sábado, 11 de abril de 2009

Positivismo By Douguera





Fundamentado na cientificidade e na organização técnica da sociedade moderna o positivismo encontra na experiência - análise e observação - a única forma de se chegar à verdade empírica. Idealizada pelo filósofo francês Auguste Marie Fraçois Comte (1758-1857), essa corrente de pensamento se fazia contrária à metafísica, defendendo que somente os fatos e fenômenos perceptíveis devem ser a razão do conhecimento.


Dentre as suas diversas premissas, destaca-se o fato de considerar que as sociedades humanas passam, de forma incondicional, por três estágios no decorrer de sua evolução.

  1. O estágio mitológico; identificado nas comunidades primitivas;
  2. O estágio teológico; perceptíveis em sociedades que se estruturam dogmaticamente em torno de religiões, a exemplo da sociedade cristã medieval;
  3. O estágio moderno; ocorrendo o afloramento das bases reacionais com o abandono do metafísico, como as sociedades industriais contemporâneas.


O positivismo teve um papel fundamental durante a transição monarquia república na História do Brasil, minando importantes setores das elites, sobre tudo o exército que defendia um poder forte e centralizador no executivo (ditadura republicana), capaz de fazer com que o país ultrapassasse o teológico e chegasse ao moderno sem seguir o modelo liberal, para tanto o governo tinha que ser capaz de combinar a ordem com progresso, lema de nossa bandeira.


O positivismo em História


Para as concepções de História sua aplicabilidade seria desarmoniosa, por isso para alguns, o positivismo em História, também conhecido como "escola metódica", seria uma “História de segundo grau”, não teria sido uma ciência, e sim distúrbios.


“O passado já passou nada temos que nos meter”. Assim o positivismo considera que as ciências naturais, que detém o conhecimento objetivo, seja o viés plausível de sua lógica epistemológica. A metodologia da História, portanto seria a mesma das ciências naturais e deveria estudar seu objeto da mesma maneira, com a esperada neutralidade e sem juízo de valores, logo a separação entre fatos e opinião quanto a isso, seria algo imprescindível.


É, portanto, por trás dos dados objetivos, nada de subjetivismo, que se esconde a doutrina positivista. Em uma concepção ampla, a sociedade seria regrada por leis naturais que são de caráter imutáveis e não dependem da intervenção arbitrária, deste modo a função básica da História seria o de reproduzir os fatos sem que estes se relacionem com o historiador. O sujeito (historiador) e qualquer que seja sua posição quanto ao objeto deve ser neutro.


A existência dos homens, inseridos no movimento constante de evolução de suas sociedades, está sujeita e condicionada a uma constante de fenômenos no decorrer do trajeto o que deixa marcas, pegadas - documentos - que serão utilizados para reconstruir o passado, logo os fatos e consequentemente a História estariam nos documentos. O historiador seria o cientista capaz de extrair a verdade dos documentos.


Bibliografias Relacionada

BOURDÉ, Guy; MARTIN, Hervé. AS ESCOLAS HISTÓRICAS. Europa-América, Lisboa, 1990.

CASSANI, Jorge Luis; AMUCHÁSTEGUI, A. J. Pérez. DEL EPOS A LA HISTORIA CIENTÍFICA.

Editorial Nova, Buenos Aires, 1971.

COMTE, Augusto. Os Pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1983.

William. FILOSOFIA DA HISTÓRIA. Zahar, Rio de Janeiro, 1977.

FOUCAULT, Michel. AS PALAVRAS E AS COISAS. Portugália, Col. Problemas/23, Lisboa, 1968.

GOFF, Jacques; NORA, Pierre (org.). HISTÓRIA: NOVOS PROBLEMAS, NOVAS ABORDAGENS, NOVOS OBJETOS. Francisco Alves, 3 vol., Rio de Janeiro, 1976.

Michael. IDEOLOGIA E CIÊNCIAS SOCIAIS. Cortez, São Paulo, 1985.

LOWY, Michael . AS AVENTURAS DE KARL MARX CONTRA O BARÃO DE MUNCHHAUSEN. Busca Vida, São Paulo, 1987.

MARROU, Henri-Irénée. SOBRE O CONHECIMENTO HISTÓRICO. Zahar, Rio de Janeiro, 1978.

MÉSZÁROS, Istvan. FILOSOFIA, IDEOLOGIA E CIÊNCIA SOCIAL. Ensaio, São Paulo, 1993.

RÜSEN, Jörn. NARRATIVIDADE E OBJETIVIDADE NAS CIÊNCIAS HISTÓRICAS. TEXTOS DE HISTÓRIA/75-102, vol. 4, nº 1, 1996.


Um comentário:

Anônimo disse...

quando vc fala da metodologia ser a mesma das ciências naturais incondicionalmente não seria se dirigir para interdiciplinaridade (interrogaçao)