domingo, 29 de novembro de 2015

DEDO NO CU INCOMODA MAIS OS OLHOS DO QUE O ÂNUS

Prof. Douglas Barraqui

O 22º Festival MIX Brasil de Cultura da Diversidade, trouxe uma atração no mínimo inusitada: “performance Macaquinho” que conta com nove atores que exploraram os ânus alheios, uns dos outros.



ISSO É ARTE?

A ARTE tem um poder de estimulante sobre nos seres humanos: um livro pode nos fazer chorar, um filme pode nos deixar triste, uma música pode nos deixar felizes, ou tocar nossa paixão por alguém e o dedo no cu de alguém pode nos causar ojeriza. A arte consegue tocar nossos sentidos, emoções e pensamentos.

A ARTE pode ser inúmeras coisas. E uma das coisas mais importantes, a saber, sobre a arte é que ela “RECRIA O MUNDO EM QUE VIVEMOS”. Esse mundo, dependendo de quem observa, pode ser mais belo ou mais feio; mais ou menos significativo. Porém, de alguma forma, esse mundo novo revela alguma coisa diferente sobre essa mesma realidade.

Embora a beleza esteja indissociavelmente ligada à arte, esta não é necessariamente, e nem tem que ser, bela. Arte nem sempre é algo belo e maravilhoso. Pode ser feia, de causar espanto e ojeriza, mas não deixa de ser arte por isso, desde que consiga tocar nossas emoções arte é arte.

As perguntas que devemos fazer são outras:

1)    De onde veio a CRIATIVIDADE para a “performance Macaquinhos"?

2)    Durante muito tempo o artista foi visto de um jeito especial, dotado de um TALENTO especial ou de uma INSPIRAÇÃO. De onde viria a INSPIRAÇÃO para essa manifestação, no mínimo anti-higiênica?

3)     Se a arte recria o mundo em que vivemos, que mundo essa performance estaria recriando?

Se a arte, de fato, recria o mundo em que vivemos. E esse mesmo mundo serve de inspiração para a criatividade do artista. QUE MUNDO SERIA ESSE?

Aqui eu recorro a Zigmunt Bauman, sociólogo polonês, um dos intelectuais mais respeitados da atualidade, especificamente o que ele trata como sendo o “MUNDO LÍQUIDO”. Recorro, também, ao filósofo estadunidense Marshall Berman e sua obra, que é uma crítica a modernidade, “TUDO QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR”, originalmente um frase de Karl Marx.

Hoje vivemos em um mundo líquido. Assim como a água, os valores se escorrem, se perdem ao evaporar, fluem e se moldam. Assim como o ar, tudo se esvai, evapora, é levado pelo vento que é o ar em movimento.

Vivemos em um mundo em que os valores facilmente se vão, se moldam, se escorrem. Vivemos em um mundo, uma sociedade, em que ninguém mais se preocupa com o próprio umbigo ou o próprio nariz, ou o próprio cu. Estamos preocupados com o do outro. Temos que “cutucar”, olhar, bisbilhotar, tocar, cheirar. Isso acontece em nossas interações sociais, no trabalho, na escola, com os amigos em um bar, na família e, principalmente, nas redes sociais.

Ao “bisbilhotarmos” a vida do outro, o que nos interessa é justamente o que causa escárnio, o que fede, a parte mais asquerosa e nojenta do outro. Aqui entra o cu da “performance macaquinho”.

Por exemplo: ninguém está interessado no vídeo do you tube “Jovem ajuda vovozinha atravessar avenida”. Mas, todos estão interessados em “senhora é atropelada por um caminhão de gás”. Paramos para ver, tiramos fotos, filmamos e postamos nas redes sociais. Em algumas horas milhares de compartilhamentos e likes. Repito: o que nos interessa é o que nos causa escárnio, ojeriza, o que fede. E buscamos isso no outro.

A “performance macaquinho” foi aplaudida, pessoas pagaram para assistir. Mas, como seria recebida essa mesma performance nas décadas de 70, 80 e 90? Na década de 70, muito provavelmente, todos, inclusive os espectadores, seriam presos, torturados e acusados mancomunar com o comunismo – isso porque enfiar o dedo no cu do outro é coisa de comunista. Na década de 80, a década perdida, crise econômica, moeda desvalorizada, inflação que chegou há fechar o ano acumulada em 365,9%, muito provavelmente não teria dinheiro para realização de tal performance. Na década de 1990 todos seriam presos por atentado violento ao pudor.

Agora lanço outras reflexões, outros problemas:

1)    O QUE FEZ O NOSSO MUNDO SE TORNAR TÃO LÍQUIDO?

2)    COMO É POSSÍVEL VALORES SE PERDEREM TÃO RAPIDAMENTE?


3)    COM OS VALORES SE ESCORRENDO, SENDO LEVADOS TÃO RAPIDAMENTE, PARA QUE DIREÇÃO NOSSO MUNDO ESTÁ CAMINHANDO?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

MAPAS HISTÓRICOS - MAPA DE ERATÓSTENES (220 A.C.)

Prof. Douglas Barraqui

Abaixo, uma reconstituição (de autor não identificado) do mapa de Eratóstenes, de cerca de 220 aC. O matemático grego e bibliotecário da Alexandria usou os levantamentos do mundo conhecidos, após as conquistas de Alexandre, o Grande.


O mapa acima foi por mim adaptado do original Mapa de Eratóstenes. Disponível em http://www.mapas-historicos.com/mapa-eratostenes.htm. Acesso em 25 de novembro de 2015.


Fonte: http://www.mapas-historicos.com/mapa-eratostenes.htm

DEZ MANDAMENTOS DO PROFESSOR

Prof. Leandro Karnal


A sabedoria do mais influente legislador do Ocidente, Moisés, sintetizou uma concepção de mundo em Dez Mandamentos. Como bom educador, o ex-príncipe do Egito sabia que longos códigos são de difícil acesso. Curioso notar que constituições muito breves, como a norte-americana, passam dos dois séculos e constituições prolixas, como todas as brasileiras , caducam em prazos muito curtos.

Inspirados neste exemplo, elaboramos os Dez Mandamentos do Professor. Estes dez mandamentos são fruto de uma experiência particular e não se pretendem eternos ou válidos em qualquer ocasião. Gostaria apenas de fornecer a colegas, como você leitor, uma reflexão particular, que possa ser aprofundada, reinterpretada ou rejeitada de acordo com a sua experiência.

O que me levou a pensar nestes princípios é a mesma angústia que assola qualquer educador: como ser um bom profissional, ensinar, transformar meu aluno e fazer parte desta transformação? Como superar o tédio dos meus alunos, a indisciplina, a irrelevância de algumas coisas que faço e meu próprio cansaço? Como não considerar a sala um fardo e o relógio um inimigo? Como parar de achar que só vivo a partir do fim-de-semana? A partir destes questionamentos, você está permanentemente convidado a adensar ou criticar, fazer seus outros dez ou sintetizar a dois ou três, pois, quem acha que pode melhorar a aula que dá, já começou a viver educação. E quem não acha que pode? Bem, deixa para lá! Ensinar não é a única profissão do mundo…

PRIMEIRO MANDAMENTO: CORTAR O PROGRAMA!

Quase todas as disciplinas foram perdendo aulas ao longo das décadas anteriores. Não obstante, os programas nem sempre acompanharam estes cortes. Pergunte-se: isto é realmente importante? Este conteúdo é essencial? Não seria melhor aprofundar mais tais tópicos e menos outros? Se a justificativa é a pressão do vestibular, ela não pode ocupar 11 anos de Ensino Médio e Fundamental. Se a justificativa é uma regra da escola ou um coordenador obsessivo, lembre-se: o Diário de Classe sempre foi o documento por excelência do estelionato. A coragem da grande tesoura é essencial. Dar tudo equivale a dar nada. Ensinar a pensar não implica esgotar o conhecimento humano.

-SEGUNDO MANDAMENTO: SEMPRE PARTIR DO ALUNO!

Chega de lamentar o aluno que não temos! Chega de lamentar que eles não lêem, a partir de uma nebulosa memória do aluno perfeito que teríamos sido (nebulosa e duvidosa). Este é o meu aluno real. Se, para ele, Paulo Coelho é superior a Machado de Assis e baile Funk é superior a Mozart, eu preciso saber desta realidade para transformá-la. Se ele é analfabeto devo começar a alfabetizá-lo. Se ele está no Ensino Médio e ainda não domina soma de frações de denominadores diferentes devo estar atento: esta é minha realidade. A partir do zero eu posso sonhar com o cinco ou seis. A partir do imaginário da perfeição é difícil produzir algo. A Utopia, desde Platão e Thomas Morus, tem a finalidade de transformar o real, nunca de impossibilitá-lo.

-TERCEIRO MANDAMENTO: PERDER O FETICHE DO TEXTO!

Em todas as áreas, em especial nas humanas, os alunos são instigados quase que exclusivamente ao texto. Num mundo imerso na imagem e dominado por sons e cores, tornamos o texto central na sala de aula. Devemos estar atentos ao uso de imagens, música, sensorialidades variadas. O texto é muito importante, nunca deve ser abandonado. Porém, se o objetivo é fazer pensar, o texto é apenas um instrumento deste objetivo maior. Há pessoas que pensam e nunca leram Camões e há quem saiba Os Lusíadas de cor e não pense. Lembre-se de que há outros instrumentos. A sedução das imagens deve ser uma alavanca a nosso favor, nunca contra. Usar filmes, propagandas, caricaturas, desenhos, mapas: tudo pode servir ao único grande objetivo da escola: ajudar a ler o mundo, não apenas a ler letras.

-QUARTO MANDAMENTO: POSSIBILITAR O CAOS CRIATIVO.

Fomos educados a um ideal de ordem com carteiras emparelhadas e, mesmo no fundo do nosso inconsciente, este ideal persiste. Qual professor já não teve o pesadelo de perder o controle total de uma sala, especialmente na noite mal dormida que antecede o primeiro dia de aula? Devemos estar preparados para o caos criador e para o lúdico. Alunos andando pela sala, trocando fragmentos de textos ou imagens dados pelo professor, discussões, encenações, o professor recitando uma poesia ou mandando realizar um desenho: tudo pode ser canal deste lúdico que detona o caos criativo. Surpreenda seus alunos com uma encenação, com um silêncio, com um grito, com uma máscara. Uma sala pode estar em ordem e ninguém aprendendo e pode estar com muitas vozes e criando ambiente de aprendizado. Lembre-se o silêncio absoluto é mais importante para nós do que para os alunos. É difícil vencer a resistência dos colegas e da própria escola a isto. Lógico que o silêncio também deve ser um espaço de reflexão, mas é possível pensar que há valor num solo gentil de flauta, numa pausa ou num toque retumbante de 200 instrumentos.

-QUINTO MANDAMENTO: INTERDISCIPLINAR!

Assim mesmo, entendido o princípio como um verbo, como uma ação deliberada. É fundamental fazer trabalhos com todas as áreas. Elaborar temas transversais como o MEC pede e, ao mesmo tempo, libertar o aluno da idéia didática das gavetas de conhecimento. Não apenas áreas afins (como História e Geografia), mas também Literatura e Educação Física, Matemática e Artes, Química e Filosofia. É preciso restaurar o sentido original de conhecimento, que nasceu único e foi sendo fragmentado até perder a noção de todo. O profissional do futuro é muito mais holístico do que nós temos sido até hoje.

-SEXTO MANDAMENTO: PROBLEMATIZAR O CONHECIMENTO.

Oferecer ao aluno o cerne da ciência e da arte: o problema. Não o problema artificial clássico na área de exatas, mas os problemas que geraram a inquietude que produziu este mesmo conhecimento. A chama que vivou os cientistas e artistas é transmitida como um monumento inerte e petrificado. Mostrem as incoerências, as dúvidas, as questões estruturais de cada matéria. Mostrem textos opostos, visões distintas, críticas de um autor ao outro. Nunca fazer um trabalho como: “O Feudalismo” ou “O Relevo do Amapá”; mas problemas para serem resolvidos. Todo animal (e, por extensão, o aluno) é curioso. Porém, é difícil ser curioso com o que está pronto. Sejamos francos: se é tedioso ler um trabalho destes, qual terá sido o tédio em fazê-lo?

-SÉTIMO MANDAMENTO: VARIAR AVALIAÇÕES.

Provas escritas são válidas, como a vitamina A é válida para o corpo humano. Porém, avaliações variadas ampliam a chance de explorar outros tipos de inteligência na sala. As outras avaliações não devem ser vistas como um trabalhinho para dar nota e ajudar na prova, mas como um processo orgânico de diminuir um pouco a eterna subjetividade da avaliação.

-OITAVO MANDAMENTO: USAR O MUNDO NA SALA DE AULA!

O mundo está permeado pela televisão, pela Internet, pelos jornais, pelas revistas, pelas músicas de sucesso. A escola e a sala de aula precisam dialogar com este mundo. Os alunos em geral não gostam do espaço da sala porque ele tem muito de artificial, de deslocado, de fora do seu interesse. Usar o mundo da comunicação contemporânea não significa repetir o mundo da comunicação contemporânea; mas estabelecer um gancho com a percepção do meu aluno.

-NONO MANDAMENTO: ANALISAR-SE PESSOALMENTE!

A primeira pessoa que deve responder aos questionamentos da educação é o professor. Somos nós que devemos saber qual o motivo de dar tal coisa, qual a relevância, qual a utilidade de tal leitura. O professor é o primeiro que deve saber como tal ciência transformou a sua vida. Isto implica fazer toda espécie de questão, mesmo as incômodas. Se eu não fico lendo tal autor por prazer e nem o levo aos meus passeios como posso exigir que um jovem ou uma criança o façam? Qual a coerência do meu trabalho? Minha irritação com a turma indisciplinada é uma espécie de raiva por saber que eles estão certos? Minha formação permanente me indica novos caminhos? Estou repetindo fórmulas que deram certo quando eu era aluno há 20 ou mais anos? É necessário um exercício analítico-crítico muito denso para que eu enfrente o mais duro olhar do planeta: o do meu aluno.

-DÉCIMO MANDAMENTO: SER PACIENTE!

Hoje eu acho que ser paciente é a maior virtude do professor. Não a clássica paciência de não esganar um adolescente numa última aula de sexta-feira, mas a paciência de saber que, como dizia Rubem Alves, plantamos carvalhos e não eucaliptos. Nossa tarefa é constante, difícil, com resultados pouco visíveis a médio prazo. Porém, se você está lendo este texto, lembre-se: houve uma professora ou um professor que o alfabetizou, que pegou na sua mão e ensinou, dezenas de vezes, a fazer a simples curva da letra O. Graças a estas paciências, somos o que somos. O modelo da paciência pedagógica é a recomendação materna para escovar os dentes: foi repetida quatro vezes ao dia, durante mais de uma década, com erros diários e recaídas diárias. As mães poderiam dizer: já que vocês não querem nada com o que é melhor para vocês, permaneçam do jeito que estão que eu não vou mais gritar sobre isto (típica frase de sala de aula…).

Sem estas paciências, seríamos analfabetos e banguelas. Não devamos oferecer menos ao nosso aluno, especialmente ao aluno que não merece nem quer esta paciência este é o que necessita urgentemente dela. O doente precisa do médico, não o sadio. O aluno-problema precisa de nós, não o brilhante e limpo discípulo da primeira carteira. Há alguns anos eu falava de alguns destes princípios e uma senhora redargüiu dizendo que ela fazia tudo isto e muito mais e, mesmo assim, os alunos estavam cada vez piores e com menos resultados. Olhei para esta professora e senti nela o reflexo de meus cansaços também. A única coisa que me ocorreu lembrar é uma alegoria, com a qual encerro este texto:

Na nossa cultura há um modelo de professor: Jesus. A maioria absoluta das pessoas no Brasil é cristã, mas a alegoria serve também para os que não são. Tomemos a história de Jesus independente da nossa orientação religiosa. Comparemos: Jesus teve 12 alunos escolhidos por ele! Eu tenho 30, 60, 100, escolhidos por um rigoroso processo de seleção: inscreveu, pagou, entrou. Jesus teve alunos em tempo integral por três anos: eu tenho por duas ou quatro aulas semanais, por um período mais curto. Os alunos de Jesus deixaram tudo para segui-lo, o meu não deixa quase nada e não quer acompanhar nem meu pensamento, quanto mais minhas propostas existenciais. Fiel aos novos ditames do MEC, Jesus deu um curso superior em três anos. Para quem acredita, Ele fazia milagres, coisa que nós certamente não fazemos naquele sentido. A aula, de Jesus, assim, era reforçada por work-shops. A auto estima e a confiança de Jesus era enorme: o cara simplesmente dizia que era o Filho de Deus, que ressuscitava mortos, andava sobre as águas, passava quarenta dias sem comer e não tinha medo de ninguém.

Eu não tenho esta convicção. Melhor: as aulas eram ao ar livre, sem coordenação, sem direção, sem colegas e os pais dos alunos não apareciam para reclamar! Bem, após 3 anos de curso intenso com todos estes reforços, chegou a prova final. Na agonia do Horto os três melhores alunos dormiram, quando o Mestre estava chorando sangue. O tesoureiro da turma denunciou o professor à Delegacia de Educação por 30 moedas. O líder da classe, Pedro, negou que tivesse tido aula por três vezes diante da supervisora de ensino: nunca vi este cara antes… Outros nove fugiram sem dar notícia e não compareceram à prova final: o Calvário. O mais novo e bobinho, João, foi até lá, mas não fez nada para impedir que os guardas matassem o professor. Se considerarmos João, com boa vontade, o único aprovado, teremos uma média de êxito de 8.33%, baixa demais para os padrões das Delegacias de Ensino e alvo de demissão sumária por justa causa.

O professor morreu e, para quem acredita, voltou para uma recuperação de férias. Reuniu os reprovados e disse: mais uma chance. Um dos alunos, Tomé, pediu para colocar o dedo no diploma do professor para ver se era de verdade. Primeira pergunta do líder da turma, Pedro: “Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?” Ou seja, o melhor aluno não aprendeu nada!

Esta pergunta mostra o oposto da aula dada, pois ele achou que o curso tinha sido sobre política e, na verdade, tinha sido sobre Teologia… Objetivos não atingidos: 100% ! Novos milagres, mais 40 dias defeedback, apostilas, recuperação, reforço de férias. Final de curso pirotécnico: subiu ao céu entre nuvens e anjos assistentes-pedagógicos disseram que o mestre tinha ido para a sala dos professores eterna e não mais voltaria. O curso estava encerrado, todas as lições tinham sido dadas para aquela nata de 11 homens. O que eles fizeram? Foram se esconder numa casa, todos apavorados.

O mestre mandou um módulo auto-instrucional de reforço, o Espírito Santo, um anabolizante. Só então, com uma força externa, eles começaram a entender, e finalmente tiveram aquela famosa reação bovina: HUMMMM…

Bem, eu disse à professora que me questionava: se Jesus teve tantos insucessos apesar de condições tão boas, a senhora quer ser mais do que Ele? Hoje eu diria para qualquer profissional: faça o máximo, mas apenas o máximo, e deixem o resto por conta do resto. A frase parece autista, mas é muito importante. Nós temos um limite: a vontade do aluno, da instituição e da sociedade como um todo. Não transformamos nada sozinhos, mas transformamos. O primeiro passo é a vontade. O segundo começa daqui a pouco, naquela sala difícil, com aquela turma sentada no fundo e naqueles angustiantes dez minutos que você vai levar para conseguir fazer a chamada… Vamos lá?


FONTE: http://docslide.com.br/documents/dez-mandamentos-do-professor.html

terça-feira, 24 de novembro de 2015

MAPAS HISTÓRICOS - IMPÉRIOS COLONIAIS DO SÉC. XVIII


O mapa acima, bem como sua legenda, foi por mim adaptado do original Mapa dos impérios coloniais no século 18. Disponível em: http://www.reino-unido.net/mapa-imperio.htm. Acesso em 24 de novembro de 2015. 

Fonte: http://www.reino-unido.net/mapa-imperio.htm

domingo, 22 de novembro de 2015

COMO APRENDER COM O BULLYNG E AS PANCADAS DA VIDA

Prof. Douglas Barraqui

Por vezes, como professores, nós temos que ser psicólogos e orientadores:

Há algum tempo atrás um aluno chegou para mim e disse:

– professor eu estou sofrendo bullying e isto está me traumatizando.
Nesta hora eu usei a minha parca experiência de vida e disse ao meu aluno:

– menino olha aqui, na minha época não tinha essa coisa de bullyng. Na minha época não havia traumas. Minha vó materna, Catarina, dizia “eu vou te dar para o homem do saco” - que tempos depois descobri não passava de um pobre mendigo maltrapilho. Eu era tratado como Chantilly “bate que cresce”. Quando eu caia minhas tias gritavam: “coitadinho corre lá alguém”. Minha mãe dizia “é bom para crescer”.

Na escola eu sofria essa coisa ai que você chamou de bullying, que muito provavelmente você não sabe nem o significado da palavra. Apelidos dos mais saudosos e criativos: “testa de amolar facão”, “naréba” (devido a minha genética italiana expressa no nariz bem dotado herdado do meu pai), mas o que mais me perturbava era “esqueleto” (isso devido a minha magreza esquelética).

Ai você me pergunta o que eu fazia para revidar? Eu te respondo: nada. Aristóteles, aluno de Platão e mestre de Alexandre, o Grande, em seus escritos sobre a ética disse que havia uma linha entre a coragem e a imprudência e entre  a prudência e a covardia. Revidar ao bullying que eu sofria seria imprudente. Na melhor das hipóteses eu só apanharia em 99,9% dos casos. Mas, eu não era covarde. Eu reagi a minha maneira: entrava na brincadeira, ria de mim mesmo. Mas, no fundo crescia algo dentro de mim que dizia, não farei isso com ninguém. Eu serei uma pessoa muito melhor do que eles são  – anos depois eu descobriria que isso tinha um nome, que se tratava do caráter.

A última vez que soube sobre um daqueles garotos da minha tenra infância ele estava prezo. Isso de fato não me faz melhor do que ele que está na cadeia, mas me faz uma pessoa prudente e com coragem, uma pessoa de caráter. Então eu disse ao meu aluno: 

– seja prudente e tenha coragem, seja um menino de caráter.


Alguns minutos depois meu aluno estava na sala da diretora com o olho roxo. Ele entendeu tudo errado. Mas, posso te dizer que em 99,9% dos casos as pancadas da vida são os maiores e melhores mestres. 

sábado, 21 de novembro de 2015

O QUE VOCÊ QUER FAZER COM A SUA VIDA?

D. João V, equanto jovem,
pintura atribuída a Pompeo Batoni

Conta-se a lenda que D. João V, grande monarca de Portugal, o “rei pedreiro e arquiteto por excelência”, ao visitar Mafra, vila portuguesa no Distrito de Lisboa, perguntou a um pedreiro:

– O que você está fazendo?

– Estou quebrando pedras. Respondeu o pedreiro.

Mais a frente perguntou a outro:

– O que você está fazendo?

– Estou lixando madeira. Respondeu outro pedreiro.

O rei caminhou mais um pouco e perguntou ao mais simples que preparava a cal:

– O que você está fazendo?

E ele respondeu:

– Estou construindo uma catedral.


O QUE VOCÊ QUER FAZER COM A SUA VIDA? CORTAR PEDRAS? LIXAR MADEIRAS? OU CONSTRUIR CATEDRAIS?

terça-feira, 17 de novembro de 2015

FUNDAMENTALISMO NOS OLHOS DOS OUTROS É REFRESCO

Prof. Douglas Barraqui


Após os últimos acontecimentos na França eu pude notar como algumas pessoas pelas redes sociais, a mídia, e mesmo alguns intelectuais, tendem a estereotipar o oriente e vê-lo resumido a tons de cinza e vermelho sangue. Como se oriente fosse apenas um lugar de lindas e sensuais dançarinas do ventre e perigosos homens barbudos e fundamentalistas que explodem bombas no corpo.



É interessante como o ocidente construiu esse discurso de que o oriente, em especial o muçulmano, seguidor do Islã, quer seja ele da vertente xiita ou sunita, é predominantemente fundamentalista. Mas, o mais pavoroso é a visão de alguns que acreditam verdadeiramente que todos, absolutamente todos, os muçulmanos saem por ai cortando cabeças, jogando aviões em torres e explodindo bombas no corpo.

  

Vou dizer categoricamente: existe nesse discurso uma pitada de darwinismo social, aquele mesmo que via o negro africano como inferior e o branco europeu como superior; mesmo discurso que dará origem  ao apartheid na África do Sul e as Leis Jim Crow nos EUA.  A maior parte das notícias que são divulgadas, reproduzidas e propagadas pelo ocidente é de um oriente atrasado, sem civilização, dominados pela barbárie.



Não vamos se hipócritas: mata-se no oriente médio em nome da fé, como também se mata no ocidente em nome da fé. O que muda é apenas o nome da religião.



São bárbaros fundamentalistas, porque as mulheres são subjugadas, são avessos a democracia, em um reino de terror onde as liberdades foram extirpadas. Ou seriamos nós, os ocidentais, os fundamentalistas por querer colocar na cabeça de um muçulmano de que ele deve deixar a sua mulher mostrar o rosto, de que a melhor forma de governo é a democracia, e que as liberdades do homem é o ápice do desenvolvimento humano. Serei franco: fundamentalismo nos olhos dos outros é refresco. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

MAPAS HISTÓRICOS - VICE-REINO DO BRASIL (1774-1815)


O mapa acima, bem como sua legenda, foi por mim adaptado do original em VICENTINO, Cláudio e DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil: ATLAS. Vol. Único. 1 Ed. São Paulo, Ed. Scipione, 2010. Pg. 21. 

REFERÊNCIA:

VICENTINO, Cláudio e DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil: ATLAS. Vol. Único. 1 Ed. São Paulo, Ed. Scipione, 2010.