domingo, 12 de julho de 2009

Iluminismo o morto vivo


By Douguera

São inúmeras as definições para esse conceber filosófico no qual a “luz da razão” é a sua jugular referencial. Immanuel Kant, filósofo alemão, definiu o iluminismo como “a saída dos homens do estado de minoridade devido a eles mesmos”, [1] uma vez que estes foram incapazes de produzir conhecimento sem a orientação de outro. Para Kant isso se deu pela falta de coragem para usar o intelecto.

O fato é que essa filosofia, que se estendeu das últimas décadas do século XVII aos últimos decênios do século XVIII, é uma filha de seu tempo. Resultante das forças conjunturais de uma época em que a fé incondicional a um Deus não mais aplacava os anseios do homem e a ciência se fixava cada vez mais como a luz que ilumina as trevas, seus valores servem de referência até os dias de hoje.

O iluminismo morreu de forma a ser impossível ressuscitá-lo, mas, ao mesmo tempo, é impossível sepultá-lo. Seus valores continuam sendo essenciais. “Qualquer um que tenha contas a ajustar ou uma causa a defender começa pelo iluminismo”[2], bem esclarece Robert Darton, historiador norte americano. Ao mesmo tempo não pode ser usado indiscriminadamente para escrever a história da civilização ocidental.

Qualquer um hoje que opte em perder um domingo de oração religiosa para estar em uma sala de aula a fim de concorrer uma vaga dentro de universidades federais; que prefira um MP10 com celular de 2 chips, câmera com flash, TV grátis, tela de 2.4, teclado QUERTY, WAP, Bluetooth e quad band em detrimento de uma carta.; que hasteie a bandeira da liberdade, igualdade e fraternidade esta incondicionalmente recorrendo aos valores do iluminismo.

Para os ditos pós-modernos que acusam o iluminismo de mascarar a hegemonia do ocidente; de ser um imperialismo cultural disfarçado de racionalidade, de alimentar uma fé excessiva na razão, fonte de inspiração para o totalitarismo de não tratar das mulheres e do meio ambiente, cabe a mim lembrá-los de que cospem no prato em que comem, pois querendo ou não, direta ou indiretamente acabam por tomar banho na mesma fonte.

O iluminismo é um morto vivo. Pertenceu há seu tempo e que assim seja, mas, sua herança e seu legado permanecem corrente nas diversas formas de pensamente do mundo, como um vírus que se propaga pelo ar e altamente contagioso. Se um dia vamos enterrá-lo?! É melhor que seja em cova profunda.

[1] Immanuel Kant.
[2] Robert Darton.

Bibliografias:
DARTON, Robert. Os dentes falsos de George Washington: um guia não convencional para o século XVIII. Tradução de José Carlos Couto. São Paulo: Companhia das letras, 2005 (1 ed. Norte americana 2003)

KANT, Immanuel. Beantwortung der frage: Was ist Aufklärung. (1789).

sábado, 11 de julho de 2009

John Gray: al-Qaeda e o que significa ser moderno


“o mito moderno é que a ciência capacita a humanidade a tomar conta do seu destino, mas a própria ‘humanidade’ é um mito, um resto empoeirado de fé religiosa. Na verdade, só há pessoas humanas, que usam o crescente conhecimento propiciado pela ciência na busca de seus fins conflitantes.”


John Gray é seu nome, Al-qaeda e o que significa ser moderno é a sua obra. Fui me atentar a valorosa leitura deste livro quando me ative a ler um de seus capítulos: A metamorfose da guerra, e então parti para desbravá-lo. E é claro que eu não poderia deixar de comentar, uma vez que essa rica obra me agregou valores e conhecimento fundamentais na compreensão da chamada história do tempo presente.


John Gray é professor de Pensamento Europeu na London School of Economics, é colunista do jornal britânico The Guardian. Publicou também O Falso Amanhecer; Cachorros de Palha; A Morte da Utopia; Two faces of Leberalism entre outros. Esteve também ligado à Nova Direita, que influenciou decisivamente a ascensão de Margaret Thatcher na Inglaterra.


Deixamos sua paixão direitista de lado e partamos para a obra. O livro abre a discussão fundamental sobre a crença da modernidade como condição única e vital. Ao passo que as sociedades enquanto modernas seriam mais parecidas e tornar-se-iam melhores, a pobreza e a guerra, poderiam ser abolidas com o poder conferido pela luz da ciência, a humanidade então, racional que seria em seu fervor, seria capaz de criar um mundo novo. Ser moderno é de fato, portanto, “realizar nossos valores – os valores iluministas, como gostamos de pensar.”


Acreditar, como os positivistas acreditavam, que a expansão do conhecimento científico e a emancipação da humanidade caminham de mãos dadas, para Gray, é um fiasco. A experiência soviética com o comunismo e alemã com o nazismo, em pólos ideológicos antagônicos, significaram a tentativa desastrosa de corporificar o ideal iluminista de um mundo liberto. Ambos praticaram os piores atos de genocídios da humanidade. E não é diferente com a al-Qaeda com o então 11 de setembro de 2001.


“o comunismo soviético foi concebido no coração da civilização ocidental. Não poderia ter-se originado em nenhum outro meio. O marxismo é apenas uma versão radical da crença iluminista no progresso – ela mesma uma mutação da esperança Cristã.”


“Tanto em escala quanto no objetivo de fazer surgir uma humanidade nova e socialista, o terror soviético foi unicamente moderno. O mesmo é verdade no caso dos genocídios nazistas.”


“... A idéia predominante do que significa ser moderno é um mito pós-cristão. Os cristãos sempre sustentaram que há apenas um caminho para a salvação, revelada na história e aberta a todos...”


“Não apenas no uso das tecnologias de comunicação que a al-Qaeda é moderna. Também é moderna sua organização. A al-Qaeda lembra menos as estruturas de comando centralizado dos partidos revolucionários do século XX que as estruturas celulares dos cartéis de drogas e as redes planas das empresas virtuais. Sem sede fixa e com membros ativos em praticamente todas as partes do mundo, a al-Qaeda é uma multinacional global.”


Como toda boa obra, o livro de John Gray abre um leque de problematizações que dificilmente passam pelos “lugares-comuns” da história. Tem lá seus buracos e lacunas mas, é ao mesmo tempo o que torna o texto mais degustável as mentes abertas. Sendo esta uma valiosa contribuição interpretativa para a história do tempo presente.

sábado, 4 de julho de 2009

"Vacas gordas" acabam no brejo


By Douguera

Períodos de vacas gordas são bem perceptíveis na história das sociedades, o de vacas magras então, nem se fala. A sociedade capitalista em si (aqui me refiro restritamente a países desenvolvidos) passou por trinta maravilhosos anos de graúdas vacas, que alguns gurus da economia gostam de chamar de “anos dourados”. Esse momento de pujança econômica pertenceu essencialmente aos países capitalistas desenvolvidos, aos subdesenvolvidos restaram as pastagens.

A reforma da fachada do capitalismo, no pós-guerra, “ao ponto de ficar irreconhecível” para os cegos e o avanço da internacionalização (leia-se aqui globalização) da economia, foram de fundamental importância para a engorda. Significou basicamente uma noite de núpcias, resultado do casamento entre a democracia social e o liberalismo econômico. Cerimônia presidida por governos conservadores moderados, não eram mais aqueles brucutus de outrora.

Uma revolução tecnológica, fruto da Segunda Grande Guerra, parecia alimentar o surto econômico. A consciência do consumidor foi moldada de tal maneira que as novidades tecnológicas se tornariam o principal recurso de vendas, e o que não era novidade dar-se-ia um jeito.

A conseqüência disso foi dias de vacas gordas: aumentou os financiamentos externos e de forma opulente o fluxo de comércio mercadológico; houve uma efervescência das empresas transnacionais. Malthus deve ter se remoído na sepultura quando descobriu a escalada significativa da produção de alimentos em todo o mundo e subiu também a produção de manufaturados. A classe média pode agora usufruir de muitos confortos antes restritos aos ricos.

Bem, claro que algo teria de servir de ração concentrada à crescente engorda, assim a ação antrópica foi notória. A poluição teve como responsáveis diretos e indiretos os países desenvolvidos com um forte impacto sobre as áreas urbano industrial. A concentração de dióxido de carbono, que aquecem a atmosfera, praticamente triplicou entre 1950 e 1973 (World Resources, 1986, tabela 11.1, p. 318; 11.4, p. 319; Smil, 1990 p. a, fig. 2). Foram despejados na atmosfera até 1974 uma média de 400 mil toneladas de clorofluorcarbonos, produto químico nocivo à camada de ozônio (World Resources, 1986, tabela 11.2, p. 319). Um ruminante tem que defecar.

A Europa só foi tomar sua prosperidade como coisa certa na década de 1960 e ao mesmo tempo via-se a distância, em caráter econômico, entre o capitalismo e o comunismo. E os sábios gurus da economia só foram se dar conta que o mundo, em particular capitalista desenvolvido, passava por uma fase excepcional no final da década de 1970.

A era de ouro, a vaca gorda da sociedade capitalista ocidental, necessitava cada vez mais de investimentos, cada vez menos de seres humanos a não ser consumidores. Dependia do esmagador domínio político econômico dos Estados Unidos que, muita das vezes sem pretender, atuavam como asseguradores da economia mundial.

Como nos “booms” anteriores os anos dourados acabariam em bancarrota de imóveis e bancos. A década a partir de 1973 seriam novamente períodos de vacas magras, porque a gorda foi pro brejo.

Referências Bibliográficas:

World Resources. Disponível em: http://www.wri.org/. Acessado em 04/07/2009.

HOBSBAWM, E. J. Era dos extremos: o breve século XX : 1914-1991. 2. ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 1996. 598 p.

sábado, 27 de junho de 2009

A al-Qaeda e um novo tipo de guerra



By Douguera


A fraqueza do Estado é a principal fonte de nutrientes do Terrorismo. Então até que ponto se justifica a política norte americana contra o terror? A al-Qaeda, que alguns gurus ocidentais gostam de chamar de “grupo terrorista fundamentalista Islâmico”, tem sua semente na guerra fria. Durante a década de 1980 quando a então URSS invadiu o Afeganistão, a resistência afegã foi possível graças ao patrocínio dos EUA, Arábia Saudita e de alguns governos europeus.


E a cria voltou-se contra o criador. O preceito de que grupos terroristas são locais e regionais não pode ser mais aplicado a ela, não segue mais uma jurisdição. Ironicamente e de forma contraditória à sua “cruzada”, ela se globalizou, se espalhou pelo mundo, sendo capaz de funcionar em forma de células do Japão a América latina usando celulares via satélites, computadores portáteis e sites codificados pela rede mundial de computadores, totalmente modernizada. Ela fomenta um novo tipo de guerra, que o autor inglês, John Gray, chama de guerra não convencional – travada não mais entre Estados, mas sim protagonizada por grupos políticos, milícias, grupos étnicos, fundamentalistas dentre outros onde os alvos de ataques são funcionários do governo e civis.


Ela se tornou, em amplo parâmetro, global em seus objetivos: seu objetivo estratégico, limitado e concreto, é o de promover a derrocada da casa de Saud (o regime saudita que tem, em caráter econômico, papel preponderante no mercado financeiro global, principalmente em investimentos e no fornecimento de petróleo ao motor dos EUA). Tendo lógica compreensão da vulnerabilidade da sociedade industrial do ocidente a al-Qaeda sabe que destruindo o regime saudita, expurgará os infiéis do solo sagrado. Assim sendo, a lógica de sua meta exige que seja mundial, se chocando diretamente com o poderio norte americano e o ocidente em potenicial.


A crença de que o Ocidente sofre de uma grande fome espiritual, alimenta o pensamento dos seguidores da al-Qaeda e dentre seus lideres personificados, Usāmah Bin Muhammad bin 'Awæd bin Lādin, vulgo, Osama Bin Laden. Nascido em Riad, na Arábia Saudita, décimo sétimo dos cinquenta e dois filhos de uma família de quatro esposas e numerosas concubinas. O pai, rico empresário da construção civil e muito envolvido com negócios internacionais. A mãe era síria e divorciou-se do marido logo após o nascimento de Bin Laden. Especula-se que Osama se ressentiu da condição inferior imposta pela família à mãe e, em conseqüência, a ele. Dizem também, que criado no luxo, Osama teve uma vida de play boy, gozando da liberdade do Líbano enquanto estudava e comprando “um ostentatório de Mercedes SL 450 amarelo-canário, com interior alaranjado escuro, ar condicionado, controle eletrônico de velocidade e janelas automáticas”.[1]


Até o presente momento não posso, na qualidade de pesquisador e na carência de documentos, avaliar a exatidão dessa história e também não é meu objetivo aqui. O fato é que o homem mais procurado do mundo, apesar de ser identificado à al-Qaeda, não a criou. Todavia foi o arquiteto do “maior atentado terrorista de todos os tempos”:


“08h45min da manha em Nova York, 09h45min da manha em Brasília. Um avião americano de passageiros batia de cheio numas das torres do World Trade Center. Um acidente tão inimaginável que imediatamente chamou a atenção de todo o planeta, mas não era acidente, para a perplexidade do mundo inteiro foram se registrando acontecimentos que nenhum roteirista de Hollywood imaginou e era tudo real. Estava começando o maior atentado terrorista de todos os tempos.”[2](Fátima Bernardes – JN, 11/09/2001)


O 11 de setembro de 2001 prova que a maior potência bélica do mundo é vulnerável a um ataque em proporções avassaladoras. Não foram ataques como os de outrora, foram atos de guerra global, um exemplo atroz de como o fraco objetiva fustigar a venerabilidade do forte e demonstraram que a guerra não convencional, de Gray, atingira o nível global.


Para o Ocidente e quase impossível compreender a solidariedade suicida de um terrorista. E para os EUA e a política de George W. Buch, em sua ação unilateral, restou o aumento desmedido do antiamericanismo. Combater a al-Qaeda não é como combater o IRA (Exército Republicano Irlandês), ambos grupos terroristas que ostentam ideologias calçadas em doutrinas religiosas. Em 28 de julho de 2005 o IRA anunciou o fim da luta armada após o desmantelamento prisão e morte de seus principais lideres, todavia a al-Qaeda é uma rede flexível o suficiente para sobreviver no caso da morte ou da incapacidade de Osama e ainda com uma formidável capacidade de auto-renovação. Para os EUA e outros Estados liberais resta a vigilância onerosa e constante, que no esforço de encontrar terroristas em potencial em seus territórios e também fora deles, submetem a população a uma monitoração constante. “o preço do individualismo está sendo a perda da privacidade.”[3]



Bibliografias

  1. Ruthven, a Furi for god. The Islamist attack on America, Londres e Nova York. Granta, 2002, p. 197.
  2. Jornal Nacional. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=KflUSoIxZc8. Acessado em 27/06/09.
  3. GRAY, John. Al-Qaeda e o que significa ser moderno. Rio de Janeiro: Record, 2004. Pg. 101.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Arte da Guerra


Análise by Douguera

“...aquele que conhece o inimigo e a si mesmo, lutará cem batalhas sem perigo de derrota; para aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, as chances para a vitória ou para a derrota serão iguais; aquele que não conhece nem o inimigo e nem a si próprio, será derrotado em todas as batalhas...”

Dou início a meu artigo com o trecho épico, cosmológico e centrífugo de um dos melhores livros que tive a oportunidade de ler em minha vida, A Arte da Guerra, de Sun Tsu. Se você pensa ou é daqueles que julgam um livro pelo nome ou pela capa, reveja seus conceitos.


Sun Tsu escreveu este livro excepcional na China, há 2500 anos e, é simplesmente espantoso como, há 25 séculos, ele tenha dito tantas verdades. Tendo acumulado inúmeras vitórias, como comandante do exército real de Wu, foi um brilhante estratego e profundo conhecedor das manobras militares e por intermédio do documento intitulado, A Arte da Guerra, deixou um legado de estratégias de combates e táticas de guerra apreciado até os dias de hoje.


Desde que foi encontrada, “A Arte da Guerra”, recebeu várias interpretações e já foi traduzida para centenas línguas. Traduzida, inicialmente, pelos japoneses, em 760 DC, a primeira tradução em língua ocidental foi realizada pelo padre jesuíta J. J. M. Arniot, em 1772, tendo sida publicada em Paris. Sobre as ordens de Napoleão, em 1782, foi feita uma nova impressão dessa magnífica obra e a partir do século XIX outras partes do mundo beberiam de sua sabedoria. No ano de 1972, uma escavação na China acabou por revelar uma versão, considerada por muitos especialistas como a, mais completa e antiga que a versão original, que possibilitou levantar novas questões e corrigir outras. Atualmente se fosse indicar uma tradução mais bem fidedigna, apontaria para a versão de 1963, em inglês, de Amuel B. Griffith.


A meu ver os princípios destacados por Sun, em “A Arte da Guerra”, não só podem como devem ser aplicadas tanto nas táticas militares quanto em todos os ramos da atividade humana. Tendo em vista que seu legado abraça todos os indivíduos, em amplitude, no confronto com seus oponentes em suas dificuldades diárias na escola, no trabalho, em fim, Sun Tsu, A Arte da Guerra, deveria ser uma leitura de caráter obrigatória. E é com muito prazer que deixo a vocês, meus caros amigos leitores, o que para mim são os melhores momentos de A Arte da Guerra, para que nunca esqueçamos que, “o verdadeiro objetivo da guerra é a paz”:


“... na dissimulação do combate, um chefe que é capaz deve fingir ser incapaz; se está pronto, deve fingir-se despreparado; se estiver perto do inimigo deve parecer estar longe...”

“...Um exército vitorioso não lutará com o inimigo até que esteja seguro das condições de vitória, enquanto que um exército derrotado inicia a batalha e espera obter a vitória depois...”

“Táticas militares são como água corrente. A água corrente sempre se move de cima para baixo, evita o terreno alto e flui para o terreno baixo. Assim, são as táticas militares, sempre evitam os pontos fortes do inimigo e atacam os seus pontos fracos.”

“Nunca confie na probabilidade do inimigo não estar vindo, mas dependa de sua própria prontidão para reconhecê-lo. Não espere que o inimigo não ataque, mas dependa de estar em uma posição que não possa ser atacada.”

“Um soberano não deve empreender uma guerra num ataque de ira; nem deve enviar suas tropas num momento de indignação. Quando a situação lhe for favorável, entre em ação; quando for desfavorável, não aja. Deve ser entendido que, um homem que está enfurecido voltará a ser feliz, e aquele que está indignado voltará a ser honrado, mas um Estado que pereceu nunca poderá ser reavivado, nem um homem que morreu poderá ser ressuscitado.”

“Apresente uma vantagem aparente ao inimigo e ele virá até sua armadilha. O ameace com algum perigo e você poderá pará-lo.”

“O sucesso das operações militares reside na descoberta das intenções do inimigo e no esforço para identificar seus pontos fracos.”

“O que basta é: ser capaz de avaliar sua própria força, ter uma visão clara da situação do inimigo e obter apoio total de seus homens. Aquele que não faz planos ou estratégicas, e menospreza o inimigo, seguramente será capturado pelo oponente.”

“Ser invencível depende da própria pessoa, derrotar o inimigo depende dos erros do inimigo.”
“Um general que só conhece a capacidade de suas tropas, mas não sabe a invulnerabilidade do inimigo, terá só metade das chances de vitória.”

“Assim você deverá ser
tão rápido quanto o vento forte, ao entrar em ação;
tão estável quanto as florestas silenciosas que o vento não pode tremer, quando se mover lentamente;
tão feroz e violento quanto as chamas furiosas,quando invadir o estado do inimigo;
tão firme quanto as montanhas altas, quando estacionar e
tão inescrutável quanto algo atrás das nuvens e golpear tão repentinamente quanto trovão.”

“Aquele que ocupa o campo de batalha por primeiro, e espera o inimigo, estará descansado; aquele que chega depois e se lança na batalha precipitadamente estará cansado.”

“O máximo da excelência não está em conquistar cem vitórias em cem batalhas. A excelência maior está em obter-se uma vitória e subjugar o inimigo sem, no entanto, lutar.”

"Conheça o inimigo e a si mesmo e você obterá a vitória sem qualquer perigo; conheça terreno e as condições da natureza, e você será sempre vitorioso."

"Quando não há nenhuma chance de vitória, assuma uma posição defensiva; quando há uma chance de vitória, lance um ataque.
Se as condições favoráveis são insuficientes, você deverá se defender; se as condições favoráveis são abundantes, você deverá fazer um ataque. "

“Se o inimigo:
for orgulhoso, provoque-o;
for humilde, encoraje sua arrogância;
estiver descansado, desgaste-o;
estiver unido, estimule a cizânia entre suas tropas.”

“Seja sábio para perceber que para obter a vitória, seus planos devem modificar-se de acordo com as situações do inimigo.”

"Um chefe que está bem instruído em operações militares faz com que o inimigo se renda sem lutar, captura as cidades do inimigo sem atacá-las violentamente, e destrói o Estado do inimigo sem operações militares demoradas. "

“Quem explora a vantagem estratégica, dirige seus homens como se fossem troncos ou pedras. A natureza dos troncos ou pedras é permanecerem impassíveis se o solo é plano; ou rolarem se o solo está inclinando; se eles são quadrados, tendem a parar, se são redondos, tendem a rolar.”

“Para comandar um exército:
Um general tem que ter uma mente serena e insondável.
Ele deve comandar suas tropas de uma maneira imparcial e vertical.”


“Assim, você deverá comandar suas tropas com civilidade e humanidade, para manter seus homens unidos; e com disciplina marcial, para mantê-los na linha. Isso garantirá a lealdade, e você será invencível.”

"Para prever-se o resultado de uma guerra, devemos analisar e comparar as nossas próprias condições e as de nosso inimigo, baseados em cinco fatores.
Os cinco fatores são os seguintes: caminho, clima, terreno, comando e doutrina."

“Existem cinco fatores que permitem que se preveja qual dos oponentes sairá vencedor:
aquele que sabe quando deve ou quando não deve lutar;
aquele que sabe como adotar a arte militar apropriada de acordo com a superioridade ou inferioridade de suas forças frente ao inimigo;
aquele que sabe como manter seus superiores e subordinados unidos de acordo com suas propostas;
aquele que está bem preparado e enfrenta um inimigo desprevenido;
aquele que é um general sábio e capaz, cujo soberano não interfere.”

“O mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem luta”

"Na paz prepare-se para a guerra; na guerra prepare-se para a paz"


Bibliografias:
SUN-TZU; CLAVELL, James. Arte da guerra. 20. ed. - Rio de Janeiro: Record, 1998.

SUN-TZU. Arte da guerra. Disponível em: http://www.suntzu.hpg.ig.com.br/. Acesso em 05/06/09.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A história social


By Douguera

Não podemos falar de história social sem, incondicionalmente, falar dos annales que significou um marco da nova história em oposição às amarras e abordagens rankianas[1]. Um movimento de força significativa contra uma historia factual, propondo uma história problema inscrita em uma constante de interdisciplinaridade (mais sobre annales em: http://dougnahistoria.blogspot.com/2009/04/annales-by-douguera.html ). A influência dos annales foi de tal forma que levou a um quase desaparecimento das abordagens rankianas.


A mercê da historia social, em um artigo, Eric Hobsbawm, assinala que na primeira metade do século XX, décadas de 30 e 40, coexistiram três acepções de história social:

  • Uma historia social ligada às abordagens culturais: os costumes, as tradições nacionais, o individual e uma intrínseca relação com o pensamento conservador. Tudo com uma forte influência do modelo rankiano.
  • Uma história social do trabalho e dos movimentos socialistas: em aspecto político oposto, com uma abordagem do coletivo, do avanço das idéias sociais em reflexo do crescimento dos movimentos operários.
  • E uma história econômica social: destaco aqui imprescindível atuação dos annales, com uma ênfase na história econômica, prevalecimento dos fenômenos coletivos em oposição ao individual e uma ferrenha oposição à historiografia rankiana.

Nos anos de 1950 e 1960 a história social tendeu a uma constante de especialização, propondo uma nova postura historiográfica influenciada pelo viés do estruturalismo. Na década de 60 a tradição historiográfica angla saxônica iria sofrer a influência da escola dos annales.


Com tudo isso, a história social tomaria uma abordagem que buscava formular problemas históricos específicos quanto ao comportamento e as relações entre os diversos grupos sociais, sendo, logo perspicaz a atuação dos annales.


[1] faz referência a história desenvolvida por Leopold von Ranke: um dos maiores historiadores alemães do século XIX. Por intermédio da utilização das fontes ele deu ênfase na história narrativa (especialmente ligada a política internacional) e um comprometimento em mostrar o passado tal como realmente foi (wie es eigentlich gewesen ist).


Bibliografias:

CARDOSO, Ciro Flamarion S.; VAINFAS, Ronaldo (Org.). Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997. 508 p.

TORQUATO, Ronaldo. Diversos. Obra de arte em forma de pintura disponível em: http://www.ronaldotorquato.com/. Acesso em 02/06/09

domingo, 24 de maio de 2009

A Primeira Grande Guerra


By Douguera


A Primeira Guerra Mundial, disse François Furet[1], em nada se pareceu com a Segunda. Ninguém previa uma guerra provocada pelo afloramento de sentimentos nacionalista. O povo daquela época, assim como o de hoje, estava inserido na ótica do mercado: liberdade individual, a felicidade privada e o enriquecimento o que fez com que esses “homos economicus” estivessem espiritualmente despreparados para a guerra.


O homem econômico tem um papel central, mas não é o ator principal do conflito; o capital tem seu lugar marcado no Hall das desgraças da humanidade, todavia não deve ser o bode expiatório. A guerra só foi aceita em amplitude e plenitude por razões nacionalistas – a origem imediata parte das questões nacionalistas nos Bálcãs, perceptivo no sentimento de patriotismo que levou os homens ao fronte de batalha. Era, por assim dizer, o sentimento mais bem compartilhado naquele momento que se alastrava nação a nação. No caso da Alemanha em especial havia um forte amor pela “raça” que era expresso no movimento pan-germânico[2].


Podia si ver indo para o campo de batalha: a paixão da honra militar, o sentimento de nação e, a fé sega na ciência. A paixão da honra militar, sentida nas guerras revolucionárias, segredo do sucesso e das glórias dos exércitos de Napoleão, sobreviveu ao tempo; o sentimento de nação que vem dos séculos dos reis, anteriores até mesmo as democracias e a sociedade capitalista burguesa, também estava vivo; e a ciência, maior substituta da religião no século XIX, trouxe a justificativa para o pan-germanismo, retirando do evolucionismo darwinista a idéia de seleção natural e da espécie mais forte.


E entre o ataque de Sarajevo[3] e as decisões mobilizadoras, no mês de julho de 1914, era muito possível parar a engrenagem da máquina que levaria a matança. Ninguém o fez, todavia, então seu desencadeamento se deveu, em termos, digamos puramente técnico, pelo déficit da ação arbitrária diplomática. A guerra poderia também ser encurtada se um dos beligerantes tivesse a capacidade de se impor, no entanto quando a guerra foi parar nas lamacentas trincheiras há um prolongamento do embate, para lançar os dados de uma média de 30 mil mortes a cada 200 metros[4]. Assim podemos notar seu caráter interminável pelo infeliz equilíbrio das forças.


Em poucos meses de conflito: acabara o exército profissional e também não se via sua relação custo benefício, mesmo assim ela se arrastou por longos e sangrentos anos, inaugurando o ciclo das grandes tragédias que marcariam o século XX.


A guerra acaba e os ditos vencedores não têm uma concepção comum para a nova ordem mundial. E o Tratado de Versalhes[5], assinado em 28 de junho de 1919, fidelidigno as promessas feitas no calor do combate, tendeu a um caráter punitivo e vingativo em detrimento de ser um mediador das relações causa conseqüência, fazendo com que o terreno ficasse fértil para o totalitarismo, semente da Segunda Grande Guerra.


[1] François Furet. Historiador francês nascido em Paris, um dos principais estudiosos da Revolução Francesa

[2]O pan-germanismo foi um movimento político e sociocultural do século XIX, que
buscava a união de todos os povos germânicos.

[3]Sarajevo (por vezes Saraievo) é a capital e a maior cidade da Bósnia e Herzegovina. Palco do assassinato de Francisco Ferdinando, herdeiro do império Austro húngaro.

[4] FURET, François. O passado de uma ilusão. Pg. 62.

[5] O Tratado de Versalhes (1919) foi um tratado de paz assinado pelas potências européias que encerrou oficialmente a Primeira Guerra Mundial.



Bibliografias:

Esqueletos de soldado alemão morto durante a Primeira Guerra Mundial, encontrado em Violaines, na França. Disponível em http://www.lucianomarinho.com.br. acessado em 24/05/09.

FURET, François. O passado de uma ilusão. São Paulo: Siciliano, 1995. 599p.

HOBSBAWM, Eric J. Era dos Extremos: o breve século XX, 1914 - 1991. Tradução Marcos Santarrita. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 20001.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

“De boas intenções, o inferno está cheio”

By Douguera

Pode-se se chamar o evento soviético, no integral da palavra, de uma Revolução? De uma forma concreta ela ocorreu, todavia se ela foi fidelidigna em esplendor a seus dogmas socialistas, isso não se pode dizer. Foi a Revolução que Marx preconizou? Claro que não. A que Lênin queria? Certamente que não. Por mais degenerada que essa esperança possa ter sido, a Revolução Socialista deu no que deu: no exemplo soviético. E mesmo tendo ido parar na mesa de autópsia dos cientistas, ela acabou por criar adeptos no ocidente.


Filhos legítimos da Guerra de 1914, que alguns países capitalistas persistem em não assumir a paternidade, o totalitarismo soviético vai herdar das trincheiras o hábito de violência, a simplicidade das paixões extremas e a submissão do indivíduo ao coletivo. Ele não dependeu do interesse social das massas para se manter no poder, embora tenha subido por elas, são os interesses das massas que vão depender dele. E o Stalinismo cumpre seu papel histórico sombrio de um regime ditatorial, terrorista ideocrático, ceifando vidas humanas. Ele não matou tanto quanto o totalitarismo alemão, matou mais. Em uma perspectiva mais analítica, o totalitarismo stalinista contribuiu para o desenvolvimento do totalitarismo de Hitler; em matéria de violência Stalin abre caminho para Hitler se justificar.



Assim como no totalitarismo Italiano e Alemão não foi diferente com o soviético, as paixões coletivas se encarnaram em personagens desgraçadamente excepcionais. Primeiro Lênin, formidavelmente culto aos moldes da Europa discípulo de Marx e depois Stalin, seguidor de Lênin.


Com a morte de Lênin houve um grande medo de que a Revolução fosse sepultada com seu líder, mas Stalin, a seus moldes e cheio de boas intenções, deu seguimento a Revolução segundo a qual a violência não passou de uma finalidade ética que identificou o militante revolucionário como um herói. Ou você era um revolucionário, ou um contra-revolucionário, simples assim.


O regime era algo inédito no século XX dentro das experiências concretas do repertório dos manuais de política e dos tipos de governo. Traçou traços absolutamente novos na Europa e no resto do mundo, levantou edifícios que pareciam inabaláveis, mas acabaram por ruir em si mesmo e ainda hoje estamos por pisar em cima de seus escombros.


Bibliografias


BARRAQUI, Douglas. A interpretação da realidade: metodologia da história. Disponível em: http://dougmahistoria.blogspot.com/2008/12/interpretao-da-realidade-metodologia-da.html. Acesso em 14/05/09.

FERRO, Marc. A Revolução Russa 1917. São Paulo, editora Perspectiva.

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