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sábado, 20 de janeiro de 2018

Níkos Poulantzas e Otto Bauer: uma visão da esquerda sobre o fascismo


Prof.  Douglas Barraqui

Para Níkos Poulantzas, filosofo e sociólogo grego, o fascismo constitui de uma forma de estado e uma forma de regime, representando uma conjuntura extremamente particular da luta de classes. Desenvolveu-se de forma orgânica a partir da democracia burguesa. Na concepção da Internacional comunista, compartilhada por Trotsky, fascismo corresponde a uma guerra civil aberta da burguesia contra a classe operária.

Poulantzas destaca que o fascismo não é a simples substituição de um governo burguês por um outro, mas sim uma mudança na forma de Estado. Trata-se de um fenômeno complexo que pode ser explicado a partir das suas relações com as diversas classes de lutas. O processo de fascização e a instauração do fascismo correspondem à situação de aprofundamento das contradições internas entre as classes e a fração da classe dominante.

A conjuntura do fascismo corresponde a uma crise da ideologia dominante, a democracia liberal. E acima desta crise ideológica podemos falar em uma conjuntura determinada - o pós-guerra, as consequências para os países derrotados e a crise de 1929.

Poulantzas divide o processo de fascização da seguinte maneira: em primeiro momento há o aparecimento das milícias; e em um segundo momento ocorre o recrudescimento do papel do próprio Estado.

Ainda sobre a forma embrionária de bandos armados, milícias, assumem um caráter de partido de massa quando apoiado por frações dominantes durante a etapa de ofensiva contra o proletariado. Nesse momento o partido fascista, dando garantias seguras, ganha o apoio do grande capital e sua ligação com as massas populares mantém-se forte.

Em outro momento o fascismo caminha em direção as massas há ainda uma aliança entre a fração monopolista e a pequena burguesia. Uma vez no poder: Concessões são dadas as massas, é o momento em que  se dá início da dominação do Estado.

No período de estabilização do fascismo: é imposto pelo bloco no poder certas concessões às massas populares. É neste momento que se estabelece a hegemonia do grande capital.

Na visão de Otto Bauer, um dos principais pensadores esquerda, o fascismo é resultado de três processos sociais: Primeiro: A guerra expulsou da vida burguesa e desempregou grande massas incapazes de retornar ao modo de vida burguês, formaram milícias fascistas, com peculiar ideologia militarista, antidemocrática e nacionalista. Segundo: A crise econômica do pós-guerra levou a miséria grandes massas de pequenos burgueses e camponeses. Essas massas abandonaram as fileiras dos partidos de massas democráticos e levantaram-se cheios de ódio e decepção contra a democracia. E por último: Diminuição dos benefícios contra das classes capitalistas que para ressarcir-se aumentou o grau de exploração sobre a classe operária. Como a classe capitalista duvidava que pudesse conseguir por intermédio do regime democrático conter a classe operária, optou então em recorrer às milícias fascistas nacionalistas para que semeasse o terror na classe operária.

Capitalistas ajudaram os fascistas em primeiro momento com auxílio financeiro, posteriormente induzio o Estado a fornecer armas aos fascistas e por fim cedeu o poder Estatal aos fascistas.

O exemplo do caso da Itália os oficiais da reserva desmobilizados depois da guerra foram quem constituiu os núcleos do partido fascista. Homens que não estavam na vida burguesa; odiavam o capitalista especulador;  orgulhosos de suas condecorações e seus ferimentos e que criaram uma aversão ao capitalismo proletário; ressentidos, pois sua pátria, pelo qual haviam dado seu sangue, não podia oferecer-lhes melhores condições e posições; nacionalistas exacerbados em oposição a democracia; homens que não queriam deixar os antigos hábitos contraídos durante a guerra: desejavam dar e receber ordens, usar uniformes e desfilar no ritmo da marcha. Apreciavam assim a indústria da guerra.

Foram esses homens que começaram a formar as organizações paramilitares (ainda mais numerosos na Alemanha). Foram essas as células primordiais do fascismo as que desenvolveram sua ideologia geral.

Para o caso da Alemanha a República na Alemanha nasceu em meio a uma amarga miséria. Um país arruinado no pós-guerra e humilhado. Foi nessa conjuntura que os nacionalista da intelectualidade rebelaram-se contra a situação do país. Assim podemos dizer que as consequências do pós-guerra mundial contribuíram assim para fomentar o nacionalismo alemão.

A grande crise do sistema capitalista de 1929 teve um impacto muito forte sobre a Alemanha e Hitler soube muito bem manobrar a crise de modo colocar o povo a seu lado e o nazismo no poder. Antes da crise, durante a época de prosperidade, o partido Nacional Socialista de Hitler era um grupo sem importância, com a crise de 1929 ele ganha força. A democracia não pode evitar que a crise arruinasse a pequena burguesia e camponeses. Assim esses voltaram-se contra a democracia. Em meio as constantes pressões por parte da classe operária a classe capitalista então decidiu fazer do fascismo para submeter a classe operária. Foi através das “expedições de castigo” que a classe capitalista descobriu como romper com o impetuoso ataque da classe operária. A milícia fascista foi lugar de confluência dos marginalizados de todas as classes. Podemos concluir em Otto que o fascismo nacionalista seria patrocinado pela burguesia e seu poder Estatal.


Uma vez no poder o partido fascista dominaria o proletariado; expulsaria os representantes da burguesia do poder dissolvendo seus partidos sob a justificativa de que salvaria a burguesia da revolução proletária. Na verdade o movimento operário já estava debilitado. Era o momento dos capitalistas escolherem entre destruir o fascismo e assim favorecer a classe operária, ou ceder ao fascismo o poder estatal. Talvez tarde de mais; pois o terror fascista dissolveria e submeteria à sua tutela algumas organizações capitalistas.

Níkos Poulamtzas e Otto Bauer são contribuições valiosas no que tange a compreensão dos regimes fascistas da Europa entre guerras, bem como o processo de fascilização. São autores que embora partem de uma visão de esquerda devem ser lidos e levados em consideração no estudo da história política da Europa.

Bibliografias:

BAUER, Otto. O Fascismo.

POULANTZAS, Nicos. Fascismo e a ditadura: A III Internacional face ao fascismo. Tradução João G. P. e M. Fernanda S. Granado. 1ª ed. Porto: Portucalense Editora, 1972.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

UM MONARCA EM APUROS

Prof. Douglas Barraqui

O movimento republicano
Homenagem da Revista Ilustrada à proclamação da república brasileira


O ideal de república não era novo no país e se divide em duas fases: durante o Período colonial, significou a revolta contra a metrópole, é o que a autora  do livro “Da Monarquia a Republica”, Emila Viotti Costa, chama de republicanismo utópico e após independência:, que significou uma oposição ao governo.

O partido republicano surge em 1870, sua origem está no partido liberal, que em 1868 cindiu-se em duas alas: radicais e moderados. Dentro da ala dos radicais que vai evoluir o ideário republicanismo.

De 1870 até 1889 o partido republicano ampliou sua influência. Foram criados vários clubes e jornais, e essa ampliação do ideário de república se dá graças a propaganda feita por esses órgãos, que se concentraram preferencialmente no sul, segundo o qual 73% dos jornais e 89% dos clubes, localizavam-se nessas províncias. Portanto, o sul do país demosntrava que era o grande emissor da propaganda republicana.


Grande parte do corpo militante do movimento republicano era composto por fazendeiros, rompendo com a idéia de que as zonas rurais eram predominantemente conservadoras. Os dirigentes do movimento deixavam bem claro em não ter nada a ver com a questão abolicionista (o que não significava que alguns de seus membros fossem simpáticos ao fim do escravismo) a fim de conservarem a simpatia com os fazendeiro. Quando a participação no movimento era preponderante a presença de elementos do oeste paulista em detrimento do Vale do Paraíba. Emília Viotti da Costa, diz que o Oeste Paulista configurava-se em uma zona pioneira e que destacava-se pelo espírito progressista: pioneiros na substituição da mão de obra escrava pela de imigrantes, ampliação de ferrovias e organismos de credito, a própria população era mais diversificada profissionalmente, formação de uma mentalidade mais urbana do que rural devido que os fazendeiros viviam boa parte do ano nas cidades. Portanto em São Paulo os fazendeiros formavam o núcleo mais importante do partido republicano, já no Rio de Janeiro e demais províncias era constituída por representantes da camada urbana.


O partido republicano se dividia em duas tendências: A revolucionária, idealizava a revolução popular, o povo deveria fazer a revolução e a evolucionista, acreditavam que se chegaria a republicanismo pelo modo pacífico, através da via eleitoral. Essa ala evolucionista é a vencedora no congresso realizado em são Paulo em 1889, e Quintino Bocaiúva é indicado para a chefia do partido.

A solução militarista


É em 1887 que a chefia do partido começa a cogitar na possibilidade de recorrer ao exército a fim de derrubar a monarquia e instaurar a república. A questão militar era explorada pelos republicanos a fim de colocar os militares contra a monarquia, e assegurava-lhes incondicional apoio. A autora explica que não havia uma questão militar e sim várias: a primeira data do fim da Guerra do Paraguai; difusão do positivismo de conte nas escolas militares, principalmente com a ação de Benjamin Constant; entre os militares havia a difusão da convicção de que os homens de farda eram “puros” e “patriotas”, e estavam ansiosos para corrigir os vícios da organização política do país, ao contrário dos civis corruptos e sem nenhum sentimento patriótico. Dentro do corpo militar havia certamente profundas divergências, mas a adesão de uma facção, mais ou menos importante, à idéia de república foi decisiva para a proclamação da mesma. Emília argumenta que: "A república nasce sobre o signo do exército".


Tentativas de frear o movimento



O movimento abolicionista e a propaganda republicana faziam generalizar a impressão de que a monarquia estava com seus dias contados. Foram então deixadas algumas palavras proféticas pelo Barão de Cotegipe, disse ele: 

“não se apresse a correr para ela que ela está correndo para nós. O meu ministério caiu por uma conspiração do palácio, o meu sucessor sairá na ponta das baionetas e talvez com ele a Monarquia.”


Ouro Preto, quem assumira o ministério em 1889, tinha a plena convicção dos riscos que estava por enfrentar. E deste modo era necessário neutralizá-la, não por meio da violência ou repressão, mas sim demonstrando a elasticidade do regime monárquico, por intermédio de reformas políticas, sociais e econômicas, inspiradas na escola democrática. Inicia-se então o programa de reformas: ampliação da representação; plena autonomia das províncias; liberdade de culto religioso; temporariedade do senado; liberdade de ensino; lei de terras que facilitasse sua aquisição; estabelecimento de créditos; elaborar um código civil; reformas no conselho de Estado dentre outras reformas de nítido carater liberal.
"Proclamação da República", 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927). Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo


Pedro Luiz Soares de Souza, deputado do Rio de Janeiro, pergunta a Ouro preto: “é o começo da República?”, ao que lhe respondeu Ouro Preto: “não, é a inutilizarão da República.” A câmara recuou diante das medidas, que pareciam demasiadamente radicais. O que testemunhando, portanto, a incapacidade dos grupos dominantes em aceitar as reformas necessárias para inutilizar o movimento republicano sem a repressão. O fato é que seria impossível realizar tais reformas dentro dos quadros da monarquia.


O golpe de 15 de novembro


Com a dissolução da câmara a situação se agravou. Ouro preto tomou algumas medidas que desagradaram os militares e foram amplamente utilizadas pelos republicanos, que se aproveitando do momento de inquietação, passaram a insistir com os militares para que se colocassem à frente do movimento republicano. Em 11 de novembro, Rui Barbosa, Benjamin Constant, Aristides Lobo, Bocaiúva, Glicério e o coronel Sólon reuniram-se na casa de Deodoro a fim de convencê-lo a tomar partido. Assim em 15 de novembro era proclamada a República, por um golpe militar, conjugando três forças: O exército, fazendeiros do Oeste Paulista e Representantes da classe média urbana.


O ano de 1889, todavia, não significou uma ruptura do quadro histórico do Brasil: As condições de vida do trabalhador rural continuaram as mesmas; Permaneceu o sistema de produção e o caráter colonial da economia e persistia a dependência em relação ao mercado externo e ao capital estrangeiro.
 
Proclamação da República no Rio de Janeiro (por Georges Scott, publicado em Le Monde Illustré, nº 1.708, 21/12/1889).
Referência:


COSTA, Emilia Viotti da. Da Monarquia a Republica: momentos decisivos. 5. ed. - São Paulo: Brasiliense, [1989?]. 361p. ISBN 8511130462 (broch.).

sábado, 16 de dezembro de 2017

OS ACHÉS: NOSSA ATROS E FASCINANTE PRÉ-HISTÓRIA

Muito podemos aprender com nosso passado histórico. Quanto mais distante no tempo o acontecimento mais difícil fica entender e compreender a história humana, a exemplo da pré-história. Mas, se olharmos para o tempo mais presente ao nosso, podemos aprender muito. Veja abaixo o exemplo disposto no livro "Sapiens: uma breve história da humanidade", de Yuval Noah Harari:

[...] Os achés, caçadores-coletores que viveram nas selvas do Paraguai até os 56 anos 1960, dão uma ideia do lado negro do sistema de caça e coleta. Quando um membro valorizado do bando morria, os achés costumavam matar uma garotinha e enterrar os dois juntos. Os antropólogos que entrevistaram os achés registraram um caso em que um bando abandonou um homem de meia-idade que adoeceu e não conseguia acompanhar os demais. Ele foi deixado sob uma árvore. Abutres se empoleiraram sobre ela, à espera de uma refeição substanciosa. Mas o homem se recuperou e, caminhando depressa, conseguiu se juntar ao grupo novamente. Seu corpo estava coberto de fezes de pássaros, e por isso ele foi apelidado de “Excremento de Abutre”.

Quando uma mulher aché idosa se tornava um fardo para o resto do bando, um dos homens mais jovens se esgueirava atrás dela e a matava com um golpe de machado na cabeça. Um homem aché contou aos antropólogos histórias sobre seus primeiros anos na selva. “Eu costumava matar mulheres idosas. Matei minhas tias [...] As mulheres tinham medo de mim [...] Agora, aqui com os brancos, eu me tornei fraco.” Bebês nascidos sem cabelo, considerados subdesenvolvidos, eram mortos imediatamente. Uma mulher lembrou que sua primeira bebê foi morta porque os homens não queriam mais uma menina no bando. Em certa ocasião, um homem matou um garotinho porque ele estava “de mau humor e a criança estava chorando”. Outra criança foi enterrada viva porque “tinha uma aparência engraçada e as outras crianças riam dela”.

No entanto, devemos ter cuidado para não julgar os achés depressa demais. Os antropólogos que viveram com eles durante anos relatam que a violência entre adultos era muito rara. Mulheres e homens eram livres para escolher seus parceiros à vontade. Eles sorriam e riam constantemente, não tinham hierarquia e geralmente esquivavam-se de povos dominadores. Eram extremamente generosos com suas poucas posses e não eram obcecados com sucesso nem com riqueza. As coisas que mais valorizavam na vida eram boas interações sociais e boas amizades. Eles viam a morte de crianças, pessoas doentes e idosos como muitas pessoas hoje veem o aborto e a eutanásia. Também deve ser observado que os achés eram caçados e mortos sem piedade pelos fazendeiros paraguaios. É bem provável que a necessidade de escapar de seus inimigos os levasse a adotar uma atitude atipicamente cruel para com qualquer um que pudesse se tornar um fardo para o bando.

A verdade é que a sociedade aché, como toda sociedade humana, era muito complexa. Devemos tomar cuidado para não os demonizar nem idealizá-los com base em um conhecimento superficial. Os achés não eram anjos nem demônios – eram humanos. Como também eram os antigos caçadores-coletores.

FONTE:

HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. Tradução Janaína Marcoantonio. 11 ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2016.


Kim Hill e A. Magdalena Hurtado. Aché Life History: The Ecology and Demography of a Foraging People (Nova York: Aldine de Gruyter, 1996), 164, 236.

Imagens disponíveis em: https://www.survivalinternational.org/news/10264. Acesso em 16 de dezembro de 2017.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

“O Nome da Rosa” - Umberto Eco

Prof. Douglas Barraqui

Umberto Eco foi um escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano de fama internacional. Talvez sua obra mais famosa, que o tornou conhecido mundialmente,  seja o “O Nome da Rosa” publicado em 1980 e que se tornou filme em 1986 dirigido por Jean-Jacques Annaud baseado no romance.

"O nome da rosa" era uma expressão usada na Idade Média para denotar o infinito poder das palavras. O enredo de “O Nome da Rosa” gira em torno das investigações de uma série de crimes misteriosos, cometidos dentro de uma abadia medieval. É um romance ácido com uma narrativa repleta de mistérios com símbolos secretos, críticas históricas catabólicas e que é capaz de nos lançar um olhar mais ávido à Idade Média e suas contradições.


Claro, devemos lembrar que se trata de um romance. Mas, um romance com um pé bem alicerçado na história da Idade Média e da instituição mais poderosa daquele momento, a Igreja Católica. Portanto, fica a dica.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

QUER COMPREENDER O BRASIL?

Quer tentar entender o que é o Brasil por um viés histórico, sociológico e antropológico, então recomendo a leitura minuciosa de:
1) Luís Câmara Cascudo (1898-1986) – “Dicionário do Folclore Brasileiro” (1952)
Se esforçou para registrar as práticas culturais, comidas típicas, o folclore, os mitos e lendas regionais brasileiras.

2) Eduardo Viveiros de Castro (1951-) – “A inconstância da alma selvagem”
Estudo detalhado das manifestações culturais dos indígenas atuais.

3) Gilberto Velho (1945-2012) – “"A Utopia Urbana: um estudo de antropologia social" (1973)
Estudou a complexa relação entre o individuo, sociedade e modo de vida urbano.
Analisou fenômenos como violência nos grandes centros urbanos, práticas culturais dos grupos juvenis, o individualismo, o consumismo e as relações familiares.

4) Luis Eduardo Soares (1954-) – “Elite da Tropa” (2006)
Interpretou a relação entre a violência, a criminalidade, a mídia e o Estado.
Nos mostra como que o próprio poder político corrompido produz e sustenta a criminalidade.
Nos mostra como que a mídia ajuda a propagar a violência por intermédio do sensacionalismo.

5) Roberto DaMatta (1936-) – “Carnavais, malandros e heróis (1979)
Estudou o carnaval e seus significados, a figura do malandro, o jeitinho brasileiro e a prática do “você sabe com quem está falando?”.

6) Gilberto Freyre (1900-1987) – “Casa grande e Senzala” (1932)
Estudou a formação histórica e social do Brasil desde o período colonial.
Sociedade brasileira resultado da mestiçagem.

7) Sergio Buarque de Holanda (1902-1982) – “Raízes do Brasil” (1936)
Conceito do “homem cordial”, como característica marcante da alma brasileira. O homem que valoriza mais a emoção do que a razão. Tese de que o brasileiro seria mais “cordial”, mais afável, amigável, submetido a paixões;, tende valorizar mais as relações familiares e afetivas; mais festi9vo e hospitaleiro; daria mais importância ao domínio privado do que o público.
No país da malandragem, o jeitinho brasileiro teria como tragédia maior a corrupção.

8) Darcy Ribeiro (1922-1997) – “O povo brasileiro” (1997)
Estudou a formação da sociedade brasileira a partir das três matrizes: nativo (índio), negro (africano) e o branco (europeu).
Demonstra como esse caldeirão cultural foi marcado tanto por relações amistosas quanto por conflitos, violência e relação de dominação.

Só para começar. Mas, tome atento, pois ambos os autores são duramente criticados pelas explicações reducionistas e generalizantes.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

LEVIATÃ DE THOMAS HOBBES

Prof. Douglas Barraqui
Thomas Hobbes (1588-1679)

O inglês Thomas Hobbes foi um matemático, teórico político e filósofo inglês, e autor de uma das mais importantes obras da teoria absolutista e do contratualismo,  Leviatã (1651). Leviatã é uma figura da mitologia fenícia, citado na bíblia no livro de Jó (cap. 40 e 41), retratado como um  grande crocodilo que protege os peixes menores do ataque dos maiores.

Hobbes tinha 61 anos quando começou a produzir e a escrever Leviatã e a obra é fruto de um contexto histórico específico, a Guerra Civil inglesa de 1641 a 1648. Guerra civil esta que colocou frente a frente a nobreza, representada pelo rei Carlos I (cavaleiros), e a burguesia, liderada por Oliver Cromwell (cabeças redondas). A guerra, como não seria diferente, terminou com uma verdadeira matança entre os dois lados, o caos e a desordem se instalaram. Carlos I acabou sendo decapitado em 1649.

Na obra “Leviatã” Thomas Hobbes busca uma justificativa racional para o poder real. Segundo Hobbes o homem passa por dois estágios: pré-civil (Estado de Natureza) e Estado de Civilização. No estado de Natureza não há leis para diferenciar o certo do errado. O homem é verdadeiramente livre, porém, ao mesmo tempo vive uma guerra de todos contra todos, justificando sua frase “homo homini lupus” (o homem é o lobo do próprio homem). Em Estado de Natureza o homem vive em uma guerra constante, pois não há leis. Imperando o medo da morte brutal e violenta.

Para Hobbes, guiados pela razão, os homens deveria firmar um “contrato”, o que coloca Thomas Hobbes no campo dos pensadores contratualistas: As pessoas abririam mão de sua liberdade; Criariam um contrato entre si (criando leis); e entregando o poder ao Estado que, usando as leis, controlaria a guerra de todos contra todos.
Frontispício da edição original do Leviatã (1651)


Assim o Estado Absoluto estava acima dos cidadãos, não devendo obediência a ninguém com exceção a Deus. Da mesma forma que o mostro mitológico, o grande crocodilo, Leviatã que protege os peixes menores do ataque dos maiores, é dever do soberano defender o povo dos opressores. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O SUCESSO EM NICOLAU MAQUIAVEL

Prof. Douglas Barraqui

Todas as vezes que leio “O Príncipe” de Maquiavel, aprendo algo novo. Reli a obra em uma talagada. Uma edição com comentários de Napoleão Bonaparte e Cristina Augusta Vasa da Suécia.

Napoleão, em seus comentários, foi demasiadamente influenciado pelos seus êxitos e, igualmente, pelos seus fracassos. Hora um Napoleão ávido, destemido e cheio de projetos; hora um Napoleão, já em seu exílio na Ilha de Elba quando provavelmente leu o livro pela última vez, lamuriando e remoendo seus erros.

Cristina da Suécia, por outro lado, uma mulher a frente do seu tempo, dotada de grande inteligência e cultura, amiga de Descartes e homossexual que provavelmente era, me pareceu muito mais racional em seus comentários.

Mas, o que mais me despertou foi a fórmula para o sucesso em Maquiavel que seria fruto de uma combinação de dois fatores:  

VIRTÙ + FORTUNE

Nos capítulos 18 e 19 de “O Príncipe”, Maquiavel define VIRTÙ como sendo as habilidades que todos nós possuímos. FORTUNE seria aquilo que foge do nosso controle. FORTUNE poderia ser até mesmo aquele momento de sorte. VIRTÙ são nossas habilidades que conseguimos ao longo do tempo, por experiência e ou estudo em uma determinada área. Assim, para Maquiavel, a combinação entre o que eu controlo, minhas habilidades e capacidades, e o que eu não controla, a sorte, por exemplo, define se terei sucesso ou não nessa vida.

Referência:


MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe: comentários de Napoleão I e Cristina da Suécia. Tradução de Fulvio Lubisco. São Paulo: Jardim dos livros, 2007. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

IDIOTA POLÍTICO ou POLÍTICO IDIOTA?

Prof. Douglas Barraqui

Eu sou um aficionado pela origem etimológica das palavras. Na Grécia antiga, por exemplo, aquela pessoa que não participava da vida política, pensava unicamente em si mesmo e olhava apenas para os próprios interesses era um "idiótes".

Também, na Grécia aquele que participava da vida política; atuante nas tomadas de decisão da pólis (Cidade-Estado). Aquele que se ocupava com o bem de todos, o bem comum, era um “politikós”.

Portanto, aquele que olha para o próprio umbigo é um idiota e aquele que pensa no bem comum é um político. No Brasil, de uma maneira dramática e grotesca, conseguimos inverter isso.


Em tempos apavorantes em que nossos “politikós” ignoram a importância da filosofia na formação humana recomendo a leitura do livro “POLÍTICA: PARA NÃO SER IDIOTA” do filósofo Mario Sergio Cortella e Renato Janine Ribeiro. 

domingo, 1 de novembro de 2015

Ivan Jaf - Longe dos Olhos


Prof. Douglas Barraqui

Não sou um fã e leitor devorador de romances, porém, recentemente um aluno me apresentou a obra “Longe dos Olhos”,  do filósofo carioca Ivan Jaf. Tenho que admitir é uma obra fantástica.

Ivan Jaf soube colocar com maestria dentro de um mesmo livro duas histórias impressionantes: Uma é um clássico da nossa literatura naturalista “O Mulato” de Aloísio Azevedo.  A outra conta a história de Oto e Sílvia, Oto um negro estudante de letras e Sílvia uma menina branca e sega.

No livro o autor Ivan Jaf soube abordar o tema preconceito de uma forma deliciosa; um antigo dilema da nossa sociedade brasileira, que superou as entranhas do tempo e vive entre nós, camuflado por discursos ditos moralistas e ações ditas compensatórias. De 1881, quando “O Mulato” de Aloísio Azevedo” foi publicado, até 2008 quando Ivan Jaf publica seu livro, podemos notar que pouca coisa mudou.


Nessa obra de Ivan Jaf você vai aprender sobre literatura, naturalismo, história e filosofia. Você vai ainda rir, se indignar, se emocionar e vai, sobretudo, notar que muitos preconceitos estão velados dentro de nós mesmos.

Referência:
JAF, Ivan. Longe dos olhos. 2 Ed, São Paulo: Ática, 2008.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Resenha da obra “Cinema e História” de Marc Ferro

Por Douglas Barraqui


“Cinema e História” é um livro do historiador francês Marc Ferro. Trata-se de uma das obras singulares e, em até certo grau inaugural, do campo dos estudos da relação entre o cinema e a história. Nesta obra o autor nos mostra de que maneira há uma inter-relação entre as produções cinematográficas e a história.
O livro é dividido em catorze capítulos em que Marc Ferro analisa o processo de produção de filmes e a influencia política e social que eles culminaram. Para isso o autor usa como exemplo filmes como: “O Encouraçado Potemkin”, “O judeu Suss”, “A grande ilusão”, “M - o vampiro de Dusseldorf”, “O terceiro homem”, entre outros.
No Capítulo I – “coordenadas para uma pesquisa” – o autor vai nos dizer que entre o cinema e a história as interferências são múltiplas. Desde quando o cinema se tornou uma arte, ele foi usado para intervir na história. Com os avanços tecnológicos, como advento da câmera super 8, o cinema se tornou muito mais ativo como agente de uma tomada de consciência social. “Medir ou avaliar a ação exercida pelo cinema é difícil”, nos diz Marc Ferro.
A intervenção do cinema é exercida por meio de um certo número de modos de ação que faz do filme uma ferramenta eficaz, e seria ilusão imaginar que essa prática cinematográfica é inocente. “Assim como toda produção cultural, toda a ação política, toda indústria, todo filme tem uma história que é História, com sua rede de relações pessoais, seu estatuto dos objetos e dos homens, onde privilégios e trabalho pesados, hierarquias e honras, encontram-se regulamentados [...]”
Neste capítulo primeiro, portanto, Marc Ferro quer nos mostrar em que pontos o cinema promove sua interveção, eixos a serem seguidos para quem se interroga sobre a inter-relação entre cinema e história: 1. Inicialmente como agente histórico; 2. Por um certo número de modos de ação que torna o filme eficaz e operatório; 3. Pela utilização e a prática de modos de escrita específicas o filme se torna uma arma de combate; e 4. Leitura histórica do filme e leitura cinematográfica da história.
No capítulo II – “O Cinema, agente da história” – Marc Ferro analisa uma filmagem de oito minutos de um campo de concentração para presos políticos na União Soviética. Embora os soviéticos tenham classificado o filme como uma falsificação grosseira, segundo o autor, pelas características da filmagem, tratava-se de um curta realizado para testemunhar.
No capítulo III – “O poder soviético e o cinema” – “O cinema é um instrumento que se impõe por si mesmo, é o melhor instrumento de propaganda. ‘apoderar-se’ do cinema, ‘controlá-lo’, ‘dominá-lo’, essas são expressões encontradas constantemente em Trotski, Lenin, Lunatcharski. [...] ‘O cinema deve ser um contraponto para os atrativos do álcool, da religião, (...) a sala de cinema deve substituir o boteco e a igreja, deve ser um suporte para educação das massas.’”  Segundo Marc ferro, de fato, e originalmente era o que defendiam esses dirigentes soviéticos e eles não deixaram de perceber a importância do cinema. Porém, vai nos dizer Ferro, esse cinema não deixou de ser autônomo.
Capítulo IV – “Sobre o antinazismo americano (1939-1943)” – neste capítulo o autor destaca que enquanto a França não havia uma decisão certa de quem era o inimigo, se era o nazismo ou o comunismo, nos EUA o inimigo já era certo, mesmo antes de 1939. Quando declarada a guerra Roosevelt deu instruções para uma produção cinematográfica voltada para a glorificação e exaltação dos valores americanos. Marc Ferro destaca ainda que um estudo sobre a ideologia americana através do cinema, nos anos de guerra, deveria se concentrar em certos grupos de filmes como: filmes antinazistas, filmes antijaponeses, os grande sucessos de bilheteria, filmes que justificavam a aliança com a União Sociética e filmes realizados por ex-comunistas.
Capítulo V – “Existe um cinema antimilitarista?”
Marc Ferro vai nos dizer que os filmes antimiritaristas, frequentimente paródicos ou marginais, abordam a singularidade do militarismo: o espírito militar, o ridículo e a ingenuidade dos seus dogmas. Uma outra tradição estigmatiza os excessos da disciplina militar. O autor elabora sua análise a partir de filmes como: “sem novidade no front”, “morte sem glória”, “a um passo da eternidade”, “King and Country” entre outros.
Capitulo VI – “As funções encadeadas de o judeu Süss
Neste capítulo Marc Ferro analisa o filme "O Judeu Süss", de Veit Harlan. Filme que foi lançado no Festival de Veneza em 1940. O filme oferecia tudo o que a propaganda nazista desejava: técnica apurada, uma história melodramática de amor e uma orientação antissemita – Veit Harlan sempre negou que tivesse querido fazer um filme anti-semita.
Segundo Marc Ferro no filme há quatro funções bem encadeadas nesse filme que fomentam um condensado da doutrina nazista: 1º quando a câmera deixa o emblema do duque e se dirigi para o emblema hebraico, pendurado em uma loja do gueto; quando Süss se barbeia para visitar o duque, a fusão mostra  a transformação do seu rosto e dos seus trajes;  3º quando Süss despeja sobre a escrivaninha do duque as moedas de ouro que se metamorfoseiam em bailarinas, e 4º quando condenado e encarcerado Süss retoma seu semblante de outrora. O que está implícito nestas quatro funções é que o judeu tem duas caras: a do gueto, que não engana sobre sua natureza subumana e a da cidade, que ilude pela aparência, mas nem por isso é menos nocivo.
Capítulo VII – “Sobre a entrevista em Ophuls, Harris e Sedouy”
Le Chagrin et la Pitié é um documentário franco-suiço produzido por Marcel Ophüls, André Harris e Sedouy, e esta obra marca uma espécie de Revolução de Outubro: por um lado pela sua repercussão, sem dúvida ligada ao tema do filme, por outro lado pela sua orientação. Este documentário suscitou uma agitação variável segundo a ideologia do espectador. Para Marc Ferro, esse sucesso se deve sem dúvida às qualidades  excepcionais da realização do filme. O que, segundo Marc, não foi suficientemente observado. Na verdade os autores teriam utilizados um procedimento antigo, porém, de uma nova maneira: as entrevistas.
Capítulo VIII – “Um combate no filme O Terceiro Homem”
O Terceiro Homem é um dos filmes que marca um movimento que viria a posterior se transformar em uma onda cinematográfica. Trata-se de um filme rodado nos esgotos de Viena ocupada e dividida. O filme romantiza a partilha da Europa no pós-guerra e ao mesmo tempo revelou a crueldade dos agentes clandestinos que estavam na cidade. Marc Ferro, ao analisar o filme, descreve essa tragédia política, escrita no contexto espiritual da Guerra fria. Tratava-se de uma obra anticomunista, embora, nem sempre explicitada, portanto, bem realizada, nos diz Marc Ferro.
Capítulo IX – “Dupla acolhida para A Grande Ilusão”
A Grande Ilusão, nos diz Marc Ferro, terá uma “dupla acolhida”:  o filme mostrava uma realidade da história que não estava na luta entre as nações, mas sim na luta de classes, e logo, a guerra não deveria ter razão de ser; todavia, outras interpretações sobre o filme, mostram que seu conteúdo não deixa de ser ambíguo.
Capítulo X – “Sobre três maneiras de escrever a história”
Nos diz Marc Ferro: “O historiador tem por função primeira restituir à sociedade a História da qual os aparelhos institucionais a despossuíram. Interrogar a sociedade, pôr-se à sua escuta, esse é em minha opinião o primeiro dever do historiador.”
Marc Ferro diz que Em lugar de se contentar com o utilização de arquivos, o historiador deveria antes de tudo criá-los e contribuir para a sua constituição: filmar, interrogar aqueles que jamais têm direito à fala, que não podem dar seu testemunho. O historiador, nos diz o autor, tem por dever despossuir os aparelhos do monopólio que eles atribuíram a si próprios e que fazem com que sejam a única fonte da história. Não satisfeitos em dominar a sociedade, esses aparelhos (governos, partidos políticos, Igrejas ou sindicatos) acreditam ser sua consciência. “O historiador deve ajudar a sociedade a tomar consciência dessa mistificação.”
Capítulo XI – “O filme:  uma contra-análise da sociedade?”
“Seria o filme um documento indesejável para o historiador? [...] o filme não faz parte do instrumento mental do historiador”, é o que nos diz Marc Ferro: na verdade “o cinema ainda não era nascido quando a historia se constituía, aperfeiçoou seus métodos.”
No começo do século XX era visto, pelos”espíritos superiores”, como uma “máquina de idiotilização e de dissolução, um passatempo de iletrados, de criaturas miseráveis exploradas por seu trabalho”.
A própria noção de tempo histórico mudou, o trabalho do historiador mudou e a história se transformou e o filme continua na porta do laboratório.
Capítulo XII – “Ficção e realidade no cinema: uma greve na antiga Rússia”
Neste capítulo Marc Ferro destaca Alexandre Nevski e Andrei Rublev, obras primas que foram capazes de reproduzir o passado de uma forma “exemplar”. Ferro destaca que os filmes cuja ação é contemporânea das filmagens não constituem apenas um testemunho do imaginário da época, eles conseguem também transmitir até nós a imagem real do passado. E vai nos dizer Ferro, isso também serve para as obras de ficção.
Capítulo XIII – “tchapaiev: a ideologia stalinista através de um filme”
Marc Ferro analisa o filme Tchapaiev, de 1934, que, sob a aparência de um filme que fazia a apologia do regime, "revelou os traços profundamente tradicionalistas da ideologia stalinista".
Capítulo XIV – “Lenda e história: o encouraçado Potemkin”
Mark Ferro analisa o filme “O Encouraçado Potemkin” de Sergei Eisenstein, de 1925. Ferro considera essa obra como fruto de seu tempo, de uma ideologia e que possui uma relação temporal peculiar com o próprio argumento contido no filme.  Trata-se de um filme carregado de ideologia, um filme revolucionário e sua justificativa acaba sendo coerente com seu tempo histórico. Ferro considera que a pouca distância entre o tempo do filme e o tempo de sua idealização garante uma qualidade maior e uma fidelidade histórica também maior.
Conclusão
Marc Ferro, portanto, se tornou um pioneiro e, ao mesmo tempo, uma referência dentro do universo da historiografia do que podemos chamar de relação cinema/história. O livro Cinema e História é uma contribuição impar para o campo da historiografia, e coloca Ferro no hall dos grandes historiadores da atualidade.
Fecho essa conclusão com um trecho do livro: “[...] analisar no filme tanto a narrativa quanto o cenário, a escritura, as relações do filme com aquilo que não é filme: o autor, a produção, o público, a crítica, o regime de governo. Só assim se pode chegar à compreensão não apenas da obra, mas também da realidade que ela representa.”
Referência


FERRO, Marc. Cinema e História. Tradução Flavia Nascimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/31796658/Marc-Ferro-Cinema-e-Historia. Acesso em 08 de março de 2013.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Terra Papagalli - uma estória/história jocosa de um Brasil






Você é um leitor preguiçoso? Então, você vai adorar “Terra Papagalli”. Trata-se de uma narrativa, uma estória (fruto da infinita imaginação do homem),  com um pé na história (narrativa de fatos reais). Trata-se de uma narrativa única da “luxuriosa, irada, soberba, invejável, cobiçada, e gulosa história do primeiro rei de “Terra Papagalli”, que chamamos hoje de Brasil.

José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta narram, com uma mistura de fatos históricos e e uma deliciosa ficção, pela ótica de um dos degredados que em terras brasileiras, digo em “Terra Papagalli”,  foi deixado pelos idos de 1500.

Pouco há registrado sobre Cosme Fernandes, personagem central, que em terras tupiniquins foi deixado sob pena de degredo – sua proeza mais bem contada é que teria vendido, de uma só vez, 800 escravos índiso. Mas não há o que se preocupar pois a ficção toma conta do resto sem abandonas os caminhos da história. 

Escrita com um saboroso e talentoso linguajar do século XVI, com um tom jocoso, depravado, ironico e catabôlico, a obra concegue intercalar humor pastelão com fatos históricos. Ao mesmo tempo que está estruturado, inteligentemente, em forma de diário de navegação, dicionário e bestiários (trata-se de uma forma de texto descritivo de criaturas naturais e fantásticas, com interpretação moralizadora, que deriva directamente do Fisiólogo)

Pois, bem, não falarei mais. Apenas leiam!