segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

E o salário ó!


Por Douglas Barraqui

Se ladrões pudessem legislar a seu favor; ou se pudessem decidir pelas jurisprudência de seus atos bandido algum estaria na prisão. E quando membros de cargos eletivos (mesmo que cargos eletivos não possam ser interpelados como categoria profissional) legislam a seu próprio favor?

É evidente que os deputados, assim como todas as categorias de trabalhadores, têm direito de reajustes salariais. A grande discrepância, mesmo que tentamos nos colocar no lugar dos deputados, é eles mesmos reajustarem os próprios salários e o pior acima de qualquer índice inflacionário.

Os deputados decidiram por eles mesmos em um aumento de 61,8%, assim seus míseros salários passaram de R$ 16,5 para 26,7 mil. Isso tudo fora a conjuntura de regalias e maracutaias que faz do cargo de deputado ser aspirado por analfabetos, personalidades falidas, atores e cantores sem sucesso e endividados. É auxilio moradia, verba para telefone, aluguel de escritório, correios isso para não dizer que eles recebem até o décimo quinto salário por ano.

O fato é que o aumento salarial dos deputados só nos parece esdrúxulos, para o caso do Brasil, quando percebemos a dantesca diferença entre a remuneração de outras categorias a exemplo de professores e médicos da rede pública, e profissionais da saúde de modo geral e policiais. É uma situação que gera no trabalhador, cidadão brasileiro, que vive das migalhas de R$ 510,00, o sentimento de traição, abandono e roubo. Um verdadeiro crime de “lesa-trabalhador” brasileiro.

O ideal e aceitável, até certo ponto, seria um reajuste vinculado ao reajuste dos cargos de legislativo e do executivo como presidente, ministros, governadores e secretários de Estado. Ou, o mais cabível, um reajuste que acompanhe o valor da inflação do país, isso sim é um reajustes. Agora o que foi feito pelos nossos representantes eu entendo, mesmo sendo leigo em leis, como inconstitucional e no mínimo antiético.

Eles merecem uma remuneração a altura do cargo? Sim. Mas, tenhamos clareza de qual é essa altura para que não fiquem tão altos e nós tão embaixo. Enquanto isso “e o salário ó”.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Valdenses: quem eram os verdadeiros pobres de Lyon

Por  Douglas Barraqui, Jéssica Veríssimo Lopes e Keila Nascimento

Tive a oportunidade de trabalhar com duas jovens e dedicadas alunas do curso de História da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); e o resultado foi um trabalho muito bem pesquisado, em termos de referência biografias, sobres o Valdenses “os verdadeiros pobres de Lyon”. O trabalho em equipe desenvolvido abaixo agregou valores fundamentais para que este se configurasse como uma pesquisa conceito “A”. Tomei liberdade de fazer algumas alterações quanto na estética, nada que comprometesse o conteúdo do trabalho, para que o mesmo aqui fosse publicado. Quero também lembrar que se trata de um trabalho para primeiras análises: feito a partir de levantamentos bibliográficos, portanto, sintético. Espero que apreciem.

O contraste riqueza e pobreza

Durante a Idade Média sabe-se que a riqueza e o poder da Igreja Católica eram frequentemente contestados. Inclusive esse era um dos principais argumentos dos hereges da época para acusá-la. Segundo Falbel, estes fatos despertaram em algumas almas pias o nobre desejo de restabelecer a vida pobre de Jesus e da Igreja primitiva, para poder influenciar o povo com a palavra e com o exemplo.

Homens, como Roberto de Arbrissel, fundador da Ordem Fontevrault; Noberto de Xanten, fundador da Ordem Premonstratense; Francisco de Assis em 1210, e seus companheiros cultivavam todo o ideal de pobreza apostólica e da pregação ambulante. Semelhantemente em seus princípios, os valdenses, grupo de pregadores leigos fundado por Pedro Valdo, acabou opondo-se à Igreja e se transformando em heresia.

Pedro Valdo e os pobres de Lyon

Os valdenses, também conhecidos como Pobres de Lyon ou lioneses por causa de sua origem e sabots porque usavam tamancos de madeiras, surgiram na cidade de Lyon, cidade populosa, importante centro comercial, mantinha relações comerciais com o Oriente, Itália e Germânia. O comércio gerou prosperidade econômica no local que, contudo, não possuía uma vida política estável.

Em 1173 Frederico I reconheceu ao arcebispo de Lyon os direitos de suserania sobre a cidade e a região ao redor. O poder eclesiástico passou a governar a cidade com direitos de justiça, de cunhar moedas e recrutar tropas. Enquanto isso, os condes de Forez arrecadavam as taxas sobre as terras e os direitos senhoriais sobre os campos circundantes. A situação econômica não garantia aos homens enriquecidos poder político, os quais se sentiam isolados. Lyon também abrigava uma multidão de fugitivos, pobres e esfarrapados. A Igreja exercendo os poderes eclesiástico e temporal e, sem interesse em desenvolver o comércio com os reinos vizinhos, criava tensões entre a rica burguesia mercantil e o poder espírito-temporal que regia a cidade.

Pedro Valdo era um rico comerciante que por volta de 1173 ficou profundamente abalado pela leitura das sagradas escrituras. Em relação a seu nome, há divergências entre Valdo, Valdesius, Vaudès. Quanto ao nome Pedro, diz-se que ele só o teria agregado tardiamente, na segunda metade do século XIV, justificado pelo desejo desses seguidores de fazer retroceder a origem histórica do movimento aos tempos apostólicos. Porém, autores de uma historiografia confessional protestante comungam com a idéia de que o movimento se originou por volta do século II, nos vales alpinos e piemonteses, donde teria se originado não só o nome da seita, mas também o de Valdo, um topônimo para um seguidor como tantos outros.

Temos então em Lyon um rico comerciante que em um domingo de 1173 escutava um artista ambulante. Muito interessado em suas palavras, Valdo o ouviu narrar a vida de santo Aleixo, um jovem que deixa a rica casa paterna indo para o Oriente e que ao regressar a Roma anos depois, vive durante muito tempo como mendicante, abrigando-se sob uma escadaria a porta da casa paterna, sem ser reconhecido.

Profundamente impressionado Valdo procura na manhã seguinte uma escola de teologia onde busca conhecimentos que lhe permitam salvar sua alma. Pergunta ao mestre qual a melhor maneira de alcançar a Deus e a vida eterna, recebendo como resposta a citação das palavras de Jesus ao jovem rico: “se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu, e vem, e segue-me” [1]. Alguns autores citam outras situações que teriam concorrido para a conversão de Valdo, como a morte repentina de um amigo durante uma reunião de mercadores. Outros mostram Valdo como um homem rico que, tendo ouvido frequentemente o evangelho, considerava compreender exatamente seu significado.

A pobreza voluntária pela renúncia extrema se tornara no século XII uma espécie de culto que levou homens, que reconheciam a riqueza e poder da Igreja como sendo, muitas vezes, a fonte de grandes males, a procurar restabelecer o modo de vida apostólico como meio de influir de maneira mais eficaz sobre o povo, juntando o exemplo à palavra.

Após sua conversão, Valdo se sentiu premido pela necessidade de salvar sua alma despertada pelo que lhe acontecera e, percebendo que o clero se preocupava demais com o exercício do poder temporal e a aquisição de bens e de menos com seu rebanho não podendo lhe oferecer soluções, decide procurá-las por si só e se entrega ao caminho da renuncia extrema e pobreza voluntária, que afinal não era nenhuma novidade, como o melhor meio de alcançar a vida eterna.

Assim decidido Valdo não esquece as necessidades familiares, dando à mulher, o direito de escolher entre seus bens móveis e os imóveis que compreendiam terras, bosques, campos, casas, águas, vinhedos, além de moinhos e fornos — o que nos dá uma idéia do montante de sua fortuna — tendo ela escolhido as propriedades. Coloca então suas duas filhas na Ordem de Fontevrault, que tinha ligações com o modo de vida que escolhera, dando a elas parte da fortuna como dote.

Além disso, reservou recursos para duas obras importantes: devolveu os bens que havia adquirido indevidamente e deu grande quantidade aos pobres. O evangelho que narra o encontro de Jesus com o rico publicano Zaqueu, por ocasião da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, quando este promete a Jesus dar metade de seus bens aos pobres e devolver valores quadruplicados àqueles a quem houvesse defraudado pode ser a justificativa para tão inusitada ação. A fortuna foi distribuída aos pobres durante a grande fome que assolou a região da Gália e da Germânia por volta de 1176. Também, encomendou a tradução do Evangelho para o provençal, fez um acordo com dois homens da Igreja para que um fizesse a tradução para a língua vulgar enquanto o outro a transcrevia. Essa ação teria peso importante no desenvolvimento das suas relações com a Igreja. Aos que não criam e o tomavam por louco, explicava que deixara de dar mais importância às riquezas que a Deus, servindo mais as criaturas que ao criador.

Pobre, afastado da família, estudando com afinco as Escrituras, Valdo passa a viver como pregador itinerante conquistando adeptos, assumindo, o dever do apóstolo, pregando nas estradas e praças, reunindo junto a si um grupo numeroso que envia para as aldeias vizinha a fim de conquistar seguidores. Esse grupo praticava a instrução do Evangelho, eram homens e mulheres humildes, que iam de um país a outro incitando os que ouviam a fazer o mesmo. Caracterizavam-se pelas roupas e calçados que usavam, uma simples túnica de lã sem tingimento e sandálias de madeira, chamadas sabot. Vale lembrar que a princípio isso não provoca reações dos bispos, já que, como dissemos, tal modo de viver não constituía novidade nessa época.

Os valdenses atraem a atenção do clero lionês apenas quando passam a pregar em língua vulgar, o provençal, citando as Escrituras mandadas traduzir por Valdo e fazendo criticas a esse clero, rico e poderoso. O episcopado estava sendo atingido pelas severas criticas, já que era luxuoso e apontava para uma salvação ligada ao pagamento de taxas, dízimos e impostos, apresentando um contraste acentuado em relação a esse grupo de pregadores mendicantes, que buscam essa mesma salvação seguindo o caminho estreito e difícil da vida apostólica.

Por volta de 1170 a cidade de Lyon passou ao controle dos bispos. Seu arcebispo, Guichard, havia iniciado a construção de uma nova igreja primacial, a catedral de São João Batista. A afirmação do poder temporal do bispo e a construção da catedral, que possivelmente originava o recolhimento de mais taxas, dízimos e ofertas que propiciassem fundos para a obra, tornavam o episcopado sensível ao grupo.

O grupo saia aos pares, pregando o Evangelho. Eram contrários a todo juramento e a aplicação da pena de morte. Ocupavam-se dos doentes, fracos, dos órfãos e prisioneiros, abriam escolas para os necessitados. Ademais, apontavam para o clero rico e os prelados poderosos e criticavam os bispos e os padres, opinando sobre matérias religiosas. Por isso, o arcebispo de Lyon os colocou sob interdito e suspeita de heresia, proibindo-lhes a pregação, porém os valdenses sentiam que tinham o dever de levar aos outros as verdades que descobriam. Aproveitaram então a Igreja reunida em Roma para a realização do concílio geral convocado pelo papa Alexandre III (1159-1181) e resolveram se apresentar à assembléia para que não ficassem dúvidas quanto a sua ortodoxia e para pleitear junto ao pontífice o direito a pregação.

O III Concílio de Latrão

Este concílio tinha entre as razões para sua convocação a necessidade de acabar com os resquícios do cisma, consolidar a reconciliação do Papa com o Imperador Frederico I Barbaruiva, restaurar a doutrina que muito sofrera durante os longos anos do cisma (1159-1178) e condenar as heresias.

A intenção dos Pobres de Lyon até ali era de permanecer fiéis a Igreja Romana, por isso recorreram ao papa contra a interdição que lhes fora imposta. Consideram-se discípulos obedientes e não concordavam com o exclusivo direito a pregação dado aos clérigos. Ressaltavam que parte do clero via sua função antes de tudo como uma profissão, ao contrário deles que agiam com entusiasmo e interesse. Esse discurso incomodava as forças estabelecidas enquanto que o povo admirava e ouvia esses homens. Vêem-se então como reformadores que reivindicam o direito de pregar, estendendo-o até mesmo as mulheres. Sendo combatido pelo episcopado, seja no sentido de achar-se espoliado em um direito exclusivo, por homens, a seu ver sem nenhum preparo, seja pelo teor do discurso que lhes apontava as mazelas e atingia outro de seus direitos exclusivos, o de ouvir as confissões dos fiéis e indicar-lhes a penitência.

Chegados a Roma, Valdo e seus seguidores são bem recebidos pelo papa Alexandre III, que determina uma comissão para analisar sua ortodoxia e a permissão para pregarem. Esta comissão teria sido presidida pelo inglês Walter Map que os interrogou a respeito de sua fé. Sem conhecimentos teológicos, os valdenses se deixaram apanhar pelos questionários escolásticos da comissão. Essa se empenhou em mostrar, através do debate teológico, que os valdenses, embora perfeitamente ortodoxos, não estavam preparados para o ministério da pregação. Eram, para Map, pretensiosos na sua crença de terem sido escolhidos por Deus para pregarem. Também chamou de arrogante sua pretensão ao direito de viver de esmolas, criticando-os ainda por sua equivocada interpretação das Escrituras e seu desconhecimento do latim. Desse modo, a comissão conciliar decidiu-se pela condenação dos valdenses, contudo, Alexandre III, aprovou o modo de viver de Valdo, concedendo ao grupo, verbalmente, a permissão de pregar, desde que tivessem a aprovação do clero paroquial ou dos bispos, e que se limitasse a falar sobre pontos morais e não doutrinais.

Interessava a Alexandre III que os valdenses, cujo propósito era de permanecerem fielmente ligados a Igreja, ajudassem no combate a heresia cátara. Esses posicionamentos de combate ao catarismo, já o tinham os pobres de Lyon que o reafirmaram, tendo ao que parece, Valdo e seus adeptos, inicialmente aceito essas decisões, regressando a Lyon, onde se dedicaram a combater os cátaros como desejava o Papa. De qualquer modo, Alexandre III interditou-lhes virtualmente a pregação, ao condicioná-la a obtenção de licença do clero local, pois muitos dentro desse clero pensavam como a comissão e, assim, os negaram o direito de pregar.

A profissão de fé

Depois que os valdenses retornaram a Lyon, parece que eles submeteram-se as ordens papais por algum tempo. Não se sabe com precisão quando Valdo teria realizado sua profissão de fé. Alguns historiadores a consideram como um documento ortodoxo no qual Valdo demonstra não ser um cátaro e sim um católico desejoso de imitar a vida dos apóstolos.

Valdo declara nesse documento seu ideal de vida com a mais estrita pobreza, com caridade, sem trabalhar, e defendendo os preceitos evangélicos com a autorização das autoridades eclesiásticas. Acrescenta-se que Valdo continuou fiel a essa profissão feita em 1180 mesmo após a condenação de 1184. Neste documento, Valdo invoca Pai, Filho e Espírito Santo, bem como a virgem Maria, identifica-se e estende a profissão a todo o grupo. Declara diante dos Evangelhos sua crença na Trindade e na mais pura fé ortodoxa.

Um dos pontos em que se basearão futuras acusações de heresias sobre os valdenses é que não aceitavam a administração dos sacramentos por ministros indignos. Afirmam, também, sua crença no julgamento dos mortos de acordo com as obras que realizaram em vida, e não duvidam que esmolas, sacrifícios e ações beneficentes podem auxiliar os mortos, ou seja, aceitariam as indulgências e as ações pelos mortos. Criam e pregavam a pobreza evangélica e a mendicância, aceitando como doações apenas vestimenta e comida diária. Defendem a crença de que aqueles que cuidaram em ter uma vida digna distribuindo aos outros suas possessões e observando os mandados de Deus poderiam ser salvos. Esclarecem ainda seu intuito ao fazer essa profissão de fé, diferenciar os “verdadeiros” hereges — os cátaros — deles, pois os valdenses se consideravam.

Podemos observar que todas as afirmativas enquadram-se perfeitamente na ortodoxia, justificando a decisão papal de 1179. A data mais provável para a realização da profissão de fé é reconhecida por historiadores como sendo final de 1180 ou início de 1181, perante uma assembléia a que compareceu a nobreza lionesa e que teria sido co-presidida pelo arcebispo da cidade, Guichard, e o legado pontifício e arcebispo de Chartres Henri de Claraval.

Lyon, situada em importante entroncamento de rotas comerciais, estava sujeita a várias pressões: querelas entre Império e Igreja, os problemas comuns às regiões fronteiriças entre reinos, a disputa já antiga entre o episcopado e os condes de Forez e Roanez, a resistência da nobreza local ao fato do poder temporal passar as mãos do arcebispo, o aparecimento de uma rica burguesia. As tensões criadas pelo grupode Valdo são sentidas duplamente pelo arcebispo Guichard, ao concentrar os poderes espiritual e temporal, e são certamente agravadas pelo início da construção da catedral primacial de São João Batista, iniciada por ele e que só será consagrada em 1244, considerada ainda hoje como uma das mais belas igrejas góticas da região. Essa construção demandava em constantes solicitações de doações, taxas e dízimos, contrastando violentamente com a vida, doações e pregação daqueles que “seguiam nus o Cristo nu” e desejavam o culto sem luxo, a Igreja sem bens e o Papa sem poder temporal.

De qualquer forma, o desejo papal em aproveitar os valdenses no combate ao catarismo, principal problema da Igreja na região do Midi, pesou na decisão do arcebispo e eles tiveram aceita sua profissão de fé e reconhecido seu direito a pregar, enquanto respeitassem as limitações impostas.

Os valdenses respeitaram tais limites por muito tempo, mas ao encetar grandes polêmicas não lembravam o respeito à recomendação de não entrarem em assuntos que envolvessem doutrina. Tais polêmicas, portanto, na mesma medida em que os mantém afastados do catarismo, criam um fosso entre eles e a Igreja, tornando mais nítida a diferença de posições e criando novas tensões com o Episcopado, que se agravam com a morte de Guichard (1181).

O período em que a sede lionesa esteve vaga, contribuiu para que o grupo valdense, menos pressionado, se tornasse mais audacioso, o que só iria deixar mais tensas as relações com o novo arcebispo, que assumiria em 1182, Jeans de Bellesmains, de origem inglesa. A Igreja então encontrava-se num período de transição, já que Lúcio III, o novo papa, havia sido coroado há pouco tempo (setembro de 1181), depois do longo pontificado de Alexandre III, que protegera os valdenses em 1179. Esses novos líderes, tanto Lúcio III quanto Bellesmains, necessitam afirmar a liderança. O catarismo se havia fortalecido em todo o Languedoc, chamando cada vez mais a atenção, tanto da Igreja quanto dos senhores temporais e dos valdenses. Em pouco tempo o arcebispo percebeu que o controle sobre o grupo dos Pobres de Lyon estava irremediavelmente perdido, pois ainda que admoestados, instados a obedecerem ao Papa, não são demovidos de pregarem o Evangelho da maneira que o entendem, sendo então excomungados pelo arcebispo e expulsos da cidade pelo senhor feudal, isto é, Bellesmains.

"Ide e pregai o evangelho a toda a criatura”

O movimento valdense se espandiu pela região do Languedoc, multiplicando-se com uma rapidez incrível através de toda a Europa. A Igreja, não sem razão, começou a alarmar-se seriamente. Os valdenses se espalharam de Lyon, tanto para o norte e o leste quanto para o sul e o oeste, e desde 1192 eram bastante numerosos na Lorena. Falbel refere-se a essa grande difusão do valdismo, situando-a não só no Piemonte e na Sabóia, mas também na Germânia, na Boêmia, na Moravia, na Polônia e na Hungria e na região meridional da Itália.

Temos, portanto, que os valdenses espalharam-se por boa parte da Europa, tendo atingido a França, o Languedoc, Aragão, o norte da Itália, a Boêmia e a Germânia, portanto territórios caros não só a Igreja, mas também ao Imperador e aos reis de Aragão e da Inglaterra (Pedro II e Henrique II possuem grandes feudos na região), alarmando as duas esferas de poder. Nada mais natural que quando acordam um encontro em Verona para resolver vários assuntos pendentes e de grande importância para as relações entre Igreja e Império, Lúcio III e Frederico I, dêem atenção ao combate à heresia, publicando, em separado, constituições sobre o assunto.

O Sínodo de Verona (1184)

A decretal do papa Lúcio III no sínodo de Verona de 1184, teve grande importância para a evolução da inquisição medieval, instaurando uma nova prática ao colocar cada bispo como juiz ordinário em questões de heresia na visita que obrigatoriamente devia fazer a sua diocese a cada dois anos buscando por si mesmos os hereges, sem aguardar uma acusação formal.

A bula inicia-se revelando as razões para sua decretação, abolir a depravação das diversas heresias que estavam em diversas partes do mundo, além de propor a renovação do vigor eclesiástico para que a simplicidade católica resplandecesse na Igreja limpa, sem a contaminação de falsos dogmas. Há também referência à presença de patriarcas, arcebispos e muitos príncipes de diversas partes.

A Igreja, podendo contar com o forte apoio do braço secular ao tratar com os hereges, condenou com anátema perpétuo os cátaros, patarinos, os Humilhados ou Pobres de Lyon, aos passaginos, josefinos e arnaldistas. É a primeira vez que se nomeiam os valdenses em uma condenação, aparecendo como humilhados ou pobres de Lyon, nomes que eles próprios utilizavam e que é contestado como falso. Desse modo, o anátema perpétuo cai sobre aqueles que ensinam algo diverso do que a Igreja Romana prega e observa e em qualquer um que seja julgado herege pela mesma Igreja, ou por cada bispo em suadiocesee até mesmo por clérigos em caso de sede vacante.

O documento também faz referência à forma como os herejes devem ser tratados e também aqueles que simpatizam com a heresia, seja ela qual for, a encobrem ou defendem, sejam clérigos ou laicos, enfatizando que devem ser entregues a potestade secular para o justo Castigo. Outros pontos enfatizados são o comum acordo entre as autoridades eclesiástica e imperial nas legislações que regem o combate a heresia, e a extensão das investigações e das penas a todos os estamentos da sociedade, sejam clérigos ou laicos, condes, barões, magistrados, cônsules das cidades ou os que exercem ofício público. As penas envolvendo a pessoa do herege vão da perda da dignidade e ordem eclesiástica e dos benefícios no caso de clérigos, a da perda dos bens, no caso de laicos, cujos bens deveriam ser entregues as igrejas a que serviam. No caso dos nobres e magistrados, estes eram despojados da honra que tinham obtido, excomungados e suas terras colocadas sob interdito eclesiástico. Ainda, nesse período, tornou-se comum na Europa deixar ao arbítrio de cada um a vida do herege, deixando impune seu assassino.

Sabemos que a excomunhão e o anátema não foram às únicas formas de reação por parte da Igreja, temos “a via do colóquio” tentada muitas vezes, com poucos resultados. Inocêncio III apesar das reiteradas condenações aos valdenses e a outras heresias não perdeu as esperanças de trazer de volta ao seio da Igreja as alas mais moderadas do movimento, que já demonstrava cisões internas devidas, talvez, a maneira como se desenvolvia a seita nos diversos lugares para onde se estendeu e as influências e perseguições que sofria nestes lugares.

Os valdenses

Os valdenses foram, então, obrigados a viverem clandestinamente, recolhendo secretamente simpatizantes entre os seculares, que lhes ofereciam comida ou hospitalidade. “Pois eles mesmos, como Perfeitos, haviam renunciado o trabalho manual e dedicavam-se com exclusividade à pregação ambulante e à assistência pastoral de seus adeptos” [3]. Ainda quanto esse assunto há divergências entre os historiadores, alguns acreditam que eles eram tecelões. Cumpriam o tríplice voto da pobreza, castidade e da obediência aos superiores, isto é, ao próprio Valdo, como um encarregado de Deus, e aos bispos, presbíteros e diáconos que ordenavam. As Sagradas Escrituras, que recomendavam para leitura, tinham o valor de regra doutrinal absoluta e de código jurídico.

A seita não conseguiu manter-se unida por muito tempo, dvidindo-se em dois grupos no ano de 1210, que continuou mesmo após a morte do fundador, em 1217 [3]. Os franceses do Languedoc, Provença, Delfinado, que mantiveram alguns laços com a Igreja, continuaram a frequentar os cultos oficiais, apesar de insistirem em admitir somente o Evangelho como lei religiosa e de criticarem severamente o clero. Já os valdenses italianos desligaram-se completamente da Igreja e criaram um culto especial. Passaram a negar, provavelmente sobre influência dos cátaros, o Purgatório, o valor da oração pelos defuntos e as missas de sufrágio, o culto dos santos, as indulgências, o juramento, o serviço militar e a pena de morte, admitindo como sacramento apenas o batismo, a eucaristia e a penitência.

Tereza Aline Pereira de Queiroz, nos alerta para o fato de que a questão da pobreza voluntária foi utilizada tanto por homens que a Igreja qualificou de santos como por outros que foram estigmatizados como heréticos. Podemos estabelecer semelhanças entre Pedro Valdo e Francisco de Assis, porém estes episódios demonstram que “nem sempre o problema das minorias anatemizadas encontrava-se no teor de suas pregações, mas sim no fato de atuarem fora do controle da autoridade religiosa estabelecida” [4].

Muitos valdenses foram levados à fogueira e outros reconquistados pela persuasão pacífica. Para a recuperação dos valdenses, Inocêncio III reuniu, em Milão, os Humiliati numa ordem religiosa e fundou as companhias dos Católicos Pobres (1208) e dos Lombardos Reconciliados (1210).

A hierarquia valdense

Essa crença herética declarava que a Igreja fora pura e incorrupta até a época de Constantino, quando o Papa Silvestre ganhou a primeira possessão temporal para o Papado, iniciando, assim, o sistema de uma Igreja rica, poderosa e temporal.

A heresia reconhecia em sua própria Igreja uma tríplice hierarquia de diácono, presbítero e bispo: A Ordem do Bispado - O Bispo era chamado entre eles de maioral; era eleito para esse cargo pelos presbíteros e diáconos. A cerimônia da eleição de um bispo era realizada com uma prece comum, uma confissão privada e depois pública de seus pecados. Em seguida, um maioral ou, na falta deste, um presbítero recitava o Pai Nosso, impondo as mãos sobre o eleito, a fim de que recebesse o Espírito Santo. Logo depois, todos os presentes, segundo a sua hierarquia, impunham as mãos sobre o eleito. Competia ao bispo administrar os sacramentos da penitência, da ordem e da eucaristia, e outorgar aos presbíteros o direito de pregar o Evangelho e de ouvir as confissões. Podia absolver todos que confessassem seus pecados.

A Ordem do Presbiterato – Após a oração e a confissão dos pecados, o maioral e os outros presbíteros impunham suas mãos. Era o maioral que conferia a Ordem do Presbiterato por imposição das mãos. Esses presbíteros deviam ouvir as confissões dos pecadores, mas não podiam absolvê-los dos pecados e tão pouco celebrar. Contudo, podiam ordenar um bispo, caso todos os outros estivessem mortos.

A Ordem do Diaconato – O diácono era ordenado após a prece e a confissão dos pecados, o maioral recitava o Pai Nosso e somente ele impunha as mãos ao ordenado, a fim de que este recebesse o Espírito Santo. Depois de ordenado o diácono passava a pertencer ao estado e à condição de valdense pelos votos de pobreza, castidade e obediência. Só após a ordenação é que eram considerados Perfeitos; os demais, Crentes, deveriam prover a subsistência dos Perfeitos.

Ao diácono competia ajudar o maioral e os presbíteros em suas necessidades materiais. Entretanto, ele não tinha direito de ouvir confissões. Os bispos, presbíteros e diáconos eram escolhidos dentre os leigos, sem distinção entre ignorantes e letrados, com a condição de provarem ter pertencido anteriormente à seita.

Como era vista a heresia no IV Concílio de Latrão

A convocação para o IV Concílio de Latrão se fez com uma antecedência de mais de dois anos, abril de 1213, tendo sido enviada a todo bispo, todo abade da Igreja e toda ordem religiosa, isto é, cisterciense, premonstratense, hospitalário e templário, reis e autoridades de toda a Europa. Convidando-as para extirpar o vício, semear a virtude, corrigir todo o abuso e reformar os costumes; eliminar a heresia e reforçar a fé; fazer calar a discórdia e estabelecer a paz; eliminar a opressão e favorecer a liberdade; induzir os príncipes e o povo cristão a socorrer a Terra Santa.

Realizou-se em novembro de 1215, em três sessões (11, 20 e 30 de novembro), na presença de uma assembléia de duas mil, duzentas e sessenta e três pessoas, vindas de todo o mundo ‘civilizado’. Suas decisões são consideradas o mais importante corpo único de legislação disciplinar e reformadora da Igreja Medieval. A atenção dada ao combate as heresias fica clara já nas primeiras constituições.

O cânone 1 é uma profissão da ortodoxia católica emitida contra os erros dos cátaros, valdenses e outros hereges não identificados. Afirma a crença na Trindade; no poder de Deus, criador de toda a criatura; na queda do homem em pecado, pela sugestão do demônio, na concepção virginal de Maria, com a colaboração do Espírito Santo, e a dupla natureza de Cristo (humana e divina); na validade de oficiar os sacramentos ligada ao sacramento da ordem: só um sacerdote regularmente ordenado poderia consagrar o pão e o vinho para que se transubstanciem no corpo de Cristo e efetuar o batismo, quer de crianças, quer de adultos, bem como apontar a penitência àqueles batizados que tornarem a pecar. Afirma ainda a certeza da vida eterna não só para as virgens e os que observam a continência, mas igualmente para os fiéis casados que se acercam de Deus, com “fé reta e vida honesta”.

O terceiro cânone condena toda a heresia, excomungam anatematizam toda a heresia contra a ortodoxia e fé católica,condenando os hereges em bloco, sem nomeá-los separadamente como em 1184. A invectiva contra aqueles que se desviavam da fé católica continua nessa longa constituição, entregando a autoridade secular, para ser punido com pena adequada, aquele convicto de heresia e por ela condenado, sendo que os clérigos que incorressem nessa condenação deviam primeiramente ser degradados de toda a dignidade eclesiástica. Dispõe também dos bens dos condenados, confiscando-os, se leigos e, atribuindo-os a Igreja de que os receberam, no caso de clérigos. Aos suspeitos de heresia caberia demonstrar sua inocência, ou seria considerado culpado e anatematizado e, se permanecessem nessa condição por um ano, seriam considerados hereges, sujeitos a condenação.

Nem mesmo as autoridades seculares estavam livres de suspeita, devendo ser exortados e, se necessário, constrangidas pela censura eclesiástica a fazer juramento público de defender a fé e exterminar, nas terras sob sua jurisdição, a todo o herege. O príncipe temporal que negligenciasse o combate à heresia em suas terras, deveria ser ferido com a excomunhão pelo metropolitano e se durante um ano, não cumprisse com seu dever, deveria ter seu caso relatado ao pontífice, para que seus vassalos fossem liberados da fidelidade e a sua terra seja ocupada por um católico. As ordenações contra aqueles que de algum modo ajudam ou defendem hereges continuam, ainda no mesmo cânone, recomendando a excomunhão com a agravante de que se não houver retratação dentro de um ano, sejam considerados infames e incapazes de ascender a cargo público, de testemunhar, de fazer testamento e receber herança. Exemplifica-se dizendo que se tal pessoa for um juiz, sua sentença não terá valor; se for advogado, sua defesa não será aceita; se for notário, os documentos que compilou não terão valor. Aos que fossem excomungados por essa razão, seriam negados os sacramentos da Igreja, privados de sepultura cristã e suas esmolas e ofertas recusadas.

A longa ordenação prossegue alertando bispos e arcebispos, que devem, pessoalmente, ou através de um enviado idôneo, visitar suas dioceses ao menos uma vez ao ano, para verificar através de pessoas igualmente idôneas, se há sinais de hereges e, os encontrando, deve puni-los segundo os cânones. Adverte que o bispo que por negligência ou lentidão em agir, não liberasse sua diocese da heresia, seria deposto e substituído por outro.

No cânone 10, volta-se a tratar da pregação, necessária a salvação do povo cristão, já que é a nutrição da alma. É a reiteração do monopólio do oficio de pregar. Fica bem claro que a pregação dos hereges era altamente incômoda. O pregador indicado pelo bispo, deveria também ouvir confissões e impor penitências, só poderia ser um religioso, ordenado regularmente, nunca um leigo.

Quanto ao cânone 13, neste fica proibida a criação de novas ordens religiosas, para evitar que a excessiva variedade de ordens causasse a confusão na Igreja. Recomenda-se àqueles que desejam abraçar a vida religiosa que o façam em uma ordem já aprovada, do mesmo modo que se uma nova casa religiosa for fundada, que assuma regra e ordenação já aprovadas.

Recomenda-se no cânone 21, que todo fiel confesse e comungue ao menos uma vez ao ano, por ocasião da Páscoa. A confissão deve ser feita ao seu próprio pároco ou, com sua licença e por justo motivo, a outro sacerdote. Quem não o fizer fica sujeito a penas como a proibição de ingresso em igrejas e a negação de sepultura cristã. Ordena-se ainda ao confessor o respeito absoluto ao sigilo da confissão. Também aqui observamos um meio de controle e uma velada referência à heresia valdense, que associava a validade do sacramento à piedade do sacerdote que o oficiava. É o monopólio da confissão, através de um controle absoluto, uma vez que cada fiel deverá confessar-se apenas a seu pároco ou obter dele uma licença para fazê-lo a outro, não podendo fugir ao controle.

Outra tentativa de controle da população é imposto no cânone 22, ao enfermo é necessário tratar primeiro da alma para então do corpo, sendo condenado o “médico do corpo” que quando chamado a atender um doente não o induzir a chamar primeiro o “médico da alma”. Os médicos que não atendessem a essa constituição estariam sujeitos a penas, sendo excluídos do ingresso à igreja, monopoliza-se assim também a extrema unção. Ficavam proibidos também, sob risco de anátema, de prescreverem remédios que colocassem em risco a saúde da alma de seus pacientes. É fácil observar que se um doente recorre ao “médico do corpo”, mas recusa a atenção de um sacerdote, são grandes as possibilidades de que seja herege, além disso, se o médico recusar-se a chamar o padre, pode muito bem ser um herege e os valdenses eram conhecidos por suas habilidades médicas.

A simonia e cupidez do clero, outros pontos muito apontados pelos hereges contra a Igreja, são combatidos no cânone 66, como já o haviam sido no III Concílio de Latrão. Ao mesmo tempo em que são combatidos os exageros de alguns clérigos que cobravam por práticas litúrgicas como funerais, casamentos e batismos, dando força ao discurso das heresias anticlericais, preserva-se o “louvável costume” dos fiéis em ofertar para a Igreja, prática também combatida pelos valdenses que desejavam uma Igreja sem bens, mas que não fazia sentido a essa mesma Igreja abandonar.

O concílio procura ordenar o clero, moralizando-o, e fortalecer a centralização do poder papal e a independência da Igreja. Vale ressaltar que as ordenações relativas aos hereges, embora mais severas que as de 1179, não diferem muito do que se vinha fazendo na prática, sendo mais uma regulamentação de práticas já em uso por algumas autoridades seculares, que novidades apresentadas pela Igreja.

Conclusão

Concluímos os valdenses abraçaram uma vida de pobreza e oração. Defendiam a pregação realizada por todos, homens e mulheres, e negaram, em uma segunda fase, os sacramentos administrados por sacerdotes indignos, a aceitando apenas três sacramentos, o batismo, o casamento e a comunhão uma vez ao ano. Além disso, houve a negação do purgatório e das missas, orações e ofertas pelos mortos, bem como as indulgências. Afastaram-se, pois, da ortodoxia católica, tornando-se anticlericais e defendendo com fervor sua heresia. Justificavam-se com a citação bíblica de que alegando “Mais vale obedecer a Deus que aos homens” [5].

É interessante acrescentar que até nossos dias “existem grupos valdenses com denominações diversas nos Estados Unidos, no Uruguai e na Europa. Na região de Milão encontra-se o maior número de fiéis, que contam com igrejas, hospitais e escolas”[6].



REFERÊNCIA:

[1]. BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Trad. J. F. de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1986. Mateus, cap. 19 vers. 21.

[2]. FALBEL, Nachman. Heresias medievais. São Paulo: Perspectiva, 1977, p. 62).

[3]. Em relação à data em faleceu Valdo, os historiadores divergem, alguns falam em 1206 ou 1207, outros em 1179.

[4]. QUEIROZ, Tereza Aline Pereira de. As heresias medievais. 4 ed. São Paulo: Atual, 1988, p. 31.

[5]. BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Trad. J. F. de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1986. Atos 5: 29.

[6]. THOMÉ, Laura Maria Silva. Da ortodoxia a heresia: os valdenses (1170-1215). Dissertação de Mestre em História, Curso de Pós-Graduação em História, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná. 2004.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Trad. J. F. de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1986.

FALBEL, Nachman. Heresias medievais. São Paulo: Perspectiva, 1977.

QUEIROZ, Tereza Aline Pereira de. As heresias medievais. 4 ed. São Paulo: Atual, 1988.

THOMÉ, Laura Maria Silva. Da ortodoxia a heresia: os valdenses (1170-1215). Dissertação de Mestre em História, Curso de Pós-Graduação em História, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná. 2004.