segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um Olhar Histórico e Crítico sobre a Crise Econômica Mundial

By Dougueira


No fim da última década, os EUA são encarados pelos Gurus do neoliberalismo como o motor da economia mundial. Essa exaltação de valor é concebida devido à exuberância tecnológica e ao esquecimento da crise de 1929. O império que caminhava a todo vapor parecia arrastar consigo toda sua corte moribunda e quem por ventura não se enquadrasse seria classificado como “eixo do mal”.


Porém, a harmonia do império é perturbada no ano de 2000, quando Clinton entrega o cetro e o trono à Bush, dar-se início então a uma recessão de caráter econômica e logo vem o assombroso 11 de setembro de 2001 que marca o lançamento de uma era militarista e unilateral aonde, Democratas e Republicanos dirigem um país na “contramão” dos seus valores históricos.


O negócio imobiliário aparece como um caminho prospero, mesmo que entre abismos, para a saída da recessão. Os novos investimentos só foram possíveis com as reduções fiscais e em meio a essa conjuntura econômica a indústria de armamento em conchavo com a indústria petroleira arquitetam a invasão do Iraque, em uma “new war of colonization”. Resultado foi um império caminhando em passos largos em abismos prósperos.


Os indicadores negativistas ascendem para a invasão do Iraque em dois módulos: inicialmente no fracassada mentira de Bush, hoje todos sabem as reais pretensões da Guerra do Iraque, e por outro ponto o aumento do Anti-Americanismo. Uma eventual retirada significaria uma nova e desastrosa derrocada (releve aqui o fato de que as tropas americanas amargam até hoje a derrota na Guerra do Vietnã, assim como também não tiveram grande êxito nas montanhas e cavernas do Afeganistão). A balança comercial Norte-americana caminha em um crescente déficit e por trás desse cenário desastroso, de um império a beira do abismo, aparece às mãos da especulação imobiliária que empurrou os EUA para a crise. Essa conjuntura factual, em resumo, se deu devido à baixa das taxas de juros, chegando ao míseros 1%; aliada a multiplicação dos incentivos públicos que, impulsionaram uma derradeira avalanche de empréstimos sobre o sonho consumista americano da habitação e por fim o esplendor inflacionário que fez os preços das casas e dos apartamentos chegarem à estratosfera e é aqui que surge o dilema de como pagar?


Boa parte dessa dívida caiu no viés da renegociação à taxas reajustáveis, todavia a subida inevitável dos juros golpeou o sistema financeiro desencadeando o surgimento do “caloteiro” americano e como conseqüência a derrubada dos valores imobiliários. E em uma segunda feira, onde a bruxa estava solta, um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu quebrado, insolvente.


Tudo isso apimentado por uma inevitável dependência energética, desde a década de 70 que a produção americana de petróleo vem decrescendo. Em 2001 os EUA importavam 53% de todo petróleo que consumia, acreditava-se que em 2020 esse porcentual ascenderia a 65%, mas nos primeiros meses de 2004 a dependência de petróleo americano chegou a 65,5% 1. Um em cada quatro barris de petróleo2 produzidos no mundo é queimado pelo motor americano que pede uma revisão. Um consumo voraz de uma máquina já desregulada que força o aumento dos preços, que por sua vez afeta países como o Brasil, mas não precisamos nos preocupar, “o Brasil está vacinado contra a crise”, diz Lula, mas cabe lembrar que vacinas são feitas a partir de vírus.


Tudo isso já pode ser visto em um efeito cascata: aumento do custo da produção; queda vertiginosa da mesma; os investimentos desaparecem como gatos com medo de água; os créditos são trancafiados pelos banqueiros capitalistas em seus desgraçados cofres; a produção fica tímida; os lucros se transformam em perdas da noite para o dia; a Padaria da esquina aumenta seus preços paralelamente à dispensa de suas duas faxineiras e a Maria dona de casa, mãe de quatro filhos, se vê na hora de cortar gastos. Por fim a cascata toma forma de uma enxurrada que leva ao desemprego, a fome, a miséria e a violência para o bueiro chamado Brasil.


Tudo isso nos leva a crer que a civilização burguesa, que está muito bem acomodada na classe executiva, passará por uma seqüência de turbulências levando consigo os tripulantes da classe semi-executiva e a “galera da geral”, mas isso é conseqüência da “compartilhização da mundialização do capitalismo”, que põe todos nos no mesmo barco. Não há espaço para autonomização de países como o Brasil, se pular da nave o primeiro para queda não vai abrir, pois foi mal dobrado pelos gargalos de nossa economia e o reserva, que são justamente nossas reservas em dólar que hoje está na casa de US$ 205 bilhões3, alguém deu "um jeitinho brasileiro" : meteu na cueca e em maletas.


(1) Fernando L. D'Alesandro, “Petróleo:¿punto final?“, La Insignia, septiembre 2004 ( www.lainsignia.org ).


(2) Agência Internacional de Energia ( www.iea.org ) e U.S. Energy Information Administration ( www.eia.doe.gov ).


(3) Canal Rural. Disponível em: http://www.canalrural.com.br/canalrural/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&action=noticias&id=2214484&section=noticias. Visitado em 20/10/2008.


Bibliografias:

U.S. National Debt Clock, ( www.brillig.com/debt_clock )


William Engdahl; “Estados Unidos:¿hacia una recesión en 2005?“, Enfoques Alternativos, número 26, septiembre 2004.


Fernando L. D'Alesandro, “Petróleo:¿punto final?“, La Insignia, septiembre 2004 ( www.lainsignia.org ).


Agência Internacional de Energia ( www.iea.org ) e U.S. Energy Information Administration ( www.eia.doe.gov
).


Ver o artigo “¿Hacia una crisis energética global?“ em "Enfoques Alternativos" n° 27, Buenos Aires, Octubre 2004.


Canal Rural. Disponível em: http://www.canalrural.com.br/canalrural/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&action=noticias&id=2214484&section=noticias. Visitado em 20/10/2008.

Um comentário:

Eder Lira disse...

Grande amigo Douglas barraqui faz-se necessário ressaltar que a crise estadounidense é primeiramente uma crise de irresponsabilidade e acima de tudo uma falsa impresão de poderio mundial.
Sabe-se que o ego dos
"sul-canadenses" é quase igual a dos nossos inimigos(e não hermanos)argentinos.Com isso verificou-se a crescente confiança na regencia do mundo isso culminou por fim nesse estrago da então insulperável potência americana.É interessante amigo barraqui e demais leitores as coincidências que podemos observar na terra dos YANKES no període que ronda as eleições.
Primeiro o caso das torre gemeas que o então Árabe involuído presentiou TIO SAN com uma chuva de aviões num certo setembro.
Agora nas vésperas do teatro que é as eleições,pois sabe-se que a diferença entre Democratas e Liberais é a mesma que se encontra entre a COCA ea PEPSI,acontece essa crise imobiliária.