sábado, 12 de março de 2011

Os olhos da história sobre o Hino Nacional Brasileiro: Uma análise crítica


Por Douglas Barraqui

O Hino Nacional Brasileiro, cantado – ou pelo menos se tenta cantá-lo - nos jogos de futebol ou em solenidades específicas, é muito pouco conhecido em sua totalidade historiográfica e, por sua complexidade de significados simbólicos, é incompreensível aos ouvidos dos brasileiros. Um Hino Nacional que deveria ser um instrumento patriótico, um patrimônio linguístico e semiológico da nação acaba por ter sua letra decorada como uma tabuada, e de forma precária, pelos filhos de sua pátria.

Comprado por cinco contos de reis pelo então presidente da república Epitácio Pessoa, os direitos plenos sobre a letra do hino foram garantidos pelo decreto de nº 4.559 de 21 de agosto de 1922. Originalmente a música fora composta em 1831, para ser tocada em banda, pelo maestro Francisco Manuel da Silva e se chamava “Marcha Triunfal”.  Tornou-se muito popular por conter versos que comemoravam a abdicação de D. Pedro I. Posteriormente sua letra foi alterada por Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva e a composição, devido à popularidade, era extra-oficialmente considerada como o Hino Nacional Brasileiro. Na República abriu-se concurso para oficializar o Hino Nacional, quem ganhou foi Leopoldo Miguez. Todavia, a versão de Francisco Manuel da Silva era muito popular entre os brasileiros que se recusavam em cantar o novo hino ("Liberdade, liberdade! Abre as asas sobre nós!..."). Assim a composição de Francisco foi oficializado por Deodoro da Fonseca, então primeiro presidente, como Hino Nacional Brasileiro e a letra de Leopoldo Miguez passaria a ser o Hino da Proclamação da República.

Joaquim Osório Duque Estrada, jornalista carioca, crítico literário, integrante da Academia Brasileira de Letras, copos a letra para o Hino Nacional tendo ela sido oficializada durante o centenário da Proclamação da República em 1922. A letra então foi comprada por Epitácio Pessoa em 21 de agosto do mesmo ano.

A letra original é a seguinte:
I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o Sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor desta igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao Sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques tem mais vida,"
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Como devemos olhar o Hino Nacional com os olhos da historiografia? Devemos julgar sua fidelidade aos fatos históricos? Devemos fazer uma analise semiótica, ou seja, da linguagem conforme sua origem?  Pois bem: a princípio quando lemos à letra do Hino Nacional, percebemos um vocábulo demasiadamente complexo com palavras de difícil pronuncia e significados. Para uma sociedade, do início do século XX, com elevado grau de analfabetismo, a dificuldade semântica das palavras dava ao Hino Nacional uma grande falta de clareza. Logo, o mesmo não foi composto com intuito lançar uma ideologia sobre os brasileiros. Se este era o objetivo o Duque Estrada ficou pelo caminho. Observe nos versos abaixo a falta de clareza:

"Brasil, um sonho intenso, um raio vívido",
"Se em teu formoso céu, risonho e límpido",
"Fulguras, ó Brasil, florão da América",
“'Nossa vida' no teu seio 'mais amores' ";
"O lábaro que ostentas estrelado e diga verde-louro desta flâmula".

Por ser um cântico pátrio, sua letra deveria ser fácil e de memorização prática o que facilitaria sua reprodução. Todavia, a letra do Hino gera um fenômeno muito comum e ao mesmo tempo criticado pelos mais patriotas: o de que o povo brasileiro, em uma boa parcela, simplesmente não sabe cantar o Hino de sua pátria. A complexidade da letra do Hino acaba indo em direção contrária ao sentimento de nacionalismo brasileiro.

Com ajuda do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa observe como os versos do Hino podem ser, em até certo ponto, incompreensíveis para grande maioria dos brasileiros:

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas”
Plácidas: serenas, tranquilas;

“De um povo heróico o brado retumbante
Brado: grito;
Retumbante: que retumba, refletir ou repetir com estrondo;

E o Sol da liberdade, em raios fúlgidos”
Fúlgidos: brilhantes;

“Se o penhor desta igualdade”
Penhor: garantia, prova;

“Brasil, um sonho intenso, um raio vívido”
Vívido: luminoso, brilhante;

“Se em teu formoso céu, risonho e límpido,”
Límpido: claro;

“A imagem do Cruzeiro resplandece.”
Resplandece: brilha;

“És belo, és forte, impávido colosso,”
Impávido: destemido;
Colosso: agigantado, descomunal;

“Fulguras, ó Brasil, florão da América,”
Fulguras: brilha;
Florão: Objeto circular, em forma de flor, em uma abóbada;

“Do que a terra mais garrida,”
Garrida: (incógnita – o que pode ser encontrado é somente a definição de sineta, pequeno sino);

“O lábaro que ostentas estrelado,”
Lábaro: estandarte dos exércitos romanos
Ostentas: mostrar, exibir;

“E diga o verde-louro dessa flâmula”
Flâmula: bandeira estreita;

“Mas, se ergues da justiça a clava forte,”
Clava: pau pesado, utilizado como arma.

São uma média de dezesseis palavras de elevado grau de compreensão que até mesmo para a pessoa mais letrada pode oferecer dificuldade. Com um olhar mais aguçado podemos perceber ainda a redundância em duas duplas de versos:


"E o Sol da liberdade, em raios fúlgidos/Brilhou", quer dizer: os raios brilhantes brilharam.

“Gigante pela própria natureza / És belo, és forte, impávido colosso", quer dizer: que é gigante pela própria natureza, é belo, é forte, gigante destemido.

Partindo para uma analise da fidelidade do Hino aos fatos históricos, a letra carrega consigo uma série de distorções da verdade ou pode ter sido assim composto para ocultar algumas verdades, veja:
“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante”

O tão famoso Grito do Ipiranga teria sido desferido por D. Pedro I em uma viagem de retorno da cidade de Santos, as margens do Rio Ipiranga. O trecho nos remete ao uma idéia de um povo que lutou e esteve envolvido diretamente no processo de emancipação do Brasil. Todavia, com uma boa leitura de Estilaque Ferreira Santos, Manoel Oliveira Lima, bem como de outros autores, percebemos que o povo brasileiro em sua totalidade esteve letárgico aos acontecimentos, ou seja, o povo não participou diretamente do processo de emancipação.

“E o Sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.”

A emancipação ocorreu de fato para as elites que se viram livres das amarras econômicas e políticas de Portugal antiga metrópole. A emancipação do Brasil foi em primeiro momento reconhecida pelos EUA, calcada na Doutrina Monroe da “América para os americanos” e graças a tutela da Inglaterra que fez  o empréstimo ao Brasil de dois milhões de libras para pagar a indenização à Portugal.

“Se o penhor desta igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,”

A desigualdade social no Brasil é uma problemática anacrônica e de raízes históricas profundas. Se hoje ela é tão presente, imagine no início do século XX, quando negros, indígenas, mulheres e analfabetos foram deixados a margem da primeira carta constituinte republicana. Essa suposta igualdade que conseguimos conquistar com braços fortes, remete a idéia de um processo de ruptura pautado por lutas sociais com ampla participação popular quando na verdade, diferentemente do que ocorreu nos processos de independência da América inglesa e espanhola, nossa independência foi pacífica e com participação popular anulada. Alguns casos reacionários isolados no norte e nordeste, mas nada que se demonstrasse um conflito com o povo brasileiro amplamente engajado.

“Mas, se ergues da justiça a clava forte,”

Ao longo de sua história o Brasil passou por 8 Cartas Constituintes e só foi conhecer a democracia na última documento de 1988. Em contra partida os EUA possuem apenas uma Carta, aprovada pela Convenção Constitucional da Filadélfia de 1787. A Constituinte dos EUA está longe de ser um exemplo de leis fundamentais para um país, todavia, o Brasil passou por turbulentas transições políticas ao longo de sua história e ainda sim as leis de nossos país não são aplicadas da mesma forma para todos. Leis que geram interpretações dúbias, criticadas por juristas pela sua ineficiência, morosidade e falta de imparcialidade.

CONCLUSÃO

É nítida a intenção de engrandecer a pátria, mostrar sua força, beleza e união em Hinos oficiais de outros países. Esta também foi à intenção do Hino Nacional do Brasil, todavia, fruto de um concurso, ele acabou por destoar da verdadeira história do país.

Devemos ainda salientar que a complexidade linguística na letra do Hino se deve a conjuntura do fim do século XIX e início do século XX,  contexto de grande efervescência positivista e romântica. Complexidade esta que acaba por dificultar sua compreenção.

Muito embora sua obrigatoriedade, desde 2009, nas escolas públicas e particulares de ser cantado pelo menos uma vez por semana, os dois fatores mencionados fazem com que o Hino brasileiro seja pouco conhecido em sua totalidade. Para muitos é considerado um Hino muito belo desde sua melodia a sua letra. Para outros, mais conhecedores da história do Brasil, gera polêmicas e críticas. E querendo, ou não, é um dos símbolos de nossa pátria amada Brasil.

Bibliografias:

SANTOS, Estilaque Ferreira dos. A monarquia no Brasil: o pensamento político da independência. Vitória, ES: EDUFES, 1999. 335p. - (CEG Publicações ; n.4)

LIMA, Manoel Oliveira. O movimento da independencia: 1821-1822. Sao Paulo: Melhoramentos, 1922.

DECRETO N. 4.559 – DE 21 DE AGOSTO DE 1922. Disponível em: http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=31461. Acesso em 12 de março de 2011.

Lei que trata dos Símbolos Nacionais, entre eles o Hino Nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5700.htm. Acesso em 12 de março de 2011.

terça-feira, 8 de março de 2011

As palavras de um veterano da guerra: por um mundo melhor

Meus caros leitores o que lerão abaixo não é somente um depoimento de um soldado ferido no front de batalha de uma guerra e decepcionado com seu país. Antes de tudo é um depoimento lúcido, que mostra uma realidade que está escancarada para todos que quiserem ver a barbárie da ocupação do Iraque.

A fachada é o discurso de levar a democracia ao mundo. Como se democracia fosse a melhor forma de governo para povos de culturas tão distintas ou como se eles pedissem a democracia. A verdadeira face do conflito, nas palavras do veterano de guerra Mike Prysner, é o preconceito racial. Uma manobra opulenta que coloca oprimidos de uma país contra oprimidos de outro país.  

Mike Prysner, assim como outros veteranos de guerra, assumiram publicamente sua indignação e revolta contra a ocupação do Iraque. Seu relato nos mostra que os EUA “comercializam guerras” em troca de petróleo em troca de altas cifras.

Leiam por favor:

“Eu me esforcei para ter orgulho do meu serviço, mas tudo o que conseguia sentir era vergonha. O racismo não podia mais mascarar a realidade da ocupação. Eles eram gente, eram seres humanos. Desde então passei a sentir culpa toda vez que via homens idosos, como o que não podia andar e carregamos numa maca até que a polícia iraquiana pudesse levá-lo. Sentia culpa toda vez que via uma mãe com suas crianças, como a que chorava histericamente, gritando que nós éramos piores que Saddam enquanto a obrigávamos a sair de sua casa. Eu sentia culpa toda vez que via uma garota jovem, como a que eu agarrei pelo braço e arrastei para a rua.
Disseram-nos que lutaríamos contra terroristas. O verdadeiro terrorista era eu. E o verdadeiro terrorismo é essa ocupação. O racismo nos militares tem sido, durante muito tempo, uma ferramenta importante para justificar a destruição ou ocupação de outro país. Tem sido usado muito tempo para justificar a morte, subjugação ou tortura de outro povo. Racismo é uma arma vital usada por esse governo. É uma arma mais poderosa que um rifle, um tanque, um bombardeiro ou um navio de guerra. É mais destrutivo do que um projétil de artilharia, um anti-bunker ou um míssil Tomahwk. Apesar de nosso país fabricar e produzir essas armas, elas são inofensivas sem pessoas dispostas a usá-las.
Aqueles que nos mandam para a guerra não têm de apertar um gatilho ou lançar morteiros. Eles não precisam lutar na guerra, sua função é vender a guerra. Precisam de um público que esteja de acordo em mandar seus soldados para o perigo. Precisam de soldados dispostos a matar e serem mortos sem questionar. Eles podem gastar milhões em uma simples bomba, mas essa bomba só se torna uma arma quando as divisões militares estão dispostas a seguir as ordens de usá-la. Eles podem mandar um soldado a qualquer parte da Terra, mas só haverá guerra se um soldado concordar em lutar.
E a classe dominante, de bilionários que lucram com o sofrimento humano, se preocupam somente em expandir sua riqueza, em controlar a economia mundial. Compreendam que seu poder consiste somente na habilidade de nos convencer de que a guerra, a opressão e exploração são de nosso interesse. Eles sabem que a riqueza deles depende da habilidade de convencer a classe operária a morrer para controlar o mercado de outro país. E nos convencer a matar e a morrer, é baseado na habilidade deles de nos fazer pensar que somos, de alguma forma, superiores.
Soldados, marinheiros, marines, aviadores, não têm nada a ganhar com essa ocupação. A grande maioria das pessoas vivendo nos Estados Unidos não tem nada a ganhar com essa ocupação. Na verdade, nós não somente temos o que ganhar, como sofremos mais por causa disso. Nós perdemos membros e damos nossas vidas de forma traumática. Nossas famílias têm que ver caixões com bandeira descendo a terra. Milhões nesse país sem assistência médica, trabalho ou acesso à educação, e nós vemos o governo gastar 450 milhões de dólares por dia nessa ocupação. Pessoas pobres e trabalhadoras desse país são mandadas para matar pessoas pobres e trabalhadoras de outro país e fazer os ricos mais ricos.
Sem o racismo, os soldados perceberiam que têm muito mais em comum com o povo do Iraque do que com os bilionários que nos mandam para a guerra. Eu joguei famílias para a rua no Iraque, mas somente para chegar em casa e encontras famílias jogadas às ruas nesse país, nessa trágica e desnecessária crise imobiliária.
Devemos acordar e perceber que nosso verdadeiro inimigo não está em alguma terra distante e não são pessoas cujo nome não conhecemos ou não entendemos a cultura. O inimigo é gente que conhecemos muito bem, e que podemos identificar. O inimigo é uma corporação que nos despede de nosso trabalho quando é lucrativo; é uma companhia de seguros que nos nega assistência quando é lucrativo; é o banco que toma nossas casas quando é lucrativo. Nosso inimigo não está a 5 mil milhas de distância, está bem aqui. Se nos organizarmos, e lutarmos juntos com nossos irmãos e irmãs, nós podemos parar essa guerra, nós podemos parar esse governo, e nós podemos criar um mundo melhor.”

Mike Prysner


sexta-feira, 4 de março de 2011

O Poço e o Pêndulo



“Impia tortorum longos hic turba furores
Sanguinis innocui, non satiata, aluit
Sospite nunc patria, fracto nunc funerisantro,
Mors ubi dira fuit vita salusque patent.”
 
“Aqui, a multidão ímpia dos carrascos,insaciada, alimentou sua sede violenta de sangue inocente. Agora, salva a pátria, destruído o antro do crime, reinam a vida e a salvação onde reinava a cruel morte.” (N. do E.) (Quadra composta para as portas de um mercado a ser erigido no terreno do Clube de Jacobinos, em Paris.)

Recentemente, tive a oportunidade de assistir o filme O Poço e o Pêndulo, inspirado no conto de Edgar Allan Poe, que viveu na primeira metade do século XIX, considerado por muitos como um dos mestres precursores da literatura de ficção científica e fantástica modernas. 

O Poço e o Pêndulo foi adaptado por duas vezes para o cinema. Uma primeira vez em 1961 e a última em 1991. Nesta última, a produção é da Full Moon, dirigida por Stuart Gordon e com roteiro escrito por Dennis Paoli. 

A Espanha no contexto da Inquisição é o cenário para trama que conta a história de um casal vivido pelos atores Jonathan Fuller e Rona de Ricci que tiveram o infeliz destino de cair nas mãos do famoso inquisidor Tomás de Torquemada, vivido brilhantemente pelo ator Lance Henriksen. De fato Torquemado, “O Grande Inquisidor” como foi conhecido, foi o inquisidor geral dos reinos de Aragão e Castela durante o século XV, bem como confessor da rainha Isabel a Católica. 

Não é minha intenção aqui contar-lhe o filme, tão somente fazer um prelúdio. O filme é muito bem ambientado. Tem lá suas lacunas em âmbito historiográficos, mas nada que prejudique o trabalho. Pode ser muito bem utilizado para trabalhar com alunos no estudo da Inquisição no medievo.