segunda-feira, 22 de setembro de 2008

OS TRILHOS DA EMANCIPAÇÃO

OS TRILHOS DA EMANCIPAÇÃO por douguera


Durante o Brasil colônia, a princípios a hegemonia metropolitana parece indiscutível. Algumas questões eram indubitáveis, por exemplo: no século XVI o Brasil era periférico nos interesses metropolitanos. Porém o mercantilista e a hegemonia metropolitana sofreram interferência de uma espécie de “autoridade negociada”, que fez o poder metropolitano trabalhar de forma heterogênea, devido a uma descentralização sistemática. O Brasil colônia, portanto, caminhava para uma crescente autonomia, que corrobora para criar uma identidade nacional.

A autoridade negociada e os núcleos de poder:


O enfraquecimento do poder metropolitano assumiu diversas formas durante o período colonial: recusa de pagar imposto; escoamento de postos de fiscalização; evasão do serviço militar. Uma das traquinagens dos colonos a fim de burlar a máquina colonial pode ser visto no exemplo da mistura de estanho com ouro.

Outro ponto a ser notado era a interação social e econômica entre as periferias. O exemplo dessa relação entre colônias destaca-se o comercio entre Brasil e Angola; Brasil e Macau; Brasil e Moçambique. Esse comercio reduzia e enfraquecia o papel da metrópole, fortalecendo o Brasil como líder entre as periferias e colaborando ainda para os grupos locais de poder, exemplo claríssimo de “autoridade negociada”.


Senhores de engenho e comerciantes em diferentes períodos e lugares formaram grupos de poder centrais para a organização não apenas de suas regiões, mas de todo o Brasil, fomentado uma negociação como o sistema colonial. Um fato a ser notado é que, a compra de cargos por intermédio dessa negociação, estimulou ao nascimento de Oligarquias locais, que acabaram por obter domínio exclusivo sobre determinados postos, esse domínio muitas das vezes assumiu um caráter hereditário, sempre com o mesmo potencial de negociação da dominação metropolitana.

Por diversos momentos a autoridade de Vice Reis e Governadores Gerais, eram submetidos à pressão de grupos de poder locais como: fazendeiros, comerciantes, bispos, lideres religiosos.

A Balkanização:


A vulnerabilidade administrativa foi até mesmo favorecida por circunstâncias naturais: a distancia centro para a periferia; precariedade das formas de comunicação; demografia; fraquezas humanas por parte dos representantes da monarquia, sujeitos de fácil sujeição e corruptíveis, e a diversidade dos “vários Brasis”.


Todas essas prerrogativas contribuíram para uma crescente balkanização, ou seja, fragmentação da colônia em núcleos de poder. Fazendo com que o sistema colonial e sua iniciativa de uma colonização homogênea de fato, nuca ter conseguido se concretizar. Essa crescente balkanização teve inicio no século XVI e atingiu o ponto máximo no século XIX. Podemos dizer ainda que esse crescente processo de autonomia, palavra que não usei ainda pois julgo ter uma abrangência maior que a formação de núcleos locais que negociavam a dominação, pode ser representada por uma elevação de uma elite local, que foi fundamentalmente favorecida com a interiorização da metrópole, traduzindo, a vinda da família real para o Brasil em 1808, prenunciando um novo Estado.


bibliografia:

RUSSELL-WOOD, AJR. Centros e Periferias no Mundo Luso-Brasileiro 1500/1808, Rev. Bras. de História, Vol. 18, nº 36, SP, 1998.

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