domingo, 12 de outubro de 2008

NOSSA TRAGÉDIA GREGA DE CADA DIA: "O FIGURANTE INVISÍVEL"


O mal é combatido e reparado com o mal, o impasse que alimenta a tragédia. E a gente percebe que tudo se completa e se amplia, pelo retardamento da ação e que todos nos vivemos uma Tragédia Grega nos dias de nossa invisível vida. "O FIGURANTE INVISÍVEL", obra teatral dirigida por Telma Smith, apresentada pelo Grupo Quintal de teatro, é uma daquelas peças que você vê porque ganhou o ingresso e quando termina de assistir a peça, você quer voltar e trazer uma pessoal que você ama muito, porque a peça é simplesmente um espetáculo grego e deve ser compartilhada. Sou suspeito para falar, deixo abaixo as palavras da própria Telma Smith:


“Em geral quando iniciamos o processo de montagem de uma peça, ensaiamos, ensaiamos e ensaiamos. Esse é cotidiano de muitas de teatro: muitas horas de ensaio. Seguimos trancados dentro de salas, numa busca incessante do homem dentro do autor, e achando o homem, poderemos chegar próximo ao personagem. Momentos nos quais as máscaras sociais são arrancadas são vistos e vividos, nessas salas encantadas, onde se busca encontrar a verdade na mentira.


Em ‘O Figurante Invisível’ de Romário Borelli, o espetáculo poderá vivenciar um pouco desses momentos, ora de criação artística, ora de desabafos apaixonados de ‘gente de teatro’. A brincadeira é instigar o espectador a pensar nessa gente escondida, com um pouco de ‘cigana’, fazendo uma ‘arte que no fundo é invisível’, dada a sua efemeridade.


Podemos ser artistas intelectuais saídos de academias, ou artistas populares, não importa nossa história, estamos com fraca voz. Carentes de uma política pública eficaz, que assegure a prática de pesquisa artística aliada a projetos intensos e coerentes de formação de público, continuamos abandonados às leis de incentivo, seguimos com nossos projetos embaixo dos braços, de porta em porta, esperando que uma boa alma nos atenda. Ás vezes temos sorte, às vezes nossos projetos são interessantes às ideologias de determinadas empresas, ou às vezes podemos ser uma boa propaganda, mas muitas vezes não é nada disso o que acontece.


Segundo o texto ‘nos desprezamos o dinheiro... vivemos na contramão’ ou, quem sabe, sem que percebemos, estamos vagarosamente nos marginalizando e sendo marginalizados. Afinal qual é o real papel que ‘as Dinas, Anteros e Ganzaarolis’ (nome dos personagens da peça) ocupam nesta sociedade?”


Ficha técnica:

* Texto: Romário Borelli *Rireção: Telam Smith *Produção: Miriam Gonçalves e Rosa Rasuck *Cenografia: José Algusto Loureiro *Figurinos e adereços: Luiza Fardin *Iluminação: Fábio Prieto *Cenotécinico: Luiz Claudio Siqueira *Operação de Luz: Willian Zane *Operador de Som: Odair Stocco *Sonoplastia: Carlos Rabello *Fotos: Gustavo Louzada *Elenco: Colette Dantas, Ednardo Pinheiro, Higor Campagnaro, José Augusto Loureiro *Consultoria Cênica: Antônio Januzelli *Consultoria Histórica: Estilaque Ferreira *Contra regra: Cosme Gonçalves *Camareira: Huana Gonçalves


A peça esta de quinta a domingo no teatro Galpão, apartir das 20 horas, leve alguém que você ame: amigo, namorada, mãe & pai. Eu recomendo.

Um comentário:

Yulliah, the Newbie disse...

Ma que beleza, rapá! Nota-se que não sois um nerd enfurnado numa biblioteca setorial! Sois um nerd cultural também! Ah, e o layout tá cada vez mais kawaii! Go go Douguera go go!