quinta-feira, 14 de julho de 2016

GREGOS E O MITO DA CRIAÇÃO

Prof. Douglas Barraqui

Segundo os mitos de criação gregos no início só existia o Caos (Kháos), o primeiro deus primordial a surgir no universo, a mais velha das formas de consciência divina. Caos representava a desordem inicial do mundo um vazio sem forma do tamanho de todo o universo. Caos era um abismo cego, escuro e ilimitado.

De Caos se originou a Terra (Gaia). Gaia representa um contrário de Caos, já que é existência. Uma presença distinta, uniforme, precisa. Nascida da ausência, do seio dessa ausência. Assim, à confusão, à ausência, ao vazio, opõe-se a presença nítida, firme e estabilizadora. As características de Gaia são a doçura, a submissão e a humildade. A palavra humildade vem de “húmus” (terra), de onde o homem (humus = homo) é modelado.

Também, a partir de Caos nasce o submundo (Tártaro) e o amor (Eros). Que era simplismente o mais belo de todos os deuses. Do Caos, também, saíram a escuridão do submundo (Érebo) e a noite (Nyx). Da união entre Érebo e Nyx nasceu o Dia.

Basicamente podemos assinalar que segundo o mito de criação grega tudo começa com três elementos básicos: Kháos, vazio primordial; Gaia, a presença firme, estabilizadora e Éros, o impulso primordial do universo.


Gaia deu a luz ao céu (Urano) e com ele teve diversos filhos entre os quais o mar (Oceano), o tempo (Chronos) que era o mais jovem e mais terrível de seus filhos. Chronos, seguindo ordens de Gaya, castra Urano e se casa com sua filha Rea. Com Rea, Chronos teve filhos que mais tarde se revoltariam contra ele e assumiriam o poder. Esses novos deuses dividiram entre eles a autoridade. Zeus ficou com o céu. Posseidon ficou com os mares e Hades ficou com o submundo. 

Referências bibliográficas:

BRANDÃO, Junito de Sousa. Mitologia Grega. vols. 1, 2 e 3. Petrópolis, Vozes, 1986.

GRIMAL, Pierre. Dictionnaire de la mythologie grecque et romaine. Paris, Presses Universitaires de France, 5 ed., 1976.

VERNANT, J-P. O universo: os deuses, os homens. S. Paulo, Companhia das Letras, 2000).

sábado, 25 de junho de 2016

TRAGÉDIA A VISTA: BRASILEIRO NÃO ESTÁ PREPARADO NEM PARA PORTAR UM ESTILINGUE

Prof. Douglas Barraqui

Funerária será o negócio mais lucrativo desse país. É isso mesmo, se o porte de armas for liberado vai faltar espaço em cemitérios.   

Recentemente visitei uma página de defensores ferozes da liberalização do porte de armas no Brasil. Nesta página li coisas do tipo:

“Antigamente quase TDs homens tinham armas e ainda sem o devido porte! Todos se respeitavam”

“Só existe duas formas de convencer alguém, pelo diálogo ou pela violência,..se você tiver armado bandidos vão tentar o diálogo...ou vão morrer...porque armado você mata ou morre, desarmado você morre.”

“Todos os países que tinham restrições a armas e tiraram registraram queda na criminalidade, por que no Brasil seria diferente?”

“só vai comprar [armas] quem saber usar ou tiver um controle emocional”.

“Morram os idiotas sobram quem sabem usar seu direito”.

“só o fato do cidadão estar armado o bandido já pensa 78 vezes antes de fazer besteira e na maioria das vezes vai recuar...pq bandido é COVARDE”.

Fico imaginando uma simples fechada no trânsito e dois motoristas armados. Fico imaginando o encontro de torcidas organizadas e, do jeito que os ânimos e os justiceiros afoitos andam exaltados, um pisão na unha encravada se transformaria em banho de sangue a estilo filme de faroeste com muito “bang bang”.

Culturalmente e socialmente o brasileiro não está preparado para portar uma arma. Talvez não esteja preparado nem daqui a um século. Quando leio ou ouço comentários como os acima, tenho cada vez mais convicção de que A  VERDADE É QUE MUITOS NÃO QUEREM ARMAS PARA SE DEFENDER, QUEREM ARMAS PARA SE VINGAR. Seguindo um princípio básico da lei de talião, "olho por olho, dente por dente". Lamento meus amigos, mas não vivemos mais, felizmente, na Babilônia de Hamurabi. Vivemos em um Estado Democrático de Direito, em um país chamado Brasil, onde existem leis.

É uma ilusão fatal acreditar que estando armado, a pessoa estará segura. É uma ilusão maior ainda achar que deu certo ou que está dando certo nos EUA e em outros países e que por isso funcionaria aqui no Brasil, outra cultura, outro modelo de sociedade.

Bandido em terras tupiniquins sabendo que você está armado vai atirar primeiro e anunciar o assalto depois. Primeira coisa que ele vai te roubar é a arma. Essa mesma arma será comercializada em um mercado negro em potencial que irá abastecer desde o crime organizado ao neurótico com psicopatia de perseguição. Logo, uma pessoa totalmente despreparada comprará a sua arma e em uma briga de trânsito essa pessoa usará a sua arma. Aqui entra você novamente, sem ter nada a ver com aquela briga, poderá ser uma vítima de uma bala perdida de sua própria arma.


A própria polícia brasileira senhores, que teoricamente é treinada para manusear uma arma, hoje é uma das que mais mata no mundo. Noto que, pelo tipo de resposta, pela incapacidade de debater e argumentar e pelo nível de total desrespeito à opinião das pessoas em vários posts, BRASILEIRO NÃO ESTÁ PREPARADO NEM PARA PORTAR UM ESTILINGUE. 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

CIÊNCIA E IGREJA, CIÊNCIA E RELIGIÃO: É POSSÍVEL?

Prof. Douglas Barraqui


Ciência e a Igreja têm uma história em comum, estão interligadas.  É uma história longa e, às vezes, bastante conflituosa, também, por vezes harmoniosa. A primeira coisa a fazer é separar Igreja dos homens: Quem perseguiu hereges, quase condenou Galileu, queimou mulheres bruxas na Idade Média não foi a igreja, foram homens. Ditos homens de Deus, acreditavam estar agindo em nome de Deus e da Igreja que seguiam. Esses homens utilizaram textos das sagradas escrituras para justificar os seus atos.

Mas, posso afirmar de forma categórica que sem a Igreja Católica não haveria ciência. Devemos lembrar que a Igreja católica, durante muito tempo, esteve ligada ao ensino, a construção das universidades, ao apoio financeiro aos cientistas, clérigos e não clérigos. No Brasil temos vários exemplos de instituições religiosas e produtoras de conhecimento científico como as Pontífices Universidade Católicas.

De acordo com o Thomas Woods, historiador estadunidense, ao longo da história muitos padres foram cientistas: Pe. Nicholas Steno (considerado o "o pai da geologia"), o Monge Franciscano Bacon (considerado precursor do método científico moderno, defendendo como método a experiência), Pe. Athanasios Keicher (o pai da egiptologia), Pe. Giambattista Riccioli (a primeira pessoa a medira a taxa de aceleração de um corpo em queda livre), Pe. Robert Boscovich (considerado o pai da teoria atômica moderna), entre outros. Mais recentemente, no ano de 2013, um conclave da Igreja Católica Apostólica Romana passou a reconhecer uma forma teísta de evolução cósmica e evolução biológica, em miúdos, passou a reconhecer Darwin.


Devemos lembrar ainda que a ciência, também a religião, é filha de seu tempo. E que a mentalidade, a forma de pensar das pessoas muda ao longo da história. Podemos concluir que em menor ou maior grau ciência e religião sempre estiveram próximas.


REFERÊNCIAS:

FILORAMO, Giovanni; PRANDI, Carlo. As Ciências das Religiões. São Paulo: Paulus, 1999.

MARQUES, Leonado. A História das Religiões e a Dialética do Sagrado. Madras, 2005.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A MACONHA E OS TEMPLOS INDIANOS

Os templos das cavernas de Ellora são uma das maravilhas arquitetônicas do mundo. Cavados na rochas são a epítome da arquitetura indiana dos séculos V a X, e também um testemunho da tolerância religiosa da época, porque pertencem a três religiões: hinduísmo, budismo e jainismo. Uma dupla de cientistas indianos acaba de revelar o segredo de sua preservação: maconha.

O gesso usado no interior de um dos templos budistas, que foi estudado por eles, revelou que 10% era fibra de cânhamo.  “As fibras de cannabis parecem ter mais qualidade e durabilidade que outras fibras”, afirma o botânico Milind Sardesai, que conduziu o estudo com o arqueoquímico Rajdeo Singh. “Além do mais, a goma de cannabis é grudenta e pode ter contribuído com o cal e a argila para formar uma liga bem firme.”
Gruta 29

Templo Kailasa, gruta 16
Templo Kailashnath



Fonte: Revista Aventura na História. Pg. 07. Maio de 2016.

domingo, 1 de maio de 2016

O ASSASSINATO DE JOÃO PESSOA

Prof. Douglas Barraqui

O assassino, sr. João Duarte Dantas, confessou que matou o presidente da Paraíba, João Pessoa,  por uma “questão de honra pessoal”. Um triângulo amoroso teria, nada comprovado historicamente, sido o pivô da tragédia.

No dia 26 de julho de 1930, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, como de rotina se encontrava na Confeitaria A Glória, no centro do Recife, na Rua Nova. Por volta de 17h e 30 min João Duarte Dantas entrou na cafeteria. João Dantas e João Pessoa eram rivais na política. Os desafetos baterão boca no salão da cafeteria, os ânimos se exaltaram. Dantas sacou a sua arma e atirou duas vezes (o jornal Folha da Manha noticiou cinco disparos) contra João Pessoa que caiu mortalmente ferido.

Após o crime João Dantas tentou fugir, mas, ainda na calçada da cafeteria, foi alvejado por Antonio Pontes de Oliveira, o chofer de João Pessoa. Nas palavras do Jornal Folha da Manha do dia 27 de Julho de 1930: “Sua atitude despertou entusiasmo sobretudo pela serenidade com que agiu, atirando contra o sr. Duarte Dantas, calmamente, sem se apressar, visando-o na cabeça.”

João Dantas era adversário político de João Pessoa. Conflitavam pela política, e dizem, pelo coração de Anaíde Beiriz, uma mulher bela, vencedora do concurso de beleza promovido pelo Correio da Manhã em 1925. Professora e poetisa Anaíde Beiriz mantinha um relacionamento amoroso com João Dantas, escrevendo para ele diversas cartas. Interessado em ter uma arma contra o rival, no dia 10 de julho de 1930, João Pessoa deu ordem para a Polícia da Paraíba, invadir o escritório de Dantas, à Rua Duque de Caxias, a fim de encontrar alguma coisa para usar contra o rival. A polícia encontrou no cofre cartas íntimas, de amor, entre João Dantas e a professora Anaíde Beiriz. Nos dias seguintes, o jornal governista A União, e outros órgãos de imprensa estadual ligados à situação, publicaram o conteúdo das cartas. O objetivo de João Pessoa era claro, visava atingir a honra de João Dantas.

João Dantas sobreviveu ao ferimento e em depoimento para polícia confessou que matou o presidente João Pessoa “por uma questão de honra pessoal”. Declarou “que há dias, mais ou menos, o presidente mandou depredar sua residência, em Teixeira, além de estar movendo campanha de difamação á sua honra pessoal”. Acrescentou que “não estava arrependido, pelo contrario, está tranquillo e aguardando a ação da justiça”.

Criticada publicamente por razões morais e políticas, Anaíde Beiriz sentiu-se acuada após o assassinato de João Pessoa, que causou comoção popular. Anaíde Beiriz abandonou a sua residência na Paraíba e foi morar em um abrigo no Recife, onde passou a visitar João Dantas, que ficou preso na Casa de Detenção daquela cidade. Em 3 de outubro, no início da Revolução de 1930,  João Dantas foi encontrado morto em sua cela, degolado. Embora tenha sido declarado o suicídio como causa mortis na época, as circunstâncias ainda permanecem obscuras. Anaíde Beiriz, aos 25 anos de idade, no dia 22 de outubro, cometeu suicídio por auto envenenamento.

O assassinato de João Pessoa tem uma grande simbologia na história política brasileira, porque acelerou o processo no qual as novas elites urbanas derrubaram as aristocracias que dominavam o poder desde o início da República, era a Revolução de 30.

REFERÊNCIA:


FOI ASSASSINADO, EM RECIFE, O SR. JOÃO PESSOA. Banco de Dados Folha da Manha, domingo, 27 de julho de 1930. Disponível em http://almanaque.folha.uol.com.br/dossietexto2.htm. Acesso em 01 de maio de 2016.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A REAL HISTÓRIA DO REAL

Prof. Douglas Barraqui

Na política existe a versão dos vencedores, daqueles que estão ou estiveram no poder; existe a versão daqueles que são ou estiveram na oposição e existe a versão dos bastidores.

Não vou me ater às questões econômicas, nem tenho formação para isso. Vou me preocupar com a história dita oficial e os seus bastidores. Um livro muito bom, que busquei como referência, foi “A Real História do Real” da jornalista Maria Clara Prado.

Em 1993 Fernando Henrique Cardoso foi nomeado para o cargo de Ministro da Fazenda pelo então Presidente Itamar Franco. Um dos Principais problemas econômicos do nosso país naquele momento era a inflação.  FHC não trabalhou sozinho, contava com economistas renomados e experientes como Edmar Bacha, Pérsio Árida e André Lara Resende que foram responsáveis pelo, que digamos ser o, rascunho do plano real.

O real tornou-se a moeda brasileira no dia 1º de julho 1994. O FHC foi Ministro da Fazenda até março daquele ano, quando saiu para se candidatar a presidência pelo PSDB. Portanto, como podemos ver, antes do real ter sido lançado FHC já havia descido do barco. Quando FHC saiu do Ministério da Fazenda, é o próprio Itamar confirmou isso publicamente em várias entrevistas, o plano Real não estava pronto. Quem assume o ministério da fazenda foi Rubens Ricupero, o homem, que segundo Itamar, disciplinou o plano real.

Maria Clara Prado destaca que o Plano Real foi, na verdade, a aplicação do chamado Plano Larida, desenhado por Pérsio Árida e André Lara Resende, que na verdade buscaram inspiração, eu diria copiaram, um plano econômico monetário de Israel. Segundo Maria Clara Prado havia três cabeças por trás do plano real: Edmar Bacha, Pérsio Árida e André Lara Resende.

Antes mesmo das campanhas eleitorais de 1994 o PSDB, com apoio da grande mídia, assume a maternidade do plano real e coloca FHC como seu pai. Cá entre nós uma excelente propaganda para um partido em plena corrida eleitoral.

Podemos dizer que ao governo FHC pode-se atribuir o mérito de ter conseguido colocar em prática o que de fato previa o plano real.  E o erro de Itamar, ele mesmo assumiu publicamente antes de morre em 2011, foi deixar FHC assinar as notas.

REFERÊNCIAS:

PRADO, Maria Clara R. M. A Real História do Real. Grupo editorial Record.


SAYAD, João. Observações sobre o Plano Real. Est. Econ. São Paulo. Vol. 25, Nº Especial, págs. 7-24, 1995-6

domingo, 24 de abril de 2016

ZUMBI: UM SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA

Prof. Douglas Barraqui

Sua cabeça foi cortada à faca, Seus olhos foram arrancados, sua mão direita foi cortada e seu pênis, símbolo de sua virilidade, foi decepado e enfiado em sua própria boca que foi costurada em seguida. A cabeça foi salgada e exposta na praça da cidade de Recife, onde apodreceu em praça pública.

No dia 20 de Novembro de 1695, com 40 anos, Zumbi foi assassinado. Emboscado pelo capitão Furtado de Mendonça. Zumbi foi vítima da traição de um amigo, Antônio Soares, que logo depois de se aproximar de Zumbi e cumprimentá-lo, teria desferido um golpe de punhal.


Zumbi entraria para história como símbolo de luta dos negros escravos do Brasil pela liberdade. O dia 20 de novembro se torna Dia da Consciência Negra. Passados 320 anos da morte de Zumbi os negros do nosso país ainda travam duras batalhas contra o trabalho análogo a escravidão, desigualdade social, miséria e o preconceito racial.  

REFERÊNCIA:

CARNEIRO, Edison. O Quilombo dos Palmares. Editora Civilização Brasileira, 3a ed., Rio, 1966, p. 35

quarta-feira, 20 de abril de 2016

OBRA PRIMA DA ANTIGUIDADE: ZIGURATE DE UR

Prof. Douglas Barraqui

Os zigurates são monumentos piramidais, construído em patamares superpostos, característico da arquitetura religiosa da mesopotâmia. Com acesso por rampas e escadarias ao topo, onde se erigia um santuário. Suas dependências também serviam de salvaguarda das provisões de cereais e para observação dos astros.

O bem preservado zigurate de Ur (Templo da Lua), de origem suméria, no atual Iraque é uma das obras primas da arquitetura da antiguidade. Erguida entre 2113 e 2096 a.C. por ordem do rei sumério Ur-Nammu. Detêm 21 metros de altura por 62,5 x 43 metros em sua base.


“Nas cidades mesopotâmicas, as construções mais importantes eram as ligadas às grandes instituições, ao templo e ao rei. Sendo a moradia da divindade tutelar da cidade, o templo era o símbolo central do bem-estar local e, em geral, a estrutura mais alta. Os reis reformavam e reconstruíam os templos dos centros religiosos importantes como sinal da aprovação divina”. (RATHBONE, 2011, p. 118)

Fotografia: Josh McFall, 26.07.2005.


Fotografia: Josh McFall, 26.07.2005.

REFERÊNCIAS:

BERRIGAN, Joseph. Ziggurats of Ancient Mesopotamia. Acesso em: 20 de abril de 2016.

GIORDANI, Mário Curtis. História da Antiguidade Oriental. 13 ed. Petrópolis: Vozes, 1969.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

GUERRA DE CANUDOS (1896 - 1897)

Prof. Douglas Barrqui

a)    LOCAL: Sertão da Bahia.
Movimento popular de fundo sócio-religioso (messiânico).


b)   CAUSAS:
I.              Miséria e abandono do nordeste:
ü  O nordestino estava esquecido pelo governo republicano. O nordeste e a caatinga não despertavam o interesse dos latifundiários.
II.            Situação fundiária:
ü  2/3 das terras pertenciam a 5% dos proprietários rurais.
ü  Os poucos recursos hídricos (diques e açudes) eram explorados e monopolizados pelos grandes fazendeiros.
III.           Seca e a fome:
ü  A região do agreste ficava muitos meses e até anos sem receber chuvas. Este fator dificultava a agricultura e matava o gado. A fome era um drama corrente.
IV.          Messianismo:
ü  Em meio a situação de seca, miséria e fome restava ao nordestino três saídas: migrar, banditismo (a esse fenômeno chamamos cangaço) ou o apelo religioso.
ü  Antônio Vicente Mendes Maciel (Antônio Conselheiro),
Ø  Nascido em Quixeramobim (CE) em 13 de março de 1830.
Ø  Após a morte do pai, um comerciante, Antônio Conselheiro abandonou os estudos no seminário e assumiu o comércio da família. O negócio acabou falindo.
Ø  Casou-se com Brasilina Laurentina.
Ø  Foi professor dos filhos dos coronéis da região.
Ø  Advogou defendendo pobres e desvalidos nos sertões de Ipu e Sobral.
Ø  Flagrou sou esposa em sua própria cama com um sargento do exército.
Ø  Passou a viver como andarilho.
Ø  Chegou a Canudos em 1893, tornando-se líder do arraial e atraindo milhares de pessoas. Acreditava que a República, recém-implantada no país, era a materialização do reino do Anti-Cristo na Terra.
Ø  Canudos era uma pequena aldeia que surgiu durante o século XVIII nos arredores da Fazenda Canudos, às margens do rio Vaza-Barris.
O arraial de Canudos visto da estrada do Rosário, litografia de D. Urpia, de 1897.

c)    OPOSIÇÃO:
ü  Construiu-se uma imagem de Antônio Conselheiro como "perigoso monarquista" a serviço de potências estrangeiras, querendo restaurar no país a forma de governo monárquica.
ü  Difundida através da imprensa, esta imagem manipulada ganhou o apoio da opinião pública do país para justificar a guerra movida contra os habitantes do arraial de Canudos.
ü  Observação: Antônio Conselheiro nunca foi um monarquista:
·         Apenas lembrava em seu discurso de como era bom o tempo em que o Estado estava atrelado a Igreja.
·         Criticava a instituição republicana e os seus altos impostos.
·         Condenava o casamento no civil.
·         Dizia que o fim do mundo estava próximo.
Igreja de Santo Antônio, em ruínas, e o púlpito onde pregava Conselheiro,
após o massacre do Arraial, fotografia de Flávio de Barros, de 1897.

d)   CONFLITO:
ü  Outubro de 1896 – Ocorre o episódio que desencadeia a Guerra de Canudos. Antônio Conselheiro havia encomendado uma remessa de madeira, vinda de Juazeiro, para a construção da igreja nova, mas a madeira não foi entregue, apesar de ter sido paga. Surgem então rumores de que os conselheiristas viriam buscar a madeira à força.
1ª expedição:
Ø  Destacamento policial de 100 praças, sob comando do Tenente Manuel da Silva Pires Ferreira.
Ø  A tropa é surpreendida durante a madrugada em Uauá pelos seguidores de Antônio Conselheiro, que estavam sob o comando de Pajeú e João Abade.
Ø  O próprio Tenente Pires Ferreira descreve o ataque destacando a "incrível ferocidade" dos conselheiristas.
Ø  Passadas várias horas de combate, os canudenses, comandados por João Abade, resolveram se retirar, deixando para trás um quadro desolador. Apesar da aparente vitória, a expedição estava derrotada, pois não tinha mais forças nem coragem para atacar Canudos.

                     2ª expedição:
Ø  Janeiro de 1897 - Os jagunços fortificavam os acessos ao arraial.
Ø  Comandada pelo major Febrônio de Brito, depois de atravessar a serra do Cambaio, uma segunda expedição militar contra Canudos foi atacada no dia 18 e repelida com pesadas baixas pelos conselheiristas, que se abasteciam com as armas abandonadas ou tomadas à tropa. ]
                      3ª expedição:
Ø  Março de 1897 - Na capital do país, diante das perdas e a pressão de políticos florianistas que viam em Canudos um perigoso foco monarquista.
Ø  O governo federal assumiu a repressão, preparando a primeira expedição regular, cujo comando confiou ao coronel Antônio Moreira César (popularmente conhecido como "corta-cabeças" por ter mandado executar mais de cem pessoas a sangue frio na repressão à Revolução Federalista em Santa Catarina).
Ø  Depois de ter sofrido pesadas baixas, causadas pela guerra de guerrilhas na travessia das serras, a força, que inicialmente se compunha de 1.300 homens, assaltou o arraial. Moreira César foi morto em combate, tendo o comando sido passado para o coronel Pedro Nunes Batista Ferreira Tamarindo, que também tombou no mesmo dia. Abalada, a expedição foi obrigada a retroceder.

4ª expedição:
Ø  Abril de 1897 – A repercussão da derrota foi enorme no Rio de Janeiro, principalmente porque se atribuía ao Conselheiro a intenção de restaurar a monarquia.
Ø  Junho até outubro de 1897 - Após várias batalhas, a tropa conseguiu fechar o cerco sobre o arraial. Antônio Conselheiro morreu em 22 de setembro, de uma disenteria.
Ø  Após receber promessas de que a República lhes garantiria a vida, uma parte da população sobrevivente se rendeu com bandeira branca (Apesar das promessas, todos os homens presos, e também grupos de mulheres e crianças acabaram sendo degolados - uma execução sumária que se apelidou de "gravata vermelha").
Ø  O um último reduto resistiu na praça central do povoado até 5 de outubro de 1897, quando morreram os quatro derradeiros defensores. O cadáver de Antônio Conselheiro foi exumado e sua cabeça decepada a faca. No dia 6, quando o arraial foi arrasado e incendiado, o Exército registrou ter contado 5.200 casebres.

e)    RESULTADO DO CONFLITO:
Ø  Estima-se que morreram ao todo por volta de 25 mil pessoas, culminando com a destruição total da povoação.

f)     CONCLUSÃO:
Ø  A guerra de canudos é o retrato de como o governo republicano, a oligarquia cafeeira, tratava as questões sociais.
Ø  A grande quantidade de vidas perdidas, de ambos os lados, apontam para um dos capítulos mais trágicos da nossa república.

REFERÊNCIAS:
BENÍCIO, Manoel. O Rei dos Jagunços: crônica histórica e de costumes sertanejos sobre os acontecimentos de Canudos.  2 ed. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1997.
BOMBINHO, Manuel Pedro das Dores. Canudos, história em versos. 2 ed. São Paulo: Hedra, Imprensa Oficial do Estado e Editora da Universidade Federal de São Carlos, 2002. p. 340. Disponível em https://books.google.com.br/books?id=WHRfAAAAMAAJ. Acesso em 14 de abril de 2016.
GALVÃO, Walnice Nogueira. No Calor da Hora - a guerra de Canudos nos jornais (São Paulo: Ática. 1977).

SILVA, José Calasans Brandão da.  No Tempo de Antônio. Salvador: Aguiar & Souza, 1959. p. 121. Disponível em https://books.google.com.br/books?id=3dFmAAAAMAAJ. Acesso em 14 de abril de 2016. 

sábado, 9 de abril de 2016

TRÊS VISÕES SOBRE A ESCRAVIDÃO

Prof. Douglas Barraqui

A pobreza e o agravamento das desigualdades sociais, em várias partes do mundo, é um triste fenômeno da globalização. Esse fenômeno trouxe a tona escravidão, que podemos chamar hoje de “escravidão contemporânea”.

Poderosas e grandes empresas, latifundiários, pessoas poderosas e influentes utilizam a mão de obra humana submetendo-as a condições análogas à de escravos por meio de subcontratações com a finalidade de baratear suas mercadorias para que se tornem competitivas no mercado econômico mundial.

Veja abaixo a definição de escravidão em autores como Gilberto Freyre, Boris Fausto e Jacob Gorender:

CASA-GRANDE E SENZALA

“Nos engenhos, tanto nas plantações como dentro de casa, nos tanques de bater roupa, nas cozinhas, lavando roupa, enxugando prato, fazendo doce, pilando café; nas cidades, carregando sacos de açúcar, pianos, (...) os negros trabalharam sempre cantando: seus cantos de trabalho, tanto quanto os de xangô, os de festa, os de ninar menino pequeno, encheram de alegria africana a vida brasileira. Às vezes de um pouco de banzo: mas principalmente de alegria. (...)”

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 31. ed. Rio de Janeiro: Record, 1996. p. 463.

A SOCIEDADE COLONIAL

“(...) A escravidão foi uma instituição nacional. Penetrou toda a sociedade, condicionando seu modo de agir e de pensar. O desejo de ser dono de escravos, o esforço para obtê-los ia da classe dominante ao modesto artesão das cidades. Houve senhores de engenho e proprietários de minas com centenas de escravos, pequenos lavradores com dois ou três, lares domésticos com apenas um escravo. O preconceito contra o negro ultrapassou o fim da escravidão e chegou modificado a nossos dias. Até pelo menos a introdução em massa de trabalhadores europeus no centro-sul do Brasil, o trabalho manual foi socialmente desprezado como ‘coisa de negro’.”

FAUSTO, Boris. História concisa do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial/Edusp, 2001. p. 33.

A ESCRAVIDÃO REABILITADA

“Os escravos eram seres humanos oprimidos pelo mais duro dos regimes de exploração de trabalho. Não escapavam ilesos às degradações impostas por este regime. Enfrentavam-nas com sofrimento, humor, astúcia e também egoísmo perverso. Escravos agrediam escravos em disputas por mulher para entregá-los a capitães do mato ou para roubá-los. Mulheres escravas faziam da sedução sexual de homens livres o caminho para o bem-estar e a liberdade”.


GORENDER, Jacob. A escravidão reabilitada. São Paulo: Ática, 1991. v. 23, p. 121. (Série Temas: Sociedade e Política.)

Referências:

FAUSTO, Boris. História concisa do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial/Edusp, 2001. p. 33.

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 31. ed. Rio de Janeiro: Record, 1996. p. 463.

GORENDER, Jacob. A escravidão reabilitada. São Paulo: Ática, 1991. v. 23, p. 121. (Série Temas: Sociedade e Política.)