sexta-feira, 10 de abril de 2009

Historicismo By Douguera



Compreender o homem e o real é em termos, diga simplificado, o objetivo do historicismo enquanto História. Apresentando-se como uma ciência, como filosofia ou ainda como a realidade, este jeito de fazer História, se apóia no eixo de onde partem os conceitos e os julgamentos.

Caminhando com cuidado podemos encontrar vários historicismos, dentre os quais: o antropológico, que mantém o homem no centro das atenções e como guia do conhecimento e do saber, é portanto, um historicismo epistemológico[1] que tem a história como supra-sumo da reflexão teórico-metodológica das ciências humanas; um historicismo cosmológico, que propaga a História na essência do próprio real, bebendo no viés do evolucionismo científico, todavia não estabelece um rigor avaliativo nas reflexões sobre o ser, os fenômenos, a existência.

Encontramos em Michael Löwy[2] (1985: 68,71) as três premissas fundamentais e básicas do historicismo:
1. Todo e qualquer fenômeno histórico pode ser compreendido pela História, dentro da História, em relação ao processo histórico;
2. Ressalta a diferença fundamental entre fato histórico e fato natural, sendo de caráter qualitativo diferentes;
3. De que o historiador – na qualidade de investigador, pesquisador – assim como seu objeto de pesquisa, está imerso no curso da História.

Essas premissas fogem dos limites da escola historicista e podem ser encontradas em autores como Hegel, Kant ou ainda em Dilthey[3]. Segundo Dilthey, enquanto o cientista natural limita-se a uma explicação externa aos fenômenos o historiador, na qualidade de cientista social, tem o dever de compreender o fenômeno chegando a seu significado. Então Dilthey encontra uma profunda contradição no historicismo: se por um lado ele, como ciência, vai à busca do conhecimento objetivo, por outro cada obra científica está vinculada a um modo de ver o mundo. Essa visão de mundo, que eu prefiro conceituar como posições, limita e torna unilateral a interpretação da realidade levando uma expressiva restrição à produção do conhecimento histórico. Isso é claro, é a visão de Dilthey enquanto crítico ferrenho do posicionamento ecléticao quanto aos fatos e as interpretações.


Historicismo relativista

Não existe uma ou “a” verdade, o que existem, no plural, são as verdades, que são resultado de pontos de vista individuais de posicionamentos específicos dentro de, por exemplo, uma convecção dogmática religiosa ou posicionamento político.

Embora, uma interpretação pessoal leve a resultados parciais e unilaterais, para Droysen[4] isso não é um problema, ele refuta a idéia de uma História singularmente objetiva e defende a tese de que a História verdadeira não pode ser levada à neutralidade, que a verdade é relativa. Se a interpretação é de esquerda, direita, centro ou conservadora, liberal, em fim, a história pode sim ser resultante de pontos de vista, de posicionamentos políticos ou outras alegorias, no mais, embora o comum e o geral sejam aceitos por todos os historiadores não se deve esquecer que somente depois de tomarmos posições é que chegaremos a um conhecimento mais rico elaboradamente, justificando assim o parcial o unilateral e o relativismo.



1. Epistemologia ou teoria do conhecimento (do grego [episteme], ciência, conhecimento; [logos], discurso) é um ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento. Em educação e filosofia da educação seria o estudo crítico das vários métodos didático-pedagógicos
2. Michael Löwy (São Paulo, 6 de maio de 1938) pensador marxista brasileiro radicado na França, diretor de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique.
3. Georg Wilhelm Friedrich Hegel foi um dos mais influentes filósofos alemães do século 19. Escreveu sobre psicologia, direito, história, arte e religião. Immanuel Kant, O filósofo alemão, nascido em 22 de Abril de 1724 é em geral, considerado o pensador mais influente e o último grande filósofo dos princípios da era moderna. Wilhelm Dilthey (Wiesbaden, 19 de novembro de 1833 — Siusi allo Sciliar, 1 de Outubro de 1911) foi um filósofo, psicólogo e pedagogo alemão.
4. Johann Gustav Droysen, Treptow an der Rega, Pomerania, 1808-Berlín, 1884) Filólogo, historiador y político alemán. Propugnó la unificación de Alemania y el papel directivo que debía tener Prusia. En 1848 fue elegido miembro del Parlamento de Frankfurt. Su obra más importante es Historia de la política prusiana, en 14 volúmenes (1855-1886), que dejó inacabada.


Bibliografias Relacionada

BLOCH, Marc. INTRODUÇÃO À HISTÓRIA. Europa-América, Sintra, 1976.
BRAUDEL, Fernand. HISTÓRIA E CIÊNCIAS SOCIAIS. Editorial Presença, Lisboa, 1972.
BURKE, Peter. HISTÓRIA E TEORIA SOCIAL. Unesp, São Paulo, 2002.
LOWY, Michael .AS AVENTURAS DE KARL MARX CONTRA O BARÃO DE MUNCHHAUSEN. Busca Vida, São Paulo, 1987.
CHARTIER, Roger. A HISTÓRIA CULTURAL ENTRE PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES. Bertrand, Rio de Janeiro, 1990.
FEBVRE, Lucien. COMBATES PELA HISTÓRIA. Editorial Presença, Lisboa, 1985.
GOFF, Jacques; NORA, Pierre (org.). HISTÓRIA: NOVOS PROBLEMAS, NOVAS ABORDAGENS, NOVOS OBJETOS. Francisco Alves, 3 vol., Rio de Janeiro, 1976.
MEINECKE, Friedrich. EL HISTÓRICISMO Y SU GENESIS. Fondo de Cultura Economica, México, 1943.
TÉTART, Philippe. PEQUENA HISTÓRIA DOS HISTORIADORES. EDUSC, Bauru, 2000.

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