam de sábias mulheres que detinham farto e raro conhecimento sobre a natureza e, possivelmente, magia. Com esse artigo pretendo, com base em fatos históricos, contar a verdade empírica a mercê das bruxas. Proponho ao meu caro leitor que leia o mesmo com os olhos de um espectador curioso e não como um historiador, pois assim a leitura será mais agradável.

Origem

A nomenclatura “bruxa”, em sânscrito (língua da Índia), faz referência e quer dizer “mulher sábia” ou “sabedoria feminina”. Não se sabe a exata origem das bruxas, todavia é consenso entre a historiografia que se seguirmos a sua definição ao pé da letra elas existam desde os primórdios da humanidade. E será por intermédio do cristianismo que a bruxa tomara conta do imaginário popular como a representação do mal.

É fato que a prática de bruxaria envolve rituais dotados de grande simbologia, sendo assim podemos perceber tais rituais desde os tempos neolíticos, a aproximadamente vinte e cinco mil anos. Como sabemos isso? Através de pinturas rupestres em fundo de cavernas que indicam rituais de adoração a espécie de deuses que traziam fertilidade para os povos primitivos. É sabido que experiência visionárias, rituais de caça e cerimônias de cura sempre estiveram presentes com suas devidas simbologias, metáforas em diversas sociedades e culturas.

Na Idade Média, uma mulher que conseguisse poder (recomendo que o leitor considere todos os parâmetros semânticos da concepção de poder para compreender este caso em específico) poderia ser considerada uma bruxa em potencial e cabe salientar que o mundo nesse contexto histórico está imerso na concepção da igreja de mundo.

O fato é que, sem mito algum, as bruxas eram apenas mulheres. Mulheres que detinham vasto conhecimento sobre o emprego da natureza, como nos casos da utilização de ervas medicinais. O resto não passa de retoques do imaginário popular bem como de uma instituição religiosa que se aproveitava de todas as situações a fim de criar um discurso para se justificar frente a um homem cada vez mais racional. A própria igreja, que criou um discurso incrustado em uma sociedade patriarcal, colocou as mulheres em segundo plano, sendo consideradas fonte de pecado, utilizadas pelo diabo. Em muitos dos casos bastava à mulher perder a hora de acordar que o marido prontamente a acusava de estar sonhando com o demônio.

Pois bem, até então fiz uso da historiografia contemporânea a fim de estabelecer uma origem para as bruxas. Agora recorro, a fim de embelezar e encalçar ainda mais meu artigo, a boa e velha história da arte. Assim trago uma nova palavra para meu leito: “Wicca”. Uma palavra de origem inglesa, propriamente dito do inglês arcaico, que quer dizer bruxo. Em alguns livros talvez encontre o significado “sábio”. A palavra tem sua origem na raiz indo-européia “wikk”, que significa “magia”, “feitiçaria”. Atualmente as pessoas tem utilizado a palavra bruxaria como uma espécie de sinônimo para a palavra wicca, que para uns é uma “bruxaria neo-pagã”. De fato, a Wicca como uma espécie de “bruxaria neo-paga” teve início nos anos de 1940 e 1950 com os escritos de Gerald Brosseau Gardner.

A bruxaria


Alguns consideram a bruxaria como uma religião da natureza. O que pode ser dito com certeza, é que se trata de uma crença que antecede o cristianismo, e em minhas leituras não encontrei em nenhum momento, em termos de contexto histórico em especial, que a bruxaria se opõe aos ensinamentos de Jesus. O fato é que durante a Idade Média, a Igreja Romana, com o objetivo de justificar seu valores espirituais terrenos espreitou as bruxas como uma manifestação maléfica aos moldes dos conceitos do cristianismo, tornando-as verdadeiros “bode expiatório”. Tal fato culminou na morte de centenas de milhares de pessoas, quando a caça as bruxas tornou-se uma verdadeira histeria religiosa.

Na Idade Média em especial, envolta em todas suas práticas intituladas pelo cristianismo como pagãs, a prática da bruxaria estava muito enraizada entre a sociedade européia. “[...] a mulher representava a base fundamental da fertilidade, o corpo feminino era reverenciado como foco de força divina; doadora da vida.” Logo, quase todas as mulheres podiam ser consideradas bruxas, uma vez que sabiam mais sobre superstições, encantamentos e plantas medicinais do que muitos homens. É bem verdade que, entre as tribos de povos bárbaros, era muito comum as mulheres cuidarem das plantações enquanto os homens cuidavam do pastoreio e da pilhagem, consequêntimente as mulheres acumularam maior conhecimento sobre as forças da natureza: utilizaçõe de plantas para diversos fins incluído medicinais, também conheciam os ciclos lunares, dos ventos, das chuvas, estrelas e planetas; claro, não se compara ao conhecimento a disposição nos dias atuais, e também podemos dizer que muito se perdeu com o passar do tempo.

Phillipus Aureolus Theophrastus Bumbastes von Hohenheim, mais conhecido no meio acadêmico pelo pseudônimo “Paracelso”, considerado uma das figuras erráticas do renascimento, grande conhecedor de medicamentos disse que as bruxas tinham ensinado tudo o que ele sabia sobre cura. O carcereiro do Castelo de Canterbury (construído no século XI pelos normandos) em 1570 soltou uma bruxa tida como condenada, justificando com a opinião popular, que ela sozinha era melhor para tratar dos doentes do que qualquer padre exorcista.

O estudioso norte americano de mitologia e religião comparativa Joseph John Campbell afirma: "Não resta dúvida de que nas épocas mais remotas da História do Homem a força mágica e misteriosa da Fêmea era tão maravilhosa quanto o próprio Universo; e isto atribui à mulher um poder prodigioso, poder este que tem sido uma das principais preocupações da parte masculina da população — como quebrá-lo, controlá-lo e usá-lo para seus próprios fins.” Campbell percebe que a ruptura na relação homem e mulher teria preponderante papel nas mitologias de diversas sociedades; em termos práticos a visão patriarcal da igreja teria contribuído para uma turbulenta relação social entre homem e mulher, bem como questionamento segundo os dogmas da bíblia do papel da mulher junto ao homem, com isso pode-se cogitar em explicar a perseguição as mulheres, tidas como bruxas, na Europa medieval.

Bruxaria segundo as bruxas



De acordo com o Altar de São Cipriano, o termo bruxaria respeita as faculdades espirituais de uma pessoa, que geralmente se auxilia da prática de rituais mágicos produzir determinados efeitos na realidade deste mundo em que habitamos, procurando assim alterar essa mesma realidade. O objetivo destes rituais mágicos é por isso interferir, ou no mundo físico, ou nas pessoas que nele existem. Quando realizados os rituais para interferir no mundo físico em que habitamos, causam-se nele certos efeitos que segundo as leis da natureza não seria normal sucederem, e que são por isso “sobre-naturais”. Quando realizados os rituais para interferir com pessoas, então causam-se efeitos sobre o estado mental, ou físico dessa pessoa, ou mesmo altera-se a percepção que essa pessoa tem da realidade.

A caça às bruxas


Diferentemente do que muitos acreditam a caça às bruxas não foi um processo perpetrado pelo famigerado Tribunal da Santa Inquisição, mas sim por Estados e tribunais civis independentes sem quaisquer relações com a inquisição. Grande maioria das vítimas foi julgada e executada, portanto, por cortes seculares e locais. As vítimas de cortes religiosas em muitos casos recebiam melhores tratamentos e até podiam ter mais chances de serem inocentadas, tendo até punições mais brandas. O fato é que, a Igreja viu na caça as bruxas um aspecto fundamental no que tange a justificar a sua existência. Uma bruxa era algo muito mais palpável e justificável do que acusados de bigamia e sodomia.

De concreto podemos dizer que a caça às bruxas foi uma perseguição tanto religiosa quanto social, tendo seu início no final da Idade Média e alcançando a apoteose na Idade Moderna quando mulheres passaram a ser queimadas vivas em fogueiras, para alguns historiadores uma espécie de paranóia social.


O Malleus Maleficarum, com o título no Brasil de “martelo das feiticeiras”, é para alguns um magnífico manual para diagnosticar bruxas. Publicado no ano de 1487, sob a autoria dos inquisidores Heinrich Kraemer e James Sprenger, é um livro dividido em três partes: a primeira ensina como reconhecer uma bruxa; a segunda expunha os tipos manifestações malignas, explicando e classificando; e a terceira regrava as ações legais contra as então bruxas, era basicamente a demonstração de como deveriam ser condenadas. A obra foi amplamente utilizada como uma espécie de manual de caça às bruxas.

Um número que caminha, segundo pesquisas, entre 50 e 100 mil mortes. Algumas das centenas de vítimas adoravam entidades pagãs, mas eram uma minoria. Outras vítimas eram parteiras ou simplesmente mulheres com um arraigado conhecimento de medicina homeopática e fitoterapia, mas também não foram um número significativo. A maioria das mulheres que acabaram mortas era cristãs ou judia. De um número os pesquisadores tem como certo, o total de execuções de bruxas na Europa, com base em documentos dos julgamentos, foram de 12 mil. A maioria foi julgada e morta entre os anos de 1550 e 1650, nos então anos de maior histeria.


Quando os historiadores passaram a estudar os documentos dos processos de julgamento, deixando de lado o “achismo”, os casos mais famosos e as mitificações, outros olhos foram lançados para o processo de caça às bruxas. No passado acreditava-se em um número de nove milhões de vítimas, hoje, com embasamento empírico de análise documental, pode-se dizer que qualquer estimativa que supere os 100 mil é falsa.

Quem eram as verdadeiras bruxas


Mulheres inocentes de quaisquer crimes em meio à tortura promovida pelos inquisidores, produziam relatos e confissões, que não apenas lhes imputavam a culpa, mas confirmava o imaginário popular produzido e alimentado por um discurso teológico. É fato que grande parte das confissões foram obtidas sob torturas cruéis e para livrar-se do suplício as torturadas acabavam, inevitavelmente, concordando com o discurso teológico dos inquisidores. Itália, Alemanha, França foram alguns países em que a tortura foi utilizada de forma ampla.

Mas, estranhamente, em casos como de Salem, Massachussets, em 1692, onde não se tem histórico de utilização de tortura para conseguir a confissão, surge o mesmo tipo de depoimento das acusadas, que confirmava as acusações, se enquadrando novamente ao mesmo discurso teológico. Como explicar isso? Seriam verdadeiramente bruxas?

Em janeiro de 1692, na vila de Salem, colônia da Baía de Massachussets (Nova Inglaterra, atual cidade de Danvers nos EUA), Elizabeth Parris, de nove anos, e Abigail Willams, de onze, passaram a demonstrar estranhos comportamentos que iam desde gritos, ataques convulsivos passando por estados de transe. Outras meninas da vila também começaram a demonstrar mesmo comportamento. Sem uma resposta para o comportamento das meninas a saída foi apelar para o discurso teológico de que em Salem havia manifestações de bruxaria. Orações foram realizadas e para descobrir a identidade das bruxas um índio de nome Jonh teria assado um bolo feito com centeio e urina das garotas supostamente enfeitiçadas. Pressionadas para confessarem a fonte da bruxaria as meninas nomearam três mulheres, dentre elas a índia escrava de nome Tibuta. Sem qualquer tortura ela confessou ver o diabo, que aparecia para ela em forma de porco e às vezes em forma de um grande cão, e que em Salem havia um grande número de bruxas.

Para esse caso em especial alguém pode dizer que há algo de errado. Porque entre o confessar sob tortura, pura e simplesmente, e a assimilação de uma culpa dentro de moldes precisos existe uma disparidade. Seria Tibuta uma bruxa? Ou ela era simplesmente louca?


Carlo Ginzburg afirma que a resignificação das confissões das acusadas de feitiçaria por parte do inquisidor, fazendo com que elas se adequassem ao discurso teológico e, dessa forma, se enquadrassem às exigências legais que permitiriam a condenação, somente era possível devido à peculiaridade das crenças das acusadas. Essas acusadas estavam direta ou indiretamente inseridas no meio social da época e interpretaram o discurso teológico da época segundo os moldes que melhor as favorecia. Portanto a meu ver a escrava Tibuta poderia ter visto na acusação e em sua confissão a oportunidade de, talvez, punir as mulheres da vila que lhe haviam feito mal. Mas isso é “achismo” de mais, e não aponto um fato empírico que evidencie isso. O fato é que uma confissão frente ao inquisidor carregava não só o discurso teológico da época como também o peso da condição social da acusada.

Conclusão


A final de contas, bruxas existem? Em termos conceituais e etimológicos da palavra, como já vimos, sim. Mas dentro da mentalidade medieval podemos admitir uma ressalva: elas parecem ter existido apenas no imaginário popular em uma época em que a realidade, quando não explicada, era distorcida em forma de um discurso de medo, um discurso religioso.

Para os ditos intelectuais a existência de bruxas não passa de um devaneio da mente humana sujeita as diversas formas de “corruptibilidade”. Todavia, entre muitas culturas a crença se demonstrava fervorosa em poderes de feitiçaria.


A concepção de práticas de magia, heresias e bruxarias acabavam se confundindo no julgo popular pela falta das luzes da razão, graças à ignorância. Espetacularmente foi a partir da primeira inquisição, século XIII, que o cristianismo e sua representação iconográfica passou a representar o arcanjo decaído não mais com a figura de um anjo corrompido, mas com a aparência de deuses pagãos a exemplo de Pã e Cernunnos. Curiosamente tal fato levou a suposição de que bruxas eram adoradoras do demônio e é justamente aqui que encontramos a grande contradição desse tipo de discurso: se a figura do demônio faz parte do dogmatismo cristão, não pertence portanto a crença pagã e além do mais não se tem um personagem equivalente ao diabo em qualquer panteão pagão.

Sabemos que distorções da realidade são feitas em vários contextos da história e, por mais gritantes que sejam, cabe lembrar que o homem está sempre presente em seu curso, logo a realidade está sujeita a transformações e adaptações da mente humana constantemente sujeita a corrupção. As bruxas da idade média, portanto, é nada mais nada menos do que a ciência de hoje; que não podia ser explicada naquele contexto de paranóia religiosa.

Bibliografia:

KRAMER, Heinrich e SPRENGER, Jacobus. Malleus Malleficarum:Manual da Caça às Bruxas, Ed.Três, São Paulo, 194pp, formato 17x20cm, 1976. (Edição especial em língua portuguesa)

CAMPBELL, Joseph. Sítio oficial da Fundação Joseph Campbell, em inglês. Disponível em: http://www.jcf.org/new/index.php. Acessado em 25 de janeiro de 2010.

Mistéiros Antigos. Bruxas. Disponível em: www.misteriosantigos.com. Acesso em 25 de janeiro de 2010.


TOPFFER, Pierre. As missas negras. Lisboa: Europa-América, 1980.

Altar de São Cipriano. Magia negra e magia branca. Disponível em: http://www.magianegra.com.pt/bruxaria.htm. Acessado em 25 de janeiro de 2010.

GARDNER, Gerald. A Bruxaria Hoje: Madras, 2003.

MURRAY, Margaret. O Culto das Bruxas na Europa Ocidental: Madras, 2003.

GONZAGA, João Bernadino. A inquisição em seu mundo, Editora Saraiva, 1994.

VEKENE, Emil Van der. La Inquisición en grabados originales. Exposición realizada con fondos de la colección Emile van der Vekene de la Universidad San Pablo-CEU, Aranjuez, 4-26 de Mayo de 2005, Madrid: Universidad Rey Juan Carlos, 2005.

KAMEN, Henry. The Spanish Inquisition: A Historical Revision. Yale University Press, 1999.

COELHO, António Borges. Inquisição de Évora (1533 – 1668). Editora Caminho, 2002.