segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Das Pirâmides às Políticas Populacionais


Os resultados do último censo obtido da comparação das pirâmides etárias de 1980 e de 1991 indicam alterações significativas e importantes a serem analisadas, referente a composição da população do Espírito Santo.

Em 1980 a pirâmide do Espírito Santo possuia um formato piramidal, a de 1991 por sua vez dá indicativa de um rápido declínio da taxa de natalidade. “Essa é uma evolução tendenciosa”, diz o professor e, pesquisador pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Eder Lira.

Essa conjuntura transformadora e resultado de um processo denominado de transição demográfica, pelo qual, o baixo crescimento da população decorrente de níveis elevados de natalidade e mortalidade, o que justamente é percebido na pirâmide etária de 1980, cede espaço a uma paulatina estabilização onde tanto mortalidade quanto natalidade possuem níveis baixos. Perceptível é: a mortalidade decresce rapidamente em contra partida a fecundidade decresce em um ritmo mais lento.

Em países Centrais a queda da mortalidade é resultado do progresso médico-científico, melhorias das condições sanitárias, melhorias qualitativas e quantitativas dos alimentos assim como o aumento do grau de instrução.

O declínio da natalidade, por sua vez é um tanto quanto mais complexo de se analisar. Aqui, portanto, entra o caráter interdisciplinar desse meu tímido estudo a respeito das características gerais da estrutura etária da população do Espírito Santo, o que leva a um direcionamento ao campo da historiografia. Torna-se fundamental um bom entendimento a mercê das questões sociais, econômicas e culturais do país. Nas sociedades tradicionais a fecundidade elevada deveria contribuir não só para repor as perdas causadas pela mortalidade elevada como também para atender à produção familiar, filhos e terras são, portanto investimentos. Nesta sociedade, a relação quantidade de filhos, vezes o custo para mantê-los é inferior a nossa atual conjuntura e na idade produtiva a prole numerosa garante mão de obra à economia familiar. Nas sociedades modernas, o fluxo de bens e serviços opera na direção pais-filhos. Arcar com um filho é um investimento de risco e envolve despesas elevadas com baixo e até em muito dos casos sem nenhum retorno, pois ao atingir a vida adulta construirá seu próprio núcleo de produção. As conquistas em oportunidades de instrução e de trabalho implicam na redução do tempo dedicado aos afazeres domésticos, conseqüentemente torna-se ínfimo o tempo para um filho. Na medida em que a família toma conhecimento e tem acesso aos meios contraceptivos de controle e o planejamento familiar passa a ser socialmente aceito, a família diminui passando para o nível nuclear.

A transição demográfica é universal. Países Emergentes encontram-se na fase do processo em que a mortalidade declina mais rapidamente que a natalidade. É importante ressaltar que, as causas da transição ocorrida nos países centrais não explicam de maneira satisfatória o que ocorre atualmente nos países periféricos. O nível de mortalidade destes países está diminuindo, independentemente do aumento da expectativa de vida, isso se da graças a importação de técnicas médicas e sanitárias dos países ricos.

Em um século, de 1830 à 1930, a população do mundo passou de 1 a 2 bilhões de habitantes; a seguir foram necessários apenas 30 anos, de 1930 a 1960, para que ela atingisse a cifra de 3 bilhões; mais 15 anos, de 1960 à 1975, para chegar à 4 bilhões; 12 anos para passar dos 5 bilhões. Segundo o World POPClock Projection estamos neste momento (13/10/2008 às 22:08) com 6,729,944,898 almas (Disponível em: http://www.census.gov/main/www/popclock.html). Segundo dados das Nações Unidas, se a fecundidade diminuir no ritmo previsto, a população continuará a aumentar até o ano de 2200, quando se estabilizará com um efetivo populacional de 11,6 bilhões.

No Brasil esse processo foi iniciado nas primeiras décadas do século XX, o nível de mortalidade tendenciosamente deverá continuar à declinar, sobretudo a mortalidade infantil. A fecundidade baixa de forma gradativa: em 1960 eram 6,3 filhos por casal, em 1970 de 5,8 filhos por casal, atingindo em 1980 a marca de 4,4 filhos por casal. Ano passado era de 2,0 filhos por casal, hoje 1,95 filho por mulher e um aumento da população com mais de 60 anos, a população caminha para o envelhecimento a cada ano, de acordo com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada em 18 de setembro pelo IBGE.

No Espírito Santo a continua evolução deste processo gera modificações gradativas no peso dos diversos segmentos da população. A modificação mais marcante é a redução das barras inferiores da pirâmide de 1991. Paralelamente verifica-se o aumento das barras superiores, indicando o envelhecimento da população.

É importantíssima a relevância de estudos desse gênero ao passo que a evolução das tendências descritas, acarretam em modificações progressivas na distribuição em termos de proporcionalidade no tamanho das subpopulações escolar, ativa e senil e, conseqüentemente nas necessidades e demandas especificas de cada um desses segmentos. A exemplo: necessidade de mais escolas, analisar o impacto na população economicamente ativa, os gastos que podem aumentar na área da saúde, o rombo previdenciário, arrecadação. Em fim, uma serie de fatores devem ser levados em consideração.

Bibliografia:
U.S. and World Population Clocks – POPClocks: http://www.census.gov/main/www/popclock.html (A evolução da população pode ser conferida no site que é atualizado a todo momento).

BRITO, 2007. A transição demográfica do Brasil.

CASTIGLIONE. Características da Estrutura Etária da População no Espírito Santo.

2 comentários:

Eder disse...

GRANDE AMIGO CIêNTISTA BARRAQUI.
ÓTIMAS PUBLICAÇÃO À NIVEL ACADÊMICO E BEM ESECLARECEDOR NO QUE TANGE AO ASPECTO POPULACIONAL.
SABE-SE QUE ESSES ESTUDOS DEMOGRAFICOS SÃO DE IMPÔRTANCIA ÍMPAR QUANDO SE CARACTERIZA UMA POPULAÇÃO E NESSE ASPECTO A GEOGRAFIA TEM-SE DESTACADO COM VÁRIAS CONTRIBUIÇÕES DESDE ARTIGOS À MONOGRAFIAS CHEGANDO ATE PÓS GRADUAÇÕES,E NESSE QUESITO GOSTARIA DE RESSALTAR A IMPORTANCIA DA CIATADA PROFESSORA E AMIGA MINHA AURELIA CASTIGLIONE QUE ABORDA COM SEUS ESTUDOS ESSA VERTENTE

Caipira em Hollywood disse...

Carissimo, tambem adicionarei seu blog aos meus contatos blogueiros. Meu email eh flaviaslompo (arroba gmail ponto com) - estou com problemas para encontrar o arroba nesse teclado estrangeiro.

muito obrigada pela bibliografia!