quinta-feira, 16 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Filme: O Grande Ditador
Em meio a Segunda Grande Guerra Mundial, judeus estavam sendo esmagados pelo preconceito alemão. Chaplin, genialmente, interpreta os dois protagonistas da história: o ditador Adenoid Hynkel (em clara referência a Hitler) e o barbeiro Judeu. Irônico e atrevido, este filme lhe causou sua expulsão dos Estados Unidos, mas criou também uma obra-prima única com uma das melhores mensagens anti-guerra já transmitidas ao homem.
ASSISTA O FILME AQUI!
http://youtu.be/LfbTYhX6Dqs
ATIVIDADE COMPLEMENTAR 8ª SÉRIE
O Grande Ditador
1) Pesquise sobre o filme e faça a ficha técnica do mesmo com as seguintes informações:
Título do filme em português – Título original do filme – Diretor – Ano de lançamento – Principais atores – País em que foi feito – Tempo de duração – e uma sinopse com no mínimo 10 linhas.
2) Analise o trecho final do filme, em que o barbeiro judeu confundido com Hynkel é levado para fazer um discurso sobre a guerra que se iniciava. Reflita e comente sobre a mensagem que Chaplin quis deixar com esta cena.
3) Analise a cena em que Hynkel brinca com o globo terrestre. Que crítica Charles Chaplin faz nesta cena?
4) Qual cena do filme mais te impactou? Por quê?
Questões sobre o texto: “ciência”de Hitler: por um bem maior
PERGUNTAS:
1)
Na defesa de uma “raça” superior, o arianismo, o nazismo perseguiu e tirou a
vida de milhões. Quem era perseguido? Explique o motivo de acordo com a teoria
da higiene racial.
2)
"O mesmo fanatismo que nos deu Mengele também
nos deu a preciosa pesquisa antitabagista.” Pode-se tirar alguma
coisa de valioso dos experimentos desumanos e outros, tanto quanto, macabros
dos cientistas de Hitler? Cite exemplos desses cientistas, o que fizeram e sua
contribuição para a ciência.
3)
Entre a medicina, química, matemática, biologia, física, anatomia, entre outros
destaque os principais avanços da ciência graças a ciência dos nazistas.
4)
Alguns dizem que a utilização e a exposição de tantos
atos desumanos cometidos deixa a impressão de que, em pleno século 21, o
nazismo arrastou a ciência para o arcabouço da idade das trevas. Mas, se aquilo não era ciência então
que essas pesquisas sejam agora, uma vez o mundo tendo superado as atrocidades
nazista, utilizadas pela ciência para um bem muito maior, para que milhões de
vidas não tenham sido ceifadas em
vão. Na sua opinião é válido usar as atrocidades nazistas
pelo bem da ciência? Justifique sua resposta.
FONTE:
quinta-feira, 2 de maio de 2013
AULA: RENASCIMENTO
Para todos os visitantes, alunos, amigos e professores que queiram receber a aula acima encaminhem E-mail para doug_nahistoria@hotmail.com
AULA: REFORMAS PROTESTANTES E CONTRA REFORMAS
Para todos os visitantes, alunos, amigos e professores que queiram receber a aula acima encaminhem E-mail para doug_nahistoria@hotmail.com
quarta-feira, 1 de maio de 2013
HOMENS E MULHERES DA NOSSA HISTÓRIA: SILVA JARDIM “O HOMEM VULCÂNICO”
Por Douglas Barraqui
Antônio da Silva Jardim era um
homem que em suas veias corriam sangue quente como lava. Um Republicano convicto,
advogado e jornalista Silva Jardim, era um inimigo ferrenho e destemido da
monarquia bem como da escravidão. Envolveu-se completamente na campanha pela
república, chegando a vender sua banca de advogado e dissolver sua sociedade.
Sua vida, então, se dirigiu para os comícios em prol da República e viagens
constantes entre os estados de Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
Para ele a verdadeira república só
poderia ser efetivada com sangue. Suas idéias eram tão radicais que defendia
que não bastava libertar os escravos e derrubar o imperador D. Pedro II, era
importante prender e se possível executá-lo.
Após o golpe de 15 de novembro de
1889, com a Proclamação da República, sem derramamento de sangue, o exército,
que não se sentia ligado aos civis que tanto haviam lutado por sua proclamação,
deixou-o de lado. Silva Jardim ficou decepcionado.
Como também não conseguiu se
eleger senador pelo Distrito Federal, decidiu, então, retirar-se da política e
viajar para o exterior para descansar, partiu para a Europa. Em julho de 1891, aos
30 anos de idade, visitou Pompéia, na Itália e, curioso por conhecer o vulcão
Vesúvio, decidiu escalar o vulcão, ao chegar ao topo, escorregou, caiu em uma
fenda na cratera da montanha e morreu. “Extraordinário
o destino do grande brasileiro: até para morrer, se converteu em lava.”
disse José Carlos do Patrocínio.
Referências:
BUENO, Eduardo. Brasil: uma
História - a Incrível Saga de um País. São Paulo: Ática, 2003. 448p.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
PROMOÇÃO DO BLOG HiStO é HiStÓrIa
CONCORRA A UM LIVRO!
Concorra ao livro “O
Tribunal Penal Internacional e a Grande Estratégia de Política dos Estados
Unidos”, da autora Marrielle Maia Alves Ferreira, doutora em Política Internacional
pela Universidade de Campinas.
Marriele Maia traça uma
instigante análise da política norte-americana sobre o Tribunal Penal
Internacional e seus vínculos com as diferentes bases teóricas e precedentes da
história daquele país. Ilustra esta análise com as variações ocorridas na
posição dos Estados Unidos desde a negociação até o período posterior à entrada
em vigor do Estatuto de Roma, abarcando as administrações Clinton e Bush.
REGRAS PARA CONCORRER:
- CURTA A NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK (CURTA AQUI)
- SEJA UM SEGUIDOR DO NOSSO BLOG (SIGA AQUI)
O sorteio acontecerá no dia
01/06/2013. Enviarei o livro, sem nenhum custo, para qualquer lugar do Brasil
ou do mundo.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Um olhar sobre a Reforma luterana
Por Douglas Barraqui
MARTINHO LUTERO
“Ajuda-me, Sant’ Ana! Eu me tornarei um monge”. Essas foram as
palavras de Martin Luther ou Luder; mais conhecido como Martinho Lutero, o
homem que mudaria os rumos da Igreja.
Martinho Lutero nasceu na
Alemanha em 10 de novembro de 1483. Filho de Hans Luther e Margarethe
Lindemann, integrantes de uma pequena burguesia ascendente, era do desejo de
sua família que Lutero seguisse a carreira pública, especialmente a de
advogado; e assim foi mandado a diversas escolas, em 1501, aos dezessete anos,
ingressou na Universidade de Erfurt. Se formou em bacharel e posteriormente
mestre. E em 1505, ao voltar de uma visita à casa dos pais, em meio a uma
tempestade com muitos raios, teria prometido a Santa Ana que, se o salvasse, se
tornaria um monge. Aderiu à ordem dos
agostinianos. Em 1507, foi ordenado sacerdote. No ano seguinte começou a
lecionar teologia na Universidade de Wittenberg.
Porém, em meio aos seus estudos
teológicos, Lutero se deparou com uma crise espiritual envolvendo a questão da
soterologia – estudo da salvação do homem. Em 1515 Lutero passaria pela chamada
“experiência da Torre”: no alto da torre de Wittenberg, estudando a fim de
encontrar respostas para as questões envolvendo a salvação, se deparou com o
Salmo 30 – “liberta-me em tua justiça” – e assim Lutero passou a compreender a
justiça de Deus, não como algo punitivo, mas sim como sendo a demonstração da
misericórdia de Deus frente aos pecadores. Depois disso, conta Lutero em sua
autobiografia: “me senti renascido,
entrando no paraíso por suas portas abertas”.
![]() |
| Igreja do Castelo em Wittenberg |
E em 1517 Lutero escreve as 95
teses, um convite aberto ao debate sobre algumas posturas morais da Igreja –
documento que em vias de fato é contestado por alguns historiadores. As 95
teses, diz a tradição, foram afixadas nas portas da Igreja do Castelo de
Wittenberg e a escrita desse documento teria sido motivada em meio a uma
campanha de cobrança de indulgência, organizada por Johann Tetzel – “assim que uma moeda tilinta no cofre, uma
alma sai do Purgatório”: eram as palavras de Tetzel que fez de sua campanha
de perdão dos pecados um verdadeiro comércio de compra e venda da salvação.
EXPLICAÇÕES PARA AS REFORMAS
De fato a idéia de Reformar a
Igreja não é nova na Idade Moderna. E quando buscamos explicações para as Reformas
alguns historiadores acabaram por ter uma visão simplista e limitada
concentrando-se apenas na decadência moral da igreja – temas como: luxo
exacerbado do alto clero; a não obediência ao celibato clerical; a questão
envolvendo a indulgência e a prática da simonia. Outros autores buscaram
explicações muito mais amplas para as causas que desencadearam a Reforma: Emile
Leonard, vai nos dizer que a razão de ser da Reforma está na própria crise
espiritual da Igreja. Ou seja, é na própria religião que se deve buscar a
natureza da Reforma.
Historiadores marxistas elencam
uma explicação de cunho sócio-econômico. O próprio Marx vai dizer que “a
religião é filha da economia”: assim a Reforma era resultado do modelo
capitalista daquele momento histórico. As transformações de caráter
sócio-econômicas surgidas após o Renascimento comercial – o que podemos
destacar como a ascensão da classe burguesa – teve como resultado a necessidade
de um novo senso comum religioso que beneficiaria a burguesia que aos olhos da igreja
era má vista pela prática do lucro e da usura. O que fazem os marxistas,
portanto, é relacionar a Reforma com o surgimento da sociedade Burguesa e sua
ascensão.
Outros ainda buscam uma visão
Holística para as causas da Reforma, como é o caso de Henri Hauser: apontando
para as causas da Reforma como um emaranhado de fatores econômicos, sociais e
religiosos, indissolúveis: “A reforma do
século XVI teve um duplo caráter de revolução social e revolução religiosa. As
classes populares não se sublevaram somente contra a corrupção dos dogmas e os
abusos do clero. Também o fizeram contra a miséria e a injustiça. Na bíblia não
buscaram somente a salvação pela fé, mas também a prova da igualdade original
de todos os homens”.
Uma outra interpretação muito
singular quanto às causas da Reforma é a de Quentin Skinner. Ele faz uma
interpretação de caráter político e será o autor que mais terei atenção neste
artigo, não porque sua explicação seja a mais plausível ou a única a via de
fatos, mas sim porque sua obra nos ajudará a compreender a importância da
doutrina luterana na formação do absolutismo.
Particularmente eu me identifico
com a visão de Cornelius Castoriadis que estabelece uma relação entre a
religião e a filosofia: a partir da Idade Média a cultura Ocidental fez um
resgate da filosofia grega – feita pela igreja em São Tomas de Aquino. A
escolástica medieval, portanto, é um “conbinado” de Aristotelismo e
cristianismo. Falando a grosso modo, o tomismo tentou compreender Deus, suas
práticas, origem e dogmas usando a filosofia. Castoriadis diz que isso vai ser
paradoxal e contraditório.
![]() |
| Mapa da Alemanha indicando as cidades pelas quais Lutero passou |
A SALVAÇÃO PELA FÉ
Lutero fundamentou sua doutrina
na salvação pela fé, rompendo, desse modo, com a pregação tomista de que o
homem por intermédio da fé e das boas obras alcançaria a salvação. Esta idéia
de Lutero está bem descrita em sua obra “De
Servo Arbítrio”: obra em que ele reafirma as idéias de Santo Agostinho.
Tomás de Aquino usou argumentos
filosóficos para demonstrar “a verdade” dentro das crenças do cristianismo, o
que ficou bem evidente em sua obra “Suma Contra os Gentios”. O tomismo virou a
filosofia oficial da Igreja e também foi declarada a única filosofia
verdadeira. E Tomás de Aquino seria feito mestre da Escolástica Medieval um
conjunto de doutrinas teológicas e filosóficas que combinava aristotelismo com
a crença cristã. A soterologia de Aquino defendia a salvação pela fé e pelas
boas obras e a soterologia de Lutero à fé: eis o conflito.
Trata-se, portanto, de uma
questão de interpretação que muito além de pura e simplesmente romper com o
tomismo, trás autoridade para a bíblia e retira a função e a autoridade da
Igreja em seu caráter institucional.
AS CONCEPÇÕES DE LUTERO
As concepções de Lutero passaram
pelo: I - Conciliarismo – subordinava a autoridade do papa à comunidade dos
fieis representada pelo concílio; II - Eclesiologia – trata-se do entendimento
de Lutero sobre a natureza da Igreja (Lutero entende a Igreja como uma
congregação de fieis e não como uma instituição hierarquizada). III – sacerdócio
universal – este ponto envolve a questão do batismo (para Lutero pelo batismo
somos todos sacerdotes), Lutero tinha inaugurado o sacerdócio universal.
Ao mesmo tempo a questão
“sacerdócio universal” terá enormes implicações quando Lutero assiste a
Epistola de São Paulo aos romanos, “todas
as autoridades vem de Deus”: Quando todos são pautados como sacerdotes um
em especial, o príncipe, terá além da autoridade política a autoridade
religiosa. É inaugurado, então, o “direito divino dos monarcas”; o que fortalece
enormemente o poder dos príncipes e afirma o poder temporal acima da Igreja.
Lutero ainda vai dizer que cabe ao príncipe proteger a Igreja. A reforma
Luterana, em via de práticas, permitiu a formação dos príncipes frente à Igreja
Católica.
Quentin Skinner destaca que os
príncipes passaram a ter uma autoridade política e religiosa: quando um
príncipe ordenar ao seu súdito que faça o mal, o súdito deve recusar; o
príncipe utilizara de sua autoridade para punir o súdito e, segundo Lutero, o
súdito não deve reagir. Trata-se de um
posicionamento de “passividade” frente a autoridade dos príncipes.
Lutero qualifica a Igreja como
autoridade interposta; defende o sacerdócio universal, rompendo assim como a
separação entre leigos e religiosos – assim se faz valer: “mediante ao batismo
somos todos sacerdotes”. Lutero então derruba a divisão entre estado religioso
e estado laico.
CONSEQUÊNCIAS DAS PRETENSÕES DE LUTERO PARA A IGREJA
Em linhas gerais as concepções de
Lutero tiram da Igreja sua jurisdição e uma série de seus privilégios
específicos – Antes a igreja era uma instituição visível, hierarquizada, dotada
de poderes que influenciavam a vida dos homens e os Estados.
Lutero condena a pretensão da
Igreja em ter um papel e poder temporal. O reino dos homens, segundo Lutero, é
ordenado por Deus – trata-se de um domínio distinto já que a espada está nas
mãos das autoridades seculares para manter a paz, tendo portanto, o poder
coercitivo.
Portanto, o que podemos notar é
uma relação de obediência e subserviência em Lutero – aqui retomamos o ponto da
questão da “passividade” frente aos príncipes.
O SUCESSO DA DOUTRINA LUTERANA
Skinner atribui o sucesso da
doutrina luterana a três razões básicas que, em certo grau, estão relacionadas
direta e indiretamente com a própria doutrina luterana: 1º) idéia luterana de
insuficiência da razão; 2º) ênfase no caráter absoluto da vontade de Deus e 3º) o
pecador deve colocar toda a sua confiança na vontade de Deus.
![]() |
| Igreja do Castelo. Wittenberg |
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A reforma luterana foi um marco
para a história do cristianismo e, porque não, da humanidade. O principio
reformador, para alguns autores, é inato de nos humanos. Sem reduzir a importância
de seus atores principais, digo que a reforma de Lutero é filha de seu tempo
histórico, um momento em que o mundo cristão ocidental ansiava por uma nova
postura moral e religiosa, eis a reforma de Lutero.
REFERÊNCIAS
LÉONARD, Émile G. O Protestantismo Brasileiro. Rio de Janeiro
/ São Paulo: JUERP/ASTE. 1981.
SKINNER, Quentin. A
formação do pensamento político moderno. São Paulo, Companhia das Letras,
1996.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Peste Negra: Corpos são encontrados na Inglaterra
Funcionários de um projeto
ferroviário no centro de Londres encontraram 13 corpos de pessoas que teriam
sido vítimas da Peste Negra no século 14.
A descoberta dos esqueletos em
uma vala comum foi feita pelo projeto bilionário Crossrail durante a escavação
de um túnel sob a Praça Charterhouse.
Segundo informações do site do
jornal britânico "Daily Mail", as ossadas estavam a quase 2,5 metros
entre as estações de trem Farringdon e Barbican, duas das áreas mais
movimentadas da capital inglesa.
E os corpos de homens e mulheres
não foram simplesmente jogados nas valas, mas colocados lado a lado em fileiras
uniformes, com as mãos cruzadas sobre o tronco.
O principal especialista que
analisa a descoberta, Jay Carver, disse que essa é uma obra muito significativa
e que ainda há muitas perguntas a responder. Primeiro, serão feitas análises
científicas para identificar a causa da morte dessas pessoas, qual a idade
delas na época e quem elas foram. Quando os exames forem concluídos, os
esqueletos devem ser enterrados no próprio sítio arqueológico ou em um
cemitério.
De acordo com arqueólogos (vistos
nas fotos) que agora trabalham no local, a Peste Negra – doença transmitida
pela pulga de ratos – pode ter dizimado até um terço da Europa na Idade Média.
A pandemia é considerada até hoje como a mais cruel e destrutiva da história
humana.
Fonte: G1
sexta-feira, 8 de março de 2013
Em Christopher Hill: A Revolução Inglesa de 1640
Por Douglas Barraqui
A
guerra evoluiu tornando-se mais abrangente e violenta. E em julho de 1644, na
batalha de Marston Moor o exército parlamentar tem uma importante vitória sobre
o exército do rei. Oliver Cromwell se destaca como líder militar. No segundo
semestre desse mesmo ano, porém, o exército do parlamento acumulou derrotas, e
o próprio Cromwell culpa as derrotas seguidas ao mau comando das tropas – de
fato o comando dos exércitos de ambos os lados era feito por nobres; e que para
alguns especialistas o exército de Carlos I tinha um pouco mais de experiência
e traquejo militar do que as tropas parlamentares.
Assim
uma reforma era indispensável para que o parlamento conseguisse mudar o cenário
do conflito. Em novembro o parlamento começa fomentar, uma reformulação dos comandos, oficialatos, sistema de escolhas e
captação de recursos. Em março de 1645
através do “ato de abnegação” surge o “exército
de novo tipo”: Para Christopher Hill tratava-se de uma manobra de Cromwell
para retirar a nobreza do alto comando do exército e que, embora, ele mesmo
fosse um nobre e que os novos comandantes não deveriam ter funções
parlamentares, Cromwell manteve seu posto, fato que em grande medida foi pela
sua habilidade militar.
Esse
novo exército possuía uma moral militar inteiramente nova por possuir soldados
de extratos mais baixos, como da gentry e homens de condição média, e pelo fato
de que as promoções militares seguiam critérios de meritocracia.
Em
1646 após a derrota na batalha de Naseby, Carlos I se rende aos súditos
escoceses que acabam o entregando ao parlamento. Para Christopher Hill, “as
lutas do parlamento foram ganhas devido à disciplina, unidade e elevada
consciência política das massas organizadas no exército de novo tipo”.
O
parlamento passa a negociar com Carlos I – não era, nesse momento, perspectiva
do parlamento fazer a cabeça de Carlos rolar. O rei acaba acatando e aceitando
o presbiterianismo como religião oficial por três anos e o controle das
milícias por dez anos. A partir de então o parlamento passa a desmobilizar o
exército, porém não efetua o pagamento do soldo e ameaça o oficialato de
prisões por abusos cometidos durante a guerra. Dentro do exército as lideranças
de baixa patente vão protestar e enfrentar o parlamento; esses “agitadores”,
como foram chamados, ficariam conhecidos como levellers (niveladores), tratava-se de um movimento civil de base
popular no seio de exército. Dentre os seus líderes estava Joh Lilburn.
Em
meio a esses acontecimentos o parlamento passou por transformações com a saída
dos partidários do rei e a formação de dois partidos: os presbiterianos e os
independentes.
Os
presbiterianos defendiam uma igreja presbiteriana, uma “paz negociável e de uma
guerra defensiva”. Os independentes, puritanos, defendiam uma igreja anglicana,
porém, sem a influência do papismo e da hierarquização do catolicismo.
Uma
assembléia composta majoritariamente de presbiterianos foi criada pelo
parlamento para definir a religião inglesa. Foi definido que a Inglaterra teria
como religião oficial o presbiterianismo, purificado de seus elementos
católicos e semelhante à igreja escocesa.
Henry
Ireton, genro de Cromwell e uma das
lideranças dos independentes, elabora um documento destacando itens a serem
negociados com Carlos I, dentre esses itens: deveria haver uma tolerância religiosa e que o governo da
Inglaterra deveria ser composto pela Gentry e a nobreza.
O
documento chocou o interesse dos niveladores ao passo que estes pretendiam uma
ampliação da democracia no direito de votar, a chamada ampliação da
“franchise”. Os niveladores então produzem um documento intitulado de “acordo
do povo” definindo que todos são livres pelo nascimento e defendendo o direito
ao voto.
O
cenário político-religioso nesse momento era o seguinte: Carlos I defendia uma
igreja episcopal; os presbiterianos clamavam por uma igreja uniforme, nacional
aos moldes da igreja escocesa; os independentes, puritanos, defendiam uma
igreja descentralizada, anglicana, aos moldes da igreja calvinista sem a
influência do papismo e da hierarquização do catolicismo; e ainda existia a
tendência de sectários variavam seu posicionamento teológico, eram seitas que
haviam proliferado durante a guerra civil.
O
outro pólo de poder era o exército, composto de milícias após ser remodelado em
1645. Quando em 1647 houve a tentativa de desmobilizar as tropas o mesmo vai
entrar em ebulição e se dividir em dois grupos: os “Grandges” que eram homens
de alta patente e os “agitadores”, lideranças de baixa patente composto
principalmente da gentry e de homens de condições média, são os niveladores.
No
fim das contas os independentes não conseguem um acordo com Carlos I. Final de
1647 Carlos I foge da custódia do exército e em 1648 a Guerra Civil é
retomada. As forças de Carlos I não conseguem vencer as tropas parlamentares.
Na batalha de Prestor, novamente, brilhou a liderança de Oliver Cromwell.
Carlos I novamente é feito prisioneiro. E em novembro de 1648 os independentes,
mais radicais que já falavam em República, passam a levantar essa bandeira com
mais fervor. Em dezembro de 1648 os presbiterianos são expurgados do parlamento
e em janeiro de 1649, após ser julgado e condenado Carlos I é executado por
crimes contra o povo.
Sem
o rei pela primeira vez em sua história a Inglaterra passa por um interregno
republicano, a chamada “Comowellf Republic”. O movimento dos niveladores teve
suas principais lideranças cooptadas e acabou sendo desarticulado; os bispos
perderam sua influência política e a câmara dos lords foi desarticulada.
Tratava-se, portanto, de uma mudança profunda na política inglesa, em certo
grau radical.
Havia
ainda um problema a ser enfrentado pelo novo regime: os inimigos escoceses e a
Rebelião Irlandesa. Agosto de 1649 as tropas de Cromwell desembarcam na Irlanda.
Uma forte repressão foi feita sobre os católicos irlandeses, confiscou terras e
as entregou aos protestantes – o que vai ocasionar problemas que repercutem nos
dias de hoje com a querela entre Irlanda do Norte e Irlanda do Sul. No ano
seguinte a Irlanda estava pacificada e dominada pela Inglaterra. Na
Escócia não foi diferente, Cromwell enfrenta uma nova rebelião: príncipe
Carlos, filho de Carlos I, foi proclamado rei, porem, acabou sendo vencido.
Do
ponto de vista político de 1649 à 1653 o exército passou a ser o centro do
poder e o parlamento subordinado ao mesmo. Em 1653 um novo parlamento é eleito,
mais radical, acabou dissolvido por Cromwell. No ano de 1658 Cromwell morre,
seu filho Richard Cromwell ocupa seu lugar.
REFERÊNCIA
HILL,
Christopher. A Revolução Inglesa de 1640. IN: Fundo político da revolução
inglesa. Lisboa: Ed. Presença, 1985. p. 49-77
Assinar:
Postagens (Atom)












