quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

UM MONARCA EM APUROS

Prof. Douglas Barraqui

O movimento republicano
Homenagem da Revista Ilustrada à proclamação da república brasileira


O ideal de república não era novo no país e se divide em duas fases: durante o Período colonial, significou a revolta contra a metrópole, é o que a autora  do livro “Da Monarquia a Republica”, Emila Viotti Costa, chama de republicanismo utópico e após independência:, que significou uma oposição ao governo.

O partido republicano surge em 1870, sua origem está no partido liberal, que em 1868 cindiu-se em duas alas: radicais e moderados. Dentro da ala dos radicais que vai evoluir o ideário republicanismo.

De 1870 até 1889 o partido republicano ampliou sua influência. Foram criados vários clubes e jornais, e essa ampliação do ideário de república se dá graças a propaganda feita por esses órgãos, que se concentraram preferencialmente no sul, segundo o qual 73% dos jornais e 89% dos clubes, localizavam-se nessas províncias. Portanto, o sul do país demosntrava que era o grande emissor da propaganda republicana.


Grande parte do corpo militante do movimento republicano era composto por fazendeiros, rompendo com a idéia de que as zonas rurais eram predominantemente conservadoras. Os dirigentes do movimento deixavam bem claro em não ter nada a ver com a questão abolicionista (o que não significava que alguns de seus membros fossem simpáticos ao fim do escravismo) a fim de conservarem a simpatia com os fazendeiro. Quando a participação no movimento era preponderante a presença de elementos do oeste paulista em detrimento do Vale do Paraíba. Emília Viotti da Costa, diz que o Oeste Paulista configurava-se em uma zona pioneira e que destacava-se pelo espírito progressista: pioneiros na substituição da mão de obra escrava pela de imigrantes, ampliação de ferrovias e organismos de credito, a própria população era mais diversificada profissionalmente, formação de uma mentalidade mais urbana do que rural devido que os fazendeiros viviam boa parte do ano nas cidades. Portanto em São Paulo os fazendeiros formavam o núcleo mais importante do partido republicano, já no Rio de Janeiro e demais províncias era constituída por representantes da camada urbana.


O partido republicano se dividia em duas tendências: A revolucionária, idealizava a revolução popular, o povo deveria fazer a revolução e a evolucionista, acreditavam que se chegaria a republicanismo pelo modo pacífico, através da via eleitoral. Essa ala evolucionista é a vencedora no congresso realizado em são Paulo em 1889, e Quintino Bocaiúva é indicado para a chefia do partido.

A solução militarista


É em 1887 que a chefia do partido começa a cogitar na possibilidade de recorrer ao exército a fim de derrubar a monarquia e instaurar a república. A questão militar era explorada pelos republicanos a fim de colocar os militares contra a monarquia, e assegurava-lhes incondicional apoio. A autora explica que não havia uma questão militar e sim várias: a primeira data do fim da Guerra do Paraguai; difusão do positivismo de conte nas escolas militares, principalmente com a ação de Benjamin Constant; entre os militares havia a difusão da convicção de que os homens de farda eram “puros” e “patriotas”, e estavam ansiosos para corrigir os vícios da organização política do país, ao contrário dos civis corruptos e sem nenhum sentimento patriótico. Dentro do corpo militar havia certamente profundas divergências, mas a adesão de uma facção, mais ou menos importante, à idéia de república foi decisiva para a proclamação da mesma. Emília argumenta que: "A república nasce sobre o signo do exército".


Tentativas de frear o movimento



O movimento abolicionista e a propaganda republicana faziam generalizar a impressão de que a monarquia estava com seus dias contados. Foram então deixadas algumas palavras proféticas pelo Barão de Cotegipe, disse ele: 

“não se apresse a correr para ela que ela está correndo para nós. O meu ministério caiu por uma conspiração do palácio, o meu sucessor sairá na ponta das baionetas e talvez com ele a Monarquia.”


Ouro Preto, quem assumira o ministério em 1889, tinha a plena convicção dos riscos que estava por enfrentar. E deste modo era necessário neutralizá-la, não por meio da violência ou repressão, mas sim demonstrando a elasticidade do regime monárquico, por intermédio de reformas políticas, sociais e econômicas, inspiradas na escola democrática. Inicia-se então o programa de reformas: ampliação da representação; plena autonomia das províncias; liberdade de culto religioso; temporariedade do senado; liberdade de ensino; lei de terras que facilitasse sua aquisição; estabelecimento de créditos; elaborar um código civil; reformas no conselho de Estado dentre outras reformas de nítido carater liberal.
"Proclamação da República", 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927). Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo


Pedro Luiz Soares de Souza, deputado do Rio de Janeiro, pergunta a Ouro preto: “é o começo da República?”, ao que lhe respondeu Ouro Preto: “não, é a inutilizarão da República.” A câmara recuou diante das medidas, que pareciam demasiadamente radicais. O que testemunhando, portanto, a incapacidade dos grupos dominantes em aceitar as reformas necessárias para inutilizar o movimento republicano sem a repressão. O fato é que seria impossível realizar tais reformas dentro dos quadros da monarquia.


O golpe de 15 de novembro


Com a dissolução da câmara a situação se agravou. Ouro preto tomou algumas medidas que desagradaram os militares e foram amplamente utilizadas pelos republicanos, que se aproveitando do momento de inquietação, passaram a insistir com os militares para que se colocassem à frente do movimento republicano. Em 11 de novembro, Rui Barbosa, Benjamin Constant, Aristides Lobo, Bocaiúva, Glicério e o coronel Sólon reuniram-se na casa de Deodoro a fim de convencê-lo a tomar partido. Assim em 15 de novembro era proclamada a República, por um golpe militar, conjugando três forças: O exército, fazendeiros do Oeste Paulista e Representantes da classe média urbana.


O ano de 1889, todavia, não significou uma ruptura do quadro histórico do Brasil: As condições de vida do trabalhador rural continuaram as mesmas; Permaneceu o sistema de produção e o caráter colonial da economia e persistia a dependência em relação ao mercado externo e ao capital estrangeiro.
 
Proclamação da República no Rio de Janeiro (por Georges Scott, publicado em Le Monde Illustré, nº 1.708, 21/12/1889).
Referência:


COSTA, Emilia Viotti da. Da Monarquia a Republica: momentos decisivos. 5. ed. - São Paulo: Brasiliense, [1989?]. 361p. ISBN 8511130462 (broch.).

A VERDADE ESTÁ NO MUNDO REAL E A BUSCA PELA FELICIDADE: ARISTÓTELES

Prof. Douglas Barraqui


1.1           ARISTÓTELES: A IMPORTÂNCIA DA REALIDADE SENSORIAL

A)   CONTEXTO HISTÓRICO:
Ø  Aristóteles nasceu em 384 a. C., em uma família de médicos, na cidade de Estagira (por isso ele também é chamado de estagirita).
Ø  Foi discípulo de Platão.
Ø  Professor de Alexandre o Grande.
Ø  Fundou a sua escola: Liceu.

B)    DIFERENÇAS ENTRE PLATÃO E ARISTÓTELES:
PLATÃO
ARISTÓTELES
Ø  Matemática como meio de se alcançar o conhecimento verdadeiro.
Ø  Experimentalismo como forma de se alcançar o conhecimento verdadeiro (empirismo – usos dos sentidos).
Ø  Dualidade: mundo sensível e inteligível.
Ø  Mundo sensível (material).
Ø  Beleza (bom e belo) percebida através do pensamento, só existe no mundo das idéias (inteligível).
Ø  Beleza percebida através dos sentidos, propriedade do ser (admite o feio como valor estético).
Ø  Idealista
Ø  Realista

C)    A METAFÍSICA:
Ø  É o estuda das causas primeiras.
Ø  A metafísica (busca a essência das coisas), portanto, FILOSOFIA PRIMEIRA.
Ø  É o mais alto grau de conhecimento que o ser humano pode alcançar sobre o mundo do ser.
Ø  A mais difícil e a mais ampla de todas as ciências.
Ø  A filosofia aristotélica busca o conhecimento daquilo que está além do mundo empírico (uma realidade METAEMPÍRICA).

D)   A LÓGICA:
Ø  Para Aristóteles para se chegar ao conhecimento verdadeiro deve-se obedecer a regras lógicas.
Ø  A lógica nos permite avaliar as idéias em argumentos.
Ø  Para que uma conclusão seja correta, a argumentação deve ser lógica.

I.                    Tipos de Argumentação:

1)      Indução (analogia):
ü  O RACIOCÍNIO parte da experiência PARTICULAR em direção ao UNIVERSAL para se chegar a uma CONCLUSÃO LÓGICA.
ü  A experiência PARTICULAR permite alcançar por meio de uma GENERALIZAÇÃO uma LEI GERAL.
ü  A conclusão pode ser forte ou fraca, depende do numero de seres observados.
Ex.
·         Urubu é um pássaro que voa,
·         Pardal é um pássaro que voa,
·         Pombo é um pássaro que voa,
·         Logo, todos os pássaros voam.

2)      Dedução (silogismo):
ü  O RACIOCÍNIO parte da experiência UNIVERSAL em direção ao PARTICULAR para se chegar a uma CONCLUSÃO LÓGICA.
ü  O silogismo é formado por uma PREMISSA MAIOR (P) (verdade) somada a uma PREMISSA MENOR (p) para se chegar a uma CONCLUSÃO LÓGICA (C).
P+p=C
Ex.
·         Todo brasileiro é sul-americano. (Premissa maior)
·         Ora, todo paulista é brasileiro. (Premissa menor)
·         Logo, todo paulista é sul-americano. (Conclusão)


E)     COMO COMPREENDER A REALIDADE: A TEORIA DO CONHECIMENTO
Livro: “Metafísica”
Ø  A realidade pode ser compreendida através da observação (sentidos).
Ø  A realidade é constituída pelo concreto e mutável.
Ø  É na realidade que, através do experimentalismo, o ser humano deve buscar a verdade.
Ø  O sujeito cognoscente (ser pensante) deve partir dos dados sensíveis (pelo método indutivo) para chegar a verdade universal ou essência do ser.

Alguns conceitos em Aristóteles são importantes para compreender o mundo sensível, material:

I.                    MATÉRIA E FORMA:
1)      Matéria:
ü  A matéria é o que compõe o mundo físico.
ü  O que constitui as coisas.
ü  Um princípio que individualiza o ser.
ü  É tudo aquilo que é perceptível aos nossos sentidos e contem a potência (possibilidade) de se transformar em outra coisa.
Ex.: Madeira, pedra

2)      Forma:
ü  É a maneira com a qual a matéria de cada ser (coisa) se individualiza e se dispõe.
ü  É a essência da matéria.
Ex.: Cadeira, mesa

II.                  SUBSTÂNCIA E ACIDENTE:
1)      Substância:
ü  Definições:
a)      Existência particular, característica individual e única do ser (essências individuais)
b)      Objeto da metafísica, que busca encontrar a metafísica do ser (fundamento)
Ex.: Cedro, mármore

2)      Acidente:
ü  Característica circunstancial do ser.
ü  Varia, mas sem mudar a sua essência.
Ex. cor dos olhos, azuis ou castanho possuem a mesma função; dedos, curtos ou largos possuem a mesma função.
Ex.: Madeira roxa, Mármore rosa

III.                NECESSIDADE E CONTINGÊNCIA:
Características do ser:
1)      Necessário: aquilo que é necessário para que o ser exista (a substância).
Ex. Cadeiras e mesas precisam da madeira e da pedra.
2)      Contingentes: aquilo que é dispensável para a existência do ser (os acidentes).
Ex.: Cadeira pode ser de madeira roxa ou vinho, terá mesma função. A mesa pode ser de mármore rosa ou branco, ainda assim terá a mesma função.

IV.                POTÊNCIA E ATO:
1)      Potência:
Está relacionado com a matéria que possui potencial para ser transformado, ex.:
ü  A madeira é a potencia da cadeira.
ü  A pedra é a potencia da espada.
2)      Ato:
Está relacionado com a Forma que assume o ser após ser transformado.
 Ex.:
ü  A cadeira é o ato da madeira.
ü  A espada é o ato do ferro.
ü  A moeda é o ato da prata.
Ø  Os seres se transformam da potência para o ato.
Ø  A FORMA por ser sempre o ato, é o REAL.
Ø  A MATÉRIA por ser sempre uma potência, é o POSSÍVEL.
Ø  O REAL é MAIS PERFEITO do que o POSSÍVEL.
Ø  Logo, a FORMA é MAIS PERFEITA do que a MATÉRIA.


V.                  A TEORIA DAS 4 CAUSAS:
1)      Causa material: é a matéria que forma a coisa ou  o ser. (ex. a madeira e a causa material da cadeira)
2)      Causa formal: é a forma ou modelo da coisa ou do ser. (ex. a cadeira para ser a cadeira precisa ter quatro pés e um acento).
3)      Causa eficiente: aquele que realiza a transformação (criador). (ex. carpinteiro é a causa eficiente da cadeira).
4)      Causa final:  é o objetivo, o porquê das coisas, sua finalidade. (ex. a cadeira serve para sentar).
Todas as coisas têm um propósito e devem cumprir sua finalidade.


F)     ÉTICA: A MEDIANIA OU JUSTIÇA MEDIDA
Ø  Diz respeito ao comportamento das pessoas em sociedade.
Ø  O PRINCÍPIO BÁSICO e fundamental que guia o pensamento de Aristóteles é a noção de FELICIDADE. (todas as ações humanas devem ser para buscar a felicidade).
Ø  Felicidade não está nas coisas materiais ou nos prazeres da carne.
Ø  Felicidade consiste na realização da racionalidade através das virtudes (justa medida / mediania).
Ø  justa medida / mediania seria a justa medida entre o excesso e a falta (busca pelo equilíbrio).
Ø  As escolhas racionais devem vencer os instintos e os prazeres.
Ø  O homem não nasce bom, torna-se bom a partir do exercício da virtude, atingindo assim a felicidade.

Escolhas racionais (virtute) equilíbrio = felicidade

G)   A CIDADE E O CIDADÃO POLÍTICO
Ø  O ser humano é um “animal político” (as pessoas nasceram para viver em comunidade).
Ø  A felicidade está em viver em sociedade.
Ø  Justifica a escravidão como meio para que o cidadão tenha tempo para se dedicar a política.
Ø  O governo (de um só homem ou de vários homens) tem o dever de garantir o bem comum. Aristóteles classifica as formas de governo: MONARQUIA (despotismo ou tirania), ARISTOCRACIA (oligarquia) e POLITÍA (democracia ou demagogia). Para Aristóteles a democracia seria uma governo alheio ao bem comum por favorecer os mais pobres.

REFERÊNCIAS:
 ARANHA, Maria Lúcia. Filosofando: Introdução á Filosofia. São Paulo: Moderna, 1993.
 BUZZI, Arcângelo. Introdução ao Pensar. Petrópolis; ed. Vozes, 1997.

CHAUÍ, Marilena. Convite á Filosofia. São Paulo,10ª. Ed.,Ática,1998.

CONTIM, Gilberto. Fundamentos de Filosofia -História e Grandes Temas. São Paulo;Editora Saraiva, 2000.

 GAARDEr, Jostein. O Mundo de Sofia. São Paulo; Cia. Das Letras, 1995.

GILES, Thomas Ransom. Introdução á Filosofia. São Paulo; Epu, 1979.

LICKESI, C. Carlos. Introdução á Filosofia - Aprendendo a Pensar.2ª. Ed. São Paulo.

Cortez,1996. MONDIM, Battista. Curso de Filosofia. 8ªEd. São Paulo; Paulus,1981 - Volume I, II e III.

MORENTE, Manuel Garcia. Fundamentos de Filosofia - Lições Preliminares. São Paulo; Mestre Jou,1980.

POLITZER, G. Princípios. Fundamentais de Filosofia. São Paulo; Hemus, 1995.