segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Um Monarca Mecena, Um índio herói: são coisas que só um país tropical tem

“A ciência sou eu”, uma clara alusão a Luis XIV, o rei sol e, uma referência ao momento em que D. Pedro passa ser o artífice, um mecena do projeto que visava por meio da cultura, alcançar todo império. D. Pedro passa a ser conhecido desde então como o sábio imperador dos trópicos assegurando não só uma realeza, mas também destacando uma memória no reconhecimento de uma identidade cultural nacional.


Em 1838, D. Pedro II é convidado a ser o “protetor” do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) que pretendia fundar a história do Brasil tomando como modelo uma história de vultos e grandes personagens sempre exaltando as figuras heróicas da nação. Em síntese pretendia fomentar uma cronologia contínua e única, que visava um projeto maior: a “fundação da nacionalidade”. E o jovem monarca demonstrou-se, crescentemente empenhado em imprimir um “nítido caráter brasileiro” à nossa cultura, tanto que, a partir da década de 50 sua participação não se resumiu apenas financeiramente, passou a interessar-se pessoalmente pelo IHGB, tendo presidido um total de 506 sessões. Quando comparada com a pouca notoriedade do monarca na Câmara, só comparecendo no começo e no final do ano.


Por meio de financiamento direto, do incentivo ou do auxilio a poetas, músicos, pintores e cientistas, D. Pedro não só fortalecia a monarquia e o Estado, como também, a própria unificação nacional, sendo obrigatoriamente de caráter cultural. E é nessa conjuntura que se destaca o projeto romântico, para conformação de uma cultura “genuinamente nacional”.

A revista Niterói aparece como um marco do romantismo brasileiro. Seus organizadores buscavam a exaltação das originalidades locais, em um notório programa nativista enfatizando o lema: “Tudo pelo Brasil e para o Brasil”. D. Pedro adquire grande visibilidade na área da literatura ao financiar diretamente a obra A Confederação dos Tamoios, uma retomada ao modelo do “bom selvagem” de Rousseau, que luta pela liberdade contra os agressores portugueses. É a literatura cede ao indígena um modelo nobre e heróico, mesmo que perdedor na grande gênese do império.


Nessa configuração de representantes da formação da cultura genuinamente brasileira aparecem ainda: Gonçalves Dias, com o célebre poema, I Juca-Pirama; Iracema e O Guarani de Jose de Alencar. Nessas obras a valorização do pitoresco da paisagem e das gentes, do tipo em detrimento do genérico, encontrava-se no indígena o símbolo privilegiado, o representante da imagem ideal.


Na pintura o monarca também teve grande influência. A Academia Imperial de Belas Artes, criada em 1826, adaptou-se e proliferou o projeto de D. Pedro II. Destacando nomes como Manuel de Araújo Porto Alegre, Pedro Américo e Vitor Meireles de Lima. Artista, pintores, inseridos em um projeto imperial que os responsabilizavam pelos retratos oficiais, principalmente de D. Pedro II.


Tendo o indígena como símbolo, o romantismo “tupiniquim” alcançou grande destaque dentre os períodos literários. Na literatura na pintura os índios, idealizados com foram, nuca apareceram tão brancos; assim como também a cultura brasileira que se tornava mais genuinamente tropical. Sendo essa a configuração da melhor resposta para uma elite que se perguntava a respeito de sua identidade.


Bibliografia:
SCHWACZ, Lilia M. As Barbas do Imperador. São Paulo: companhia das letras, 1998.

FAORO, Raimundo. “Os Donos do Poder: A Formação do Patronato Brasileiro”. Porto Alegre/ São Paulo, globo/Edusp, 1975.

Um comentário:

Caipira em Hollywood disse...

Olá, Doug. Encontrei seu blog por acaso, e fiquei bastante interessada na sua pesquisa sobre a concepção de pobreza entre os valdenses. Pesquiso algo semelhante, a concepção de pobreza em uma comunidade da Igreja Católica.

Por favor, entra em contato comigo pelo blog para que, se tiver continuado com a pesquisa, possamos trocar materiais??