segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um Olhar Histórico e Crítico sobre a Crise Econômica Mundial

By Dougueira


No fim da última década, os EUA são encarados pelos Gurus do neoliberalismo como o motor da economia mundial. Essa exaltação de valor é concebida devido à exuberância tecnológica e ao esquecimento da crise de 1929. O império que caminhava a todo vapor parecia arrastar consigo toda sua corte moribunda e quem por ventura não se enquadrasse seria classificado como “eixo do mal”.


Porém, a harmonia do império é perturbada no ano de 2000, quando Clinton entrega o cetro e o trono à Bush, dar-se início então a uma recessão de caráter econômica e logo vem o assombroso 11 de setembro de 2001 que marca o lançamento de uma era militarista e unilateral aonde, Democratas e Republicanos dirigem um país na “contramão” dos seus valores históricos.


O negócio imobiliário aparece como um caminho prospero, mesmo que entre abismos, para a saída da recessão. Os novos investimentos só foram possíveis com as reduções fiscais e em meio a essa conjuntura econômica a indústria de armamento em conchavo com a indústria petroleira arquitetam a invasão do Iraque, em uma “new war of colonization”. Resultado foi um império caminhando em passos largos em abismos prósperos.


Os indicadores negativistas ascendem para a invasão do Iraque em dois módulos: inicialmente no fracassada mentira de Bush, hoje todos sabem as reais pretensões da Guerra do Iraque, e por outro ponto o aumento do Anti-Americanismo. Uma eventual retirada significaria uma nova e desastrosa derrocada (releve aqui o fato de que as tropas americanas amargam até hoje a derrota na Guerra do Vietnã, assim como também não tiveram grande êxito nas montanhas e cavernas do Afeganistão). A balança comercial Norte-americana caminha em um crescente déficit e por trás desse cenário desastroso, de um império a beira do abismo, aparece às mãos da especulação imobiliária que empurrou os EUA para a crise. Essa conjuntura factual, em resumo, se deu devido à baixa das taxas de juros, chegando ao míseros 1%; aliada a multiplicação dos incentivos públicos que, impulsionaram uma derradeira avalanche de empréstimos sobre o sonho consumista americano da habitação e por fim o esplendor inflacionário que fez os preços das casas e dos apartamentos chegarem à estratosfera e é aqui que surge o dilema de como pagar?


Boa parte dessa dívida caiu no viés da renegociação à taxas reajustáveis, todavia a subida inevitável dos juros golpeou o sistema financeiro desencadeando o surgimento do “caloteiro” americano e como conseqüência a derrubada dos valores imobiliários. E em uma segunda feira, onde a bruxa estava solta, um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu quebrado, insolvente.


Tudo isso apimentado por uma inevitável dependência energética, desde a década de 70 que a produção americana de petróleo vem decrescendo. Em 2001 os EUA importavam 53% de todo petróleo que consumia, acreditava-se que em 2020 esse porcentual ascenderia a 65%, mas nos primeiros meses de 2004 a dependência de petróleo americano chegou a 65,5% 1. Um em cada quatro barris de petróleo2 produzidos no mundo é queimado pelo motor americano que pede uma revisão. Um consumo voraz de uma máquina já desregulada que força o aumento dos preços, que por sua vez afeta países como o Brasil, mas não precisamos nos preocupar, “o Brasil está vacinado contra a crise”, diz Lula, mas cabe lembrar que vacinas são feitas a partir de vírus.


Tudo isso já pode ser visto em um efeito cascata: aumento do custo da produção; queda vertiginosa da mesma; os investimentos desaparecem como gatos com medo de água; os créditos são trancafiados pelos banqueiros capitalistas em seus desgraçados cofres; a produção fica tímida; os lucros se transformam em perdas da noite para o dia; a Padaria da esquina aumenta seus preços paralelamente à dispensa de suas duas faxineiras e a Maria dona de casa, mãe de quatro filhos, se vê na hora de cortar gastos. Por fim a cascata toma forma de uma enxurrada que leva ao desemprego, a fome, a miséria e a violência para o bueiro chamado Brasil.


Tudo isso nos leva a crer que a civilização burguesa, que está muito bem acomodada na classe executiva, passará por uma seqüência de turbulências levando consigo os tripulantes da classe semi-executiva e a “galera da geral”, mas isso é conseqüência da “compartilhização da mundialização do capitalismo”, que põe todos nos no mesmo barco. Não há espaço para autonomização de países como o Brasil, se pular da nave o primeiro para queda não vai abrir, pois foi mal dobrado pelos gargalos de nossa economia e o reserva, que são justamente nossas reservas em dólar que hoje está na casa de US$ 205 bilhões3, alguém deu "um jeitinho brasileiro" : meteu na cueca e em maletas.


(1) Fernando L. D'Alesandro, “Petróleo:¿punto final?“, La Insignia, septiembre 2004 ( www.lainsignia.org ).


(2) Agência Internacional de Energia ( www.iea.org ) e U.S. Energy Information Administration ( www.eia.doe.gov ).


(3) Canal Rural. Disponível em: http://www.canalrural.com.br/canalrural/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&action=noticias&id=2214484&section=noticias. Visitado em 20/10/2008.


Bibliografias:

U.S. National Debt Clock, ( www.brillig.com/debt_clock )


William Engdahl; “Estados Unidos:¿hacia una recesión en 2005?“, Enfoques Alternativos, número 26, septiembre 2004.


Fernando L. D'Alesandro, “Petróleo:¿punto final?“, La Insignia, septiembre 2004 ( www.lainsignia.org ).


Agência Internacional de Energia ( www.iea.org ) e U.S. Energy Information Administration ( www.eia.doe.gov
).


Ver o artigo “¿Hacia una crisis energética global?“ em "Enfoques Alternativos" n° 27, Buenos Aires, Octubre 2004.


Canal Rural. Disponível em: http://www.canalrural.com.br/canalrural/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&action=noticias&id=2214484&section=noticias. Visitado em 20/10/2008.

Tradicionalismo Vs A Modernização

Mesmo em um ritmo lento, há pelo menos um século, o Brasil vem se modernizando a despeito da existência de uma sociedade, que até hoje, preserva certo grau de conservadorismo e tradicionalismo. Um caminho que começou a ser traçado a partir de 1850 até à Primeira Guerra Mundial que combinou um conjunto de transformações que, embora se deflagrasse em um ritmo lento, foram bem reais e minaram o antigo regime.


A maior crise foi a Guerra do Paraguai, de 1865 a 1870, consolidou as forças das cidades, preocupando a sociedade brasileira que não podia ignorá-la. Trouxe ao império uma eventual derrocada a partir da perda da base de apoio de uma de suas principais instituições o exército brasileiro. Um fato de fundamental relevância é que o conflito proporcionou um grande insumo à manufatura de bens de consumo e, antes de seu termino, a ala progressista brasileira composta por industriais passaram a acreditar na potencialidade do mercado interno.


Uma potencial energia foi direcionada para preparar o terreno para uma vigorosa industrialização após 1980. O aumento do comercio de exportação, principalmente de café, estimulou de forma satisfatória a formação de novos centros urbanos e o desenvolvimento comercial e a extinção do tráfico negreiro, em 1850, direcionou capitais em outros ramos da atividade. Tudo isso impulsionou drásticas modificações no âmbito da sociedade tradicional.


Quanto às influências e inovações externas, os brasileiros só aceitavam as que de algum modo fossem úteis às suas necessidades e, deste modo, as idéias liberais fomentavam um atrativo especial pautando o conceito de igualdade. Outros ainda preferiam o positivismo de Conte que entrou em voga após a Guerra do Paraguai, visando um olhar científico e panorâmico do mundo em geral, atacando diretamente o regime tradicional.


Pedro II, este não pode ser confundido com a posição que ocupava. Diferentemente do pai ele foi educado nos ideais iluministas acreditava na liberdade individual, mobilidade social e na expansão comercial; provavelmente o homem mais instruído do Brasil. Não se pode dizer que esteve contra a modernização, mas também não se pode afirmar sua participação efetiva no processo.


As ferrovias trouxeram um vapor a mais à modernização, as ligações entre o Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Santos rompendo com as dificuldades financeiras e com os contrapostos naturais, foi talvez de maior importância que a Guerra do Paraguai. Auxiliando grandemente para o desenvolvimento e a extensão do comercio, mas ainda sim havia obstáculos ao contínuo crescimento das empresas manufatureiras, algumas regiões permaneciam intocadas pelo grandiosismo do Brasil.


O fato é que, o processo de modernização foi de fundamental importância para o rompimento com o tradicionalismo e não se pode negar que a produção cafeeira teve participação preponderante nesse processo assim como as influências externas dos ideais de liberalismo e positivismo que forçavam as modificações no seio da sociedade tradicional.


bibliografia:


GRAHOM, Richard. Grã-Bretanha e o inicio da modernização no Brasil. Brasiliense 1973.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Das Pirâmides às Políticas Populacionais


Os resultados do último censo obtido da comparação das pirâmides etárias de 1980 e de 1991 indicam alterações significativas e importantes a serem analisadas, referente a composição da população do Espírito Santo.

Em 1980 a pirâmide do Espírito Santo possuia um formato piramidal, a de 1991 por sua vez dá indicativa de um rápido declínio da taxa de natalidade. “Essa é uma evolução tendenciosa”, diz o professor e, pesquisador pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Eder Lira.

Essa conjuntura transformadora e resultado de um processo denominado de transição demográfica, pelo qual, o baixo crescimento da população decorrente de níveis elevados de natalidade e mortalidade, o que justamente é percebido na pirâmide etária de 1980, cede espaço a uma paulatina estabilização onde tanto mortalidade quanto natalidade possuem níveis baixos. Perceptível é: a mortalidade decresce rapidamente em contra partida a fecundidade decresce em um ritmo mais lento.

Em países Centrais a queda da mortalidade é resultado do progresso médico-científico, melhorias das condições sanitárias, melhorias qualitativas e quantitativas dos alimentos assim como o aumento do grau de instrução.

O declínio da natalidade, por sua vez é um tanto quanto mais complexo de se analisar. Aqui, portanto, entra o caráter interdisciplinar desse meu tímido estudo a respeito das características gerais da estrutura etária da população do Espírito Santo, o que leva a um direcionamento ao campo da historiografia. Torna-se fundamental um bom entendimento a mercê das questões sociais, econômicas e culturais do país. Nas sociedades tradicionais a fecundidade elevada deveria contribuir não só para repor as perdas causadas pela mortalidade elevada como também para atender à produção familiar, filhos e terras são, portanto investimentos. Nesta sociedade, a relação quantidade de filhos, vezes o custo para mantê-los é inferior a nossa atual conjuntura e na idade produtiva a prole numerosa garante mão de obra à economia familiar. Nas sociedades modernas, o fluxo de bens e serviços opera na direção pais-filhos. Arcar com um filho é um investimento de risco e envolve despesas elevadas com baixo e até em muito dos casos sem nenhum retorno, pois ao atingir a vida adulta construirá seu próprio núcleo de produção. As conquistas em oportunidades de instrução e de trabalho implicam na redução do tempo dedicado aos afazeres domésticos, conseqüentemente torna-se ínfimo o tempo para um filho. Na medida em que a família toma conhecimento e tem acesso aos meios contraceptivos de controle e o planejamento familiar passa a ser socialmente aceito, a família diminui passando para o nível nuclear.

A transição demográfica é universal. Países Emergentes encontram-se na fase do processo em que a mortalidade declina mais rapidamente que a natalidade. É importante ressaltar que, as causas da transição ocorrida nos países centrais não explicam de maneira satisfatória o que ocorre atualmente nos países periféricos. O nível de mortalidade destes países está diminuindo, independentemente do aumento da expectativa de vida, isso se da graças a importação de técnicas médicas e sanitárias dos países ricos.

Em um século, de 1830 à 1930, a população do mundo passou de 1 a 2 bilhões de habitantes; a seguir foram necessários apenas 30 anos, de 1930 a 1960, para que ela atingisse a cifra de 3 bilhões; mais 15 anos, de 1960 à 1975, para chegar à 4 bilhões; 12 anos para passar dos 5 bilhões. Segundo o World POPClock Projection estamos neste momento (13/10/2008 às 22:08) com 6,729,944,898 almas (Disponível em: http://www.census.gov/main/www/popclock.html). Segundo dados das Nações Unidas, se a fecundidade diminuir no ritmo previsto, a população continuará a aumentar até o ano de 2200, quando se estabilizará com um efetivo populacional de 11,6 bilhões.

No Brasil esse processo foi iniciado nas primeiras décadas do século XX, o nível de mortalidade tendenciosamente deverá continuar à declinar, sobretudo a mortalidade infantil. A fecundidade baixa de forma gradativa: em 1960 eram 6,3 filhos por casal, em 1970 de 5,8 filhos por casal, atingindo em 1980 a marca de 4,4 filhos por casal. Ano passado era de 2,0 filhos por casal, hoje 1,95 filho por mulher e um aumento da população com mais de 60 anos, a população caminha para o envelhecimento a cada ano, de acordo com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada em 18 de setembro pelo IBGE.

No Espírito Santo a continua evolução deste processo gera modificações gradativas no peso dos diversos segmentos da população. A modificação mais marcante é a redução das barras inferiores da pirâmide de 1991. Paralelamente verifica-se o aumento das barras superiores, indicando o envelhecimento da população.

É importantíssima a relevância de estudos desse gênero ao passo que a evolução das tendências descritas, acarretam em modificações progressivas na distribuição em termos de proporcionalidade no tamanho das subpopulações escolar, ativa e senil e, conseqüentemente nas necessidades e demandas especificas de cada um desses segmentos. A exemplo: necessidade de mais escolas, analisar o impacto na população economicamente ativa, os gastos que podem aumentar na área da saúde, o rombo previdenciário, arrecadação. Em fim, uma serie de fatores devem ser levados em consideração.

Bibliografia:
U.S. and World Population Clocks – POPClocks: http://www.census.gov/main/www/popclock.html (A evolução da população pode ser conferida no site que é atualizado a todo momento).

BRITO, 2007. A transição demográfica do Brasil.

CASTIGLIONE. Características da Estrutura Etária da População no Espírito Santo.

domingo, 12 de outubro de 2008

NOSSA TRAGÉDIA GREGA DE CADA DIA: "O FIGURANTE INVISÍVEL"


O mal é combatido e reparado com o mal, o impasse que alimenta a tragédia. E a gente percebe que tudo se completa e se amplia, pelo retardamento da ação e que todos nos vivemos uma Tragédia Grega nos dias de nossa invisível vida. "O FIGURANTE INVISÍVEL", obra teatral dirigida por Telma Smith, apresentada pelo Grupo Quintal de teatro, é uma daquelas peças que você vê porque ganhou o ingresso e quando termina de assistir a peça, você quer voltar e trazer uma pessoal que você ama muito, porque a peça é simplesmente um espetáculo grego e deve ser compartilhada. Sou suspeito para falar, deixo abaixo as palavras da própria Telma Smith:


“Em geral quando iniciamos o processo de montagem de uma peça, ensaiamos, ensaiamos e ensaiamos. Esse é cotidiano de muitas de teatro: muitas horas de ensaio. Seguimos trancados dentro de salas, numa busca incessante do homem dentro do autor, e achando o homem, poderemos chegar próximo ao personagem. Momentos nos quais as máscaras sociais são arrancadas são vistos e vividos, nessas salas encantadas, onde se busca encontrar a verdade na mentira.


Em ‘O Figurante Invisível’ de Romário Borelli, o espetáculo poderá vivenciar um pouco desses momentos, ora de criação artística, ora de desabafos apaixonados de ‘gente de teatro’. A brincadeira é instigar o espectador a pensar nessa gente escondida, com um pouco de ‘cigana’, fazendo uma ‘arte que no fundo é invisível’, dada a sua efemeridade.


Podemos ser artistas intelectuais saídos de academias, ou artistas populares, não importa nossa história, estamos com fraca voz. Carentes de uma política pública eficaz, que assegure a prática de pesquisa artística aliada a projetos intensos e coerentes de formação de público, continuamos abandonados às leis de incentivo, seguimos com nossos projetos embaixo dos braços, de porta em porta, esperando que uma boa alma nos atenda. Ás vezes temos sorte, às vezes nossos projetos são interessantes às ideologias de determinadas empresas, ou às vezes podemos ser uma boa propaganda, mas muitas vezes não é nada disso o que acontece.


Segundo o texto ‘nos desprezamos o dinheiro... vivemos na contramão’ ou, quem sabe, sem que percebemos, estamos vagarosamente nos marginalizando e sendo marginalizados. Afinal qual é o real papel que ‘as Dinas, Anteros e Ganzaarolis’ (nome dos personagens da peça) ocupam nesta sociedade?”


Ficha técnica:

* Texto: Romário Borelli *Rireção: Telam Smith *Produção: Miriam Gonçalves e Rosa Rasuck *Cenografia: José Algusto Loureiro *Figurinos e adereços: Luiza Fardin *Iluminação: Fábio Prieto *Cenotécinico: Luiz Claudio Siqueira *Operação de Luz: Willian Zane *Operador de Som: Odair Stocco *Sonoplastia: Carlos Rabello *Fotos: Gustavo Louzada *Elenco: Colette Dantas, Ednardo Pinheiro, Higor Campagnaro, José Augusto Loureiro *Consultoria Cênica: Antônio Januzelli *Consultoria Histórica: Estilaque Ferreira *Contra regra: Cosme Gonçalves *Camareira: Huana Gonçalves


A peça esta de quinta a domingo no teatro Galpão, apartir das 20 horas, leve alguém que você ame: amigo, namorada, mãe & pai. Eu recomendo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Um Monarca Mecena, Um índio herói: são coisas que só um país tropical tem

“A ciência sou eu”, uma clara alusão a Luis XIV, o rei sol e, uma referência ao momento em que D. Pedro passa ser o artífice, um mecena do projeto que visava por meio da cultura, alcançar todo império. D. Pedro passa a ser conhecido desde então como o sábio imperador dos trópicos assegurando não só uma realeza, mas também destacando uma memória no reconhecimento de uma identidade cultural nacional.


Em 1838, D. Pedro II é convidado a ser o “protetor” do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) que pretendia fundar a história do Brasil tomando como modelo uma história de vultos e grandes personagens sempre exaltando as figuras heróicas da nação. Em síntese pretendia fomentar uma cronologia contínua e única, que visava um projeto maior: a “fundação da nacionalidade”. E o jovem monarca demonstrou-se, crescentemente empenhado em imprimir um “nítido caráter brasileiro” à nossa cultura, tanto que, a partir da década de 50 sua participação não se resumiu apenas financeiramente, passou a interessar-se pessoalmente pelo IHGB, tendo presidido um total de 506 sessões. Quando comparada com a pouca notoriedade do monarca na Câmara, só comparecendo no começo e no final do ano.


Por meio de financiamento direto, do incentivo ou do auxilio a poetas, músicos, pintores e cientistas, D. Pedro não só fortalecia a monarquia e o Estado, como também, a própria unificação nacional, sendo obrigatoriamente de caráter cultural. E é nessa conjuntura que se destaca o projeto romântico, para conformação de uma cultura “genuinamente nacional”.

A revista Niterói aparece como um marco do romantismo brasileiro. Seus organizadores buscavam a exaltação das originalidades locais, em um notório programa nativista enfatizando o lema: “Tudo pelo Brasil e para o Brasil”. D. Pedro adquire grande visibilidade na área da literatura ao financiar diretamente a obra A Confederação dos Tamoios, uma retomada ao modelo do “bom selvagem” de Rousseau, que luta pela liberdade contra os agressores portugueses. É a literatura cede ao indígena um modelo nobre e heróico, mesmo que perdedor na grande gênese do império.


Nessa configuração de representantes da formação da cultura genuinamente brasileira aparecem ainda: Gonçalves Dias, com o célebre poema, I Juca-Pirama; Iracema e O Guarani de Jose de Alencar. Nessas obras a valorização do pitoresco da paisagem e das gentes, do tipo em detrimento do genérico, encontrava-se no indígena o símbolo privilegiado, o representante da imagem ideal.


Na pintura o monarca também teve grande influência. A Academia Imperial de Belas Artes, criada em 1826, adaptou-se e proliferou o projeto de D. Pedro II. Destacando nomes como Manuel de Araújo Porto Alegre, Pedro Américo e Vitor Meireles de Lima. Artista, pintores, inseridos em um projeto imperial que os responsabilizavam pelos retratos oficiais, principalmente de D. Pedro II.


Tendo o indígena como símbolo, o romantismo “tupiniquim” alcançou grande destaque dentre os períodos literários. Na literatura na pintura os índios, idealizados com foram, nuca apareceram tão brancos; assim como também a cultura brasileira que se tornava mais genuinamente tropical. Sendo essa a configuração da melhor resposta para uma elite que se perguntava a respeito de sua identidade.


Bibliografia:
SCHWACZ, Lilia M. As Barbas do Imperador. São Paulo: companhia das letras, 1998.

FAORO, Raimundo. “Os Donos do Poder: A Formação do Patronato Brasileiro”. Porto Alegre/ São Paulo, globo/Edusp, 1975.

sábado, 4 de outubro de 2008

"VOTA BRASIL"

Vota Brasil, by Douguera


“Jovem, o futuro do país está em suas mãos!”. Não seria um fardo de responsabilidade muito grande, levando em conta a sujeira do quarto desse jovem? Uma verdadeira mixórdia, sem a mínima idéia de por onde começar o decoro (leia-se aqui limpeza). Em um desses dias da história da cidadela desse país uns morreram na luta pelo exercício da cidadania, hoje uns morrem de RAAAAAIVA de exercê-la.


O título de eleitor, objeto pelo qual usufruimos o direito de cidadania, tornou-se um instrumento ditatorial evidenciado pelo repúdio e o desinteresse por esse exercício. Como quase um “Golpe da Maioridade”, da maioridade jurídica, esse jovem se vê em um “ser ou não ser”: ou põe um, no mais baixo escalão do palavreado chulo, bandido no poder, ou deixa que os outros coloquem.


Tem razão esse desinteresse, essa desmotivação dos jovens pela política do país levando em conta os últimos escândalos, práticas de banditismo e “brincanagens da sacaneja”, tão bem exercidas por nossos representantes. Empresas com nomes fantasmas, que deixariam até os Caça-Fantasmas de cabelo em pé; com nomes de laranjas, pese o fato e não é por um acaso que o Brasil é o maior produtor de laranja e exportador de suco concentrado de laranja do mundo; pacotes sem aprovação pelo congresso nacional; desvios faraônicos de dinheiro público, aquele seu dinheiro você se lembra leitor? Dentre outras maracutaias que não é meu objetivo e não vem ao caso aqui.


A fim de aumentar seus quadros nas câmaras e prefeituras de todo o Estado, os dirigentes partidários estão apostando suas fichas em candidatos jovens e em umas figuras um tanto quanto excêntricas e porque não exóticas. “A participação dos jovens na disputa é garantia de que a cidadania vai ser exercida na vida pública nos próximos anos”, diz o deputado Neucimar Fraga (PR), um grande discípulo de Bismarck – depois de conquistar o PSDB, o PP e o PTB em um quadro de alianças partidárias, que será muito benéfica à Cariacica (olha, eu tenho minhas dúvidas). E com certeza se você for ver a lista de candidatos a camara de vereadores e prefeituras dos 78 municípios, divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral, você vai tomar um susto e ou rir de malhar o abdômen quando ver figuras do tipo: Chica Chiclete, Zé da Foice, Chic Bem, Maca e até Saci Pererê, falto só a Curupira porque a mula-sem-cabeça já deve estar jardas a frente da corrida eleitoral.


Não duvido da capacidade política administrativa de todos os candidatos aqui mencionados, eles acabam ganhando na pior ou na melhor das hipóteses. Todavia, o carma de tudo é ouvir as piadinhas do tipo: “vou votar no Saci Pererê, porque se ele tentar passar a perna no povo ele cai”.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A REBELDIA AJUSTA AS CAUSAS


O sete de setembro de 1822 não significou uma ruptura com o passado: um Estado estava em funcionamento e ele continuou, todavia com sete de abril de 1831 ficou mais que notório que a organização do Estado não era fácil.


Segundo Iglesias não havia um sentimento nacional, mas sim um localismo, um apego as varias regiões e, são nas insurgências do período regencial, momento mais agitada e fascinante da história brasileira, que vai surgir esse sentimento nacional. Através dos choques ocorridos é que se armam as estruturas da nação. Da luta, diz o autor, surgem os partidos; das explorações populares sairá à unidade; a ideologia política ganha contornos com liberais e conservadores e gradativamente as província adquirem o sentido da nacionalidade superando então o regionalismo.


Com a abdicação de dom Pedro, seu filho com apenas cinco anos de idade é aclamado imperador. Todavia, de acordo com a carta constituinte, ele só poderia assumir o posto aos dezoito anos de idade. E com a minoridade, o Brasil deveria ser governado por um sistema de regência trina. Os entraves políticos foram protagonizados por facções, uma vez que ainda não há partidos organizado: liberais radicais (farroupilhas); moderados (chimancos) e restauradores (caramurus). Em meio a situação de caos é criada, com a finalidade de garantir a ordem nacional, a Guarda Nacional, ou milícia cidadã e ainda o Ato Adicional, única mudança feita na constituição aspirada pelos liberais, com uma descentralização política administrativa. Em meio à desarmonia dos três regentes é criada a Regência Una, como primeiro regente é eleito Diogo Antonio Feijó. De personalidade forte não conseguiu se harmonizar com o legislativo e se, pois impotente frente às revoltas, optou pela renúncia. Pedro Araújo Lima passa a ser o regente, conservador, evita os atritos e consegue sobrepor-se às contestações.


E quando se definem os partidos, o golpe da maioridade é aplicado, fazendo dom Pedro ainda menor de idade assumir o governo, sendo esse fato uma vitória dos liberais. Termina assim a regência; na ordem jurídica a constituição era motivo de críticas desde o seu primeiro instante devido seu caráter centralizador, e o Código Criminal, este era de caráter liberal; com leis adjetivas e é revolucionário.


Opondo-se as autoridades nomeadas pelo governo central, aos monopólios comerciais, reivindicações por terra, assim se configuraram as diversas revoltas deste período. Participaram delas gente da cidade do campo, senhores, comerciantes, padres funcionários públicos, ex-escravos, escravos, índios, mestiços e negros.


O caso da cabanagem, no Pará, de 1835 a 1840, iniciada em Belém chegou ao interior, recusando a autoridade nomeada. Teve grande participação de índios e mestiços que foram auxiliados pelas condições hidrográficas e pela floresta, Acabou pelo emprego da violência pelo governo central. A Balaiada, no Maranhão, de 1838 a 1841, obteve a feição de uma espécie de banditismo sertanejo, os ataques a propriedades particulares era resultado da pobreza absoluta; Luís Alves de Lima adquire seu título nobiliárquico. A sabinada, na Bahia, de 1837 a 1838, o protesto que atingiu o interior desejava a instauração da República Baiense até que dom Pedro chegasse à maioridade, tendo com chefe cirurgião Francisco Sabino. Farrapos no Rio Grande do Sul, de 1835 a 1845, a mais intensa por contar com direções bem treinadas e experientes tanto em política quanto em combates. Todavia os motivos econômicos foram bem mais fortes que os políticos. Os gaúchos atribuem os males aos pesados tributos.


Portanto com a regência viu-se que a organização do Estado não havia de ser nada fácil. Dom Pedro II começa então, após o golpe da maioridade reger um sistema rígido, unitário e centralizador, traçando a longa história dos 49 anos do segundo reinado.


bibliografia:

IGLESIAS, F. –Trajetória Política do Brasil (1500-1964), São Paulo, comp. Das Letras, 1993.