sábado, 28 de fevereiro de 2009

Conservadorismo Vs modernização



Crônica by Douguera


Tinha lá seus 45 anos bem vividos, camisa social amarrotada, uma calça jeans surrada, cabelos a grisalhar, e um tom de voz típico de um patriarca, chefe de família, que me fez lembra meu próprio pai. Eu não consegui descobrir o seu nome, mas aquele homem me deu uma aula de conservadorismo Vs modernização, que vou lembrar pelo resto da vida.

Estava a desfrutar da linda paisagem da orla de Camburi, com a minha bunda sentada em uma poltrona de janela do ônibus linha 508, quando me dei conta do que o homem conversava com o amigo:

– “Minha vida toda trabainhei” – disse o homem mostrando as mãos calejadas com unhas pretas – “nunca farto nada dento de casa...”.

E aquilo me tirou a atenção dos coqueiros da praia e passei a sondar a conversa do homem com seu amigo. Disse ele que seu filho mais velho, “fii da puta” como ele classificou, quando tinha de trabalhar começava com uma história de que estava sentindo tonteiras e acabava ficando em casa. Tonteira vai tonteiras vem o homem disse ter gastado mais de mil conto em exames, neurologista, cardiologista, pediatra, “exarme da cabeça ao pé”, disse ele, e não deu nada.

– “Quele fii da puta, num queria é trabaia” – disse o homem.

Percebi que outras pessoas naquele coletivo também deslocavam suas atenções para o homem, que continuou: disse que um dia desses, o peste do menino fez “má criação” com a mãe, respondendo ela. O homem disse ter chamado o menino pro canto e enfatizado que da próxima vez que respondesse a mãe, iria levar na boca para aprender. O menino teria pego a sandália do pé e dito: “Bate! bate! que do parte na polícia.”

– “Aquilo me surbiu à cabeça” – disse o homem – “fechei a mão ia dar um coice de uns 120 Kilo na boca do peste, quando a mãe entra na frente. O raiva que me deu. A curpa disso é dessa Rita Camata. Tinha é que de levar esse mininu tudo lá pra ela cuida.” – esbravejou o homem puto e vermelho de raiva.

Só para lembrar, Rita Camata, esposa de Gerson Camata, foi responsável pelo projeto de lei nº 8.069/90, conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente, que instituiu normas gerais de proteção à infância e juventude no Brasil. Por essa lei ela ficou nacionalmente conhecida como a “puta dos menores” e o homem se queixara de que a lei “passa muito a mão na cabeça dos jovens” e que eles estavam virando todos uns vagabundos de mão cheia.

Meu ponto estava próximo, e o homem me dava a ultima lição: disse ele que quando criança o pai só olhava de rabo de olho e era o sinal para parar ou mudar de atitude imediatamente. Que já tinha apanhado desde cabo de vassoura a varinha de café, mas que não odiava o pai por isso, muito pelo contrário:

– “meu pai fez de mim um homi” – disse o homem – “e se a gente bate nesses mininu hoje, acaba como um homi preso”.

2 comentários:

Anônimo disse...

Douglas,

Quem diria, no mundo das crônicas.... é só orgulho.

Muito bem elaborada, filhote.

Abraço.

David

Apenas Alguém disse...

da época da ditadura jah tinha ouvido falar pela minha profossora qndo eu estudava tecnico em audio, ela é jornalista. qnto a quantidade de dívidas e emprestimos eu jah faço noção, pq manter três novelas e uma minissérie durante o ano, e ainda os seriados, precisa de mta verba.e isso vem td d brasilia, e olhe lá, se não sai d nosso bolso ainda, pq essa penca de imposto que nós pagamos, é brincadeira não. antes jah não gostava da globo, depois q comecei a estudar tec em audio, e ter aulas com a professora, essa q citei, q comecei a odiar mais a ainda a emissora, pela quantidade de lavagem cerebral q faz na população.

jah vi e ouvi mtas coisas no transcol, tanto de conversas, pq francamente, tem gente q conversa com uma pessoa, mas o onibus inteiro acaba escutando.

esses dias msm vi um tarado dentro do onibus, eu tava em vitória, tinha ido na ufes, na icm, e na volta peguei o onibus 507, e sentei nos bancos mais de tras, e lá pro ultimo banco, depois da ultima porta, tinha um rapaz q estava se masturbando dentro do onibus. e o onibus não estava vazio, não tinha ninguém em pé, mas até a terceira ponte, o rapaz foi se masturbando, e só parou pq teve resultado naquela reta da ponte onde ele gozou. e eu olhando td, e ele nem aí, socava como quem tivesse em casa. os banheiros do shopping jah estão um verdadeiro caos, jah cansei de entrar em banheiro do shopping vitória e ver gente se masturbando, pagando boquete, e recentemente me deparo com essa cena dentro do onibus, daki uns dias em vez de poltronas, irá haver camas pra uma rapidinha enquanto o onibus chega ao seu destino.

grande abraço
até mais
e vlw por ter favoritado