sábado, 9 de maio de 2009

Balançando Entre a Ciência e a Arte


By Douguera

Hayden White, historiador estadunidense, publicou na década de 70 a obra Meta Histórica, seu objetivo era a discussão a mercê da “artistica-essência” da história com referência ao ofício do historiador. Segundo White, a história seria um tipo específico de discurso, uma alegoria verbal em prosa sobre o passado, sendo ela, logo, assim como as fontes, nada mais nada menos do que representações do que denominamos passado. A história então, não seria uma ciência nem aqui nem lá na China, estando ela a flertar com a arte. Propriamente dito seria um tipo específico de arte.

Pois bem, sendo assim nós historiadores somos artistas. Não? White diz que os historiadores são responsáveis por fazer a reconstrução do passado em versos, por meio de uma linguagem figurativa, as vezes técnica, outras, racional e científica e há uma intrínseca diversificação de acordo com a circunstância de cada momento. A história vivida pelos vivos, ou melhor, os contemporâneos “do seu próprio tempo” não encontravam um sentido ou mesmo uma lógica interna para não dizer uma racionalidade do que estavam presenciando como testemunhas oculares de seus respectivos momentos. Sendo os historiadores, quando reconstroem o passado, responsáveis por dar margem à explicação, trazendo sentido aos acontecimentos acontecidos.

Assim sendo a narrativa não seria apenas a capitação de dados passados, mas sim a reconstrução de uma visão de mundo do historiador e isso é um fado inegável, pois todos querendo ou não, sabendo ou não temos visões de mundo.

No final dos anos sessenta (O marco seria os movimentos estudantis de 1968, na França e em outros países) o iluminismo, o marxismo, o positivismo, então modelos teóricos do século XVIII e XIX, cairiam em bancarrota de crédito. Em parte significativa, confirmou um distanciamento, bem enorme, dos historiadores das questões teóricas metodológicas de seu ofício. Resumindo: se a história não era uma ciência agora então, nesse momento de crise do discurso histórico e das teorias, é que não é mesmo.

Então, Jörn Rüsen, com o livro, Razão Histórica, trás a tona o debate a respeito da narrativa e do sentido histórico, fomentando uma reavaliação das teorias da história, delineando suas características e o seu papel para o ofício do historiador, batendo de frente com White quanto à cientificidade da história.

Dentre as questões propostas por Rüsen, como: definir o sentido histórico, assistir o estatuto da cientificidade e da racionalidade da disciplina história e pensar nas questões de cunho progresso da história como processo; eu destacaria a fomentação de uma “matriz disciplinar”. O objetivo da teoria da história é (se tornar) uma “matriz disciplinar da ciência histórica, a razão para tanto, é devido a falta de orientação da razão histórica, diria eu, da razão de existir da história, trazendo a tona “o que, em que consiste o pensamento histórico como fator importante para a vida prática”.

A teoria da história, teria que aprender os fatos e os pontos determinantes do conhecimento histórico, que delimitariam o campo de pesquisa. Essa “matriz disciplinar” agruparia em seu corpo cinco elementos principais: formas, funções, métodos, idéias e interesses. Isso seria nada mais nada menos do que uma aplicação teórica a fim de buscar a racionalidade da construção do sentido da história. Logo, a história será, ao contrário do que White pensa, uma ciência porque ciência é método.

Rüsen observa que a racionalidade, o sentido, o progresso é que delimitam as características do processo histórico. Alfineta White, que tentou fazer da história um artefato discursivo em forma de prosa, sendo deste modo um tipo específico de literatura. Questiona até que nível chegaria a verdade e a cientificidade do processo histórico, enquanto limitado a um tipo de arte. Encara Fernand Braudel e Marc Bloch, que acreditam que a história é uma “ciência em marcha”, uma “ pesquisa científica conduzida”, aqui eu diria que Rüsen é um extremista de sua causa, objetivando demonstrar os níveis de cientificidade da pesquisa histórica, querendo provar que a história é sim uma ciência, ainda que, disse ele, peculiar.

Por fim, Rüsen objetivou provar que a história quando conduzida por meio de procedimentos teóricos e empíricos, esta se transforma em um tipo específico de ciência. É nesse sentido que a teoria da história teria um papel fundamental na formação didática científica dos historiadores.




Bibliografias:

BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2002. 159

RÜSEN, Jörn. Razão histórica: teoria da história : os fundamentos da ciência histórica. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001. 194 p.

RÜSEN, Jörn. Reconstrução do passado: teoria da história II : os princípios da pesquisa histórica. Brasília: Ed. UnB, 2007. 187 p.

TORQUATO, Ronaldo. Monstros. Obra de arte em forma de pintura disponível em: http://www.ronaldotorquato.com/. Acesso em 09/05/09.

WHITE, Hayden V. Meta-história: a imaginação histórica do século XIX. v..v. 4. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1995. 456 p.

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