segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

E o salário ó!


Por Douglas Barraqui

Se ladrões pudessem legislar a seu favor; ou se pudessem decidir pelas jurisprudência de seus atos bandido algum estaria na prisão. E quando membros de cargos eletivos (mesmo que cargos eletivos não possam ser interpelados como categoria profissional) legislam a seu próprio favor?

É evidente que os deputados, assim como todas as categorias de trabalhadores, têm direito de reajustes salariais. A grande discrepância, mesmo que tentamos nos colocar no lugar dos deputados, é eles mesmos reajustarem os próprios salários e o pior acima de qualquer índice inflacionário.

Os deputados decidiram por eles mesmos em um aumento de 61,8%, assim seus míseros salários passaram de R$ 16,5 para 26,7 mil. Isso tudo fora a conjuntura de regalias e maracutaias que faz do cargo de deputado ser aspirado por analfabetos, personalidades falidas, atores e cantores sem sucesso e endividados. É auxilio moradia, verba para telefone, aluguel de escritório, correios isso para não dizer que eles recebem até o décimo quinto salário por ano.

O fato é que o aumento salarial dos deputados só nos parece esdrúxulos, para o caso do Brasil, quando percebemos a dantesca diferença entre a remuneração de outras categorias a exemplo de professores e médicos da rede pública, e profissionais da saúde de modo geral e policiais. É uma situação que gera no trabalhador, cidadão brasileiro, que vive das migalhas de R$ 510,00, o sentimento de traição, abandono e roubo. Um verdadeiro crime de “lesa-trabalhador” brasileiro.

O ideal e aceitável, até certo ponto, seria um reajuste vinculado ao reajuste dos cargos de legislativo e do executivo como presidente, ministros, governadores e secretários de Estado. Ou, o mais cabível, um reajuste que acompanhe o valor da inflação do país, isso sim é um reajustes. Agora o que foi feito pelos nossos representantes eu entendo, mesmo sendo leigo em leis, como inconstitucional e no mínimo antiético.

Eles merecem uma remuneração a altura do cargo? Sim. Mas, tenhamos clareza de qual é essa altura para que não fiquem tão altos e nós tão embaixo. Enquanto isso “e o salário ó”.

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