sexta-feira, 3 de abril de 2009

Quando a vida se torna uma mercadoria



by Douguera

Uma economia de mercado é aquela em que a totalidade das mercadorias são produzidas para fins lucrativos, ou seja, para serem vendidas. Uma sociedade de mercado, por sua vez, é conseqüência ultrajante do desenvolvimento da economia de mercado e é nesse ponto que, além das mercadorias, o próprio homem passa a ser tragado e subordinado pelo mercado.


Para se ter uma idéia mais clara a respeito de como é tamanha a dependência do homem para com o mercado, vejamos, por exemplo, o encontro do G 20, grupo que reúne os países ricos e os principais emergentes, que ocorreu em Londres no último dia 2 de abril (ano de 2009): o anfitrião, primeiro ministro inglês, Gordon Brown, deixou bem claro em entrevista que a intenção do encontro era a de “acalmar o mercado”, como se ele fosse um bicho encurralado pronto a pular na jugular do homem. O fato é que, o homem passou a viver do mercado e não sabe mais viver sem ele, ao ponto de a própria honra, jóia humana preciosa na Idade Média, estar sujeita a corruptibilidade do escambo, da troca, da venda.


O mercado, para autores a exemplo de Karl Polanyi, é algo satânico devorador de vidas humanas. O pior é que a entidade maligna se tornou auto-regulável a partir do advento do liberalismo e a ascensão das democracias liberais no século XVIII, as pessoas então passaram a viver de mercado, ao ponto de a própria vida humana se tornar uma mercadoria. E ao tentar ariscar uma definição mais sensata para mercadoria, encontramos que: "seria tudo aquilo produzido pelo trabalho humano para gerar renda". E como explicar então o caso de países africanos, onde mulheres engravidam para vender suas crias, isso é claro para não dizer da escravidão.



"O trabalho dignifica o homem". Diferentemente do que algumas pessoas acham o trabalho em si não é uma mercadoria, agora, a capacidade de trabalho essa sim é uma mercadoria, lucrativa e que está intimamente associada ao físico e ao psicológico do homem, ou seja, a vida do portador da capacidade de trabalho. Conseqüêntemente a vida está sendo comercializada como um objeto, e as pessoas se vendem a suaves e suadas prestações (o salário mínimo).


Bibliografias:

POLANYI, Karl. A Grande Transformação: As Origens de Nossa Época. Tradução de Fanny Wrobel. Rio de Janeiro: Campus, 1980 (1. ed. inglesa 1998).

HOBSBAWM, Eric J. Era dos Extremos: o breve século XX, 1914 - 1991. Tradução Marcos Santarrita. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 20001.

Escravidão Antes e nos Dias de Hoje. disponível em: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/10/398943.shtml. acessado em 03/04/2009.




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