sábado, 4 de julho de 2009

Suando Frio


By Douguera


Se existiu um momento na história da humanidade no qual se pode literalmente suar frio, foi na guerra fria. Para uns a “terceira guerra mundial” [1], para outros uma “guerra fria” e para mim um choque entre ideologias, capitalismo e comunismo, demasiadamente sábias para destruírem o mundo e a si mesmo em uma guerra nuclear.


“Fria” porque não houve um confronto direto entre as duas superpotências bélicas, EUA e URSS. O fato é que uma das peculiaridades desse momento específico da história da humanidade era o medo da destruição mutua que levava, em termos objetivos, a não existência de um perigo eminente para uma guerra declarada em proporções mundial. Fazendo com que os dois países aceitassem a divisão desigual do mundo, e quando os ânimos se esquentavam faziam todo esforço para resolver disputas de demarcação sem um eventual choque entre suas forças de destruição incineradoras de homens.


A tensão de nervos entre americanos e soviéticos, subproduto da guerra fria, foi basicamente produzida pelos respectivos serviços de inteligência (se é que podemos assim classificá-los) CIA e KGB. Esses organismos governamentais produziram uma grande gama de alarmes e serviram para que Stalin confinasse muito de seus opositores nos campos de concentração da Sibéria e para que o anticomunista, senador americano Joseph McCarthy, promovesse a chamada “caça às bruxas”, levando ao desespero muitos intelectuais e artistas de Hollywood acusados de serem simpáticos à Moscou (nem a terra dos sonhos escapou da guerra fria).


Os dois lados se viram amplamente compenetrados em uma corrida armamentista, uma insanidade só. E as armas nucleares, em uma visão cristã, “graças a Deus” que não foram utilizadas, todavia ambos utilizaram a ameaça nuclear como fonte de força intimidadora de suas ideologias com fins de negociação.


Havia uma certeza de que nem EUA e nem URSS iriam de fato querer relembrar os horrores de Hiroshima e Nagasaki, que tristemente serviram de exemplos, em modo lato senso, para que o homem não bebesse nunca mais de seu próprio veneno.

Rosa de Hiroshima

(1973)


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas


Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária


A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica


Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.


[1] “A guerra consiste não só na batalha, ou no ato de lutar: mas num período de tempo em que a vontade de disputar pela batalha é suficientemente conhecida” (HOBBES, Thomas, capítulo 13)


Referências Bibliográficas:


MORAES, Vinícius de; CONRAD, Gerson. Rosa de Hiroshima. Disponível em: http://www.paixaoeromance.com/70decada/rosa_iroshima/h_rosa_de_hiroshima.htm. Acesso em 04/07/2009.


HOBSBAWM, E. J. Era dos extremos: o breve século XX : 1914-1991. 2. ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 1996. 598 p.

2 comentários:

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

Então é isso! Esta música é um pedido velado de paz na terra.
Adorei seu texto meu amigo.
Uma boa e feliz semana para você
Apareça .
Beijossssssssss

PATRICKÍSSIMO disse...

Adoro essa música.

Uma das mais belas de Vinícius.

Grande poeta que passou por aqui nesse planeta tão desarrumado!

Já fiz uma postagem no metro das artes com essa música e obras compatíveis com as estrofes.

Quando tiver tempo, faça uma busca clicando no ícone "postagens mais antigas" até chegar na Rosa de Hiroshima e veja as pinturas escolhidas como referência para a letra.

Abraço mineiro.

Estive por aqui.