sábado, 27 de setembro de 2008

A RUPTURA



Analise de autores por douguera


Uma visão marxista, como do autor Fernando Novais, que opta por uma argumentação mais diversa e global diz que a crise do sistema colonialista está intrinsecamente ligada ao surgimento do capitalismo industrial, na segunda metade do século XVIII. A partir desse momento, segundo Novais, abre-se a crise em todo o sistema, ou seja, a visão liberal da revolução industrial, que está a todo vapor na Inglaterra, conflita com a política mercantilista e o pacto colonial.


Outra tese que pode ser muito bem combatida é a de que a crise do sistema colonial está ligada à crise da produção aurífera no Brasil. Segundo Valentim Alexandre, de 1796 a 1807, o Brasil e o Império português desfrutavam de uma prosperidade econômica. Valentim chegou a essa conclusão se debruçando em cima de analises de balanças comerciais. Uma visão marxista argumenta que com a queda na produção aurífera a partir de meados do século XVIII, deu-se inicio a corrosão das bases do sistema colonial que por conseqüente levaria ao processo de emancipação. Valentim prova que as balanças comerciais estiveram favoráveis graças a uma diversificação da economia colonial, ou seja, não se produzia apenas ouro.


Esse projeto de diversificação econômica, fomentada pelas medidas pombalinas, idealizadas por Marques de Pombal (1750 a 1777) pode ser muito bem observado no norte da colônia com o aumento na exploração das “drogas do sertão”, criação da Companhia de Comércio do Grão-Pará; no nordeste, criação da Companhia de Comércio do Maranhão, revitalização da produção açucareira – isso graças a crise instaurada no Haiti 1791 a 1804. No sul a técnica do charqueamento é desenvolvida, assim como o aumento da exploração do couro e o sebo. Podemos ir ainda além, segundo Valentim, nesse momento houve uma ampliação do tráfico negreiro e nas próprias Minas Gerais, que sofria com a queda da produção aurífera, pode se falar em diversificação econômica.


A conclusão de Valentim, portanto, é que o sistema colonial não entrou em crise por uma conjuntura econômica, mas sim por influências externas e de caráter política. Todavia, Valentim comete um erro a desprezar a importância dos movimentos como a inconfidência Mineira de 1789, que podemos melhor conceituar como Conjuração, e a Conjuração Baiana 1798. Segundo o autor, nesses movimentos impera a defesa de interesses imediatistas de grupos restritos, locais, que nunca assumirão uma posição de defesa ampla da população colonial, portanto não resultara em uma crise geral do sistema colonial.


Porém, Estilaque Ferreira dos Santos, mestrado em Sociologia e doutorado em História Econômica pela Universidade de São Paulo (1997), atualmente professor adjunto da Universidade Federal do Espírito Santo, argumenta que essas revoltas separatistas, mesmo que localizadas, tiveram sim uma grande importância na construção do Estado Brasileiro. Importância essa que não se pode descartar ao passo que significaram em movimentos precursores da emancipação, e que deram nítido exemplo da insatisfação dos que se identificavam com a terra, para com os laços coloniais.


Ambos os autores podem ser muito bem aproveitados no estudo da história do Brasil, não podemos é claro, descartar a importância de seus estudos assim como também deixar de discutir suas teses. Fica aqui a minha analise.

bibliografia:

ALEXANDRE, Valentim. "Os Sentidos do Império". Porto, Afrontamento, 1994- capítulo: Política Colonial e a Inconfidência.


SILVA, Wlamir. Autonomismo, contratualismo e Projeto Pedrino: Minas Gerais na Independência.





4 comentários:

Yulliah, the Newbie disse...

Análise miuto bem colocada, meu bom comedor de paçoquinha. A academia, buscando verdades, absolutiza a verdade dos autores, gerando guerras de argumentos, que não ajudam a ninguém crescer. Já dizia o Tao, o melhor caminho é o do meio, buscando pra si (e seus argumentos) o melhor de cada um.

Yulliah, the Newbie disse...

E faz favor de usar essa fonte e essa cor comom padrão n blog, que essa letra preta é uma desgraça!

Dan disse...

Obrigado por suas palavras em meu blog e pelo lugar no seu. Seu blog é muito legal, como professor de História vou recomendá-lo, faltava um blog assim.
Abraços,
Danilo

Dan disse...

Novamente obrigado, pelo belissímo comentário em meu post "Pedagogia com Amor". É necessário encontrar pessoas como você que entendem educação como algo maior que uma sala de aula. É preciso unir as forças.
Abraços,
Dan