domingo, 31 de março de 2019

MAPA MENTAL - POVOS PRÉ-COLOMBIANOS

O termo pré-colombiano é frequentemente utilizado especialmente no contexto das grandes civilizações indígenas das Américas, como as da Mesoamérica (os olmecas, os toltecas, os teotihuacanos, os zapotecas, os mixtecas, os astecas e os maias) e dos Andes (os incas, moches, chibchas, cañaris).


sábado, 9 de fevereiro de 2019

O PROBLEMA DE ENSINAR FILOSOFIA EM TEMPOS DE ESCOLA SEM PARTIDO




Os ataques sofridos pela filosofia desde suas origens até nossos dias levaram e ainda levam muitos pensadores e educadores a refletir sobre ela e seu ensino. Isso significa que a própria filosofia constituiu- se em um problema filosófico, pois seu ensino apresenta diversas questões problemáticas que devem ser abordadas tanto do ponto de vista da reflexão pedagógica como da perspectiva filosófica, notadamente no que se refere a seus “quês”, “comos”, “porquês” e “para quês”.


Quando um professor ou uma instituição de ensino deve decidir sobre que tipo de curso de filosofia seria possível desenvolver com seus alunos, todas essas questões vêm à tona. Quando se elabora um livro também. E nós sabemos que a didática não é neutra. Isso significa que, antes de fazer nossas escolhas, devemos investigar atentamente os pressupostos das propostas pedagógicas que se apresentam (ou daquela que já adotamos), buscando explicitar seus objetivos, recortes de conteúdo, estratégias e recursos postos em jogo. Tudo isso não são problemas menores.


No debate ATUAL sobre esses aspectos, podemos dizer simplificadamente que, entre as diversas alternativas existentes, há TRÊS enfoques pedagógicos que representam a prática de ensino da filosofia: o tradicional, o renovado e o de falso moralismo. Esta última prática é defendida pela escola sem partido, seguidores de místico Olavo, terraplanistas e neonazistas de esquerda.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

QUESTÕES ENEM DE INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS HISTÓRICOS


ENEM 2012  
O que o projeto governamental tem em vista é poupar à Nação o prejuízo irreparável do perecimento e da evasão do que há de mais precioso no seu patrimônio. Grande parte das obras de arte até mais valiosas e dos bens de maior interesse histórico, de que a coletividade brasileira era depositária, têm desaparecido ou se arruinado irremediavelmente. As obras de arte típicas e as relíquias da história de cada país não constituem o seu patrimônio privado, e sim um patrimônio comum de todos os povos. ANDRADE, R. M. F. Defesa do patrimônio artístico e histórico. O Jornal, 30 out. 1936. In: ALVES FILHO, I. Brasil, 500 anos em documentos. Rio de Janeiro: Mauad, 1999 (adaptado).

A criação no Brasil do Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (SPHAN), em 1937, foi orientada por ideias como as descritas no texto, que visavam
A) submeter a memória e o patrimônio nacional ao controle dos órgãos públicos, de acordo com a tendência autoritária do Estado Novo.
B) transferir para a iniciativa privada a responsabilidade de preservação do patrimônio nacional, por meio de leis de incentivo fiscal.
C) definir os fatos e personagens históricos a serem cultuados pela sociedade brasileira, de acordo com o interesse público.
D) resguardar da destruição as obras representativas da cultura nacional, por meio de políticas públicas preservacionistas.
E) determinar as responsabilidades pela destruição do patrimônio nacional, de acordo com a legislação brasileira.

Resposta: D
 A criação do Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (SPHAN), em 1937, tinha como objetivo proteger o patrimônio artístico e histórico brasileiro. Essa instituição surge durante o Estado Novo (1937-1945), período no qual o governo autoritário de Getúlio Vargas tinha como pano de fundo o nacionalismo e patriotismo, que valorizava o patrimônio histórico e artístico nacional como forma de preservar a identidade e a memória da nação.


ENEM 2016   
TEXTO I

TEXTO II
A eleição dos novos bens, ou melhor, de novas formas de se conceber a condição do patrimônio cultural nacional, também permite que diferentes grupos sociais, utilizando as leis do Estado e o apoio de especialistas, revejam as imagens e alegorias do seu passado, do que querem guardar e definir como próprio e identitário. ABREU, M.; SOIHET, R.; GONTIJO, R. (Org.). Cultura política e leituras do passado: historiografia e ensino de história, Rio de Janeiro Civilização Brasileira, 2007

O texto chama a atenção para a importância da proteção de bens que, como aquele apresentado na imagem, se identificam como:

A) Artefatos sagrados.
B) Heranças materiais.
C) Objetos arqueológicos.
D) Peças comercializáveis.
E) Conhecimentos tradicionais.

Resposta: E
A questão nos remete à valorização e reconhecimento de práticas tradicionais que configuram patrimônio cultural imaterial. De acordo com o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), “os bens culturais de natureza imaterial dizem respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer.”

ENEM 2015
A Unesco condenou a destruição da antiga capital assíria de Nimrod, no Iraque, pelo Estado Islâmico, com a agência da ONU considerando o ato como um crime de guerra. O grupo iniciou um processo de demolição em vários sítios arqueológicos em uma área reconhecida como um dos berços da civilização. Unesco e especialistas condenam destruição de cidade assíria pelo Estado Islâmico.

Disponivel em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 30 mar. 2015 (adaptado).

O tipo de atentado descrito no texto tem como consequência para as populações de países como o Iraque a desestruturação do

A)  homogeneidade cultural.
B) patrimônio histórico.
C) controle ocidental.
D) unidade étnica.
E) religião oficial.

Resposta: B
Nimrod, mesmo não sendo a atual capital do Iraque, tem o título de patrimônio histórico, visto a importância cultural que tem para o mundo. A sua destruição por parte do Estado Islâmico (ISIS) teve um grande impacto na comunidade internacional, que condenou o evento como um crime de guerra.


ENEM 2014
Queijo de Minas vira patrimônio cultural brasileiro O modo artesanal da fabricação do queijo em Minas Gerais foi registrado nesta quinta-feira (15) como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O veredicto foi dado em reunião do conselho realizada no Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte. O presidente do Iphan e do conselho ressaltou que a técnica de fabricação artesanal do queijo está “inserida na cultura do que é ser mineiro”. (Folha de S. Paulo, 15 maio 2008)
Entre os bens que compõem o patrimônio nacional, o que pertence à mesma categoria citada no texto está representado em:


Resposta: C
O Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro esta associado, nestes casos específicos, aos métodos, produção, técnicas e não ao produto em si. O jeito e o caminho que se percorre para chegar ao produto é o que está sendo valorizado. Porém, devemos ter muito cuidado pois, como cultura imaterial também podemos exemplificar músicas.


ENEM 2013
No dia 1º de julho de 2012, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se a primeira do mundo a receber o título da Unesco de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural. A candidatura, apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi aprovada durante a 36.ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial. O presidente do Iphan explicou que “a paisagem carioca é a imagem mais explícita do que podemos chamar de civilização brasileira, com sua originalidade, desafios, contradições e possibilidades”. A partir de agora, os locais da cidade valorizados com o título da Unesco serão alvo de ações integradas visando à preservação da sua paisagem cultural. Disponível em: www.cultura.gov.br. Acesso em: 7 mar. 2013 (adaptado).

O reconhecimento da paisagem em questão como patrimônio mundial deriva da
A) presença do corpo artístico local.
B) imagem internacional da metrópole.
C) herança de prédios da ex-capital do país.
D) diversidade de culturas presente na cidade.
E) relação sociedade-natureza de caráter singular.

Resposta: E
No ano de 2012, a cidade do Rio de Janeiro passou a ser considerada pela UNESCO Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural. Essa relação entre a cidade carioca e a paisagem é marcada pela relação entre a sociedade e a natureza estabelecida no sítio da cidade, ou seja, uma integração entre sua população e o local de moradia e transito dessas pessoas.



ENEM 2010
As ruínas do povoado de Canudos, no sertão norte da Bahia, além de significativas para a identidade cultural, dessa região, são úteis às investigações sobre a Guerra de Canudos e o modo de vida dos antigos revoltosos. Essas ruínas foram reconhecidas como patrimônio cultural material pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) porque reúnem um conjunto de
A) objetos arqueológicos e paisagísticos.
B) acervos museológicos e bibliográficos.
C) núcleos urbanos e etnográficos
D) práticas e representações de uma sociedade.
E) expressões e técnicas de uma sociedade extinta.

Resposta: A
A Guerra de Canudos foi um dos primeiros e mais importantes movimentos messiânicos a eclodir no Brasil no final do século XIX. Ocorrido em um contexto de revoltas populares na primeira república, representa uma fase importantíssima da história do Brasil. Dessa maneira, a conservação de sua memória é essencial e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN tem como função preservá-lo. Assim, a conservação de objetos arqueológicos e paisagísticos são essenciais como fonte histórica para preservação de memória e produção de pesquisas de um povoado que foi praticamente destruído no período.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

AS MULHERES NA REVOLUÇÃO FRANCESA

A marcha das mulheres para Versalhes, gravura do século XVIII


“Não fiz a guerra como mulher, fiz a guerra como um bravo!”, declarou Marie-Henriette Xaintrailles em carta ao imperador Napoleão Bonaparte. Indignada por lhe recusarem pensão de ex-combatente do Exército “porque era mulher”, ela lembrou que, quando fez sete campanhas do Reno como ajudante de campo, o que importava era o cumprimento do dever, e não o sexo de quem o desempenhava.

Madame Xaintrailles não foi um caso isolado. Em 1792, quando a França declarou guerra à Áustria, voluntárias se alistaram no Exército para lutar ao lado dos homens contra as forças da coalizão austro- prussiana que ameaçavam invadir o país. Muitas se apresentaram com identidades falsas e disfarçadas de homem. Além de conseguirem se alistar, protegiam-se do risco da violência sexual. [...]

Não se conhece o número exato de mulheres-soldados durante o período revolucionário francês (1789-1799). Há oitenta casos registrados nos arquivos parlamentares, militares e policiais.

As irmãs Fernig, com 17 e 22 anos, foram exceções: eram nobres, e combateram vestidas de homem no Exército do general Dumouriez (1739- -1823), na fronteira da atual Bélgica. Fora da batalha, passeavam com roupas de mulher e carabina ao ombro. Tornaram-se heroínas nacionais.

De todo modo, as soldadas encarnavam as virtudes republicanas. Não era pouco. Por essa razão, Liberté Barreau e Rose Bouillon figuravam na Coletânea de Ações Heroicas e Cívicas dos Republicanos Franceses, publicada em 30 de dezembro de 1793. [...] Sacrificaram-se pela pátria sem esquecer as virtudes de seu sexo. Eis aí o grande mérito. Numa República marcada por apelos à moral, as mulheres-soldados contribuíram com um modelo de comportamento feminino positivo.

REFERÊNCIA:
MORIN, Tania Machado. Revolução Francesa e feminina. Revista de História da Biblioteca Nacional, 8 dez. 2010.

domingo, 4 de novembro de 2018

ALGUÉM DÊ UM OSCAR PARA O TEMA DA REDAÇÃO DO ENEM



Prof. Douglas Barraqui

“Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”


O tema da redação do Enem 2018 fou atual e mais específico que em anos anteriores. A princípio, para aquele aluno mais desavisado, pode até parece um tema fácil, mas ao mesmo tempo por possibilita uma série de leituras, se torna complexo. Assim, com uma temática ampla, coube ao aluno o papel de delimitar o tema a partir dos textos bases propostos pelo Enem e desenvolver a proposta de intervenção.

Esse tema permitiu que várias questões pudessem ser abordados: a privacidade nas redes sociais; a maneira como os seus dados são usados pelos provedores;  Como seu comportamento pode ser manipulado. e como você é, e se torna conhecido.

Para uma boa redação eu acredito que o aluno precisa trabalhar quatro palavras norteadoras a partir dos textos base: manipulação, comportamento, usuário e internet. O aluno poderá ainda inferir sobre o marketing dirigido e sobre como disponibilizamos informações nas redes sociais. O aluno pode levantar discussões sobre o Marco Civil da internet que prevê um ambiente de privacidade, neutro e de liberdade de expressão.

Embora o tema não tenha relação direta com as notícias falsas, mas sim com a manipulação de dados dos usuários, isso não impede que o aluno traga as fake news como ferramenta de manipulação com um tom moral, enganar alguém.

ALUSÕES HISTÓRICAS QUE PODERIAM SER FEITAS:

Ø  Terceira fase da Revolução Industrial e a telemática (união da telecomunicação com a informática) e a Terceira Revolução Tecnológica e o advento da internet.

Ø  A criação da internet em 1969, nos Estados Unidos. Chamada de Arpanet, essa rede pertencia ao Departamento de Defesa norte-americano. Tinha como função interligar laboratórios de pesquisa nos EUA.

Ø  O exemplo histórico de manipulação o caso Cambridge Analytica, ocorrido em 2016, em que a empresa britânica utilizou informações acessíveis pelo Facebook para promover a candidatura do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

ALUSÕES SOCIOLÓGICAS  E FILOSOFICAS QUE PODERIAM SER FEITAS:

Ø  A maneira como o algoritmos de sites e aplicativos agem de forma coercitiva sobre nós: captam aspectos e dados pessoais e criam uma bolha, um simulacro de lugar confortável, em que músicas, postagens, páginas são sugeridas ao usuário, fazendo, assim, com que ele perca autonomia de escolha e seja submisso e influenciável.

Ø  “As redes sociais deram voz a uma legião de imbecis". (Umberto Eco)

Ø  “Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade”. (Albert Einstein)

Ø  Edgar Morin e o conceito de “Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo”: "Cultura de massa” é produzida segundo as normas maciças de fabricação industrial; propagada pelas técnicas de difusão maciça (...) destinando-se a massa social, isto é um aglomerado gigantesco de indivíduos compreendidos aquém e além das estruturas internas da sociedade.

Ø  Conceito de “cultura de massas” na internet como um fenômeno específico do contexto do capitalismo pós industrial, marcado pela forte influência dos meios de comunicação de massa.Características:
1)      Produção em larga escala,
2)      Consumismo,
3)      Padronização das mercadorias,
4)      Uniformização dos indivíduos,
5)      Maior homogeneização dos indivíduos
6)      Grande influência da mídia e do mercado.

Ø  Adorno e Horkheimer na obra “Dialética do esclarecimento”, pondera que Tanto os meios de comunicação quanto a produção cultural servem para manipular a alienar dentro da lógica de mercado do capitalismo.

Ø   Hannah Arendt em seu livro “A crise da cultura” (1972), Acusa o mercado e a mídia de se valerem do entretenimento como forma de dominação e alienação cultural ao incentivarem o consumismo.

Ø  Outras questões possíveis de serem cooptadas e inseridas no texto:
1) O indivíduo não é um sujeito, mas sim um objeto, cujo capacidade crítica se encontra atrofiada e controlada pelos algoritmos .
2) Obediência a padrões predeterminados (novelas e filmes obedecem a dicotomias simplistas e maniqueístas: mocinho, o heroi, e o vilão; o mocinho que se apaixona pela mocinha e todos viveram felizes para sempre.
3) Sensacionalismo: “sociedade do espetáculo” conceito criada pelo filósofo francês Guy Debord, em que a verdade ficcional se sobrepõe à realidade de fato. Nessa sociedade Vídeos, imagens e notícias produzidas, curtidos e compartilhados como ferramenta de manipulação do comportamento do usuário da internet.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

DESVENDENDO A VERDADEIRA HISTÓRIA POR DE TRÁS DA SÉRIE VIKINGS


Prof. Douglas Barraqui


O PARAÍSO DOS GUERREIROS
Valhalla é claramente um #paraíso #militar ou uma extensão postmortem da vida dos grupos de guerreiros da Escandinávia antiga, #vikings. Lá em Valhalla esses guerreiros, outrora caídos em combate, comem diariamente à mesa do seu senhor e patrono – neste caso Odin – são servidos por mulheres ou valquírias e combatem todos os dias. Trata-se de um tipo de vida aristocrática que seria normal no mundo antigo e que encontra eco na tradição literária, a exemplo  do poema Beowulf:  onde o herói é convidado a juntar-se ao banquete no salão real e é servido pela rainha. E da perspetiva de um guerreiro, a morte resume-se de fato a duas opções: cair com valentia no campo de batalha ou falecer na cama como um inválido, um triste e vergonhoso fim.

É uma ética heroica que atravessa várias culturas, do Japão à Grécia antiga, onde Aquiles teve que escolher entre uma vida longa destinada ao esquecimento ou uma morte prematura, mas com glória imortal. Para alguns nórdicos, esse tipo de glória daria acesso à elite militar que eram os guerreiros de Odin, onde podiam continuar a exercer as virtudes militares com que se tinham destacado em vida.
Mas quais eram as crenças dos que não tinham na guerra a sua principal ocupação? Que ideias havia sobre o além entre aqueles que se dedicavam acima de tudo à pesca, à agricultura, ao comércio ou às artes domésticas?



A MORTE
Freyja e Odin partilhavam os que faleciam em batalha, terá havido também quem acreditasse que, chegada a #morte, seria recebido no salão ou reino de outro deus ou deusa? Por exemplo, terá Thor sido visto como uma divindade que acolhia alguns dos seus devotos?

Há um indício disso na Edda Poética, uma coleção de poemas em nórdico antigo preservados inicialmente no manuscrito medieval islandês Codex Regius, onde, na estrofe 24, é dito que Odin recebe os nobres caídos em combate, enquanto Thor fica com os servos.

Dado que o poema é um confronto verbal entre os dois deuses, não é seguro que o verso seja reflexo de uma crença pré-cristã genuína, podendo não passar de uma mentira ou de um exagero com fins literários. Mas um exagero não tem que ser inteiramente falso, pelo que pode tratar-se de uma hipérbole ou deturpação com uma base real: a de que, entre os agricultores nórdicos, havia quem acreditasse que seriam recebidos por Thor depois da morte. É uma hipótese e apenas isso, dado que a escassez de informação e a natureza da fonte não nos permite certezas. Mas a ser verdade, talvez tenham existido crenças semelhantes sobre outras divindades – como Tyr (deus dos combates patrono da justiça), Ullr (deus da caça) ou Frigg (Esposa de Odin mãe de Thor e madrasta de Loki é a deusa da fertilidade, do amor) – embora não haja dados suficientes para concretizar essa hipótese de um modo sustentado.



FUNERAL
A imagem icónica de um funeral nórdico pode ser a de um barco em chamas lançado ao mar com um ou mais corpos, mas é difícil perceber até que ponto essa ideia é verídica. A prática parece ser referida por Procopius, um autor bizantino do século VI, e figura ainda na tradição literária, embora nunca tenha estado no norte da #Europa e a segunda possa ser um caso de memória romanceada. Faltam encontrar esse vestígio arqueológico, que provavelmente nunca serão encontrados.

De acordo com os vestígios existentes, a cremação era a prática mais comum, havendo um número comparativamente pequeno de campas onde os corpos foram apenas enterrados. Mas isto refere-se ao número total de sepulturas e, se organizarmos os dados de forma #geográfica e cronológica, deparamo-nos com diferentes padrões: em Vendel e Valsgärde, a norte de Estocolmo, diversas pessoas foram enterradas em barcos entre os séculos VI e VIII, enquanto na Dinamarca, durante o mesmo período, a cremação terá sido a norma, exceto na ilha de Bornholm. Na Noruega, a cremação parece ter sido a norma, havendo, no entanto, um número elevado de enterros em campas rasas em Kaupang. A construção de câmaras fúnebres, por exemplo, registra-se na Escandinávia pelo menos desde os séculos imediatamente anteriores à Idade Viking, que teve início por volta do ano 790.

As embarcações forneciam a terceira opção para o enterro. Um ou mais corpos eram depositados dentro de um navio juntamente com oferendas e os restos mortais de #vítimas sacrificiais, sendo depois cobertos com uma colina de terra. Em alguns casos, o mastro terá ficado exposto e o conjunto podia ser enriquecido com pedras erguidas em redor ou com vias processionais. É disso exemplo a sepultura de Groix, em França, mas uma das embarcações fúnebres mais conhecidas é a de Oseberg, no sul da Noruega, onde duas mulheres foram enterradas dentro de um barco de trinta remos por volta do ano 835.

A postura dos corpos dentro dos túmulos é outro elemento onde se registra diversidade de práticas, uma vez que nem todos foram simplesmente deitados à semelhança do que é hoje comum. Nas campas rasas, muitos foram encontrados numa posição supina ou fetal, como se estivessem a dormir, havendo até, em alguns casos, vestígios de almofadas e mantas. Surgem também exemplos de corpos em posturas pouco naturais que terão exigido alguma forma de mutilação e até casos em que foi colocada uma pedra em cima dos restos mortais. Já em algumas câmaras e, mais raro, em alguns navios fúnebres, os corpos terão sido sentados, destacando-se, nesse aspecto, duas sepulturas de Birka onde um homem e uma mulher foram colocados ao colo um do outro.


REFERÊNCIAS:
Desvendando os vikings: estudos de cultura nórdica medieval. Johnni Langer, Munir Lutfe Ayoub (Orgs.). – João Pessoa: Ideia, 2016. 218p.

terça-feira, 10 de abril de 2018

O CORAÇÃO DE UM EDUCADOR PARTIDO, MAS AINDA ESPERANÇOSO


Prof. Douglas Barraqui

Hoje pude presenciar uma cena que me trouxe várias reflexões: alunos de duas escolas da Grande Vitória de ensino fundamental I, uma particular de grande porte e outra pública, coincidentemente, se encontraram no mesmo restaurante.

Os alunos da escola particular correram para fazer o prato. Em um balcão farto entre arroz e macarrão; entre frango, bife de boi e bisteca suína; e entre uma fartura de vários tipos de legumes e folhas, eles puderam escolher. Puderam escolher inclusive o que beberiam: suco natural, feito na hora, refrigerante, água com gás ou natural com limão e gelo. Os alunos da escola pública esperaram sentados o “prato feito”: um pouco de arroz, feijão, macarrão e uma carne. Os pequenos da escola pública nada beberam.

Notei ainda que, embora todos uniformizados, predominava os tênis de marca entre os alunos da escola particular e as sandálias de dedo entre os alunos da escola pública. Nas mãos dos alunos da rede privada celulares e iPads de última geração. Nas mãos dos alunos da escola pública nada além de um folheto amassado.

Ali sentados, em mesas diferentes, brincavam, riam, conversavam entre si e trocavam olhares. E eu, como professor, me peguei a refletir:

O QUE PENSARAM ESSAS CRIANÇAS QUANDO SE ENCONTRARAM?

COMO SE SENTIRAM?

DE CLASSES SOCIAIS TÃO DISTINTAS, QUE FUTURO ESPERA ESSAS CRIANÇAS?