domingo, 12 de julho de 2009

A DOMA DE CAVALO DO TIPO EQUUS


O presente Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado ao III módulo do curso Técnico Veterinário, do Colégio Tableau, como requisito para justa avaliação para conclusão de curso, é obra de meu amigo, Gregne Ribeiro Paulino, o qual tive oportunidade de auxiliar, na qualidade de amigo e supervisionar, com minha experiência acadêmica e como pesquisador apaixonado pelo conhecimento que sou. O Trabalho foi em justiça premiado com nota máxima, e dou felicitações e parabéns a meu grande e melhor amigos Gregne.



INTRODUCAO

Essa pesquisa de conclusão de curso foi supervisionado pela professora do Colégio Tableau, Drª. Manoela Lopes Pimentel, do III módulo do curso técnico veterinário e elaborado com base no tema: A Doma de Cavalos Usando a Técnica do Equus.

O objetivo deste projeto é defender a doma de cavalos do tipo Equus, desenvolvida por Monty Roberts, exposta em seu livro O Homem que Ouve Cavalos. Para tanto, contaremos com bibliografias a mercê do tema, fazendo uma ampla garimpagem tanto em livros quanto em páginas da internet. É importante ressaltar que a pesquisa visa ser clara e objetiva sendo assim, este se configura em um trabalho consultivo para primeiras análises.

A técnica de domar cavalos se configura em um conhecimento milenar identificado em diversas sociedades humanas, geralmente passada de pai para filho, dentro da especificidade do grupo social em questão.

Grande parte dos domadores, que são reconhecidos dentro do grupo social no qual fazem parte, como especialistas naquilo que fazem, utilizam o princípio da violência no adestramento do animal. Monty Roberts, todavia, apresenta uma nova metodologia de adestramento, com a utilização de aproximação, uma boa dosagem de paciência, com muito carinho e amor ele propõe uma doma sem sequelas e estresse. A defesa de sua técnica foi proposta em seu livro O Homem que Ouve Cavalos, onde a doma Equus (paciência) é apresentada como oposição ao emprego da violência.

MONTY ROBERTS

Aos sete anos de idade Monty, foi apresentado pelo seu pai um homem rude e autoritário, a técnica de doma centrada na utilização da violência dentro do redondel [1]de quebra. Monty não demonstrou mas, não tinha interesse em participar daquela brutalidade que seu pai fazia com os cavalos.

Não se sentia preparado para tanta crueldade, para tanto solicitou alguns dias para seu pai com dois cavalos. Passado três dias Monty chama o pai e lhe apresenta seu trabalho com os dois animais. Trouxe um dos cavalos e colocou dentro do redondel e soltou, percorria de um lado para o outro e o cavalo o seguia, ficou sobre as pontas dos pés e silenciosamente correu a sela sobre o lombo do cavalo. Seu pai vendo, ficou admirado e decepcionado, uma surra de corrente foi utilizada como forma de punição ao menino que rompera com a tradição do pai, que utilizou dos mesmos métodos que utilizava com os cavalos para punir o jovem.

O método da doma equus, desenvolvido por Monty, aqui no Brasil é conhecido como o método da doma racional. E suave para o cavalo, baseia-se no princípio da não violência. O cavalo é subjugado pela paciência, o carinho, a aproximação cautelosa, as lições progressivas e repetitivas, sendo recompensando pelos acertos. Originalmente, o método da doma racional foi introduzido no Brasil através dos treinadores do cavalo Quarto de Milha.

Uma das Vantagens é que esse moderno método de adestramento favorece o contato rotineiro entre cavalo e o homem, na alimentação, no controle sanitário, no manejo reprodutivo, no trato do pêlo. Além de ser uma técnica na qual o equino desenvolve com prazer, sem qualquer metodologia de subjugação e violência de ambos os lados, tanto do animal quanto do homem. O resultado final é um animal mais dócil, de fácil manejo e aptidão no trabalho, demonstrando vitalidade e saúde, sendo a doma do tipo Equus preferencial no adestramento dos equinos.

TÉCNICA EQUUS OU DOMA RACIONAL


Quando se iniciar um cavalo usando o método do Equus, o domador tem que ter em mente que não ira provocar dor de maneira nenhuma ao animal. Não pode bater, chutar, empurrar, puxar, amarrar, ou fazer qualquer coisa que impeça seus movimentos. Portando, se for necessário fazer alguma punição ao animal, o domador deve incentivá-lo a ficar perto. O cavalo é um animal que quando sob pressão tende afaste-se e por esse motivo é denominado de animal voador.

INICIAÇÃO

Deve-se trazer o cavalo para dentro do redondel com o auxílio de um cabresto, e ficar perto do centro do redondel. Se ele já tiver contato com pessoas deve-se fazer um afago na testa dele com a palma da mão. A partir de então se deve ir para a um ponto neutro e fazer com que a corda atinja os posteriores do animal de forma suave. O objetivo é que o animal comece a correr em volta do redondel.

Deve-se manter a pressão com a corda cada vez que achar necessário atirar a corda em direção ao animal. O domador deve manter uma atitude agressiva fixando seus olhos aos olhos do animal, ombros enquadrados com a cabeça dele e fazer com que ele complete cinco ou sete voltas para um lado e depois para o outro. Olhar rapidamente para a orelha que está voltada para dentro do redondel, fará com que ele diminua a velocidade, então ele começa a abaixar e levantar a cabeça correndo com a mesma próxima ao chão. Irá começar a lamber os lábios, por a língua para fora e mastigar o ar e finalmente ele irá abaixar a cabeça próxima ao chão. Com isso ele estará dizendo que não fará mal algum e ele tem respeito pelo domador e que pode parar de pressioná-lo porque ele quer parar de correr.

Chegando a esse ponto o domador deverá assumir uma postura submissa e abaixar os olhos deixando que os ombros fiquem em uma posição de 45° graus, assim ele irá vir até o domador ou irá parar de recuar. Se ele não se aproximar então o domador deverá se aproximar dele, mas deve fazer isso dando voltas e se ele se afastar deve o fazer dar mais voltas e repetir todo o processo.

No momento da conjunção; ao se aproximar do cavalo, o domador deve manter os ombros em 45° graus e mostrar as costas para ele. Nesse momento o cavalo deve encostar a cabeça no ombro do domador, continuando a conjunção. Quando se aproximar o domador deve fazer um bom afago entre os olhos se afastar-se em círculos.

Após realizar todos os movimentos deve-se levar o cavalo para o centro do redondel e começara apalpar o anterior do franco direito, massagear o pescoço, as costas, as ancas, o flanco, a fim de encontrar os pontos vulneráveis.

A partir daí, o equipamento deve ser colocado no centro do redondel e permiti o animal cheirá-lo. O domador deve ficar dando voltas entre o equipamento e o cavalo até que o animal prefira segui-lo ao invés de ficar com o equipamento. A partir deste momento pode amarrar a guia no cabresto dele e começar a encilhá-lo. Deve-se iniciar com a manta e sela sem fazer nenhum movimento brusco cuidadosamente vai apertando as barrigueiras de modo que a sela fique firme. Se em algum momento o domador se afastar, ao voltar deve trabalhá-lo até o momento da conjunção e acompanhamento (aproximação do animal), perceba se ele não deu nenhum sinal de rejeição. Afastar-se com cautela e fazê-lo se movimentar com o equipamento para ver qual a sua reação.

Deve-se fazê-lo trabalhar com o equipamento e só permitir que ele se aproxime ao perceber que ele o aceitou. Quando ele se aproximar o domador pode colocar o bridão (material de aço que e colocado na boca do cavalo) e deixando as rédeas folgadas, acertar os loros com os estribos e fixá-los na sela.

Ao passar as rédeas por baixo dos estribos (material de aço que fica agarrado na sela onde se coloca o pé para se montar no cavalo) uma alça de cada lado, deve-se permitir que dê para charretear [5] o cavalo fazendo com que ele ande para frente e para trás com o auxílio da guia longa para se acostumar com as rédeas e o bridão. Fazê-lo dar voltas para os dois lados a galope ou simplesmente andando. A essa altura o animal já pode ser montado pelo domador. Inicialmente deve-se somente apoiar com a barriga na sela e dar algumas voltas nesta posição, então o cavaleiro pode se sentar sobre o cavalo. Neste ponto terá sido alcançado o objetivo de fazer com que seu cavalo tenha aceitado a sela, rédeas, e o cavaleiro. O cavalo não ficará traumatizado e o animal vai preferir ficar com o cavaleiro ao a fugir do mesmo.

RELAÇÃO DE CONFIANÇA

Através do conteúdo apresentado até aqui, não é difícil notar as diferenças e peculiaridades entre estabelecer uma relação de confiança por intermédio da conquista pacífica e estabelecer um contato de subjugação de um animal por outro, onde o que prevalece é a lei do mais racional. A violência se torna então um mero detalhe e ou artifício nas mãos a pessoa que a emprega, sem qualquer respeito por outro ser vivo.

Por intermédio da paciência, da gentileza, do afeto e acima de tudo respeito para com um ser vivo, a rentabilidade de uma determinada relação é encontrada na reciprocidade entre homem e animal, tornando-se bem mais vantajosa e satisfatória para ambas as partes.

A violência aplicada na doma tradicional, a mesma utilizada pelo pai de Monty Roberts pode em algum momento se voltar contra o domador. Estresses e traumas são freqüentes em animais que passaram por esse tipo de doma, muitas das vezes irreversíveis e demonstram a violência do tratamento que tiveram.

A técnica desenvolvida por Monty Roberts, por sua vez, objetiva um tratamento a fim de estabelecer uma pura relação de confiança entre dois animais, independente de seu grau de racionalidade. O objetivo final é a reciprocidade entre homem e animal, uma troca satisfatória que muito recompensa o homem na utilização da força de trabalho do animal. Ao mesmo tempo aquele tem consigo um ser vivo dócil, confiável e que trará satisfação a seu proprietário.

Estamos falando acima de tudo de um respeito para com outro ser vivo, que há milênios é utilizado pelo homem nos mais diversos fins, e que muito pode ser útil se for adestrado aos moldes da confiança recíproca.

CONCLUSAO

Muito se diz que o “animal é o reflexo de seu dono”, essa afirmativa não deixa de ser verdade, ao passo que, estabeleço aqui a idéia de que a violência leva ao encontro da violência. O animal tratado com carinho e atenção é muito mais dócil, o que proporciona o estabelecimento de uma melhor relação de convivência entre as partes.

Vejo então na técnica desenvolvida por Monty Roberts, um caminho para o estreitamento das relações entre o eqüino e o humano, não como relação de subjugação, mas sim em uma relação de ser vivo a ser vivo na hierarquia de poderes onde o objetivo maior seria a reciprocidade.

________________
Redondel: era a sala de aula para a "quebra" tradicional de cavalos.
Estado xucro: faz referência ao estado selvagem do animal, geralmente quando encontrado na natureza.
Quebrado: o cavalo deixa de resistir e deixa ser montado pelo cavaleiro e fica domado.
Cabeçada especial: origem colombiana, onde é conhecida como bucal, com três pontos de pressão – chanfro, queixo e nuca. Uso indicado para doma de baixo, ensinando as lições básicas de caminhar, marchar (ou trotar, conforme o caso), volteios para ambos os lados, paradas precisas, transições de andamentos, recuo. Acompanha uma cilha com 4 argolas. No início as rédeas de corda (de mais ou menos 5m cada uma) passam pelas argolas inferiores. Quando o animal estiver totalmente sob o comando do treinador passarão pelas argolas superiores, que possibilitam mais liberdade aos comandos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

AREIAS, Wallace. Sociedade Protetora dos Eqüídeos. Disponível em: ttp://www.sopeq.com.br/domaR.html. Acessado em: 13/10/2008.
Doma Indiana. Disponível em:
p://www.aguasdelindoia.cc/rancho_sao_nicolau/doma_racional.php/doma_racional.php?pag=2 . Visitado em 02/10/2008.
Doma indiana Revista cães e gatos Pet e huses gestão e profisionalizaçaso do mercado pet Ano 18 numero 108 Junho/agosto 2006 Psaginas de 26 a 30
Projeto Doma. Disponível em:http://www.doma.com.br/. acessado em 15/10/2008.
Revista Encontro. Disponível em:http://www.revistaencontro.com.br/maio06/rural/tecnica_rural.asp . visitado em 29/09/2008
Revista Horse Business. Junho de 2001 Ed. 73
Revista Cavalos: de raça e esporte. Ano I, Nº 11.
ROBERTS, Monty. O homem que ouve cavalos. 10. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. 343 p. ISBN 8528608018 (broch.)

Orientador:
Drª. Manoela Lopes Pimentel
Banca avaliadora:
Professora Dr. Manoela Lopes Pimental
Professor Dr. Leonardo betoni
Maria de Fátima Andrade Costa Henriques

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